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por Celso Unzelte
A história do Sport confunde-se com o início do próprio futebol em Pernambuco. Como diz a própria letra do hino oficial do clube: “Treze de maio de 1905, dia divino em que Guilherme de Aquino reúne no Recife ardentes seguidores fundando esta nação de vencedores”. Estudante recém-chegado da Inglaterra, foi Aquino quem trouxe a primeira bola de futebol para Pernambuco. E também foi ele quem fundou o rubro-negro.
Na primeira partida de sua história, contra o English Eleven (equipe formada por funcionários de companhias britânicas instaladas no Recife), realizada pouco mais de um mês depois da fundação, em 22 de junho de 1905, o Sport empatou: 2 a 2. Em 1915 é fundada a Liga Sportiva Pernambucana, e já nos dois anos seguintes, 1916 e 1917, o Sport obtém os primeiros de seus 37 títulos estaduais.
Na década de 1920, vem o primeiro tricampeonato, em 1923, 1924 e 1925; na de 1940, o segundo, em 1941, 1942 e 1943; e na de 1980, o terceiro, em 1980, 1981 e 1982. Entre 1996 e 2000, o Sport alcança seu recorde dentro do Estado: pentacampeão.
Nacionalmente, o Sport começou a se destacar já em 1941, durante a excursão ao sul do país em que revelou Ademir de Menezes, futuro artilheiro do Vasco e da Copa do Mundo de 1950 pela seleção brasileira. Na década de 1960, o Sport participa pela primeira vez de uma competição nacional, a Taça Brasil, e já em 1971 disputa o primeiro Campeonato Brasileiro.
Em 1987, o Leão da Ilha, como é chamado por causa do animal presente em seu escudo e de seu estádio, a Ilha do Retiro, alcança sua maior glória: o título de campeão brasileiro. Vencedor do Módulo Amarelo, título dividido com o Guarani, o Sport classifica-se para a decisão nacional ao lado do próprio Guarani e de Flamengo e Inter, campeão e vice da Copa União, equivalente ao Módulo Verde.
Rubro-negros e colorados, porém, negam-se a participar da disputa, alegando que já haviam enfrentado os maiores times do Brasil na Copa União, enquanto Sport e Guarani vinham de uma espécie de segunda divisão disfarçada. Sport e Guarani, então, vão a campo para a disputa do título de campeão brasileiro oficializada pela CBF.
O rubro-negro leva a melhor no segundo jogo, ganhando por 1 a 0 na Ilha do Retiro, gol do zagueiro Marco Antônio. O clube é oficializado pela CBF como o campeão brasileiro daquele ano e um dos representantes do Brasil na Libertadores em 1988.
A má campanha no Brasileiro de 2001 leva o Sport à Série B, de onde a equipe só consegue sair em 2006, como vice-campeã. De volta à Série A em 2007, em 2008 o Sport volta a alcançar a glória nacional, com o título da Copa do Brasil, conquistado diante do Corinthians, que garante à equipe a presença na Libertadores em 2009, pela segunda vez em sua história.
Sport desde "pequenininho"
Quem tiver oportunidade de ler o texto contido nesta seção sobre o Náutico vai saber que sou filho de mãe pernambucana. Quem não tiver que saiba agora. E se a parte urbana desse ramo da minha família optou pelo Náutico, a rural (incluindo minha própria mãe, chegada a São Paulo em 1957) ficou com o Sport.
Quanto a mim, quando criança, tinha a mania de “adotar” em cada Estado brasileiro um time da minha simpatia, algo que a garotada costuma fazer hoje com os Milans e Reais Madrid da vida. E em Pernambuco essa minha simpatia recaía sobre o Sport.
Principalmente pela força de suas cores rubro-negras, mas não só por isso. Na primeira vez em que estive no Recife, entre o final de 1980 e o início de 1981, vim saber, pelos dizeres contidos em um selim de bicicleta rubro-negro, que o Sport era “o mais forte”, na época “22 vezes campeão”.
Mais que isso, a base daquele time atual campeão pernambucano de 1980, que chegaria ao bi em 1981 e, depois, ao tri em 1982, era formado por muitos jogadores conhecidos, o que facilitava ainda mais a identificação: tinha País, o ex-goleiro do América carioca; os zagueiros Antenor e Jaime, que foram do São Paulo; Taborda, o volante uruguaio que não deu certo no Corinthians; Edu, o Edu Bala, do grande Palmeiras da década de 1970; Givanildo, outro ícone corintiano do tempo da invasão corintiana ao Maracanã, em 1976.
De volta a São Paulo, trouxe dois times de botão de Pernambuco, um do Sport e o outro do Santa, o grande rival do rubro-negro na época. Jogava sempre, e diariamente, com o do Sport, contra o Santa Cruz do Carlos, um grande amigo de infância.
Depois disso, acompanhei o crescimento do clube, principalmente a partir do sempre contestado título de campeão brasileiro de 1987. Vi a sedimentação de seu domínio em Pernambuco, com um pentacampeonato no final do século passado, e agora assisto à sua ascensão nacional, a partir da conquista da Copa do Brasil deste ano. Com a mesma satisfação de meus tempos de criança.
Jogadores mais marcantes
Ademir de Menezes (atacante, 1939 a 1942)
Manga (goleiro, 1957 a 1959)
Raul Betancourt (meia-esquerda, 1959 a 1964)
Dario (centroavante, 1975 e 1976)
Carlinhos Bala (atacante, desde 2007)
Nome: Sport Club do Recife
Fundação: 13/5/1905
Apelido: Leão
Estádio: Ilha do Retiro, 35 000
Títulos mais importantes
1 Brasileiro (1987); 1 Copa do Brasil (2008); 1 Brasileiro da Série B (1990); 37 Campeonatos Pernambucanos (1916/17, 1920, 1923/24/25, 1928, 1938, 1941/42/43, 1948/49, 1953, 1955/56, 1958, 1961/62, 1975, 1977, 1980/81/82, 1988, 1991/92, 1994, 1996/97/98/99/2000, 2003 e 2006/2007/2008/ 2009)
Hino
Autor: Eunitônio Edir Pereira
Com o Sport
Eternamente estarei
Pois rubro-negras são as cores que abracei
E o abraço, de tão forte,
Não tem separação
Pra mim, o meu Sport
É religião
A vida a gente vive
Pra vencer
Sport, Sport
Uma razão para viver
Treze de Maio,
Mil novecentos e cinco
Dia divino em que Guilherme de Aquino
Reúne, no Recife, ardentes seguidores
Fundando esta nação de vencedores
Que encanta, enobrece e dá prazer
Sport, Sport
Uma razão para viver
Eterno símbolo de orgulho
É o pavilhão
De listras pretas e vermelhas,
Com o Leão
Erguendo, imponente, o imortal escudo
Mostrando a gente que o Sport é tudo
Que a vida tem de belo a oferecer
Sport, Sport
Uma razão para viver
São gerações e corações
Fazendo a história
São campeões e emoções
Tecendo a glória
Do bravo Leão da Ilha, Sport obsessão
Que faz bater mais forte o coração
Torcida mais fiel não pode haver
Sport, Sport
Uma razão para viver