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- 10h55
- 15May
Tragédia: literatura x futebol
por Roberto Porto para o ESPN.com.br
A chamada ‘Tragédia de Piedade’, que acidentalmente colocou em choque literatura, poesia, futebol e remo, está a caminho de completar 100 anos no próximo dia 15 de agosto deste ano. É a dramática história ocorrida no então distante subúrbio do Rio de Janeiro de Piedade, que terminou com a morte do escritor e jornalista Euclides da Cunha (1866-1909), de 43 anos, num duelo à bala com o militar Dilermando Cândido de Assis (1889-1952), um jovem na época de 21 anos. O pivô da trágica cena de ciúmes foi a mulher de Euclides, Ana Sólon da Cunha (1875-1951) que, aos 34 anos tornou-se amante de Dilermando, a partir de um encontro casual numa pensão no Flamengo, mais precisamente à Rua Marquês de Abrantes.
Mas qual a razão de o remo e o futebol estarem envolvidos?
É simples. Uma das vítimas do tiroteio foi Dinorah Cândido de Assis (1890-1921), jogador do então Botafogo Football Club (1904-1942). Em meio ao duelo entre seu irmão, Dilermando e Euclides, Dinorah foi atingido por um tiro na coluna cervical disparado pelo escritor, autor de ‘Os Sertões’. Embora continuasse a integrar o time do Botafogo, conquistando o título de 1910, Dinorah foi, gradativamente, perdendo os movimentos, o que o levou a viajar para o Rio Grande do Sul e suicidar-se nas águas do Rio Guaíba, aos 31 anos. Mas e o remo? O que faz o remo em toda essa história?
Ocorre que um dos grandes amigos de Euclides da Cunha era o poeta Olavo Bilac (1865-1918), patrono de um dos barcos do Club de Regatas Botafogo (1894-1942). O Botafogo de futebol e o de remo só foram unir-se em 1942, formando o atual Botafogo de Futebol e Regatas. Mas antes da fusão, logo após a morte de Euclides da Cunha, o Botafogo sofreu forte pressão da imprensa e das torcidas adversárias, em função da presença em sua equipe do supostamente recuperado Dinorah, irmão do assassino do escritor. Dinorah, inclusive, pouco antes de levar o tiro, participou da maior goleada do futebol brasileiro em todos os tempos, quando o alvinegro esmagou o Mangueira por 24 a 0. Dinorah, inclusive, marcou um gol.
Euclides da Cunha era uma figura muito querida da sociedade do Rio de Janeiro, embora tenha ficado muito tempo distante da cidade cobrindo para o Estado de São Paulo a ‘Guerra de Canudos’, no interior da Bahia. Numa de suas viagens, Dilermando tirou Ana da Cunha da pensão no Flamengo e a levou para morar com ele numa casa em Piedade, possivelmente em busca de paz para um amor adúltero. Quando a notícia da morte de Euclides da Cunha chegou ao Rio, correram para a Central do Brasil nada menos do que Irineu Marinho (1876-1925), fundador de O Globo e pai de Roberto Marinho (1904-2003), além do introdutor da datiloscopia no Brasil, Félix Pacheco (1879-1935), o próprio Olavo Bilac, indiretamente ligado ao Club de Regatas Botafogo, além do legista Afrânio Peixoto (1876-1947), que ocupou a cadeira vaga do autor de ‘Os Sertões’ na Academia Brasileira de Letras. Um século de uma tragédia que abalou o Rio e virou novela na televisão Brasileira, com o nome ‘Desejo’, com Tarcisio Meira, no papel de Euclides, e Vera Fischer, de Ana Sólon da Cunha.
(*) Neste 16 de maio, Nílton dos Santos, a Enciclopédia do Futebol Brasileira, estará completando 86 anos. Nílton está internado, às expensas do Botafogo, por sobre do Mal de Alzheimer.
Mas qual a razão de o remo e o futebol estarem envolvidos?
É simples. Uma das vítimas do tiroteio foi Dinorah Cândido de Assis (1890-1921), jogador do então Botafogo Football Club (1904-1942). Em meio ao duelo entre seu irmão, Dilermando e Euclides, Dinorah foi atingido por um tiro na coluna cervical disparado pelo escritor, autor de ‘Os Sertões’. Embora continuasse a integrar o time do Botafogo, conquistando o título de 1910, Dinorah foi, gradativamente, perdendo os movimentos, o que o levou a viajar para o Rio Grande do Sul e suicidar-se nas águas do Rio Guaíba, aos 31 anos. Mas e o remo? O que faz o remo em toda essa história?
Ocorre que um dos grandes amigos de Euclides da Cunha era o poeta Olavo Bilac (1865-1918), patrono de um dos barcos do Club de Regatas Botafogo (1894-1942). O Botafogo de futebol e o de remo só foram unir-se em 1942, formando o atual Botafogo de Futebol e Regatas. Mas antes da fusão, logo após a morte de Euclides da Cunha, o Botafogo sofreu forte pressão da imprensa e das torcidas adversárias, em função da presença em sua equipe do supostamente recuperado Dinorah, irmão do assassino do escritor. Dinorah, inclusive, pouco antes de levar o tiro, participou da maior goleada do futebol brasileiro em todos os tempos, quando o alvinegro esmagou o Mangueira por 24 a 0. Dinorah, inclusive, marcou um gol.
Euclides da Cunha era uma figura muito querida da sociedade do Rio de Janeiro, embora tenha ficado muito tempo distante da cidade cobrindo para o Estado de São Paulo a ‘Guerra de Canudos’, no interior da Bahia. Numa de suas viagens, Dilermando tirou Ana da Cunha da pensão no Flamengo e a levou para morar com ele numa casa em Piedade, possivelmente em busca de paz para um amor adúltero. Quando a notícia da morte de Euclides da Cunha chegou ao Rio, correram para a Central do Brasil nada menos do que Irineu Marinho (1876-1925), fundador de O Globo e pai de Roberto Marinho (1904-2003), além do introdutor da datiloscopia no Brasil, Félix Pacheco (1879-1935), o próprio Olavo Bilac, indiretamente ligado ao Club de Regatas Botafogo, além do legista Afrânio Peixoto (1876-1947), que ocupou a cadeira vaga do autor de ‘Os Sertões’ na Academia Brasileira de Letras. Um século de uma tragédia que abalou o Rio e virou novela na televisão Brasileira, com o nome ‘Desejo’, com Tarcisio Meira, no papel de Euclides, e Vera Fischer, de Ana Sólon da Cunha.
(*) Neste 16 de maio, Nílton dos Santos, a Enciclopédia do Futebol Brasileira, estará completando 86 anos. Nílton está internado, às expensas do Botafogo, por sobre do Mal de Alzheimer.
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Página do Roberto Porto