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- 19h13
- 10Dec
VÍDEO e ÁUDIO: São Paulo fatura tri e hexa inéditos após arrancada assombrosa
por Fábio Matos, do ESPN.com.br
Até este domingo, dia 7 de dezembro de 2008, o São Paulo Futebol Clube, fundado em 16 de dezembro de 1935, jamais havia conquistado três títulos consecutivos em nenhum dos campeonatos que disputou em mais de 70 anos de história. Além disso, desde a primeira edição do Campeonato Brasileiro, em 1971, nenhuma equipe possuía a honra de ter levantado o troféu nacional por três temporadas seguidas. Pois a escrita acabou.
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Após o apito final da partida contra o Goiás, no estádio Bezerrão, no Gama (DF), o time comandado pelo treinador Muricy Ramalho fez história e confirmou uma conquista que já era esperada por jogadores, comissão técnica, dirigentes e opinião pública pelo menos desde a vitória sobre o Vasco em São Januário, por 2 a 1, quando o Tricolor abriu cinco pontos de vantagem na classificação em relação ao vice-líder Grêmio. O tri era mesmo apenas uma questão de tempo.
A taça assegurada matematicamente neste domingo também é histórica para Muricy. O comandante tricolor, em sua segunda passagem pelo clube desde o início de 2006, chega ao terceiro título brasileiro consecutivo na carreira – igualando um feito até então exclusivo do ex-técnico Rubens Minelli, tricampeão entre 1975 e 1977 (pelo Internacional, nos dois primeiros anos, e pelo próprio São Paulo, no último). De quebra, com mais um troféu em sua galeria, o São Paulo se isola na ponta do ranking de títulos do Campeonato Brasileiro, com seis conquistas (1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008). Ninguém ganhou mais que o Tricolor.
Início turbulento
Apontado como um dos principais favoritos ao título nacional antes do início do Brasileirão, o bicampeão São Paulo inspirou desconfiança logo na estréia na competição. O primeiro compromisso aconteceu no dia 10 de maio, no Morumbi, e o adversário coincidentemente foi o time com o qual o São Paulo brigou pelo título na reta final do campeonato: o Grêmio. Os gaúchos, fortemente questionados após a perda do estadual e a eliminação na Copa do Brasil, derrotaram os anfitriões por 1 a 0. Naquela ocasião, a equipe de Muricy Ramalho entrou em campo com vários jogadores reservas por conta da prioridade dada pelo clube à disputa da Copa Libertadores da América.
Mas foram justamente as más atuações nos primeiros jogos pelo torneio continental – aliadas à queda na semifinal do Campeonato Paulista diante do rival Palmeiras – que geraram um clima de turbulência no começo de temporada do São Paulo. Na segunda rodada, em 18 de maio, a equipe não saiu do empate por 1 a 1 com o Atlético-PR na Arena da Baixada e, uma semana depois, nova decepção em casa: 1 a 1 com o Coritiba, o que deu ao time apenas o segundo ponto conquistado em nove disputados no Brasileirão. O sinal amarelo acendera de vez no Morumbi.
O momento mais delicado do São Paulo em 2008 foi vivenciado exatamente no período entre os duelos contra os dois times paranaenses. No dia 21 de maio, no Maracanã, os comandados de Muricy foram batidos pelo Fluminense por 3 a 1, com direito a um gol sofrido nos acréscimos do segundo tempo, e se despediram da Libertadores nas quartas-de-final. O mesmo filme de 2007 se repetiu: forte questionamento sobre o trabalho do treinador e abatimento geral do elenco.
De volta à competição nacional, a overdose de empates continuou no primeiro clássico paulista da equipe no Campeonato Brasileiro – 0 a 0 com o Santos, na Vila Belmiro, em 1º de junho, uma das piores exibições são-paulinas na temporada. A primeira vitória só veio na quinta rodada, em 7 de junho, no Morumbi, com uma convincente goleada por 5 a 1 sobre o Atlético-MG. Mas a campanha ainda era decepcionante: apenas seis pontos ganhos em 15 disputados.
De volta ao Rio de Janeiro pela primeira vez desde a fatídica eliminação na Libertadores, o São Paulo fez uma de suas melhores partidas no campeonato no dia 14 de junho: vitória por 4 a 2 sobre o líder e até então invicto Flamengo. No primeiro confronto direto ante um forte concorrente na briga pela taça, a equipe do Morumbi deu alento aos torcedores de que poderia, enfim, se reencontrar na competição. Na rodada seguinte, vitória magra por 1 a 0 sobre o Sport, campeão da Copa do Brasil, no Morumbi (21 de junho). E, logo em seguida, outro embate contra um dos favoritos ao título, o Cruzeiro: empate por 1 a 1 no Mineirão, em 29 de junho.
Quando a desconfiança em relação ao mau início de Brasileirão parecia arrefecer, o São Paulo perdeu dois pontos inacreditáveis em um duelo contra o pior time do campeonato, o modesto Ipatinga, em pleno Morumbi: 1 a 1, no dia 6 de julho. Para piorar, três dias depois, nos Aflitos, a equipe paulista caiu diante do Náutico por 2 a 1. Após dez rodadas, não eram poucas as vozes que já se apressavam a decretar que o atual bicampeão estava fora da briga pelo tri.
No dia 13 de julho, houve o primeiro clássico entre São Paulo e Palmeiras desde o triunfo alviverde nas semifinais do Paulistão. Jogando bem, o Tricolor levou a melhor por 2 a 1 e sinalizou novamente uma reação. A confiança aumentou após o 3 a 1 sobre o Vitória, em pleno Barradão, em Salvador, no dia 16, e foi confirmada no dia 20 com o 2 a 1 em cima do Botafogo no Morumbi. A série de três vitórias consecutivas foi interrompida no difícil compromisso diante do Internacional, no Beira-Rio, em 23 de julho, 2 a 0 para o Colorado.
Depois disso, mais três partidas sem derrota: vitória por 3 a 1 sobre a Portuguesa (27 de julho), empate por 1 a 1 com o Figueirense em Santa Catarina (30 de julho) e goleada por 4 a 0 sobre o Vasco no Morumbi (3 de agosto), na estréia do atacante André Lima, autor de dois gols, que acabou não se firmando entre os titulares – os outros gols foram de Rogério Ceni, um de falta de um de pênalti. Já sem uma de suas principais peças, o volante Hernanes, que defendia a seleção olímpica nos Jogos de Pequim, o São Paulo perdeu, de virada, para o Fluminense, algoz da Libertadores, por 3 a 1, de novo no Maracanã (6 de agosto).
Nem a vitória por 2 a 1 sobre o Goiás, no dia 9, em casa, animou o Tricolor. Em um duelo apontado por muitos como “de vida ou morte” para as pretensões do clube no Brasileirão, contra o Grêmio, em 17 de agosto, no estádio Olímpico, os donos da casa venceram por 1 a 0 e estabeleceram uma vantagem de 11 pontos em relação ao São Paulo na tabela. Dizia a lógica que aquele resultado indicava o fim do sonho do hexacampeonato nacional. Mas existe lógica no futebol?
O ‘divisor de águas’ e a arrancada final
Os próprios jogadores são-paulinos não escondiam que a crença no tricampeonato brasileiro havia diminuído muito dentro do elenco após mais uma derrota para o líder Grêmio e a desvantagem de 11 pontos na classificação. Na 21ª rodada, em 20 de agosto, a equipe do técnico Muricy Ramalho bateu o Atlético-PR por 3 a 1 no Morumbi e sinalizou à torcida que, pelo menos, uma vaga na Libertadores-2009 era obrigação do grupo. No dia 24 de agosto, novo empate, 2 a 2 com o Coritiba, fora de casa. E, na seqüência, mais um duelo medíocre diante do Santos e nova igualdade no placar, desta vez sem gols, no Morumbi (31 de agosto).
O mês de setembro começou, dando início ao último trimestre de disputas do Campeonato Brasileiro, e o São Paulo foi a Minas Gerais enfrentar o Atlético-MG – sobre o qual havia aplicado uma sonora goleada no primeiro turno, 5 a 1. O que se viu no gramado do Mineirão, entretanto, foi uma equipe dominada pelos anfitriões e que arrancou o empate por 1 a 1 a “duras penas”. Jogadores e comissão técnica do clube apontam essa partida como o “divisor de águas” do Tricolor na temporada.
“Depois daquele jogo contra o Atlético-MG, em que jogamos muito mal, tive uma conversa dura com os jogadores”, conta Muricy. “Disse para eles que, se continuássemos jogando daquele jeito, não brigaríamos nem por vaga na Sul-Americana. Era o momento de mexer com o grupo e acho que consegui fazer isso.” Na mesma semana, o capitão Rogério Ceni deu declarações à imprensa dizendo que não gostaria de, em 2009, ter de “jogar em Macapá (no Amapá) e não em Maracaíbo (na Venezuela)”, em alusão à possibilidade de o time ter de se contentar com a Copa do Brasil e ficar de fora da Libertadores. Tanta pressão parece ter mexido com o brio dos atletas.
A partir do dia 14 de setembro, a menos de três meses do fim do Brasileirão, o que se viu foi um São Paulo brigador, de forte poder de marcação, com um meio-de-campo baseado na vitalidade de seus dois volantes com ótima qualidade técnica (Jean e Hernanes, que reeditavam a dupla Richarlyson e Hernanes de 2007) e na recuperação de Hugo, meia até então muito criticado pela torcida e que quase deixou o Morumbi no primeiro semestre. A defesa se acertou com Miranda, André Dias e Rodrigo, e até o ataque, antes questionado, passou a desencantar, com a dupla Dagoberto e Borges finalmente se firmando.
Contra o Flamengo, no Morumbi, vitória por 2 a 0; em seguida, empate por 0 a 0 com o Sport na Ilha do Retiro (21 de setembro); 2 a 0 sobre o Cruzeiro (28 de setembro); 3 a 1 no Ipatinga (4 de outubro); e 1 a 0 no Náutico (9 de outubro). Nessa partida, Hernanes, de volta da Olimpíada, garantiu a vitória com um gol aos 39 minutos do segundo tempo no Morumbi. E desabafou: “Sei que não voltei bem da seleção e não vinha apresentando tudo o que podia aqui no São Paulo. Quero ajudar o clube nesta reta final”, disse o volante. Talvez nem ele acreditasse que aquele seria o início de uma das maiores arrancadas da história do Campeonato Brasileiro.
No dia 19 de outubro, o clássico contra o Palmeiras marcava o reencontro do São Paulo com o rival no estádio Palestra Itália – após o polêmico “caso do gás” no vestiário do Tricolor em duelo entre os dois times na semifinal estadual. Os visitantes surpreenderam o Alviverde no primeiro tempo, abriram 2 a 0 e deram a impressão de que não teriam problemas para vencer fora de casa. Mas o Palmeiras marcou dois gols em três minutos, no fim do jogo, e arrancou o 2 a 2 no placar. “Ficamos tristes por não termos conseguido segurar a vantagem, mas sabemos que o time vem melhorando bastante”, disse Jorge Wagner, o rei das assistências no São Paulo também em 2008 e que voltou à velha forma justamente com o crescimento da equipe, após sofrer um drama pessoal com um problema de saúde do filho recém-nascido.
Vieram, então, nada menos que seis vitórias consecutivas: 2 a 1 sobre o Vitória (23 de outubro), 2 a 1 no Botafogo (29 de outubro), 3 a 0 no Internacional (2 de novembro), 3 a 2 na Portuguesa (8 de novembro), 3 a 1 no Figueirense (16 de novembro) e 2 a 1 no Vasco (23 de novembro). No último domingo, em um Morumbi com quase 70 mil torcedores, o São Paulo teve de segurar o grito de "campeão" após empatar por 1 a 1 com o Fluminense. Mas no fim das contas, veio a festa: se, no primeiro turno, Muricy Ramalho não conseguiu acertar o São Paulo, a campanha no returno foi mesmo impecável.
Uma frase de Muricy, o segundo tricampeão brasileiro da história e verdadeiro “rei dos pontos corridos” (três títulos e um vice-campeonato desde 2003, quando essa fórmula de disputa foi implementada), dá conta da importância da arrancada assombrosa do São Paulo nos três últimos meses do Brasileirão. “Deixaram a gente chegar... agora é difícil, nosso time é encardido”, brincava o treinador, quando a equipe paulista começava a aparecer no retrovisor dos líderes. Não foi por falta de aviso. Palavra de tri.
A campanha do título
10/05/2008 18:10 (sáb) São Paulo 0 x 1 Grêmio
18/05/2008 16:00 (dom) Atlético-PR 1 x 1 São Paulo
25/05/2008 16:00 (dom) São Paulo 1 x 1 Coritiba
01/06/2008 16:00 (dom) Santos 0 x 0 São Paulo
07/06/2008 18:20 (sáb) São Paulo 5 x 1 Atlético-MG
14/06/2008 16:00 (sáb) Flamengo 2 x 4 São Paulo
21/06/2008 18:10 (sáb) São Paulo 1 x 0 Sport
29/06/2008 16:00 (dom) Cruzeiro 1 x 1 São Paulo
06/07/2008 18:10 (dom) São Paulo 1 x 1 Ipatinga
09/07/2008 21:45 (qua) Náutico 2 x 1 São Paulo
13/07/2008 16:00 (dom) São Paulo 2 x 1 Palmeiras
16/07/2008 21:50 (qua) Vitória 1 x 3 São Paulo
20/07/2008 18:10 (dom) São Paulo 2 x 1 Botafogo
23/07/2008 21:50 (qua) Internacional 2 x 0 São Paulo
27/07/2008 18:10 (dom) São Paulo 3 x 1 Portuguesa
30/07/2008 21:50 (qua) Figueirense 1 x 1 São Paulo
03/08/2008 16:00 (dom) São Paulo 4 x 0 Vasco
06/08/2008 21:50 (qua) Fluminense 3 x 1 São Paulo
09/08/2008 18:10 (sáb) São Paulo 2 x 1 Goiás
17/08/2008 16:00 (dom) Grêmio 1 x 0 São Paulo
20/08/2008 20:30 (qua) São Paulo 3 x 1 Atlético-PR
24/08/2008 16:00 (dom) Coritiba 2 x 2 São Paulo
31/08/2008 16:00 (dom) São Paulo 0 x 0 Santos
03/09/2008 22:00 (qua) Atlético-MG 1 x 1 São Paulo
14/09/2008 16:00 (dom) São Paulo 2 x 0 Flamengo
21/09/2008 16:00 (dom) Sport 0 x 0 São Paulo
28/09/2008 16:00 (dom) São Paulo 2 x 0 Cruzeiro
04/10/2008 16:00 (sáb) Ipatinga 1 x 3 São Paulo
09/10/2008 20:30 (qui) São Paulo 1 x 0 Náutico
19/10/2008 17:00 (dom) Palmeiras 2 x 2 São Paulo
23/10/2008 20:30 (qui) São Paulo 2 x 1 Vitória
29/10/2008 21:50 (qua) Botafogo 1 x 2 São Paulo
02/11/2008 19:10 (dom) São Paulo 3 x 0 Internacional
08/11/2008 18:30 (sáb) Portuguesa 2 x 3 São Paulo
16/11/2008 17:00 (dom) São Paulo 3 x 1 Figueirense
23/11/2008 17:00 (dom) Vasco 1 x 2 São Paulo
30/11/2008 17:00 (dom) São Paulo 1 x 1 Fluminense
07/12/2008 17:00 (dom) Goiás 0 x 1 São Paulo
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