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- 11h04
- 29May
O morto que fumava no avião
por ESPN.com.br
Em minha última coluna para este site da ESPN Brasil, creio que pela primeira vez, desde que consegui abrigo neste nobre espaço, não escrevi sobre futebol. Falei sobre uma série policial que está sendo exibida na televisão com atores famosos como o botafoguense Murilo Benício e o rubro-negro Mílton Gonçalves – com quem trabalhei no Programa Haroldo de Andrade, na Rádio Globo do Rio. Os dois, supostamente, pertencem à Polícia Militar carioca e enfrentam toda e qualquer espécie de bandidos, sempre exibindo coragem e destemor, apesar do perigo que os cercam.
Num dos episódios, Benício consegue salvar Gonçalves de uma dupla de malfeitores e, finalmente, obtém as férias que merece. No momento em que embarca no avião e procura a poltrona que ocuparia com sua mulher, num voo para o Nordeste (se bem me lembro), seu telefone celular toca. De imediato, uma comissária de bordo, de maneira educada, lembra ao policial que é proibido celular ligado a bordo. Benício desliga mas, na cena seguinte, outro policial militar, fardado, ironiza Benício e, calmamente, saca de seu isqueiro Zippo (tive inúmeros), acende um cigarro e solta uma baforada daquelas. E não é admoestado pela mesma comissária..
Foi então que dois leitores do site me informaram que o tal militar fardado estava morto e que era apenas uma visão fantasmagórica de Benício. Fiquei, digamos assim, descaroçoado (belo adjetivo, não?). Jamais, em tempo algum, poderia imaginar um protagonista fantasma. Ao longo de mais de quatro décadas, trabalhando nos mais variados jornais, nunca tive tempo de assistir à novelas ou seriados. No máximo, nós, do esporte, dávamos uma parada na hora do telejornal, desde a época de Hílton Gomes, Cid Moreira e Sérgio Chapellin, para citar apenas estes três narradores.
Os dois leitores tinham razão. A partir da tragédia com o Boeing da Varig na chegada ao Aeroporto de Orly, em Paris, em 1973, o cigarro a bordo foi gradativamente sendo cerceado até ser proibido hoje em dia. Naquela manhã, tão distante – eu trabalhava em Fatos & Fotos – morreram dezenas de passageiros, salvando-se a tripulação e um rapaz que, se não me engano, carregava o sobrenome de Trajano (não o Trajano aqui da ESPN Brasil, claro). Entre muitos morreram Júlio Delamare, Agostinho dos Santos, Regina Leclery e o temido Felinto Muller, que entregou Olga Benario Prestes (mulher de Luiz Carlos Prestes) aos nazistas para ser morta na prisão na Alemanha. Todos foram dramaticamente carbonizados.
E relembrei um fato inusitado vivido por mim e Bruno Thys (filho do escritor Hélio Thys) em Nova York. Na volta ao Brasil, fomos dirigidos a uma ala de embarque na qual era proibido fumar. Atormentados, decidimos regressar ao controle de passaportes, voltar oficialmente aos Estados Unidos e fumarmos nosso cigarrinho na calçada do Aeroporto Kennedy. Depois, fomos obrigados a carimbar novamente nossos passaportes com visto de saída e finalmente embarcarmos num voo da American Airlines que durou quase 10 horas. Foi um sufoco para nós dois e os demais fumantes.
O melhor, realmente, é abandonar o vício que só prejudica a saúde.
Num dos episódios, Benício consegue salvar Gonçalves de uma dupla de malfeitores e, finalmente, obtém as férias que merece. No momento em que embarca no avião e procura a poltrona que ocuparia com sua mulher, num voo para o Nordeste (se bem me lembro), seu telefone celular toca. De imediato, uma comissária de bordo, de maneira educada, lembra ao policial que é proibido celular ligado a bordo. Benício desliga mas, na cena seguinte, outro policial militar, fardado, ironiza Benício e, calmamente, saca de seu isqueiro Zippo (tive inúmeros), acende um cigarro e solta uma baforada daquelas. E não é admoestado pela mesma comissária..
Foi então que dois leitores do site me informaram que o tal militar fardado estava morto e que era apenas uma visão fantasmagórica de Benício. Fiquei, digamos assim, descaroçoado (belo adjetivo, não?). Jamais, em tempo algum, poderia imaginar um protagonista fantasma. Ao longo de mais de quatro décadas, trabalhando nos mais variados jornais, nunca tive tempo de assistir à novelas ou seriados. No máximo, nós, do esporte, dávamos uma parada na hora do telejornal, desde a época de Hílton Gomes, Cid Moreira e Sérgio Chapellin, para citar apenas estes três narradores.
Os dois leitores tinham razão. A partir da tragédia com o Boeing da Varig na chegada ao Aeroporto de Orly, em Paris, em 1973, o cigarro a bordo foi gradativamente sendo cerceado até ser proibido hoje em dia. Naquela manhã, tão distante – eu trabalhava em Fatos & Fotos – morreram dezenas de passageiros, salvando-se a tripulação e um rapaz que, se não me engano, carregava o sobrenome de Trajano (não o Trajano aqui da ESPN Brasil, claro). Entre muitos morreram Júlio Delamare, Agostinho dos Santos, Regina Leclery e o temido Felinto Muller, que entregou Olga Benario Prestes (mulher de Luiz Carlos Prestes) aos nazistas para ser morta na prisão na Alemanha. Todos foram dramaticamente carbonizados.
E relembrei um fato inusitado vivido por mim e Bruno Thys (filho do escritor Hélio Thys) em Nova York. Na volta ao Brasil, fomos dirigidos a uma ala de embarque na qual era proibido fumar. Atormentados, decidimos regressar ao controle de passaportes, voltar oficialmente aos Estados Unidos e fumarmos nosso cigarrinho na calçada do Aeroporto Kennedy. Depois, fomos obrigados a carimbar novamente nossos passaportes com visto de saída e finalmente embarcarmos num voo da American Airlines que durou quase 10 horas. Foi um sufoco para nós dois e os demais fumantes.
O melhor, realmente, é abandonar o vício que só prejudica a saúde.
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- 15h00
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/robertoporto
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Página do Roberto Porto