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- 23h31
- 12Oct
Altitude ou desentrosamento?
por Roberto Porto, colunista do ESPN.com.br
Na temporada de 1964, o Botafogo – hoje lutando para escapar da segunda divisão do Campeonato Brasileiro – foi convidado para disputar o Torneio Pentagonal de La Paz contra o Banik Ostrawa (da então Tchecoslováquia), o Racing (Uruguai), o Strongest (Bolívia) e o Boca Juniors (Argentina).
Para acompanhar a delegação, o Botafogo convidou o jornalista Raul Pragana (Correio da Manhã) e o Jornal do Brasil enviou a La Paz o também repórter Oldemário Touguinhó (1934-2002).
Cinco anos depois, quando me transferi para o Correio da Manhã (José Trajano, da ESPN Brasil, também deixou o JB comigo), fiz amizade com Pragana, que cobria o Botafogo para a editoria de esportes do Correio da Manhã.
E ele me relatou os problemas que enfrentou com os três mil e 600 metros de altitude da capital boliviana. Pragana me disse que, logo depois de hospedar-se com a delegação alvinegra num hotel no centro da cidade, decidiu dar uma volta pelas ruas próximas para apreciar as vitrines das poucas lojas que permaneciam abertas já à noitinha.
Pois bem. O passeio de Pragana – segundo seu relato – durou pouco. Dois quarteirões foram percorridos até que ele se sentisse mal, tonto, e logo depois desmaiou. Por sorte, depois de atendido por uma ambulância, foi levado para o hotel e entregue aos médicos do Botafogo.
A altitude fizera pelo menos uma vítima. Com Oldemário Touguinhó, pelo que me recordo, nada aconteceu, a não ser um ligeiro mal-estar. Forte como um touro, Oldemário logo, logo estava 100 por cento.
E com os jogadores do Botafogo? Bem, consultando meus arquivos, verifiquei que o time carioca estreou derrotando o Banik por 2 a 0, logo depois venceu o Racing, por 2 a 1, passou pelo Strongest com vitória de 2 a 0 e conquistou o título ao superar o Boca Juniors por 2 a 1.
O ataque do Botafogo, na ocasião, era formado por Garrincha, Gérson, Jairzinho, Arlindo e Zagallo. Em poucas e resumidas palavras, a famosa altitude de La Paz em nada afetou os jogadores alvinegros. Como curiosidade, Pragana me disse que ao final da estada do clube em La Paz, ele, já adaptado, batia bola com os jogadores em treinos leves antes dos jogos. Brinquei muitas vezes com ele por isso.
E a derrota da Seleção Brasileira domingo passado para a Bolívia? Bem, há casos e casos. Os jogadores do Botafogo nada sentiram. Os da equipe de Dunga reclamaram, inclusive o goleiro Júlio César, que tomou dois gols nos quais sequer se mexeu. E a Bolívia? Os bolivianos, se os leitores deste site não sabem, tinham sete jogadores ‘importados’, todos eles vindos de países ao nível do mar.
Para mim – admito opiniões contrárias – o Brasil não jogou rigorosamente nada e mereceu ser derrotado até por contagem mais elevada. Para uma equipe que jogou a bola que jogou em Rosário, dando um baile em Maradona e seus jogadores, foi uma decepção. Está certo que o país já está classificado para a Copa de 2010, mas nem a altitude pode explicar um comportamento tão pífio ou bisonho – como queiram.
Para acompanhar a delegação, o Botafogo convidou o jornalista Raul Pragana (Correio da Manhã) e o Jornal do Brasil enviou a La Paz o também repórter Oldemário Touguinhó (1934-2002).
Cinco anos depois, quando me transferi para o Correio da Manhã (José Trajano, da ESPN Brasil, também deixou o JB comigo), fiz amizade com Pragana, que cobria o Botafogo para a editoria de esportes do Correio da Manhã.
E ele me relatou os problemas que enfrentou com os três mil e 600 metros de altitude da capital boliviana. Pragana me disse que, logo depois de hospedar-se com a delegação alvinegra num hotel no centro da cidade, decidiu dar uma volta pelas ruas próximas para apreciar as vitrines das poucas lojas que permaneciam abertas já à noitinha.
Pois bem. O passeio de Pragana – segundo seu relato – durou pouco. Dois quarteirões foram percorridos até que ele se sentisse mal, tonto, e logo depois desmaiou. Por sorte, depois de atendido por uma ambulância, foi levado para o hotel e entregue aos médicos do Botafogo.
A altitude fizera pelo menos uma vítima. Com Oldemário Touguinhó, pelo que me recordo, nada aconteceu, a não ser um ligeiro mal-estar. Forte como um touro, Oldemário logo, logo estava 100 por cento.
E com os jogadores do Botafogo? Bem, consultando meus arquivos, verifiquei que o time carioca estreou derrotando o Banik por 2 a 0, logo depois venceu o Racing, por 2 a 1, passou pelo Strongest com vitória de 2 a 0 e conquistou o título ao superar o Boca Juniors por 2 a 1.
O ataque do Botafogo, na ocasião, era formado por Garrincha, Gérson, Jairzinho, Arlindo e Zagallo. Em poucas e resumidas palavras, a famosa altitude de La Paz em nada afetou os jogadores alvinegros. Como curiosidade, Pragana me disse que ao final da estada do clube em La Paz, ele, já adaptado, batia bola com os jogadores em treinos leves antes dos jogos. Brinquei muitas vezes com ele por isso.
E a derrota da Seleção Brasileira domingo passado para a Bolívia? Bem, há casos e casos. Os jogadores do Botafogo nada sentiram. Os da equipe de Dunga reclamaram, inclusive o goleiro Júlio César, que tomou dois gols nos quais sequer se mexeu. E a Bolívia? Os bolivianos, se os leitores deste site não sabem, tinham sete jogadores ‘importados’, todos eles vindos de países ao nível do mar.
Para mim – admito opiniões contrárias – o Brasil não jogou rigorosamente nada e mereceu ser derrotado até por contagem mais elevada. Para uma equipe que jogou a bola que jogou em Rosário, dando um baile em Maradona e seus jogadores, foi uma decepção. Está certo que o país já está classificado para a Copa de 2010, mas nem a altitude pode explicar um comportamento tão pífio ou bisonho – como queiram.
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Página do Roberto Porto