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Por Eduardo Monsanto e redação ESPN.com.br
Olimpíada, ou Jogos Olímpicos, é uma série de competições esportivas que acontece de quatro em quatro anos. Participam da disputa atletas de todo o mundo e de várias modalidades. A premiação é feita com medalhas de ouro, prata e bronze, entregues ao primeiro, segundo e terceiro lugar, respectivamente.
Afirma-se que os primeiros Jogos foram realizados na Grécia Antiga no ano 776 a.C., como uma celebração e tributo aos deuses, mas foram proibidos por Teodósio I, imperador cristão, em 393 d.C.
Em 1896, o Barão de Coubertin, aristocrata francês, recuperou a competição que só foi interrompida durante a I e a II Guerra Mundial. Após este resgate do evento esportivo, todos os Jogos Olímpicos seguintes farão parte da fase denominada Era Moderna.
Confira abaixo a história das Olimpíadas de Pequim, na China, em 2008, até os Jogos de 1896, em Atenas, o primeiro da Era Moderna.
2008 - PEQUIM
números:
204 países
10 500 atletas
277 brasileiros (144 homens e 133 mulheres)
302 provas
modalidades: 34
Atletismo, Badminton, Basquete, Handebol, Beisebol, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica artística, Ginástica rítimca, Ginástica trampolim, Halterofilismo, Hipismo, Judô, Luta olímpica, Natação, Nado sincronizado, Pentatlo moderno, Pólo aquático, Canoagem slalom, Canoagem velocidade, Remo, Saltos ornamentais, Softbol, Taekwondo, Tênis, Tênis de mesa, Tiro com arco, Tiro esportivo, Triatlo, Vela, Vôlei, Vôlei de praia.
O Brasil conquistou 15 medalhas nesta edição dos Jogos Olímpicos. Três ouros, uma foi para o peito do nadador Cesar Cielo, nos 50m livre. A outra para Maurren Maggi, do salto em distância e a última foi conquistada pela equipe de vôlei feminino.
As medalhas de prata foram garantidas por Robert Scheidt e Bruno Prada na classe star da vela, pela equipe de vôlei masculino, pela seleção do futebol feminino e pela dupla Márcio Araújo e Fábio Luiz, do vôlei de praia.
Nos tatames do judô, Ketleyn Quadros, Leandro Guilheiro e Tiago Camilo conquistaram medalhas de bronze, Cesar Cielo garantiu mais uma no 100m livre, Natália Falavigna, do taekwondo, também trouxe seu prêmio na bagagem, Fernanda Oliveira e Isabel Swan na classe 470 da vela e a dupla de vôlei de praia Ricardo e Emanuel também levaram o bronze em suas disputas. A seleção masculina de futebol, mais uma vez, voltou para casa com o bronze.
2004 – ATENAS
números:
201 países
10625 atletas (4329 mulheres, 6296 homens)
247 brasileiros (125 homens, 122 mulheres)
301 provas
modalidades: 34
Atletismo, Badminton, Basquete, Beisebol, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Ginástica de Trampolim, Ginástica Rítmica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Nado sincronizado, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Softbol, Taekwondo, Tênis, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Triatlo, Vôlei, Vôlei de Praia.
Pela primeira vez, o número de nações participantes passou de 200, chegando ao recorde histórico de 201 países. Quase quatro bilhões de espectadores assistiram os Jogos pela televisão em diversas partes do mundo.
Os Jogos de 2004 marcaram o reencontro das Olimpíadas com seu berço, a Grécia. O cenário era a cidade de Atenas, onde os Jogos Olímpicos ressurgiram na Era Moderna em 1896. As ruínas da cidade de Olímpia, local dos Jogos da Antigüidade, receberam a disputa do arremesso de peso em 2004. A maratona também foi disputada em seu percurso original, desde a cidade de Maratona até Atenas, reproduzindo o trajeto que teria sido percorrido pelo mensageiro Fidípides.
E justamente na maratona aconteceu a imagem mais marcante dos Jogos de 2004. Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a prova, quando foi atacado por um fanático a pouco mais de seis quilômetros da linha de chegada. O maratonista foi empurrado para fora da pista, e perdeu tempo e ritmo. Socorrido por um grego, Vanderlei acabou ultrapassado pelo italiano Stefano Baldini e pelo americano Mebrahtom Keflezighi, mas foi aplaudido de pé ao chegar ao Estádio Panathinaiko para receber a medalha de bronze.
O nadador Michael Phelps foi o destaque individual da segunda Olimpíada de Atenas, com seis medalhas de ouro e o recorde individual de oito medalhas numa única edição dos Jogos.
O Brasil conquistou dez medalhas em Atenas: cinco de ouro (recorde do país), duas de prata e três de bronze. O primeiro ouro do país foi conquistado pelo velejador Robert Scheidt na classe laser. Também no iatismo, Torben Grael e Marcelo Ferreira conquistaram o primeiro lugar na classe star. Torben Grael se tornou o maior atleta olímpico do Brasil, com cinco medalhas conquistadas (duas de ouro) e seis participações nos Jogos, além de ser o velejador com mais medalhas olímpicas em todo o mundo.
A incrível geração do vôlei brasileiro comandada por Giba e Ricardinho já tinha conquistado a Liga Mundial no mesmo ano, e passou pela Itália por 3 sets a 1, com parciais de 25-15, 24-26, 25-20 e 25-22. O vôlei masculino do Brasil também dominou as areias de Atenas, com a vitória de Ricardo e Emanuel sobre os espanhóis Bosma e Herrera por 2 sets a 0, parciais de 21/16 e 21/15. No feminino, Adriana Behar e Shelda repetiram a prata de Sydney.
Prata que também reluziu no peito das meninas do futebol. A geração que tinha terminado em quarto lugar tanto em Atlanta quanto em Sydney decidiu o ouro com as americanas, e perdeu por 2x1 na prorrogação.
No judô, o leve Leandro Guilheiro e o meio-médio Flávio Canto conquistaram duas medalhas de bronze para o Brasil.
A quinta medalha de ouro brasileira foi conquistada por Rodrigo Pessoa e só chegou em 2005. Montando Baloubet du Rouet, Pessoa ficou com a medalha de prata na competição individual de saltos de Atenas. Mas no exame antidoping de Waterford Crystal, cavalo do irlandês Cian O'Connor - que conquistara o ouro – foram detectadas substâncias proibidas. O'Connor foi desclassificado e Pessoa conquistou a primeira medalha de ouro olímpica do hipismo brasileiro.
2000 – SYDNEY
números:
199 países
10651 atletas (4069 mulheres, 6582 homens)
205 brasileiros (111 homens, 94 mulheres)
300 provas
modalidades: 34
Atletismo, Badminton, Basquete, Beisebol, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Ginástica de Trampolim, Ginástica Rítmica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Nado sincronizado, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Softbol, Taekwondo, Tênis, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Triatlo, Vôlei, Vôlei de Praia.
Os Jogos de Sydney são até hoje a maior Olimpíada já realizada em número de atletas (10,651). Os australianos deram um show de organização, e também apresentaram alguns dos atletas que mais se destacaram nos Jogos.
O nadador Ian Thorpe, de apenas 17 anos, ganhou os 400m livre quebrando seu próprio recorde mundial. Foi o vencedor com a equipe australiana de revezamento nos 4x100m livre e nos 4x200m livre, além de ganhar a medalha de prata nos 200m livre.
No programa olímpico, as mudanças foram as inclusões do levantamento de peso feminino, triatlo e taekwondo. E pela primeira vez as mulheres participaram das competições de pentatlo moderno.
Para o Brasil, apesar de doze medalhas conquistadas, Sydney teve o sabor da frustração. Os brasileiros não ocuparam o lugar mais alto do pódio nenhuma vez.
O vôlei de praia era um das esperanças de ouro, mas o Brasil perdeu as finais no masculino com Zé Marco e Ricardo e no feminino com Adriana Behar e Shelda. Adriana Samuel e Sandra Pires conquistaram o bronze.
No iatismo, Robert Scheidt não conseguiu repetir o ouro em Atlanta, terminando com a prata na classe laser. Na star, Torben Grael e Marcelo Ferreira ficaram com o bronze.
O judô brasileiro manteve a tradição de medalhas, contando com os bons desempenhos do peso leve Tiago Camilo e do peso médio Carlos Honorato, ambos vice-campeões olímpicos.
As equipes femininas de vôlei e basquete terminaram na mesma posição: o terceiro lugar, garantindo mais duas medalhas de bronze para o Brasil.
No atletismo, a equipe masculina de revezamento 4x100m completou a prova em 37s90, ficando atrás apenas dos norte-americanos. Prata para Vicente Lenilson, Edson Luciano, André Domingos e Claudinei Quirino. A natação rendeu uma medalha de bronze com Fernando Scherer, Gustavo Borges, Carlos Jayme e Edvaldo Valério no revezamento 4x100m livre.
A equipe de saltos do Brasil foi bronze (Álvaro Miranda Neto, André Johannpeter, Luiz Felipe de Azevedo e Rodrigo Pessoa), mas a imagem mais marcante do hipismo brasileiro em Sydney foi o refugo do cavalo Baloubet de Rouet, que impediu Rodrigo Pessoa de brigar pelo ouro.
1996 – ATLANTA
números:
197 países
10318 atletas (3512 mulheres, 6806 homens)
225 brasileiros (159 homens, 66 mulheres)
271 provas
modalidades: 31
Atletismo, Badminton, Basquete, Beisebol, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Ginástica Rítmica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Nado sincronizado, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Softbol, Tênis, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei, Vôlei de Praia.
Os Jogos de 1996 começaram reverenciando um campeão olímpico norte-americano: Muhammad Ali, o responsável por acender a pira olímpica. Trinta e seis anos depois de ganhar o ouro em Roma, Cassus Clay não era mais o campeão arrogante, e sim um homem de meia idade enfrentando o mal de Parkinson com a mesma valentia exibida nos ringues.
O norte-americano Carl Lewis venceu a prova de salto em distância com 8,50m e se tornou o quarto atleta da história olímpica com nove medalhas de ouro. O poder dos Estados Unidos nas pistas também foi demonstrado pelo velocista Michael Johnson, que pulverizou o recorde mundial dos 200m rasos (fez 19s32) e também levou o ouro nos 400m.
Entre as novas modalidades no programa olímpico figuravam softbol, mountain bike, futebol feminino e o vôlei de praia. Pela primeira vez, a delegação brasileira rompia a barreira dos 200 representantes, e os 225 atletas do Brasil levaram o país ao seu melhor desempenho até então na história olímpica.
As primeiras mulheres brasileiras que chegaram ao lugar mais alto do pódio foram Jackie Silva e Sandra Pires. Na final brasileira do estreante vôlei de praia, elas derrotaram Mônica e Adriana por dois sets a zero (12/11 e 12/6).
A participação brasileira no iatismo também foi dourada. Robert Scheidt conquistou o primeiro lugar na classe laser, enquanto a dupla formada por Torben Grael e Marcelo Ferreira também assegurou o ouro na categoria star. Kiko Pellicano e Lars Grael foram bronze na categoria tornado.
A natação também alcançou resultados expressivos, com Gustavo Borges (prata nos 200m livre e bronze nos 100m livre) e Farnando Scherer (bronze nos 50m livre).
Campeã do mundo em 1994, a seleção feminina de basquete voltou a encantar com Paula e Hortência. O time só perdeu para as anfitriãs, e terminou com a medalha de prata.
O vôlei feminino subiu ao pódio pela primeira vez, quando a geração de Ana Moser, Ida, Ana Paula, Fernanda Venturini e Virna conquistou a medalha de bronze ao bater a Rússia, após a traumática derrota para Cuba nas semifinais.
A equipe brasileira de saltos também surpreendeu nas provas de hipismo em Atlanta. Rodrigo Pessoa, Álvaro Affonso de Miranda Neto, André Johannpeter e Luiz Felipe Azevedo terminaram na terceira posição, faturando uma medalha de bronze.
No futebol, Aldair, Bebeto e Rivado foram os jogadores acima de 23 anos escolhidos por Zagallo para dar consistência ao jovem time que tinha Ronaldo e Roberto Carlos ainda em idade olímpica. O sonho de ouro terminou contra a Nigéria, e a seleção brasileira teve que se contentar com a decisão de terceiro lugar. O time brasileiro goleou Portugal e foi medalha de bronze.
No judô, os atletas brasileiros trouxeram mais duas medalhas de bronze com Aurélio Miguel na categoria meio-pesado e Henrique Guimarães entre os meio-leves. A equipe de revezamento 4x100m no atletismo também terminou na terceira posição, com André Domingos, Arnaldo Oliveira, Edson Luciano e Robson Caetano.
1992 – BARCELONA
números:
169 países
9356 atletas (2704 mulheres, 6652 homens)
197 brasileiros (146 homens, 51 mulheres)
257 provas
modalidades: 32
Atletismo, Badminton, Basquete, Beisebol, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Ginástica Rítmica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Hóquei sobre Patins, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Nado sincronizado, Natação, Pelota Basca, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Taekwondo, Tênis, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei.
Enquanto mudanças políticas importantes aconteciam pelo mundo, Barcelona se transformava para receber os Jogos de 1992. A orla foi redesenhada, novos bairros construídos, e o célebre Montjuic recebeu as novas instalações esportivas.
Com o fim da política de Apartheid na África do Sul, o país voltou às Olimpíadas após 32 anos de ausência. A Alemanha já estava reunificada, e a União Soviética estava agora dividida em 15 repúblicas. Estônia, Letônia e Lituânia competiram separadamente, e os outros países se reuniram para os Jogos sob o nome de Comunidade dos Estados Independentes.
Os Jogos de 1992 foram o cenário do início de uma nova era no basquete. Com a abertura para jogadores profissionais, os Estados Unidos reuniram em quadra o maior time de todos os tempos: o Dream Team. Magic Johnson, Michael Jordan, Charles Barkley e Larry Bird eram as principais estrelas. O ouro foi conquistado com média de 117 pontos por partida, e sem que a equipe pedisse tempo uma única vez.
O desempenho brasileiro em Barcelona foi fraco. Apenas três medalhas, duas de ouro e uma de prata. O judoca Rogério Sampaio derrotou na final dos meio leves o húngaro Joszef Csak e levou a medalha de ouro.
O renovado time de vôlei masculino disputou oito partidas e venceu todas, perdendo apenas três sets durante todo o torneio olímpico. Na final, três sets a zero sobre a Holanda: 15/12, 15/8 e 15/5. Tande, Pampa, Amauri, Carlão, Douglas, Giovane, Janelson, Jorge Edson, Marcelo Negrão, Maurício, Paulão e Talmo entraram para a história do vôlei brasileiro.
O nadador Gustavo Borges levou a medalha de prata nos 100m livre com o tempo de 49s43, atrás apenas do lendário russo Alexander Popov com 49s02.
A inclusão de Badminton e do judô feminino foram as novidades na Olimpíada de 1992. Os Jogos foram marcados por decisões emocionantes, como nos 100m rasos para mulheres. Merlene Ottey da Jamaica ficou seis centésimos atrás da ganhadora Gail Devers, dos Estados Unidos. Mesmo assim, Ottey terminou na quinta posição.
1988 – SEUL
números:
159 países
8391 atletas (2194 mulheres, 6197 homens)
170 brasileiros (135 homens, 35 mulheres)
237 provas
modalidades: 29
Atletismo, Basquete, Beisebol, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Ginástica Rítmica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Nado sincronizado, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Taekwondo, Tênis, Tênis de Mesa, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei.
Seul foi o palco do maior escândalo de doping já ocorrido numa Olimpíada. O homem mais rápido do mundo se revelou uma farsa. O canadense Ben Johnson correu os 100m em 9s79, o que seria o novo recorde mundial. Dias depois, foi os testes de dopagem confirmaram que Johnson usara esteróides anabolizantes para alcançar a marca, e o ouro foi herdado pelo americano Carl Lewis.
Após os boicotes nas duas edições anteriores, americanos e soviéticos voltaram a se enfrentar nos Jogos. No quadro geral de medalhas, vantagem para a União Soviética: 55 medalhas de ouro contra 36 dos Estados Unidos. Mas os Jogos de Seul não foram inteiramente livres de boicote: Coréia do Norte, Cuba, Etiópia e Nicarágua não participaram da Olimpíada.
O esporte brasileiro garantiu seis medalhas de Seul. A única de ouro foi conquistada por Aurélio Miguel, campeão na disputa dos meio-pesados com cinco vitórias.
Mais uma vez o futebol brasileiro não conseguiu vencer na decisão. A segunda prata consecutiva veio na derrota de 2x1 para a União Soviética na prorrogação. Romário foi o artilheiro dos Jogos seis anos antes de levar o Brasil ao tetra na Copa do Mundo.
Ouro em 1984, Joaquim Cruz foi prata nos 800m com o tempo de 1min43s90. O primeiro lugar ficou com o queniano Paul Ereng, apenas 45 centésimos mais rápido. Róbson Caetano foi bronze nos 200m rasos, com o tempo de 20s04.
O iatismo foi responsável por duas medalhas de bronze. Na classe star Torben Grael e Nelson Falcão ficaram em terceiro lugar, mesma posição de Lars Grael e Clinio Freitas na classe tornado.
O nadador americano Matt Biondi ganhou sete medalhas, incluindo cinco de ouro (50m livre, 100m livre, revezamento 4x100m livre, revezamento 4x100 medley e revezamento 4x200m livre), uma de prata (100m borboleta) e uma de bronze (200m livre).
O tênis reapareceu como esporte de competição nas Olimpíadas após 64 anos. A alemã Steffi Graf, de 19 anos, ganhou os quatro torneios do Grand Slam em 1988 e coroou a temporada com a medalha de ouro em Seul. Quatro anos antes, em Los Angeles, Graf tinha conquistado o ouro com apenas 15 anos. Mas na ocasião o tênis era esporte de exibição.
1984 – LOS ANGELES
números:
140 países
6829 atletas (1566 mulheres, 5263 homens)
151 brasileiros (129 homens, 22 mulheres)
221 provas
modalidades: 26
Atletismo, Basquete, Beisebol, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Nado sincronizado, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tênis, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei.
Embora os soviéticos tenham respondido ao boicote americano na mesma moeda, a Olimpíada de Los Angeles reuniu o recorde de 140 nações participantes. Treze países do bloco socialista aderiram à iniciativa da União Soviética, deixando fora dos Jogos de 1984 um grupo que ganhou 58% das medalhas de ouro disputadas em Montreal (a última Olimpíada pré-boicote).
A cidade californiana recebeu os Jogos pela primeira vez em 1932, em meio à crise causada pela grande depressão. Após 52 anos, a segunda Olimpíada de Los Angeles aconteceu num cenário próspero, e pela primeira vez a competição foi inteiramente financiada pela iniciativa privada. A novidade rendeu lucro de US$ 223 milhões.
A força americana foi simbolizada nas pistas pelo velocista Carl Lewis, ganhador de quatro medalhas de ouro em Los Angeles (100m, 200m, salto em distância e revezamento 4x100m). Desta forma, Lewis igualou o número de medalhas de ouro de Jesse Owens na Olimpíada de Berlim em 1936.
O Brasil conseguiu oito medalhas, sendo a única de ouro trazida pelo fundista Joaquim Cruz. Na prova dos 800m, o corredor nascido no Distrito Federal venceu com o tempo de 1min43s00. Recorde olímpico que só caiu doze anos depois, em Atlanta.
O talento brasileiro também sobressaiu nos esportes coletivos. No futebol, foi permitida a participação de profissionais que ainda não tivessem disputados Copas do Mundo. O Internacional de Porto Alegre serviu como base do time dirigido por Jair Picerni.
O futuro campeão do mundo Dunga era um dos destaques do time, que contava ainda com o goleiro Gilmar e o zagueiro Mauro Galvão e terminou com a medalha de prata após a derrota para a França por 2x0.
O Brasil também ficou em segundo no vôlei masculino. A geração de Montanaro, Renan, Bernard e Xandó ganhou dos Estados Unidos na primeira fase, mas foi atropelada pelo mesmo adversário na decisão do ouro: três sets a zero.
O judô brasileiro também trouxe medalhas. Douglas Vieira foi prata na categoria meio pesado, enquanto o médio Walter Carmona e o peso leve Luís Onmura garantiram medalhas de bronze.
Na água, o Brasil pôde comemorar mais duas medalhas de prata. Ricardo Prado foi o segundo colocado na prova de 400m medley, com o tempo de 4min18s45. No iatismo, a dupla Torben Grael e Daniel Adler conquistou a prata na classe soling.
E 56 anos depois dos médicos declararem que mulheres envolvidas em provas de fundo envelheceriam mais rápido, a maratona feminina finalmente foi incluída no programa olímpico. Joan Benoit, dos Estados Unidos, foi a primeira mulher a ganhar ouro na prova, mas acabou ofuscada pela maior imagem de superação já vista nos Jogos Olímpicos.
A suíça Gabrielle Andersen-Scheiss chegou final da prova exausta pelo calor de Los Angeles. Quando entrou no Estádio Olímpico estava cambaleando. Os médicos perceberam que ela transpirava, e decidiram deixa-la terminar a prova. A última volta da suíça demorou cinco minutos, e ao cruzar a linha de chegada, ela finalmente caiu desmaiada. Uma cena para a antologia olímpica.
1980 – MOSCOU
números:
80 países
5179 atletas (1115 mulheres, 4064 homens)
109 brasileiros (94 homens, 15 mulheres)
203 provas
modalidades: 23
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei.
O boicote liderado pelos Estados Unidos reduziu o número de participantes em Moscou a apenas 80 países, o menor desde 1956 em Melbourne. Os Jogos de Moscou sofriam o efeito direto da Guerra Fria entre americanos e soviéticos.
O presidente americano Jimmy Carter liderou o boicote como protesto contra a invasão soviética no Afeganistão em dezembro de 1979. Alguns aliados americanos como Grã-Bretanha e Austrália deram a seu atletas a liberdade de escolher ir ou não a Moscou.
Mesmo sem os Estados Unidos, os Jogos de Moscou foram marcantes. A começar pelo mascote: Mischa, um urso que ganhou fãs no mundo inteiro com a lágrima derramada na cerimônia de encerramento.
Moscou recebeu a maior delegação brasileira já enviada a uma Olimpíada. Os 109 atletas do Brasil disputaram 13 modalidades. O resultado também foi o melhor já obtido: duas medalhas de ouro e duas de bronze.
O iatismo foi o responsável pelas duas medalhas de ouro brasileiras em Moscou. Alex Welter e Lars Bjorkstrom ficaram em primeiro na classe tornado, e Marcos Soares e Eduardo Penido foram os melhores na classe 470.
A equipe masculina do Brasil nos 4x200m nado livre conquistou o bronze com Djan Madruga, Marcus Mattioli, Ciro Delgado e Jorge Fernandes. O tempo brasileiro foi de 7min29s30.
João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, conquistou sua segunda medalha de bronze em Olimpíadas com 17,22m no salto triplo. O brasileiro chegou a saltar 17,40m, mas a tentativa foi anulada. Apesar dos protestos de Pedro de Toledo, o técnico do brasileiro, a medalha de ouro foi para Jaak Uudmae da União Soviética (com 17,35m)
O soviético Aleksandr Dityatin se tornou o único atleta a ganhar oito medalhas numa única Olimpíada. Foram três de ouro (uma por equipes), quatro de prata e uma de bronze.
O cubano Teófilo Stevenson se tornou o primeiro pugilista a vencer três vezes os Jogos na mesma categoria (super-pesados).
Um confronto britânico marcou as disputas de fundo nos 800 e 1500m. O inglês Steve Ovett levou a melhor sobre o compatriota Sebastian Coe nos 800m e ganhou a medalha de ouro. Coe ficou com a prata, mas deu o troco nos 1.500m, conquistando a medalha de ouro e relegando Ovett ao bronze.
1976 – MONTREAL
números:
92 países
6084 atletas (1260 mulheres, 4824 homens)
93 brasileiros (86 homens, 7 mulheres)
198 provas
modalidades: 23
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei.
Obras incompletas e desvio de verbas também acontecem no primeiro mundo. Este era o cenário em Montreal às vésperas dos Jogos. Os canadenses ainda sofreram o boicote dos países africanos, que exigiram punição à Nova Zelândia por ter enfrentado a África do Sul (banida dos Jogos pela política do apartheid) no rugby e não foram atendidos.
Apesar dos percalços, Montreal consagrou a primeira ginasta a conseguir uma nota dez: a romena Nadia Comaneci, de apenas 14 anos. A performance perfeita foi alcançada nas barras assimétricas. No total, foram três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.
Perfeição que as japonesas também mostraram, só que no vôlei. A medalha de ouro foi conquistada sem um único set perdido.
O Brasil voltou de Montreal com duas medalhas, ambas de bronze. João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, ficou em terceiro no salto triplo com a marca de 16,90m. Os velejadores Reinaldo Conrad e Peter Ficker também terminaram na terceira posição na classe flying dutchman.
O grande destaque internacional dos Jogos de Montreal foi a ginasta romena Nadia Comaneci, então com 14 anos. Ela encantou o mundo conquistando. Nadia obteve nota 10 dos quatro jurados na prova de barras assimétricas, fato inédito na história da ginástica olímpica.
O pugilista Clarence Hill ganhou o bronze no boxe entre os super-pesados, transformando Bermuda no país menos populoso a conquistar uma medalha olímpica.
1972 – MUNIQUE
números:
121 países
7134 atletas (1059 mulheres, 6075 homens)
89 brasileiros (84 homens, 5 mulheres)
195 provas
modalidades: 24
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Esqui Aquático (demonstração), Futebol, Ginástica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro com Arco, Tiro Esportivo, Vôlei.
Os Jogos de Munique em 1972 foram os maiores realizados até então, com recorde de provas (195), atletas (7.173) e nações participantes (121). Para sediar o evento, os alemães montaram o Reichsportfield, maior complexo esportivo construído até então.
Quando tudo apontava para a maior de todas as Olimpíadas, uma ação terrorista do grupo palestino Setembro Negro manchou para sempre os Jogos de 1972. Oito terroristas invadiram a Vila Olímpica e onze integrantes da delegação de Israel foram mortos.
Os Jogos foram suspensos e foi realizada uma homenagem às vítimas no Estádio Olímpico de Munique. A organização retomou as competições 34 horas após os assassinatos. Apesar da mancha terrorista, Munique viu um super-atleta das piscinas entrar para a história: o nadador americano Mark Spitz, ganhador de incríveis sete medalhas de ouro e sete recordes mundiais.
O fundista finlandês Lasse Viren caiu na final dos dez mil metros, mas se levantou para estabelecer um novo recorde mundial e ganhar a primeira de suas quatro medalhas de ouro em Olimpíadas.
Os brasileiros conquistaram duas medalhas de bronze. Nelson Prudêncio saltou 17,05m e ficou em terceiro no salto triplo. No judô, Chiaki Ishii foi o terceiro melhor na categoria meio pesado.
1968 – CIDADE DO MÉXICO
números:
112 países
5516 atletas (781 mulheres, 4735 homens)
84 brasileiros (81 homens, 3 mulheres)
172 provas
modalidades: 22
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pelota, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo, Vôlei.
A escolha do México como sede dos Jogos de 1968 foi marcada pela polêmica envolvendo a altitude de 2300m acima do nível do mar. O ar rarefeito, com 30% a menos de oxigênio em relação ao nível do mar, era altamente prejudicial aos atletas em provas de resistência. Mas nas provas curtas de atletismo, altitude virou sinônimo de recorde mundial.
As melhores marcas do mundo foram superadas nas provas de corrida até 400m, incluindo revezamentos. O mesmo aconteceu nas provas de salto triplo e salto em distância, onde o americano Bob Beamon saltou 8,90m e estabeleceu um recorde que durou 22 anos. Beamon superou o recorde anterior em 55 cm.
A ginasta tchecoslovaca Vera Caslavska foi uma das protagonistas dos Jogos no México. Após a invasão soviética sofrida em seu país dois meses antes da Olimpíada, Caslavska passou três semanas escondida nas montanhas tchecas. A ginasta mantinha a forma se exercitando em galhos de árvores e treinava solo numa campina. O governo decidiu leva-la aos Jogos, e a ginasta conquistou quatro medalhas de ouro e duas de prata.
Se a Primavera de Praga quase teve reflexos nos Jogos, a luta pela igualdade racial nos Estados Unidos causou uma das manifestações políticas mais marcantes da história do esporte. Os medalhistas de ouro e bronze nos 200m rasos Tommie Smith e John Carlos levantaram seus punhos cerrados com luvas negras como forma de protesto durante a execução do hino norte-americano. Os dois foram expulsos da Vila Olímpica, mas jamais saíram da memória de quem acompanhou os Jogos.
O atletismo brasileiro viveu grandes momentos com Nelson Prudêncio, que no salto triplo conseguiu a 17,27m. O salto era o recorde mundial, mas durou poucos minutos: o soviético Viktor Saneyev superou o brasileiro por apenas 12cm.
Além da prata de Prudêncio, o Brasil trouxe duas medalhas de bronze. O peso mosca Servílio de Oliveira ganhou a única medalha do boxe brasileiro até hoje. No iatismo, vitória de Reinald Conrad e Bukhard Cordes na classe flying dutchman.
Na Cidade do México, o pentatleta Hans-Gunnar Liljenwall foi o primeiro atleta olímpico a ser reprovado no exame anti-doping. O excesso de álcool eliminou o sueco das Olimpíadas.
A mexicana Norma Enriqueta Basílio foi a primeira mulher a acender a pira olímpica na cerimônia de abertura.
O americano Al Oerter ganhou a prova de lançamento do disco pela quatra vez consecutiva nos Jogos.
1964 - TÓQUIO
números:
93 países
5151 atletas (678 mulheres, 4473 homens)
68 brasileiros (67 homens, 1 mulher)
163 provas
modalidades: 21
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Judô, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo, Vôlei.
Os Jogos de 1964 marcam a primeira Olimpíada realizada na Ásia. A reconstrução japonesa após a Segunda Guerra Mundial era um sucesso, e para conduzir a tocha olímpica, foi escolhido Yoshinori Sakai, nascido em Hiroshima no mesmo dia em que a cidade foi destruída por uma bomba atômica.
Judô e vôlei foram as novidades do programa olímpico. O ganhador da maratona foi o mesmo: Abebe Bikila, desta vez apenas seis semanas depois de uma cirurgia para remover o apêndice.
Outro fenômeno dos Jogos de Tóquio foi a soviética Larysa Latynina, ganhadora de duas medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze. No total, Latynina chegou a 18 medalhas olímpicas, e entrou para o seleto grupo dos quatro únicos atletas com nove medalhas de ouro nos Jogos.
Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram marcados pelas transmissões via satélite, possíveis graças ao satélite Telstar lançado ao espaço pelos Estados Unidos, em 1962.
Na primeira vez em que um país asiático foi sede dos Jogos Olímpicos, o Brasil enviou 67 atletas para a competição - apenas uma mulher. Aída dos Santos conseguiu chegar à segunda etapa da competição, ficando em quarto lugar com a marca de 1,74m.
A única medalha brasileira em Tóquio foi conquistada mais uma vez pela equipe de basquete masculino. Em nove partidas, perdeu apenas três. O Brasil ficou atrás apenas de Estados Unidos e União Soviética. No elenco brasileiro Amaury Pasos, Wlamir Marques, Ubiratan, Mosquito, Fritz, Rosa Branca, Jathyr, Edson Bispo, Sucar, Victor Mirschawka, Sérgio Macarrão e Edvar Simões.
Pela primeira vez o COI premiou o fair play nos Jogos. O reconhecimento foi para os suecos Lars Gunnar Kall e Stig Lennart Kall, que deixaram de lado as chances de vencer a regata para salvar dois outros competidores cujo barco estava naufragando.
1960 - ROMA
números:
83 países
5338 atletas (611 mulheres, 4727 homens)
81 brasileiros (80 homens, 1 mulher)
150 provas
modalidades: 19
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo.
Roma pôde finalmente receber os Jogos 54 anos depois de ser orbigada a abrir mão do direito de sediar a Olimpíada de 1908 para recuperar as áreas atingidas pela erupção do Vesúvio.
Os Jogos nunca tiveram cenários tão inspiradores para os atletas.
Provas de ginástica foram disputadas nas Termas de Caracalla; o Arco de Constantino recebeu a linha de chegada da maratona, e a Basílica de Maxentius foi palco da competição de luta olímpica.
Na maratona, um etíope descalço encantou o mundo. Correndo sem sapatilhas, Abebe Bikila superou o marroquino Rhadi Ben Abdesselem e se tornou o primeiro africano negro a se tornar campeão olímpico.
No boxe, um pugilista norte-americano de apenas 18 anos foi a sensação nos ringues de Roma. O nome dele ? Cassius Marcellus Clay. O ganhador da medalha de ouro se converteu ao islamismo, mudou seu nome para Muhammad Ali e quatro anos depois, já profissional, bateu Sonny Liston e se tornou campeão mundial.
Adhemar Ferreira da Silva não conseguiu se classificar para a final do salto triplo, e as medalhas brasileiras vieram do basquete e da natação.
Manuel dos Santos Júnior foi bronze nos 100m livre com o tempo de 55s4, contra os 55s2 do vencedor e recordista olímpico, o australiano John Devit.
No basquete, a seleção brasileira era campeã mundial, mas caiu na semifinal contra a União Soviética. O Brasil ganhou o bronze com
Algodão, Amaury Pasos, Edson Bispo, Fernando Brobró, Jatyr, Mosquito, Moyses Blas, Rosa Branca, Sucar, Waldemar Blatkauskas, Waldyr Boccardo e Wlamir Marques. Em oito jogos, foram seis vitórias e apenas duas derrotas (para soviéticos e norte-americanos).
No futebol, a Iugoslávia vinha de três medalhas de prata consecutivas. Na semifinal, os iugoslavos encararam a Itália (que eliminou o Brasil, dirigido por Feola). Após empate no tempo normal, a Iugoslávia ganhou a vaga num cara ou coroa. A sorte tinha mesmo mudado de lado, já que na final, os tri vice-campeões bateram a Dinamarca por 3x1 e ficaram com o ouro.
1956 - MELBOURNE
números:
72 países
3314 atletas (376 mulheres, 2938 homens)
48 brasileiros (47 homens, 1 mulher)
145 provas
modalidades: 19
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo.
Melbourne conquistou o direito de sediar os Jogos de 1956 por apenas um voto de vantagem sobre Buenos Aires nas eleições do COI. Curiosamente, o rigor das leis sanitárias impediu a entrada de cavalos estrangeiros, e as provas de hipismo foram disputadas separadamente em Estocolmo, no mês de junho.
A delegação brasileira levou 48 atletas para a Austrália. No grupo , Mary Dalva Proença (saltos ornamentais) era a única mulher. O único brasileiro a trazer medalha foi Adhemar Ferreira da Silva, que se tornou bicampeão olímpico. Adhemar, o porta-bandeira brasileiro na cerimônia de abertura, quebrou mais uma vez seu recorde mundial no salto triplo ao alcançar 16,35m.
Foi a primeira Olimpíada disputada no hemisfério sul. Laszlo Papp da Hungria se tornou o primeiro pugilista a conquistar três medalhas de ouro.
Na ginástica, o soviético Viktor Chukarin ganhou cinco medalhas. Três delas eram de ouro, totalizando onze medalhas olímpicas para Chukarin (sete de ouro). A ginasta húngara Agnes Keleti ganhou quatro medalhas de ouro e duas de prata, chegando a dez medalhas em Olimpíadas.
A seleção norte-americana de basquete de um espetáculo em quadras australianas. Bill Russell e K.C. Jones lideraram o time, que fez mais que o dobro de pontos dos adversários em todas as partidas.
Pela primeira vez, os Jogos sofreram boicotes políticos. A invasão soviética na Hungria provocou protestos de vários países ocidentais. Espanha, Suíça e Holanda boicotaram a competição. Egito, Iraque e Líbano se recusaram a participar em protesto contra a intervenção franco-britânica no canal de Suez. E a participação de Taiwan fez com que a China se retirasse dos Jogos (o confito entre os países demoraria 28 anos para ser resolvido).
1952 - HELSINKI
números:
69 países
4955 atletas (519 mulheres, 4436 homens)
108 brasileiros (103 homens, 5 mulheres)
149 provas
modalidades: 19
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo.
Os Jogos de Helsinki apresentaram o saltador brasileiro Adhemar Ferreira da Silva ao mundo. Adhemar chegou à Finlândia como recordista mundial do salto triplo com 16,01m. E na mesma prova, quebrou sua marca quatro vezes: 16,05m, 16,09m, 16,12m e 16,22m.
Além de Adhemar, a Olimpíada de Helsinki teve outros heróis no atletismo. Emil Zatopek, da Tchecoslováquia, foi o primeiro corredor a ganhar os 5000m, 10000m e a maratona na mesma edição do Jogos.
Na prova de adestramento, uma das primeira mulheres autorizadas a competir entre homens foi a dinamarquesa Lis Hartel. Uma crise de pólio tirou a sensibilidade das pernas da amazona dos joelhos para baixo. Hartel recebia ajuda para subir e descer do cavalo. Mesmo assim conseguiu ganhar uma medalha de prata.
O carpinteiro sueco Lars Hall foi o primeiro atleta não militar a vencer a prova de pentatlo moderno.
No salto em altura, José Telles da Conceição conquistou a medalha de bronze igualando o seu próprio recorde sul-americano de 1,98.
E a primeira medalha da natação brasileira foi conquistada por Tetsuo Okamoto. O “peixe-voador” nadou os 1500m em 18min51s3 e ficou com o bronze.
1948 - LONDRES
números:
59 países
4104 atletas (390 mulheres, 3714 homens)
81 brasileiros (70 homens, 11 mulheres)
136 provas
modalidades: 19
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo.
A segunda guerra mundial impediu a realização dos Jogos em 1940 e 1944, e o evento só voltou a acontecer em 1948. Pela primeira vez, a transmissão das Olimpíadas chegava às casas (de poucos privilegiados) dos ingleses que tinham aparelhos de TV.
O jejum de 28 anos sem medalhas terminou em Londres. O basquete brasileiro foi responsável pela única medalha brasileira nos Jogos de 1948. O bronze foi conquistado com sete vitórias e apenas uma derrota para os franceses. Na disputa do terceiro lugar, o time dirigido por Moacir Daiuto ganhou do México por 52 a 47.
Zenny de Azevedo, o Algodão, era o principal nome do time brasileiro. A equipe ainda contava com Alberto Marson, Alexandre Gemignani, Alfredo Rodrigues da Mota, Affonso Azevedo Évora, João Francisco Brás, Luís Benvenuti, Marcus Vinícius Dias, Massinet Sorcinelli, Nilton Pacheco de Oliveira e Ruy de Freitas.
O americano Bob Mathias foi o campeão do decatlo apenas quatro meses após começar a praticar o esporte. Ele tinha apenas 17 anos, e até hoje é o homem mais jovem a vencer uma prova de atletismo nas Olimpíadas.
A super-atleta dos Jogos de Londres foi a holandesa Fanny Blankers-Koen. Mãe de dois filhos e dona de seis recordes mundiais, ela só pôde se inscrever em três eventos individuais. Ela deixou de lado provas como salto em altura e salto em distância – era recordista mundial de ambas – para disputar os 100m, 200m e os 80m com barreiras. Ganhou todas as provas, e ainda ganhou o ouro no revezamento 4x100m.
Outro herói olímpico consagrado em Londres foi o atirador húngaro Karoly Takacs. Campeão mundial com a equipe da Hungria, ele teve a mão direita – a que usava para atirar – despedaçada por uma granada em 1938. Takacs teve que reaprender a atirar, agora com a mão esquerda. Dez anos depois, ele foi a Londres e ganhou a medalha de ouro na prova de pistola rápida (25m).
1936 - BERLIM
números:
49 países
3963 atletas (331 mulheres, 3632 homens)
94 brasileiros (88 homens, 6 mulheres)
129 provas
modalidades: 21
Atletismo, Basquete, Boxe, Canoagem, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Handebol, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo.
As Olimpíadas de Berlim são muito lembradas pela tentativa frustrada de Adolf Hitler de usar o esporte para provar suas teorias de superioridade da raça ariana. Tão frustrada que o maior herói daqueles Jogos foi negro: Jesse Owens, corredor e saltador norte-americano que conquistou quatro medalhas de ouro nos 100m, 200m, salto em distância e no revezamento 4x100m.
Foi nos Jogos de 1936 que se iniciou a tradição do revezamento da tocha olímpica, levando o fogo de Olímpia até a cidade-sede. A tocha acesa rodou mais de três mil quilômetros até chegar a Berlim, passando por Grécia, Bulgária, Iugoslávia, Hungria, Tchecoslováquia, Áustria e Alemanha.
Outra novidade foi a transmissão das competições pela TV. Vinte e cinco monitores foram espalhados por Berlim para que a população local pudesse ver os Jogos gratuitamente.
Desta vez, Maria Lenk tinha companhia feminina na delegação brasileira. Também fizeram parte da equipe de natação Scylla Venâncio, Sieglind Lenk e Piedade Coutinho, esta última a quinta colocada nos 100m livre.
Sílvio Padilha, futuro presidente do Comitê Olímpico Brasileiro foi o quinto colocado nos 400m com barreiras. O atirador brasileiro José Salvador Trindade repetiu o resultado na prova de carabina. O Brasil esteve representado em dez modalidades: atletismo, basquete, boxe, ciclismo, esgrima, iatismo, natação, pentatlo moderno, remo e tiro esportivo.
Com apenas treze anos, a americana Marjorie Gestring se tornou a mulher mais jovem a conquistar uma medalha de ouro. Ela venceu a prova de saltos ornamentais no trampolim de três metros. Mas ela não foi a única menina a surpreender: a nadadora dinamarquesa Inge Sorensen foi bronze nos 200m peito, se tornando a pessoa mais jovem a conquistar uma medalha olímpica, recorde que permanece até hoje.
1932 – LOS ANGELES
números:
37 países
1332 atletas (126 mulheres, 1206 homens)
67 brasileiros (66 homens, 1 mulher)
117 provas
modalidades: 16
Atletismo, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tiro Esportivo.
Como os Jogos de 1932 aconteceram em meio à Grande Depressão, o número de atletas foi inferior à metade do que disputou a Olimpíada de Amsterdã. Mesmo assim, o nível da competição foi bastante alto: 18 recordes mundiais foram quebrados ou igualados. A resposta de público também foi marcante, com mais de 100 mil torcedores só na cerimônia de abertura no Coliseu de Los Angeles.
A nadadora Maria Lenk foi a primeira mulher brasileira a disputar uma Olimpíada. Era a única representante feminina entre os 67 brasileiros que embarcaram no navio Itaquecê, da Marinha Mercante. Para bancar a viagem, os atletas brasileiros se comprometeram em vender as 55 mil sacas de café transportadas no barco, vendendo o produto nos portos pelo caminho até os Estados Unidos.
A primeira mulher sul-americana a disputar os Jogos estava neste barco. A nadadora brasileira Maria Lenk, de apenas 17 anos, competiu nos 100m livre, 100m costas e 200m peito. Não conseguiu se classificar, mas entrou para a história do esporte brasileiro.
O Brasil participou de competições em seis modalidades: natação, pólo aquático, saltos ornamentais, atletismo, remo e tiro esportivo. O melhor desempenho individual foi de Lúcio de Almeida Castro, sexto no salto com vara.
Pela primeira vez foi adotado um calendário compacto para os Jogos: 16 dias. Desde então, a duração das Olimpíadas tem variado entre 15 e 18 dias. Após as competições, a cerimônia da vitória passou a ter o pódio e o hasteamento da bandeira do país vencedor. A cronometragem eletrônica passou a ser oficial.
O nadador japonês Kusuo Kitamura ganhou os 1500m livres e se tornou o homem mais jovem a ganhar uma medalha de ouro.
Na decisão da esgrima entre a britânica Judy Guinness e a austríaca Ellen Preis, a esgrimista da Inglaterra abriu mão das chances de levar o ouro ao avisar aos juízes de dois toques que ela havia sofrido sem que os juízes percebessem. Ouro para Ellen Preis, e uma grande demonstração de “fair play” e de espírito olímpico de Guinness.
1928 – AMSTERDAM
números:
46 países
2883 atletas (277 mulheres, 2606 homens)
Não houve participação brasileira
109 provas
modalidades: 16
Atletismo, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais.
Os Jogos de Amsterdã aconteceram numa atmosfera de paz e harmonia que precederam duas décadas de incertezas econômicas e guerra.
Talvez o melhor exemplo do que foram os Jogos seja traduzido pelo exemplo do remador Henry Pearce. Durante a prova de quartas-de-final, ele parou de remar para permitir que uma família de patos passasse em fila em frente de seu barco. Mesmo assim, ele ganhou a prova.
O número de mulheres em Amsterdã foi mais do que o dobro visto em Paris, já que elas passaram a disputar ginástica e atletismo.
Pela primeira vez, atletas asiáticos conquistaram medalhas de ouro. Mikio Oda do Japão ganhou no salto triplo, e Yoshiyuki Tsuruta ganhou os 200m nado de peito. A equipe da Índia também saiu vitoriosa no hóquei sobre grama, iniciando uma seqüência de seis ouros, que duraria até 1960.
Outra dinastia iniciada em Amsterdã foi a da equipe húngara de esgrima no sabre. A partir de 1928, foram sete medalhas de ouro seguidas.
Sem dinheiro, o Brasil ficou fora de Amsterdã.
1924 – PARIS
números:
44 países
3089 atletas (135 mulheres, 2954 homens)
12 brasileiros (12 homens)
126 provas
modalidades: 19
Atletismo, Boxe, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo, Pólo Aquático, Remo, Rugby, Saltos Ornamentais, Tênis, Tiro Esportivo
Nos Jogos de Paris foram introduzidos o lema olímpico “Citius, Altius, Fortius” (mais rápido, mais alto, mais forte) e também a cerimônia de encerramento. A participação das mulheres na esgrima também começou nas Olimpíadas de 1928.
A primeira Vila Olímpica construída na história dos Jogos era composta de cabanas de madeira. O interesse pelas competições crescia: mais de 625 mil espectadores acompanharam o evento, e mais de mil jornalistas de todo o mundo participaram da cobertura.
No atletismo, o finlandês Paavo Nurmi assombrou Paris ao conquistar cinco medalhas de ouro. A performance mais espetacular aconteceu no dia 10 de julho. Depois de vencer facilmente os 1500 metros, Nurmi voltou à pista menos de uma hora depois para disputar – e vencer - os 5000m. As outras conquistas vieram no cross country (individual e por equipes) e nos 3000m por equipes.
Antes de brilhar nas telas de cinema como Tarzan, Johnny Weissmüller mostrou seu talento nas piscinas francesas. No mesmo dia, ele conquistou duas medalhas de ouro na natação e uma de bronze no pólo aquático. O mesmo fôlego mostrado em Hollywood nos 12 filmes que protagonizou como o “Rei das Selvas”.
As Olimpíadas de Paris tiveram mais uma ligação com o cinema. A história dos corredores britânicos Eric Liddell e Harold Abrahams foi contada no filme “Carruagens de Fogo”, ganhador de 4 Oscars em 1982, incluindo o de melhor filme. Eric era um missionário escocês; Harold um jovem judeu que tentava o sucesso no esporte para se livrar do preconceito na sociedade de Cambridge, onde os dois viviam.
A participação brasileira em Paris foi bem mais modesta do que em Antuérpia. O Brasil mandou só doze atletas, que disputaram provas de remo, tiro esportivo e atletismo. Dessa vez, nenhuma medalha foi conquistada.
O melhor desempenho brasileiro em Paris foi dos irmãos Edmundo e Carlos Castello Branco, que terminaram em quarto lugar no remo (categoria double sculls).
1920 – ANTUÉRPIA
números:
29 países
2626 atletas (65 mulheres, 2561 homens)
21 brasileiros (21 homens)
154 provas
modalidades: 25
Atletismo, Boxe, Cabo de Guerra, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Hóquei sobre Grama, Hóquei sobre o Gelo, Iatismo, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo, Pólo Aquático, Remo, Rugby, Saltos Ornamentais, Tênis, Tiro Esportivo, Tiro com Arco
Os Jogos Olímpicos de 1916 seriam disputados em Berlim, mas foram cancelados em conseqüência da 1ª Guerra Mundial. Em 1920, a cidade de Antuérpia, na Bélgica, foi escolhida para receber a competição.
Na cerimônia de abertura, foi apresentada pela primeira vez a bandeira olímpica criada pelo Barão de Coubertin. Os cinco aros simbolizam a união dos cinco continentes. O juramento dos atletas foi outra novidade.
Pela primeira vez, o Brasil participou dos Jogos. O atirador Afrânio Antônio da Costa carregou a bandeira nacional, liderando a delegação de 21 atletas brasileiros que disputaram provas de natação, pólo aquático, saltos ornamentais, remo e tiro esportivo. Para chegar a Antuérpia, os atletas brasileiros passaram quase um mês a bordo do navio Curvello. Desembarcaram na Ilha da Madeira, em Portugal, e de lá seguiram de trem até a Bélgica.
A primeira participação brasileira foi premiada com o ouro conquistado pelo atirador Guilherme Paraense, tenente do exército. Paraense ganhou a prova de tiro rápido (25m). Os brasileiros competiram com armas emprestadas pelos competidores americanos, e curiosamente, Paraense fez dois pontos a mais que Raymond Bracken, o campeão norte-americano.
A equipe brasileira de tiro esportivo (Afrânio Costa, Sebastião Wolf, Fernando Soledade, Dario Barbosa e Guilherme Paraense) também ganhou a medalha de bronze na prova de pistola livre. Afrânio Costa também conquistou uma medalha de prata na prova de pistola livre (50m).
Nedo Nadi, esgrimista italiano, ganhou cinco medalhas de ouro em seis provas disputadas, feito não igualado até hoje.
O iatismo nos Jogos de 1920 foi o primeiro evento olímpico a ser sediado em dois países. A primeira regata aconteceu na Bélgica, e as duas regatas finais aconteceram na Holanda.
1912 – ESTOCOLMO
números:
28 países
2407 atletas (48 mulheres, 2359 homens)
102 provas
modalidades: 16
Atletismo, Cabo de Guerra, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hipismo, Iatismo, Luta Olímpica, Natação, Pentatlo Moderno, Pólo Aquático, Remo, Saltos Ornamentais, Tênis, Tiro Esportivo
Os Jogos de Estocolmo foram um modelo de eficiência. Pela primeira vez, houve cronometragem eletrônica, ainda que extra-oficialmente, e do photo finish. Foi a primeira participação do pentatlo moderno, e as mulheres passaram a disputar as provas de natação e saltos ornamentais.
A Suécia proibiu a disputa do boxe nos Jogos, decisão que motivo o Comitê Olímpico Internacional a limitar os poderes dos países-sede na escolha do programa olímpico.
Em Estocolmo, a resistência dos atletas foi posta à prova. No ciclismo, a prova de estrada teve 320km, a maior distância da história olímpica. Na luta greco-romana, a semifinal entre os pesos-médios Martin Klein (Rússia) e Alfred Asikainen (Finlândia) durou onze horas.
O herói dos Jogos de 1912 foi o norte-americano Jim Thorpe. Sua versatilidade foi comprovada com as vitórias no pentatlo moderno e também no decatlo, quebrando o recorde mundial nas duas provas. Ao premiá-lo, o rei da Suécia Gustavo V disse estar diante do maior atleta do mundo.
Thorpe chegou a perder suas medalhas quando foi descoberto que antes dos jogos ele recebera 15 dólares por semana para jogar beisebol, quebrando o princípio vigente do amadorismo. Só em 1982 (70 anos depois dos jogos) o COI devolveu as medalhas à família de Thorpe.
1908 – LONDRES
números:
22 países
2008 atletas (37 mulheres, 1971 homens)
110 provas
modalidades: 23
Atletismo, Boxe, Cabo de Guerra, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Hóquei sobre Grama, Iatismo, Jeu de Paume, Lacrosse, Luta Olímpica, Motonáutica, Natação, Patinação Artística, Pólo, Rackets, Remo, Rugby, Saltos Ornamentais, Tênis, Tiro com Arco, Tiro Esportivo.
As Olimpíadas de 1908 seriam em Roma, mas a competição foi transferida para Londres. Em 1906, houve a erupção do Vesúvio, próximo a Nápoles. O governo italiano precisava de dinheiro para reconstruir as áreas atingidas, e desistiu de sediar a competição. Apesar do pouco tempo para organizar os jogos, Londres se candidatou e fez um bom trabalho.
Uma das novidades de Londres foi a cerimônia de abertura com o desfile das bandeiras e delegações dos países participantes. Os jogos de 1908 também marcaram as estréias do hóquei sobre grama e dos saltos ornamentais. No atletismo, iniciaram-se as disputas de provas de revezamento.
Pela primeira vez, instalações esportivas foram construídas especificamente para receber os Jogos. Austrália e Nova Zelândia competiram juntas, com o nome de Australásia.
A distância oficial da maratona (42km e 195m) foi estabelecida nos Jogos de Londres. O comitê organizador adicionou os últimos 195m paara justificar o trajeto do castelo de Windsor até o camarote real no estádio de Londres. A distância foi oficializada a partir dos jogos de 1924.
E a maratona foi a prova mais emocionante das Olimpíadas de 1908. O italiano Dorando Pietri assumiu a liderança da prova a menos de dois quilômetros do estádio. Faltava pouco para a linha de chegada, mas Pietri estava tonto. Começou a correr na direção errada e acabou desmaiando. Fiscais de prova o ajudaram a se levantar, e Pietri foi o primeiro a cruzar a linha de chegada. Pietri foi desclassificado por receber ajuda de fora, mas foi homenageado pela rainha da Inglaterra com um troféu. E o famoso compositor Irving Berlin escreveu uma canção sobre Pietri, transformando-o numa celebridade. Mesmo sem medalha.
1904 – SAINT LOUIS
números:
12 países
651 atletas (6 mulheres, 645 homens)
91 provas
modalidades: 17
Atletismo, Basquete, Boxe, Cabo de Guerra, Ciclismo, Esgrima, Futebol, Ginástica, Golf, Lacrosse, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Remo, Roque, Tênis, Tiro com Arco.
Os organizadores dos jogos de 1904 repetiram todos os erros cometidos em Paris. Competições espalhadas durante quatro meses e meio, deixando os eventos perdidos no meio de uma exposição mundial.
A principal novidade dos jogos foi a implantação da premiação com medalhas de ouro, prata e bronze para os primeiros, segundos e terceiros colocados. Saint Louis também marcou a estréia do boxe e da luta livre nas Olimpíadas.
A primeira participação africana nos jogos aconteceu na maratona. Dois integrantes da tribo Tswana (Len Tau e Jan Mashiani) participavam da feira de Saint Louis numa exposição da guerra dos Bôeres e aproveitaram para competir.
A performance mais impressionante dos jogos ficou a cargo do ginasta americano George Eyser. Mesmo competindo com uma perna de pau, Eyser conquistou seis medalhas (três de ouro, duas de prata e uma de bronze). No atletismo, o grande nome foi o corredor James Lightbody. O norte-americano ganhou o ouro nos 800m, na corrida com obstáculos e ainda quebrou o recorde mundial dos 1500m.
1900 - PARIS
números:
24 países
997 atletas (22 mulheres, 975 homens)
95 provas
modalidades: 20
Atletismo, Cabo de Guerra, Ciclismo, Cricket, Croquet, Esgrima, Futebol, Ginástica, Golf, Hipismo, Iatismo, Natação, Pelota Basca, Pólo, Pólo Aquático, Remo, Rugby, Tênis, Tiro com Arco, Tiro Esportivo,
Os jogos de 1900 foram realizados em Paris como parte da Exposição Universal Internacional. Os organizadores da exposição espalharam os eventos num calendário de cinco meses, esvaziando tanto o evento que muitos atletas morreram sem saber que a competição de que tinham participado era uma Olimpíada.
A estréia feminina nas Olimpíadas aconteceu numa partida de Croquet entre as “madames” Brohy e Ohnier, da França. A modalidade fez tanto sucesso que apenas uma entrada foi vendida para a final...
Mas a primeira mulher a se tornar campeã olímpica veio do tênis: a britânica Charlotte Cooper, que já tinha três títulos em Wimbledon e venceria mais tarde nas duplas mistas. Tênis era um dos cinco esportes onde atletas de países diferentes competiam nas mesmas equipes. Os outros foram futebol, pólo, remo e cabo de guerra.
O resultado da maratona olímpica em Paris até hoje é motivo de polêmica. Oficialmente, a vitória é do Michel Theato (que nasceu em Luxemburgo, mas competia pela França). Só que o norte-americano Arthur Newton saiu na frente e, na metade da prova, tinha aberto grande vantagem sobre os adversários. Quando o maratonista dos Estados Unidos cruzou a linha de chegada, soube que outros quatro corredores já tinham chegado. Sem fiscalização no percurso, a organização manteve o resultado e Newton teve que se contentaar com o quinto lugar.
Alvin Kraenzlein foi o grande nome dos jogos de Paris. O norte-americano ganhou quatro medalhs de ouro em apenas três dias (60m rasos, 110m e 200m com barreiras e salto em distância), estabelecendo o recorde de medalhas individuais no atletismo que permanece até os dias atuais.
1896 - ATENAS
números:
14 países
241 atletas (nenhuma mulher)
43 provas
modalidades: 9
Atletismo, Ciclismo, Esgrima, Ginástica, Levantamento de Peso, Luta Olímpica, Natação, Tênis, Tiro Esportivo
Paris foi o cenário da primeira reunião do Comitê Olímpico Internacional, em 1894. Lá, Atenas foi escolhida para sediar a primeira Olimpíada da Era Moderna. O evento atraiu atletas de 14 países. As maiores delegações vieram da Alemanha, França, Grã-Bretanha e da própria Grécia. Os prêmios para os ganhadores eram uma medalha de prata e um ramo de oliveira.
A primeira medalha saiu no dia 6 de abril de 1896, quando o americano James Connolly ganhou o salto triplo com a marca de 13,71m. Connolly, que anos mais tarde se tornaria romancista, também foi o segundo no salto em altura e o terceiro no salto em distância. Ótimos resultados para quem encarou o Oceano Atlântico num navio cargueiro e chegou a Atenas de trem.
Outro atleta que entrou para a história olímpica em 1896 foi o nadador húngaro Alfred Hajos. Ganhador da prova dos 100m, Hajos também disputava provas mais longas. E como os outros competidores dos 1200m, foi levado de barco pela baía de Zea para mais de um quilômetro de distância do porto de Pireu... e abandonado por lá. A prova não tinha uma embarcação de apoio, e a segunda vitória olímpica de Hajos veio por puro instinto de sobrevivência.
O povo de Atenas saudou os Jogos com grande entusiasmo. O envolvimento popular foi premiado pela vitória do pastor grego Spyridon Louis na maratona, evento que reuniu mais de cem mil pessoas na torcida. Após a largada na cidade de Maratona, Louis assumiu a liderança a 4km da linha de chegada. Imprimindo um ritmo muito forte, Louis ganhou a prova com mais de sete minutos de vantagem para o segundo colocado.
O alemão Karl Schuman foi o atleta que mais venceu provas nos Jogos de 1896. Schuman mostrou versatilidade, ganhando na ginástica a prova de cavalo e barras assimétricas e barras paralelas por equipes, além de vencer na categoria aberta da luta greco-romana.