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- 10h59
- 22May
Fumando no avião
por Roberto Porto para o ESPN.com.br
Por acaso, unicamente por acaso, assisti pela televisão a um episódio do seriado de uma emissora de TV denominado ‘Força Tarefa’, com os atores Murilo Benício e Mílton Gonçalves como principais atrações. A trama nada tem a ver com o futebol, embora Murilo Benício seja botafoguense e Mílton Gonçalves, rubro-negro. A história básica é a de um assalto à casa de um militar de alta patente da Polícia Militar por dois bandidos, um deles (para variar, apenas para variar, ex-PM, expulso da corporação por assaltar um caminhão de eletrodomésticos). Os cenários são pobres, o teor do seriado é bisonho, mas a emissora deve ter suas razões para colocá-lo no ar.
Murilo Benício, supostamente tenente da PM, é surpreendido, no momento em que iria viajar de férias para o Nordeste, e decide entrar em ação para salvar a vida do seu superior hierárquico. Um dos bandidos se rende mas o outro, depois de abandonar o plano de liquidar o coronel (Mílton Gonçalves), abre a porta do esconderijo e é sumariamente fuzilado por pelo menos uma dúzia de policiais. Na cena seguinte, Benício e sua mulher já estão a caminho do período de descanso e mal se sentam em seus lugares e o telefone celular do bom policial toca. Nesse exato instante uma comissária aparece e pede a Benício que desligue o aparelho.
Nisso, absurdo dos absurdos, um outro policial, fardado, sentado justamente à frente de Benício, faz uma gozação com o companheiro e, pasmem os leitores do site da ESPN Brasil, pega um isqueiro Zippo – que foi sucesso logo após a II Guerra Mundial – e acende um cigarro na maior cara de pau. Em poucas e resumidas palavras, celular a bordo não pode, mas cigarro pode. Confesso que não sei como os produtores da série engoliram esse frangaço, sabendo que o cigarro é terminantemente proibido em aviões.
Isso me fez lembrar a odisséia que eu e o também jornalista Bruno Thys vivemos em Nova York, na volta ao Rio. No terminal para onde fomos encaminhados não havia lugar para fumantes. Eu e Bruno nos reunimos e tomamos uma decisão: voltamos ao controle de passaportes, tornamos a dar entrada nos Estados Unidos, e fomos ‘apertar’ nosso cigarrinho nas calçadas do Aeroporto Kennedy. Depois, vontade satisfeita, carimbamos nossos passaportes de entrada (novamente) e embarcamos no vôo – longo vôo – Nova York-Rio.
Toda essa onda de proibição de cigarros em voo – além de incomodar passageiros não fumantes – foi ganhando espaço e força a partir da tragédia de um Boeing 707 da Varig, ocorrida em 1973, pouco antes da chegada ao Aeroporto de Orly, em Paris. O fogo a bordo teria começado num dos banheiros, onde um passageiro jogou um cigarro aceso na lixeira do pequeno lavabo. Nessa catástrofe, além de um único passageiro, a tripulação salvou-se mas morreram pessoas como o cantor Agostinho dos Santos, a socialite Regina Leclery e o jornalista Júlio Delamare. Além, não se pode esquecer, a figura da ditadura de Getúlio Vargas, Felinto Muller, que entregou Olga Benário – mulher de Luiz Carlos Prestes – aos nazistas que vieram ao Rio só para prendê-la, torturá-la e matá-la. Por sorte, Olga conseguiu ter uma filha de Prestes na prisão, antes de ser assassinada.
Em resumo, cigarro não pode. Em avião, então, nem se fala...
Murilo Benício, supostamente tenente da PM, é surpreendido, no momento em que iria viajar de férias para o Nordeste, e decide entrar em ação para salvar a vida do seu superior hierárquico. Um dos bandidos se rende mas o outro, depois de abandonar o plano de liquidar o coronel (Mílton Gonçalves), abre a porta do esconderijo e é sumariamente fuzilado por pelo menos uma dúzia de policiais. Na cena seguinte, Benício e sua mulher já estão a caminho do período de descanso e mal se sentam em seus lugares e o telefone celular do bom policial toca. Nesse exato instante uma comissária aparece e pede a Benício que desligue o aparelho.
Nisso, absurdo dos absurdos, um outro policial, fardado, sentado justamente à frente de Benício, faz uma gozação com o companheiro e, pasmem os leitores do site da ESPN Brasil, pega um isqueiro Zippo – que foi sucesso logo após a II Guerra Mundial – e acende um cigarro na maior cara de pau. Em poucas e resumidas palavras, celular a bordo não pode, mas cigarro pode. Confesso que não sei como os produtores da série engoliram esse frangaço, sabendo que o cigarro é terminantemente proibido em aviões.
Isso me fez lembrar a odisséia que eu e o também jornalista Bruno Thys vivemos em Nova York, na volta ao Rio. No terminal para onde fomos encaminhados não havia lugar para fumantes. Eu e Bruno nos reunimos e tomamos uma decisão: voltamos ao controle de passaportes, tornamos a dar entrada nos Estados Unidos, e fomos ‘apertar’ nosso cigarrinho nas calçadas do Aeroporto Kennedy. Depois, vontade satisfeita, carimbamos nossos passaportes de entrada (novamente) e embarcamos no vôo – longo vôo – Nova York-Rio.
Toda essa onda de proibição de cigarros em voo – além de incomodar passageiros não fumantes – foi ganhando espaço e força a partir da tragédia de um Boeing 707 da Varig, ocorrida em 1973, pouco antes da chegada ao Aeroporto de Orly, em Paris. O fogo a bordo teria começado num dos banheiros, onde um passageiro jogou um cigarro aceso na lixeira do pequeno lavabo. Nessa catástrofe, além de um único passageiro, a tripulação salvou-se mas morreram pessoas como o cantor Agostinho dos Santos, a socialite Regina Leclery e o jornalista Júlio Delamare. Além, não se pode esquecer, a figura da ditadura de Getúlio Vargas, Felinto Muller, que entregou Olga Benário – mulher de Luiz Carlos Prestes – aos nazistas que vieram ao Rio só para prendê-la, torturá-la e matá-la. Por sorte, Olga conseguiu ter uma filha de Prestes na prisão, antes de ser assassinada.
Em resumo, cigarro não pode. Em avião, então, nem se fala...
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/robertoporto
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Página do Roberto Porto