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- 11h00
- 05Nov
História de Pioneirismo
por sabia
Hoje é mais um dia especial na minha vida.
Desde que comecei a saltar de BASE jump, o prazer por desvendar lugares e saltar de picos virgens movimenta meu sangue como se um motor de alta potência e rotação estivesse ligado ao meu coração.
Depois de algumas horas subindo a montanha à noite, montamos nosso simples acampamento. O vento forte e as velozes e pesadas nuvens davam um tom de medo para noite que teríamos pela frente.
No horizonte uma luz começa iluminar o céu e as montanhas.
Majestosa, ela surge lenta e mansa, mas com o ar de quem estava chegando para mudar tudo.
Enquanto gravava o nascer da lua, curtia com Vinicius e Ezequiel o visual que se transformava a cada segundo como se o planeta estivesse mudando de lugar.
Em poucos minutos a lua brilhava com força e podíamos enxergar a sombra de todas as montanhas e de nosso equipamento esticado na pedra.
Pouco antes de cair no sono pesado a lua já estava sobre minha cabeça e o vento havia parado completamente, era a certeza de que ao nascer do sol eu estaria mais uma vez quebrando meus limites e voando como sempre sonhei.
Lá de cima, um “Salve” para todos que estão no meu coração e ao fiel PuriPuri.
Acordei uma única vez durante a noite, o frio era um tanto desconfortável, mas os equipamentos e o cansaço foram suficientes para ignorá-lo e voltar a dormir.
Quando a cor do céu começou a mudar anunciando a chegada do sol os olhos abertos começaram a ver o salto que eu estava prestes a fazer.
A saída não é muito simples, a pedra começa com uma barriga positiva e o local do impulso é apontado para baixo, facilitando um erro no momento do impulso.... Como me equipo com o WingSuit naquela pedrinha pequena na beira no precipício? Como será minha saída? Quando vou começar a voar? Onde vou pousar? E pra piorar nem me lembro quando foi a última vez que me atirei de um penhasco com meu wingsuit, com certeza a mais de 3 anos...ai...
A cabeça passou por uma espécie de “transe”, onde eu não conseguia por alguns minutos, parar de pensar no perigo real que é um salto como esse. Os amigos que perdi, minha vida, a vida, a queda livre, o prazer de viver, o medo, a coragem, a vontade, a determinação... vix...pirei!
Foi começar a conversar com Vinicius, Ezequiel e Puri Puri para esquecer tudo isso, beber um suco e partir para meu objetivo.
Determinado, fui ao ponto do salto, amarrei as cordas de segurança e do rapell, me equipei e rapelei até o ponto do salto.
Vinicius desceu em seguida para filmar, Ezequiel se amarrou na beira da pedra para fotografar e disse Vamos Sabiá que está começando a ventar.
100% pronto, eram 7:30 da manhã quando agradeci a Deus, a natureza e a equipe. Foi quando Vinicius perguntou: “E esse vento Sabiá? Vai assim mesmo?” Vou! Agora nada me segura!
Concentração e 3,2,1...Fui!
A saída foi horrível e despenquei em queda livre rente a pedra com o corpo fora de equilíbrio..., foco Sabiá! Arruma e voa..P!
Intermináveis segundos se passaram enquanto eu tentava fazer com que minha roupa começasse a voar, a velocidade já era absurda quando senti a pressão do macacão que agora sim estava pronto para fazer sua função. Afastando-me da pedra de olho na mata, tentava me concentrar para voar o mais longe possível. Perdi a estabilidade, balançando meu corpo perdendo desempenho, altura e segundos preciosos.
Aos poucos o voo foi ficando mais suave e a mata cada vez mais perto dos meus olhos.
Isso tudo levou exatos 19 segundos.
A abertura do paraquedas foi perfeita e agora tinha pouca altura para encontrar um local seguro para pouso.
Sem conseguir visualizar os fios que passam pelo vale escolhi o lugar mais restrito em meio a arvores, mas onde eu tive certeza que não havia fios.
Pouso perfeito, hora de respirar fundo durante bons 20 minutos...
Com calma guardei meu equipamento e iniciei minha solitária caminhada de uma hora até o ponto de encontro.
A cabeça pensante teve então tempo para filtrar tudo isso e afirmar para mim mesmo:
“Amanhã vou de novo!”
Bons ventos a todos...
Sabiá
Crédito da imagem: Arquivo
Crédito da imagem: Ezequiel Vinco
Crédito da imagem: Ezequiel Vinco
Crédito da imagem: Ezequiel Vinco
Crédito da imagem: Ezequiel Vinco
Crédito da imagem: Ezequiel Vinco
Tags:
por Sabiá
/sabia- 21h44
- 12Nov
Flor
Muitas reservas na madrugada? Local e energia inexplicável, verdade? Vc saltou muito? Onde foi o pouso? No meio da Mata?
- 16h53
- 12Nov
Tiago Schuind da Costa Guedes
Valeu Sabiá!!! Você é uma daquelas poucas pessoas que, ainda hoje, nos fazem acreditar no impossível. Essa inspiração faz com que eu pense nos meus desafios e sinta que também posso vencê-los. Obrigado
- 13h40
- 10Nov
titia
Breath-taking, Birdy. Invejinha do PuriPuri. muitas beijocas!
- 15h56
- 06Nov
Lis
Sensacional!! Puripuri deve ter dado altas risadas! Parabéns, meu querido! Beijos!
- 09h38
- 08Nov
- 09h58
- 03Nov
- 02h05
- 28Oct
8 segundos de queda livre em pleno Brasilzão não é todo dia...
8 segundos em queda livre em pleno Brasilzão não é todo dia...
Luiz Henrique SABIÁ descobriu a queda livre com 15 anos. Tem mais de 17 mil saltos em 200 tipos de aeronaves. No Base Jump, já saltou dos mais altos prédios, montanhas, pontes e antenas do mundo. Tem vários recordes, como por exemplo, de maior tempo em queda livre e do salto mais alto e mais baixo no Brasil