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- 11h49
- 26Jun
Do jóquei às corridas de automóveis
por ESPN.com.br
Durante a juventude, fui um adepto das corridas de cavalos disputadas no Jóquei Clube Brasileiro. Foi uma época brilhante do turfe, com jóqueis famosos como Luiz Rigoni, Juan Marchant, Francisco Irigoyen, Osvaldo Ulloa e Manoel Bezerra da Silva, o ‘Bequinho’ entre muitos outros. Toda quinta-feira à tarde lá estava eu na geral (mais barata) com meu amigo Roberto Santana, que morava no mesmo prédio, em Laranjeiras. Tivemos, juntos, vitórias (poucas) e derrotas (várias), mas jamais desistíamos. Achávamos que um belo dia ‘lavaríamos a égua’, coisa que nunca ocorreu.
Antes de partirmos para o Jardim Botânico, guardávamos cuidadosamente uma cédula de cinco cruzeiros no bolso de níqueis. Era a garantia de que poderíamos pagar o lotação para casa se ficássemos lisos em matéria de apostas. Aquela frequência me fez aceitar um desafio de uma páreo de cancha reta (creio que uns 600 metros) na estrada de chegada de Miguel Pereira a Barão de Javari, no Estado do Rio de Janeiro. Mas com que cavalo disputaria o páreo? Foi então que pedi emprestado o Pirata, que pertencia ao companheiro de colégio Luiz Carlos Albuquerque.
O Pirata era marchador e colocá-lo para galopar era uma áfrica. Treinei durante uma semana para, no domingo, enfrentar José Sílvio Gomes, numa égua, e Edinho (lá daquelas terras), com um cavalo meio-sangue. Aleguei aos apostadores – parte deles formada por bicheiros e donos de montarias de aluguel – que o meio-sangue de Edinho tinha que nos dar um handicap, ou seja, partiríamos, eu e José Sílvio Gomes – botafoguense como o locutor que vos fala – 100 metros adiante. O tiro de partida era de revólver, caso contrário, nós, competidores, não saberíamos a hora precisa de largar.
Larguei na frente com o Pirata, mas 300 metros depois o meio-sangue me passou voando. Não me preocupei. Achei que pelo menos faria ponta e dupla com Edinho e sua montaria quase de raça. Vã esperança. Nos derradeiros metros senti que a égua de José Sílvio Gomes, estava a meu lado. Fechei o páreo em último, para risadas gerais dos assistentes, pois que a égua estava prenha. Em poucas e resumidas palavras, encerrei naquele dia a minha carreira de jóquei, até porque o Pirata quase morreu de enfarte.
Muitos anos mais tarde, tentei ser piloto de corridas de automóveis. Uma fábrica promoveu uma corrida para jornalistas e eu me inscrevi. Larguei na segunda fila e logo assumi a ponta no Autódromo de Jacarepaguá. Mas a prova era para economizar combustível e eu não sabia. Resultado: parei diante das arquibancadas do autódromo, diante das vaias dos assistentes de uma prova profissional que viria depois. Voltei a pé para os boxes. Desisti do turfe mas, como jornalista profissional, fiz a cobertura de vários GPs de Fórmula-1. Foi assim que conheci Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet, Carlos Reuteman, Niki Lauda, Alain Prost e Ronnie Peterson entre outros famosos (Ayrton Senna ainda não participava do circo da F1).
Pelo menos do lado de fora não corri o risco de ser último.
Antes de partirmos para o Jardim Botânico, guardávamos cuidadosamente uma cédula de cinco cruzeiros no bolso de níqueis. Era a garantia de que poderíamos pagar o lotação para casa se ficássemos lisos em matéria de apostas. Aquela frequência me fez aceitar um desafio de uma páreo de cancha reta (creio que uns 600 metros) na estrada de chegada de Miguel Pereira a Barão de Javari, no Estado do Rio de Janeiro. Mas com que cavalo disputaria o páreo? Foi então que pedi emprestado o Pirata, que pertencia ao companheiro de colégio Luiz Carlos Albuquerque.
O Pirata era marchador e colocá-lo para galopar era uma áfrica. Treinei durante uma semana para, no domingo, enfrentar José Sílvio Gomes, numa égua, e Edinho (lá daquelas terras), com um cavalo meio-sangue. Aleguei aos apostadores – parte deles formada por bicheiros e donos de montarias de aluguel – que o meio-sangue de Edinho tinha que nos dar um handicap, ou seja, partiríamos, eu e José Sílvio Gomes – botafoguense como o locutor que vos fala – 100 metros adiante. O tiro de partida era de revólver, caso contrário, nós, competidores, não saberíamos a hora precisa de largar.
Larguei na frente com o Pirata, mas 300 metros depois o meio-sangue me passou voando. Não me preocupei. Achei que pelo menos faria ponta e dupla com Edinho e sua montaria quase de raça. Vã esperança. Nos derradeiros metros senti que a égua de José Sílvio Gomes, estava a meu lado. Fechei o páreo em último, para risadas gerais dos assistentes, pois que a égua estava prenha. Em poucas e resumidas palavras, encerrei naquele dia a minha carreira de jóquei, até porque o Pirata quase morreu de enfarte.
Muitos anos mais tarde, tentei ser piloto de corridas de automóveis. Uma fábrica promoveu uma corrida para jornalistas e eu me inscrevi. Larguei na segunda fila e logo assumi a ponta no Autódromo de Jacarepaguá. Mas a prova era para economizar combustível e eu não sabia. Resultado: parei diante das arquibancadas do autódromo, diante das vaias dos assistentes de uma prova profissional que viria depois. Voltei a pé para os boxes. Desisti do turfe mas, como jornalista profissional, fiz a cobertura de vários GPs de Fórmula-1. Foi assim que conheci Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet, Carlos Reuteman, Niki Lauda, Alain Prost e Ronnie Peterson entre outros famosos (Ayrton Senna ainda não participava do circo da F1).
Pelo menos do lado de fora não corri o risco de ser último.
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Página do Roberto Porto