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- 12h27
- 27Oct
O desastre dos pontos corridos
por Roberto Porto, colunista do ESPN.com.br
Que me perdoem os leitores do ESPN.com.br, mas sigo achando um aborto da natureza esse Campeonato Brasileiro por pontos corridos. Confesso que não tenho a menor idéia de quem inventou essa história. Mas um país como o Brasil, de dimensões continentais, não pode imitar os campeonatos de Portugal, Espanha, Itália, Inglaterra, França e Alemanha. Nos países citados, grande parte dos traslados dos clubes é feito por trens, alguns deles de alto gabarito. Aqui, no Brasil, com distâncias incomensuráveis e estradas ruins, só as companhias aéreas gostam dos pontos corridos, pois até o trajeto Rio-São Paulo é feito por aviões de carreira.
No estado de penúria porque passam a grande maioria dos clubes brasileiros, as viagens de avião representam mais uma despesa. E é porque gastam muito e arrecadam pouco – com as raríssimas exceções de sempre – que os clubes brasileiros não conseguem segurar seus craques, transferidos ou vendidos para os países europeus e até mesmo para a Coréia, Japão e, se não me engano, até para países árabes e o distante Casaquistão. Quando a tal janela de transferências se abre, é um deus nos acuda. Basta lembrar a atual Seleção Brasileira, quase toda ela integrada por jogadores brasileiros ‘estrangeiros’, à exceção daqueles que ainda irão embora.
Imaginem, agora, sem os pontos corridos, que quadrangular sensacional iriam proporcionar, com jogos de ida e volta, envolvendo Palmeiras, Atlético Mineiro, Internacional, São Paulo ou talvez Flamengo? As bilheterias dos estádios ficariam lotadas e os clubes envolvidos faturariam uma bela grana, suficiente (quem sabe?) para manter no Brasil seus principais craques. Por acaso, apenas por acaso, o Campeonato Brasileiro de 2009 está embolado – o que não costuma acontecer. E as possibilidades de arrecadações podem melhorar um pouco nessa reta final.
A idéia dos pontos corridos veio com a inclusão da classificação para a Taça Libertadores, o que é muito pouco para cobrir o deficit acumulado durante toda a temporada. E proponho uma aposta: quantos clubes, dos que estão na ponta da tabela, conseguirão manter, em 2010, seus principais jogadores? Nossa economia, por mais que se apregoe que está se recuperando, não se compara a dos países europeus. Vejam, por exemplo, o Real Madri, que comprou, de uma só tacada, os passes de Kaká e Cristiano Ronaldo (este de Portugal). Será que um clube brasileiro teria bala na agulha para trazer Kaká de volta – ou Robinho ou Ronaldinho Gaúcho? Duvido.
Tenho a mais concreta e absoluta certeza de que vou contrariar muita gente boa ao defender a tese dos quadrangulares (antigamente eram octogonais). E me recordo de 1992, quando o Flamengo foi campeão, enfrentando o Botafogo. O Maracanã, na primeira partida, estava tão cheio que a mureta de contenção do lado da torcida do Flamengo desabou, chegando a matar gente que caiu daquela altura da arquibancada para a geral.
Por quê? Porque o Flamengo, que se a memória não me falha, havia ficado na oitava posição e, mesmo assim, derrotando rivais, conseguiu chegar à decisão. Infelizmente, o Campeonato Brasileiro já não é assim e não reúne os verdadeiros grandes clubes brasileiros. Um exemplo disso é o Vasco da Gama, que lota seu estádio (erguido em 1927) na luta para retornar à elite. E o rebaixamento já atingiu, entre outros, Palmeiras, Fluminense e Botafogo.
Em minha opinião, o Brasileiro de hoje não representa a verdadeira força do futebol de um país que é pentacampeão mundial.
No estado de penúria porque passam a grande maioria dos clubes brasileiros, as viagens de avião representam mais uma despesa. E é porque gastam muito e arrecadam pouco – com as raríssimas exceções de sempre – que os clubes brasileiros não conseguem segurar seus craques, transferidos ou vendidos para os países europeus e até mesmo para a Coréia, Japão e, se não me engano, até para países árabes e o distante Casaquistão. Quando a tal janela de transferências se abre, é um deus nos acuda. Basta lembrar a atual Seleção Brasileira, quase toda ela integrada por jogadores brasileiros ‘estrangeiros’, à exceção daqueles que ainda irão embora.
Imaginem, agora, sem os pontos corridos, que quadrangular sensacional iriam proporcionar, com jogos de ida e volta, envolvendo Palmeiras, Atlético Mineiro, Internacional, São Paulo ou talvez Flamengo? As bilheterias dos estádios ficariam lotadas e os clubes envolvidos faturariam uma bela grana, suficiente (quem sabe?) para manter no Brasil seus principais craques. Por acaso, apenas por acaso, o Campeonato Brasileiro de 2009 está embolado – o que não costuma acontecer. E as possibilidades de arrecadações podem melhorar um pouco nessa reta final.
A idéia dos pontos corridos veio com a inclusão da classificação para a Taça Libertadores, o que é muito pouco para cobrir o deficit acumulado durante toda a temporada. E proponho uma aposta: quantos clubes, dos que estão na ponta da tabela, conseguirão manter, em 2010, seus principais jogadores? Nossa economia, por mais que se apregoe que está se recuperando, não se compara a dos países europeus. Vejam, por exemplo, o Real Madri, que comprou, de uma só tacada, os passes de Kaká e Cristiano Ronaldo (este de Portugal). Será que um clube brasileiro teria bala na agulha para trazer Kaká de volta – ou Robinho ou Ronaldinho Gaúcho? Duvido.
Tenho a mais concreta e absoluta certeza de que vou contrariar muita gente boa ao defender a tese dos quadrangulares (antigamente eram octogonais). E me recordo de 1992, quando o Flamengo foi campeão, enfrentando o Botafogo. O Maracanã, na primeira partida, estava tão cheio que a mureta de contenção do lado da torcida do Flamengo desabou, chegando a matar gente que caiu daquela altura da arquibancada para a geral.
Por quê? Porque o Flamengo, que se a memória não me falha, havia ficado na oitava posição e, mesmo assim, derrotando rivais, conseguiu chegar à decisão. Infelizmente, o Campeonato Brasileiro já não é assim e não reúne os verdadeiros grandes clubes brasileiros. Um exemplo disso é o Vasco da Gama, que lota seu estádio (erguido em 1927) na luta para retornar à elite. E o rebaixamento já atingiu, entre outros, Palmeiras, Fluminense e Botafogo.
Em minha opinião, o Brasileiro de hoje não representa a verdadeira força do futebol de um país que é pentacampeão mundial.
- 10h16
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/robertoporto
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/robertoporto
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/robertoporto
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Página do Roberto Porto