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Por André Argolo
Naquelas listas de melhores do mundo feitas em guardanapos na mesa de bar, no fundo de um caderno em recreio de escola, em blogs na internet, não importa a nacionalidade dos craques eleitos, na imaginação todos vestem camisas amarelas e shorts azuis.
A seleção nacional mais bem sucedida do mundo ligou as palavras craque e brasileiro na mente do mundo em torno do futebol. Essa fama vem de 1958, a conquista da primeira Copa do Mundo na Suécia, foi reforçada em 1962 com o bicampeonato na Copa do Chile, transformou-se em mito na do México, em 1970, foi mantida mesmo na derrota em 1982, pelo encanto em campo, retomada em 1994, nos Estados Unidos e sacramentada na Copa de 2002, no chamado outro lado do mundo (outro lado pra quem?).
A primeira seleção brasileira da história foi reunida em 1914, para enfrentar um clube inglês, o Exceter City, no Rio de Janeiro. O Brasil venceu por 2 a 0 e o primeiro gol foi de Oswaldo Gomes, o segundo de Osman. O craque da equipe era Friedenreich.
O Tigre, como ele era chamado, com um golaço deu ao Brasil o primeiro título internacional, em 1919. Foi no mesmo estádio das Laranjeiras, no Rio, na decisão do Campeonato Sul-Americano, contra o Uruguai.
Copas do Mundo
A seleção brasileira é a única até hoje a ter disputado todas as Copas do Mundo. Na primeira, em 1930, no Uruguai, a participação foi marcada por uma briga entre paulistas e cariocas. Com exceção de Araken Patuska, que brigou com o Santos para ir, todos os outros jogadores jogavam no Rio de Janeiro. O Brasil ficou em sexto.
Em 1934, na Itália, foi a Copa de um jogo só. O torneio começou já como oitavas-de-final e o Brasil perdeu para a Espanha. Leônidas da Silva era o astro brasileiro. Um jogo, uma derrota, 14º lugar.
Em 1938, na França, finalmente o brilho. Vitória sobre a Polônia nas oitavas, outra no segundo jogo com a Tchecoslováquia nas quartas (o primeiro deu empate) e o Brasil só caiu nas semifinais para a campeã Itália. Na decisão pelo terceiro, deu Brasil sobre a Suécia e com Leônidas artilheiro da competição, com 8 gols.
Depois da Segunda Grande Guerra, a Copa foi no Brasil, em 1950. O país poderia ter comemorado a melhor colocação até então, um segundo lugar. Mas a confiança na conquista era tão grande que ficou para a história a maior decepção brasileira com o futebol, no recém-construído maior estádio do mundo, o Maracanã. O Uruguai campeão transformou a camisa branca do uniforme brasileiro no manto de um fantasma.
Em 1954, na Suíça, a seleção jogou de amarelo. Parou nas quartas-de-final, com derrota para o time da Hungria. Terminou em sexto lugar.
A Copa de 1958, na Suécia, foi quando começou a história vencedora. O primeiro título brasileiro teve Pelé e Garrincha. E isso resume tudo.
A de 1962, no Chile, teve Pelé machucado e Garrincha resolveu a parada. Bicampeonato conquistado.
Na Inglaterra, em 1966, foi um vexame. Da desorganização dos dirigentes brasileiros, que convocaram quase três seleções, passando pela caçada portuguesa a Pelé e fechando com o polêmico gol da Inglaterra, o do título. Brasil, 11º colocado.
Ela não tinha como saber de seu horrível destino, derretida por bandidos comuns, mas a bela Jules Rimet caiu nos braços de Carlos Alberto Torres completamente rendida aos encantos da seleção brasileira de 1970, tricampeã do mundo, no México.
A Copa de 1974, na Alemanha, já não tinha Pelé, aposentado desde 71 da seleção. No Mundial de Cruyff e Beckenbauer não deu para Rivellino e companhia. Quarto lugar.
Em 1978, sob a sangrenta ditadura na Argentina, dificilmente o título não ficaria en la Casa Rosada. O Brasil fez boa Copa e terminou como campeão moral, o outro nome para terceiro lugar.
Na Espanha, em 1982, um fenômeno: assim como a Hungria de Puskas em 54, uma seleção que entrou para a história, mesmo sem título. Zico, Falcão, Sócrates, Júnior, Leandro, Telê Santana no comando e um ideal na cabeça, o futebol-arte. A Itália, campeã, encerrou a exposição brasileira, que terminou em quinto lugar.
O Brasil de 1986, no México, foi como a continuação de um ótimo filme. Não emocionou tanto quanto a de 82, apesar do elenco parecido, com Zico e Sócrates. Parou na França de Platini, em decisão por pênaltis nas quartas-de-final. De novo, quinto lugar.
Pior foi na Copa da Itália, em 1990. Maradona, em uma daquelas jogadas desconcertantes dele, encontrou Caniggia à frente, que fez Argentina 1 x 0 Brasil nas oitavas-de-final. Nono lugar.
Se já passava da hora de retomar a hegemonia no futebol mundial, Carlos Alberto Parreira trabalhou duro na Copa de 1994, nos Estados Unidos, cimentou Dunga e Mauro Silva no meio-campo e deixou que Bebeto e Romário cuidassem do resto. O Brasil era campeão do mundo pela quarta vez.
Em 1998, Ronaldo parecia no auge. Mas na decisão contra os franceses, donos da casa, fenomenal foi Zinedine Zidane. Ronaldo teria tido uma convulsão poucas horas antes da final e o restante da equipe não demonstrou brio suficiente.
O mesmo Ronaldo sacudiu a poeira das bandeiras guardadas, deu a volta por cima e fez pela seleção brasileira uma das mais marcantes Copas de um jogador de futebol. Brasil pentacampeão mundial em 2002, no Japão e Coréia.
A camisa mais poderosa dos gramados do mundo meteu medo em todos os adversários da Copa seguinte, na Alemanha, em 2006. Com tantos craques juntos. Faltou jogar o que sabiam. Zidane foi o fim da linha nas quartas-de-final. Quinto lugar.