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- 09h32
- 21Aug
A falência do futebol carioca
por Roberto Porto, para o ESPN.com.br
Ninguém pode exigir do torcedor de futebol conscientização político-social, além de avançadas noções de economia. Mas dos dirigentes que têm nas mãos tanta força e se dizem instruídos, pode. É o caso do falido futebol do Rio de Janeiro, que tem um clube na segunda divisão (Vasco) e três passando vergonha pelos estádios do Brasil (Flamengo, Botafogo e Fluminense). É possível que o exacerbado profissionalismo, aliado à crise econômico-financeira, já esteja fazendo suas primeiras vítimas (casos de Fluminense e Botafogo, principalmente), como já fez em passado recente com clubes tradicionais como América e Bangu, ambos fundados em 1904.
Apenas para fixar uma data para a decadência do futebol no Rio, pode-se dizer que começou quando Eduardo Viana (1939-2006) assumiu o comando da Federação de Futebol do Rio de Janeiro. Transtornado pelo poder, ele passou a dar força aos clubes do interior do estado que, diga-se de passagem, nem torcedores possuem. O Campeonato Carioca, já mudado para Estadual, transformou-se numa competição cômica com a presença dessas agremiações que só têm compromissos por alguns meses do ano. E quando são chamadas a entrar em ação, valem-se de jogadores quase aposentados ou daqueles que foram deixados de lado pelos clubes grandes.
Em mais de 30 anos, só ouvi de um único e escasso dirigente, Francisco Horta, que o futebol do Rio estava destinado à falência caso não mudasse de rumo. Como Horta não conseguiu êxito em suas pretensões na Federação do Rio, está aí o resultado que ele já previa. A cada ano que passa, os cariocas pagam espetáculos ridículos no imenso Campeonato Brasileiro. E não percebo entre os dirigentes – e mesmo entre os jornalistas – nenhuma voz que denuncie esse caminho destinado à falência. As críticas são apenas pontuais, limitando-se às más arbitragens, contratações erradas e técnicos incompetentes. No fundo, com as raríssimas exceções de sempre, todos são apenas torcedores, querendo ganhar partidas até com gols com a mão.
E o futebol do Rio, com o progresso das vias de acesso às praias mais distantes, ganhou mais um adversário. Num domingo de sol, qual o torcedor que irá trocar a diversão pelo risco de ir ao Maracanã e ser mais uma vítima das torcidas organizadas? A situação chegou a tal ponto que foi preciso, de maneira arbitrária, que passasse a vigorar proibição às bebidas alcoólicas no entorno do estádio. Em poucas e resumidas palavras, os bares e restaurantes, que pagam impostos escorchantes ao estado, agora têm suas vendas limitadas, justamente nos finais de semana. Quem terá coragem suficiente para encarar no Rio essa fase de obscurantismo no futebol?
Apenas para fixar uma data para a decadência do futebol no Rio, pode-se dizer que começou quando Eduardo Viana (1939-2006) assumiu o comando da Federação de Futebol do Rio de Janeiro. Transtornado pelo poder, ele passou a dar força aos clubes do interior do estado que, diga-se de passagem, nem torcedores possuem. O Campeonato Carioca, já mudado para Estadual, transformou-se numa competição cômica com a presença dessas agremiações que só têm compromissos por alguns meses do ano. E quando são chamadas a entrar em ação, valem-se de jogadores quase aposentados ou daqueles que foram deixados de lado pelos clubes grandes.
Em mais de 30 anos, só ouvi de um único e escasso dirigente, Francisco Horta, que o futebol do Rio estava destinado à falência caso não mudasse de rumo. Como Horta não conseguiu êxito em suas pretensões na Federação do Rio, está aí o resultado que ele já previa. A cada ano que passa, os cariocas pagam espetáculos ridículos no imenso Campeonato Brasileiro. E não percebo entre os dirigentes – e mesmo entre os jornalistas – nenhuma voz que denuncie esse caminho destinado à falência. As críticas são apenas pontuais, limitando-se às más arbitragens, contratações erradas e técnicos incompetentes. No fundo, com as raríssimas exceções de sempre, todos são apenas torcedores, querendo ganhar partidas até com gols com a mão.
E o futebol do Rio, com o progresso das vias de acesso às praias mais distantes, ganhou mais um adversário. Num domingo de sol, qual o torcedor que irá trocar a diversão pelo risco de ir ao Maracanã e ser mais uma vítima das torcidas organizadas? A situação chegou a tal ponto que foi preciso, de maneira arbitrária, que passasse a vigorar proibição às bebidas alcoólicas no entorno do estádio. Em poucas e resumidas palavras, os bares e restaurantes, que pagam impostos escorchantes ao estado, agora têm suas vendas limitadas, justamente nos finais de semana. Quem terá coragem suficiente para encarar no Rio essa fase de obscurantismo no futebol?
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Página do Roberto Porto