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Um jogo que nasceu delicado
O vôlei é um irmão mais novo do basquete. Foi inventado, assim como o basquete quatro anos antes, no seio da Associação Cristã de Moços americana, mas então na cidade de Holyoke, no estado de Massachussets. A data oficial da criação foi fixada como 9 de fevereiro de 1895. Ao imaginá-lo, o professor William George Morgan tinha em mente proporcionar às pessoas mais velhas um jogo de equipes que cansasse menos do que o basquete, não exigisse contato físico entre os adversários e reduzisse os riscos de lesão.
Em rápida evolução, cada vez mais o vôlei deixou de ser uma recreação para se tornar um esporte competitivo, exigindo grande preparo físico, precisão no toque de bola e força física na impulsão e no arremate.
O jogo se espalhou pelos Estados Unidos e em 1900 chegou ao Canadá. Em 1908, estava na China e no Japão. O primeiro país sul-americano a conhecê-lo foi o Peru, para onde foi levado, com o basquete e o handebol, por uma missão americana que organizaria a instrução primária no país. Mas só com a apresentação e o incentivo da ACM de Montevidéu, Uruguai, a partir de 1912 o vôlei atingiu os outros países da América do Sul.
Em 1947 foi fundada em Paris a Federação Internacional de Volley Ball (FIVB). Dois anos mais tarde, realizou-se o primeiro Campeonato Mundial masculino e, em 1952, o feminino. Em 1964, o vôlei passou a fazer parte do programa dos Jogos Olímpicos.
O esporte deu filhote. Jogado antes como diversão, o vôlei de praia ganhou regras oficiais em 1986 e status olímpico em 1996.
Seis contra seis, e o Brasil vence
No Brasil, há dúvida: uns dizem que se jogou vôlei pela primeira vez em 1915, no Colégio Marista de Pernambuco, outros que foi introduzido entre 1916 e 1917 na ACM de São Paulo. Mas só explodiu mesmo, como esporte de grande mobilização popular, mais de sessenta anos depois, com apoio de empresários e visibilidade na TV, num processo muito rápido de profissionalização que elevou o Brasil a concorrente direto de potências como Estados Unidos, União Soviética (depois, Rússia), Iugoslávia (depois, Sérvia), Itália. Os resultados começaram a surgir: seleção masculina vice-campeã mundial em 1982, medalha de prata na Olimpíada de 1984. Nos Jogos de Barcelona, em 1992, ouro no masculino, quarto lugar para o time feminino, que ganha bronze quatro anos depois. A partir de então, a história do vôlei brasileiro é uma sucessão de conquistas que acabará por tornar o país um impressionante vencedor de títulos múltiplos, exportador de talentos da maior grandeza – uma escola de vôlei reconhecida pelo mundo todo. Cada geração acrescenta nomes de grande brilho a uma lista que sempre cresce. Jogadores e jogadoras se tornam quase tão conhecidos como os de futebol. Ambas as seleções, masculina e feminina, ocupavam em 2007 o topo do ranking da FIVB.
Não foi à toa que, depois de mais uma vitória da Seleção Brasileira, um jornalista italiano definiu: “O vôlei é um jogo de seis contra seis, com uma rede no meio e, no fim, o Brasil vence”.
Curiosidades
A palavra inglesa volley tem vários significados, entre eles “rebater a bola antes que ela toque o chão” e “saraivada de artilharia”. Nos dois sentidos, justificam o nome volleyball (voleibol).
Durante uma partida, um jogador dá de sessenta a oitenta saltos entre saques, ataques e bloqueios. Em jogos mais corridos, alguns chegam a cem saltos.
Nos Jogos Olímpicos de 1988, uma nova regra impediu a interrupção do jogo para que se pudesse secar a quadra. Os jogadores passaram a entrar com toalhinhas presas na parte de trás do calção e as usavam sempre que o suor molhava o piso. O bom senso logo derrubou a regra.
A primeira quadra de vôlei, na ACM de Holyoke, EUA, media 15,35 m de comprimento por 7,625 m de largura. O alto da rede ficava a 1,98 m de altura. Hoje, a quadra mede 18 m por 9 m e a altura da rede varia: para homens adultos, 2,43 m; para mulheres adultas: 2,24 m; para as categorias menores, alturas proporcionalmente menores.
Os pioneiros do vôlei tentaram, primeiro, jogar com bola de basquete – não deu certo, era muito pesada. Depois, experimentaram só com a câmara de ar da bola de basquete – não machucava, mas estava longe de ser ideal. Então, encomendaram à fábrica A. G. Spalding & Brothers uma bola especial para o novo esporte. Era uma câmara de borracha coberta de couro ou lona de cor clara, com 67,5 cm de circunferência e peso entre 255 g e 340 g. Hoje, a bola oficial é de couro sintético, tem aproximadamente 65 cm de circunferência e pesa em torno de 270 g.