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- 17h35
- 11Jun
Sofrimento a bordo dos velhos Caravelle
por Roberto Porto, para o ESPN.com.br
A tragédia com o Airbus da Air France, em pleno Oceano Atlântico, me fez recordar um fato curioso ocorrido em 1978 – botem tempo nisso – numa excursão da Seleção Brasileira à Europa e Ásia. No Rio, embarcamos todos, jogadores e jornalistas, num Boeing 747 da Varig, direto para Paris.
Daí em diante, a Air France – por um acordo com a CBD – passou a transportar a galera nos velhos e cansados de guerra Caravelle. Percebi, no Aeroporto Charles de Gaulle, em Roissy (distrito de Paris), que os Caravelle só eram utilizados em passageiros que se dirigiam ao Marrocos, Argélia e Egito, entre outros países. Mas, pensei, o negócio era encarar as geringonças (de duas turbinas atrás), até porque não tenho qualquer medo de voar.
Mas em Hamburgo, Alemanha, ocorreu um fato que mudou a trajetória de meu raciocínio. O Caravelle que nos levaria de volta a Paris – para uma nova escala em direção à Arábia Saudita – estava botando gente pelo ladrão. Em poucas e resumidas palavras, houve o que se chama de overbooking. Resultado: tumulto a bordo, socos, pontapés e palavrões internacionais entre jornalistas brasileiros (que não tinham onde ficar) com os comissários de bordo da Air France. Pelo que me lembro, após muita paciência, acertaram que dois jornalistas brasileiros viajariam sentados nos sacos de material esportivo da Seleção Brasileira. A rigor, só faltou viajar gente em pé.
Em Paris, enviei ao Jornal do Brasil tudo o que ocorrera, antes do embarque para Jeddah, no Mar Vermelho (que é preto). Resultado: quando estávamos novamente no Charles de Gaulle, a aeronave colocada à nossa disposição era um moderníssimo (para aquela época) Airbus, de quatro turbinas. Sobrou lugar no avião, que cumpriu o percurso em sete horas, com escala em Atenas, Grécia. Aliás, para que nada se esconda, o pessoal que sabia que na Arábia o álcool era proibido, fez uma tremenda zoeira na cozinha do avião, cantando sambas da época e esvaziando garrafas. Muitos desembarcaram em Jeddah mais para lá do que para cá. Daí a confusão na hora de recolher as malas e as discussões com o intérprete.
Pois muito que bem (estou tomando emprestado um jeito de escrever e falar do amigo Marcos de Castro). Num determinado dia de almoço no Al Khandara Hotel – no qual mulher não podia ir à piscina – estou eu bem sentado, servido por libaneses-paulistas, que preferiram tentar a vida em outro canto do mundo. Foi então que apareceu um cidadão, com nossos passaportes em mãos, e foi logo perguntando:
- Queria saber quem foi o jornalista que detonou a Air France. Tive que interromper minhas férias para vir a esse lugar. Não me fiz de rogado:
- Fui eu, nas páginas do JB...
O cidadão ficou mudo, até porque sabia que a Seleção Brasileira, além dos jornalistas, não poderiam ser mal tratados. Daí em diante, só viajamos de Airbus, deitando e rolando no conforto do avião construído por empresas francesas, inglesas e alemãs. Mas minha alegria durou pouco. Na volta ao Brasil, pegamos um Boeing 707 horroroso da Varig, cujo comandante não sabia se o combustível daria para chegar ao Rio. Por precaução, parou em Recife, reabasteceu e chegamos ao Galeão são e salvos.
Em resumo: se você não botar a boca no trombone não consegue nada.
Daí em diante, a Air France – por um acordo com a CBD – passou a transportar a galera nos velhos e cansados de guerra Caravelle. Percebi, no Aeroporto Charles de Gaulle, em Roissy (distrito de Paris), que os Caravelle só eram utilizados em passageiros que se dirigiam ao Marrocos, Argélia e Egito, entre outros países. Mas, pensei, o negócio era encarar as geringonças (de duas turbinas atrás), até porque não tenho qualquer medo de voar.
Mas em Hamburgo, Alemanha, ocorreu um fato que mudou a trajetória de meu raciocínio. O Caravelle que nos levaria de volta a Paris – para uma nova escala em direção à Arábia Saudita – estava botando gente pelo ladrão. Em poucas e resumidas palavras, houve o que se chama de overbooking. Resultado: tumulto a bordo, socos, pontapés e palavrões internacionais entre jornalistas brasileiros (que não tinham onde ficar) com os comissários de bordo da Air France. Pelo que me lembro, após muita paciência, acertaram que dois jornalistas brasileiros viajariam sentados nos sacos de material esportivo da Seleção Brasileira. A rigor, só faltou viajar gente em pé.
Em Paris, enviei ao Jornal do Brasil tudo o que ocorrera, antes do embarque para Jeddah, no Mar Vermelho (que é preto). Resultado: quando estávamos novamente no Charles de Gaulle, a aeronave colocada à nossa disposição era um moderníssimo (para aquela época) Airbus, de quatro turbinas. Sobrou lugar no avião, que cumpriu o percurso em sete horas, com escala em Atenas, Grécia. Aliás, para que nada se esconda, o pessoal que sabia que na Arábia o álcool era proibido, fez uma tremenda zoeira na cozinha do avião, cantando sambas da época e esvaziando garrafas. Muitos desembarcaram em Jeddah mais para lá do que para cá. Daí a confusão na hora de recolher as malas e as discussões com o intérprete.
Pois muito que bem (estou tomando emprestado um jeito de escrever e falar do amigo Marcos de Castro). Num determinado dia de almoço no Al Khandara Hotel – no qual mulher não podia ir à piscina – estou eu bem sentado, servido por libaneses-paulistas, que preferiram tentar a vida em outro canto do mundo. Foi então que apareceu um cidadão, com nossos passaportes em mãos, e foi logo perguntando:
- Queria saber quem foi o jornalista que detonou a Air France. Tive que interromper minhas férias para vir a esse lugar. Não me fiz de rogado:
- Fui eu, nas páginas do JB...
O cidadão ficou mudo, até porque sabia que a Seleção Brasileira, além dos jornalistas, não poderiam ser mal tratados. Daí em diante, só viajamos de Airbus, deitando e rolando no conforto do avião construído por empresas francesas, inglesas e alemãs. Mas minha alegria durou pouco. Na volta ao Brasil, pegamos um Boeing 707 horroroso da Varig, cujo comandante não sabia se o combustível daria para chegar ao Rio. Por precaução, parou em Recife, reabasteceu e chegamos ao Galeão são e salvos.
Em resumo: se você não botar a boca no trombone não consegue nada.
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Página do Roberto Porto