Assim como o treinador mineiro Martim Francisco (1928-1982) criou o sistema 4-2-4, Zagallo costuma negar mas, sem dúvida, foi ele quem introduziu no futebol brasileiro o esquema 4-3-3, atuando recuado, armando o jogo, pela ponta-esquerda.
Sua carreira começou no América Football Club, do Rio, pelo qual jogou nas categorias de base em 1948 e 1949. Em 1950 já estava no Flamengo, sagrando-se tricampeão carioca em 1953-1954-1955.
Convocado por Vicente Feola (1909-1975) para a Copa do Mundo de 1958, Zagallo, por seu jogo estratégico, barrou o titular Pepe, do Santos, conquistando para o Brasil o primeiro título de campeão mundial, na Suécia.
Na volta, numa transação inesperada, assinou contrato com o Botafogo, já que era dono de seu próprio passe, clube pelo qual atuou até encerrar a carreira de jogador em 1965. Durante o período, foi bicampeão como jogador (1961-1962) e, mais tarde, como técnico, em 1967-1968.
Seu êxito como treinador, com Paulo César Lima exercendo seu papel de ponta-esquerda recuado, o levou à Seleção Brasileira em substituição a João Saldanha (1917-1990), logo após as eliminatórias. Ficou consagrado no México, com o tricampeonato e a posse definitiva da Taça Jules Rimet, voltou ao Rio e tornou-se campeão carioca pelo Fluminense em 1971.
Retornou à Seleção Brasileira em 1974, sem êxito na Alemanha, mas fez parte da conquista do tetracampeonato mundial como auxiliar de Carlos Alberto Parreira em 1994.
Novamente à frente da Seleção, na França, em 1998, perdeu o título na final para os franceses. Apesar disso, tornou a ocupar o cargo de auxiliar técnico de Parreira na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, quando o Brasil foi eliminado pela França. Mas sua fama de treinador espalhou-se pelo mundo árabe, quando dirigiu Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Al Hellal.
No Brasil, além de Botafogo e Fluminense, foi técnico do Vasco e do Bangu, até retirar-se do futebol.
Supersticioso ao extremo, Zagallo adotou o número 13 como seu preferido e hoje mora na Avenida Sernambetiba, na Barra da Tijuca, e seu apartamento é simplesmente o 1301. Confissão
Titular da cobertura do Botafogo, Sandro Moreyra (1917-1987) era praticamente insubstituível. Mas às vésperas de jogos importantes, o editor de esportes Oldemário Touguinhó (1934-2002) mandava um redator para ajudá-lo. Fui um deles em 1969, às vésperas de um jogo contra o Flamengo. Informado de que Tim (1915-1984) havia armado um esquema especial para parar Jairzinho e Roberto, interroguei Zagallo após o coletivo. Por não me conhecer, Zagallo foi duro comigo (o Botafogo perdeu de 2 a 1). Hoje somos amigos e recentemente ele me esclareceu a conversa que teve com Didi após o primeiro gol da Suécia em 1958, na final de Estocolmo. Didi foi buscar a bola no fundo das redes de Gilmar e caminhou até o meio do campo falando com Zagallo. A imprensa publicou que Didi disse a Zagallo que eles estavam acostumados a enfrentar os suecos pelo Botafogo e que não haveria problema para a reação.
Zagallo me disse simplesmente o seguinte:
- Como é que eu poderia ter uma conversa dessas se eu jogava no Flamengo...Eu estava é assustado...
Mário Jorge Lobo Zagallo 9 de agosto de 1931 Satuba, AL
Principais títulos
Como jogador Bicampeão do mundo pela seleção brasileira (Copas de 58 e 62) Tricampeão carioca pelo Flamengo (1953, 54 e 55) Bicampeão carioca pelo Botafogo (1961 e 62)
Como técnico Campeão do mundo como técnico na Copa de 1970 Campeão do mundo como auxiliar-técnico na Copa de 1994