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- 17h02
- 02Jul
Chovendo a píncaros em São Conrado
por Roberto Porto, colunista do ESPN.com.br
Nos primeiros anos da década de 80, trabalhei na Rádio Nacional do Rio, sob o comando de José Carlos Araújo. Minha função principal era a de fazer a pauta para os repórteres Eraldo Leite e Deni Menezes, nos clássicos disputados no Maracanã. Mas, também, estava escalado para participar do programa ‘No Mundo da Bola’, comandado por José Cabral, diariamente de 11 às 13 horas. Nesse período fiz muitas amizades como Mário Silva, Valdir Luiz, Sidnei Amaral, Sebastião Pereira, Maurício Menezes, Wellington Campos, Agostinho Gomes, Jaime Luiz, Zildo Dantas, Luiz Mendes, Jota Santiago e o próprio José Cabral. Botafoguenses como eu apenas Valdir ‘Pato Rouco’ Luiz e Sebastião Pereira, além, é óbvio, do repórter Eraldo Leite, hoje destaque na Rádio Globo do próprio José Carlos.
Vivemos tempos gloriosos, lutando pelo Ibope com a Rádio Globo de Valdir Amaral (1926-1997) e Jorge Cury (1920-1985), este último vítima de um desastre de automóvel. E era uma briga de alto nível porque, como repórteres de campo, a Globo tinha nada menos do que Loureiro Neto e Kleber Leite, que viria a ser presidente do Flamengo. Para melhorar ainda – pelo menos um pouco – a audiência da Nacional, da Praça Mauá, criei o programa ‘Gol de Placa’, valendo-me do incrível acervo fonográfico da emissora. Relembrava gols que marcaram época e, sempre que podia, levava um convidado para debater comigo o enfoque das partidas.
O rádio, como todos sabem, é ao vivo e não dá oportunidades de correções: falou, vai para o ar. Com o tempo, José Carlos Araújo começou a me experimentar como comentarista em jogos de menos importância que o do Maracanã, ao lado de José Cabral, Jota Santiago e Maurício Menezes – cujo apelido era ‘O Danadinho’ Mas minha mais importante participação era realmente em ‘O Mundo da Bola’, pois tinha que sair correndo para o Jornal do Brasil, que editava uma revista de esportes, chefiada pelo eterno amigo José Inácio Werneck. A ‘Viva’, a rigor, era uma revista para maratonistas.
No ‘Mundo da Bola’, José Cabral ia acionando os repórteres: Sebastião Pereira (Botafogo), Zildo Dantas (Flamengo), Jaime Luiz (Fluminense), Mário Silva (Vasco) e Agostinho Gomes (América). Wellington Campos ficava com a CBD e Sídnei Amaral numa banca de jornais frequentada por torcedores apaixonados. Ninguém sentia a duração de duas horas do programa, movimentado ao extremo e sempre em cima do noticiário esportivo. Mas em todas as rádios há momentos hilariantes, deles não há como escapar. E certo dia, Cabral, ao microfone, acionou Zildo Dantas, que estava de plantão à porta da concentração do Flamengo, em São Conrado. E Zildo, querendo falar difícil – coisa que não era de seu feitio – saiu-se com essa pérola que quase tirou a Nacional do ar:
- Olha, Cabral, não tenho nada a informar. Chove a píncaros aqui em São Conrado...
Pelo que me recordo, saí do estúdio correndo para não dar uma gargalhada no microfone aberto. Zildo queria dizer a cântaros e saiu-se com a píncaros. Por sorte, o programa pôde prosseguir, embora, vez por outra, o operador fosse obrigado a colocar anúncios no ar, diante das risadas de todos.
Vivemos tempos gloriosos, lutando pelo Ibope com a Rádio Globo de Valdir Amaral (1926-1997) e Jorge Cury (1920-1985), este último vítima de um desastre de automóvel. E era uma briga de alto nível porque, como repórteres de campo, a Globo tinha nada menos do que Loureiro Neto e Kleber Leite, que viria a ser presidente do Flamengo. Para melhorar ainda – pelo menos um pouco – a audiência da Nacional, da Praça Mauá, criei o programa ‘Gol de Placa’, valendo-me do incrível acervo fonográfico da emissora. Relembrava gols que marcaram época e, sempre que podia, levava um convidado para debater comigo o enfoque das partidas.
O rádio, como todos sabem, é ao vivo e não dá oportunidades de correções: falou, vai para o ar. Com o tempo, José Carlos Araújo começou a me experimentar como comentarista em jogos de menos importância que o do Maracanã, ao lado de José Cabral, Jota Santiago e Maurício Menezes – cujo apelido era ‘O Danadinho’ Mas minha mais importante participação era realmente em ‘O Mundo da Bola’, pois tinha que sair correndo para o Jornal do Brasil, que editava uma revista de esportes, chefiada pelo eterno amigo José Inácio Werneck. A ‘Viva’, a rigor, era uma revista para maratonistas.
No ‘Mundo da Bola’, José Cabral ia acionando os repórteres: Sebastião Pereira (Botafogo), Zildo Dantas (Flamengo), Jaime Luiz (Fluminense), Mário Silva (Vasco) e Agostinho Gomes (América). Wellington Campos ficava com a CBD e Sídnei Amaral numa banca de jornais frequentada por torcedores apaixonados. Ninguém sentia a duração de duas horas do programa, movimentado ao extremo e sempre em cima do noticiário esportivo. Mas em todas as rádios há momentos hilariantes, deles não há como escapar. E certo dia, Cabral, ao microfone, acionou Zildo Dantas, que estava de plantão à porta da concentração do Flamengo, em São Conrado. E Zildo, querendo falar difícil – coisa que não era de seu feitio – saiu-se com essa pérola que quase tirou a Nacional do ar:
- Olha, Cabral, não tenho nada a informar. Chove a píncaros aqui em São Conrado...
Pelo que me recordo, saí do estúdio correndo para não dar uma gargalhada no microfone aberto. Zildo queria dizer a cântaros e saiu-se com a píncaros. Por sorte, o programa pôde prosseguir, embora, vez por outra, o operador fosse obrigado a colocar anúncios no ar, diante das risadas de todos.
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- 02Nov
/robertoporto
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Página do Roberto Porto