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- 22h06
- 31Aug
Está chegando a hora do abismo
por Roberto Porto, colunista do ESPN.com.br
Já abordei, por diversas vezes, nesta coluna do site da ESPN Brasil, minha opinião sobre a decadência flagrante dos clubes cariocas no momento em que passam a disputar o Campeonato Brasileiro. E os números estão aí mesmo para comprovar: em 62 jogos, Flamengo, Fluminense e Botafogo venceram apenas 15, o que dá a bisonha média de 22,58%, recorde negativo absoluto desde a implantação da competição nacional, em vigor, oficialmente, a partir de 1971. Infelizmente, para os torcedores dos três clubes acima citados, a reação diante da crescente fase negativa resume-se à troca de treinadores, brigas internas e investimentos em jogadores de qualidade duvidosa. Os clubes do Rio, pelo que os números demonstram, não perceberam ainda que o Campeonato Estadual do Rio, a partir de 1976, é o principal responsável por esse crescente fracasso – que ninguém pode prever o final.
É claro que a crescente exportação de jogadores de renome – inclusive para os mais distantes e estrambóticos países – tem grande responsabilidade nisso. Mas a instituição, com fins estritamente políticos do Estadual, acabou sendo a pá de cal para enterrar Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo e até o América numa competição contra fraquíssimos clubes do interior do estado. Já naquela ocasião, o audacioso presidente do Fluminense, Francisco Horta, previa o desastre que iria ocorrer num futuro próximo. Os chamados grandes clubes cariocas, por manobras excusas, perderam o chamado voto plural, igualando-se a agremiações que só entram em ação uma vez por ano, justamente para participar do desastroso Campeonato Estadual.
As primeiras vítimas já foram feitas: América (campeão carioca de 1960) e Bangu (campeão carioca de 1966 e vice-campeão de 1967). E dos quatro restantes, apenas o Flamengo, dono do maior número de títulos no Rio, não foi rebaixado em âmbito nacional. Fluminense, Botafogo e agora o Vasco da Gama já sentiram o gosto da segunda divisão nacional. O Fluminense, numa temporada infeliz, chegou até mesmo a cair para a terceira divisão e só retornou à primeira numa manobra de bastidores. Dessa maneira, sem que tomem uma posição de vanguarda, impondo prestígios perdidos, os clubes cariocas irão caminhar celeremente para um abismo. Abismo que não tem fundo e do qual não terão possibilidades de escapar.
Para piorar a situação, as diferenças sociais foram agravadas, gerando um tipo de torcedor que só vai ao Maracanã para confrontos. Maracanã, diga-se de passagem, que encolheu a ponto de uma partida do Vasco da Gama contra o Ipatinga, com 78 mil torcedores presentes, ser considerada um recorde. De nada adiantou, inclusive, a arbitrária proibição de bebidas alcoólicas no entorno do estádio, pois as brigas continuaram, inclusive com casos de mortes entre os torcedores. E Vasco x Ipatinga só chegou ao recorde já descrito porque era uma partida de uma única torcida. Isso demonstra, quase que na base de um teorema matemático, que o torcedor comum se resguarda, não comparecendo a jogos que podem degenerar em conflitos.
Além de todos esses percalços, político-sociais, a cidade do Rio de Janeiro, mesmo com 1020 favelas (hoje chamadas de comunidades), abriu suas portas para outras diversões, como as praias da Zona Oeste, antes inatingíveis pelas classes menos favorecidas. O torcedor pacífico, apaixonado por seu clube, não tem coragem de ir, por exemplo, assistir a um Vasco x Flamengo, antigamente apelidado de Clássico das Multidões. Antes de ser torcedor, ele quer preservar sua vida e de seus parentes, não se arriscando a qualquer tipo de confronto. A praia é melhor.
E deixo aqui o meu desafio: estou mentindo, manipulando dados? Ou o que aqui escrevo é nada mais do que a pura expressão da verdade dos fatos?
É claro que a crescente exportação de jogadores de renome – inclusive para os mais distantes e estrambóticos países – tem grande responsabilidade nisso. Mas a instituição, com fins estritamente políticos do Estadual, acabou sendo a pá de cal para enterrar Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo e até o América numa competição contra fraquíssimos clubes do interior do estado. Já naquela ocasião, o audacioso presidente do Fluminense, Francisco Horta, previa o desastre que iria ocorrer num futuro próximo. Os chamados grandes clubes cariocas, por manobras excusas, perderam o chamado voto plural, igualando-se a agremiações que só entram em ação uma vez por ano, justamente para participar do desastroso Campeonato Estadual.
As primeiras vítimas já foram feitas: América (campeão carioca de 1960) e Bangu (campeão carioca de 1966 e vice-campeão de 1967). E dos quatro restantes, apenas o Flamengo, dono do maior número de títulos no Rio, não foi rebaixado em âmbito nacional. Fluminense, Botafogo e agora o Vasco da Gama já sentiram o gosto da segunda divisão nacional. O Fluminense, numa temporada infeliz, chegou até mesmo a cair para a terceira divisão e só retornou à primeira numa manobra de bastidores. Dessa maneira, sem que tomem uma posição de vanguarda, impondo prestígios perdidos, os clubes cariocas irão caminhar celeremente para um abismo. Abismo que não tem fundo e do qual não terão possibilidades de escapar.
Para piorar a situação, as diferenças sociais foram agravadas, gerando um tipo de torcedor que só vai ao Maracanã para confrontos. Maracanã, diga-se de passagem, que encolheu a ponto de uma partida do Vasco da Gama contra o Ipatinga, com 78 mil torcedores presentes, ser considerada um recorde. De nada adiantou, inclusive, a arbitrária proibição de bebidas alcoólicas no entorno do estádio, pois as brigas continuaram, inclusive com casos de mortes entre os torcedores. E Vasco x Ipatinga só chegou ao recorde já descrito porque era uma partida de uma única torcida. Isso demonstra, quase que na base de um teorema matemático, que o torcedor comum se resguarda, não comparecendo a jogos que podem degenerar em conflitos.
Além de todos esses percalços, político-sociais, a cidade do Rio de Janeiro, mesmo com 1020 favelas (hoje chamadas de comunidades), abriu suas portas para outras diversões, como as praias da Zona Oeste, antes inatingíveis pelas classes menos favorecidas. O torcedor pacífico, apaixonado por seu clube, não tem coragem de ir, por exemplo, assistir a um Vasco x Flamengo, antigamente apelidado de Clássico das Multidões. Antes de ser torcedor, ele quer preservar sua vida e de seus parentes, não se arriscando a qualquer tipo de confronto. A praia é melhor.
E deixo aqui o meu desafio: estou mentindo, manipulando dados? Ou o que aqui escrevo é nada mais do que a pura expressão da verdade dos fatos?
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Página do Roberto Porto