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No campeonato paulista, a exemplo do que acontece no Brasileiro e em outros torneios disputados no país, a arbitragem não tem, mesmo, critério algum. A marcação de faltas é quase um vício para alguns apitadores, e os índices de infrações por eles registradas não seguem qualquer modelo.
O árbitro que mais apita faltas passa das 41 por partida, o que resulta em algo próximo de minuto sim, minuto não, uma faltinha e bola no chão. Isso significa, em média, 14 a mais do que as assinaladas pelo mediador que mais permite o jogo correr, de maneira que pareça futebol. Confira!
Faltas por partida*
Leandro Bizzio Marinho 41,3
Leonardo Ferreira Lima 39,8
Paulo Roberto Ferreira 39,0
Milton Etsuo Ballerini 38,8
Elcio Paschoal Borborema 38,5
Antônio Rogério Batista 38,0
Fábio de Jesus Volpato 38,0
Edson Reis Pavani Jr. 37,5
Marcelo Aparecido R. Souza 37,2
Rodrigo Guarizo F. Amaral 37,2
Wilson Luiz Seneme 36,8
Philippe Lombard 34,5
Cleber Wellington Abade 34,3
Robério Pereira Pires 33,5
Sálvio Spíndola Fagundes Fº 32,6
Flávio Rodrigues Guerra 32,6
Demetrius Pinto Candançan 32,2
Paulo César de Oliveira 31,8
Vinicius Furlan 31,2
Marcelo Rogério 30,5
Rodrigo Martins Cintra 30,2
Luiz Flávio de Oliveira 29,8
Márcio Roberto Soares 29,5
Rodrigo Braghetto 29,4
Guilherme Cereta de Lima 29,2
Raphael Claus 27,3
* árbitro que apitaram pelo menos quatro partidas
Fonte: Footstats
Dunga bateu de frente com Kaká e Ronaldinho Gaúcho assim que assumiu o comando da seleção brasileira, logo depois da Copa de 2006. Os dois começaram no banco, quando convocados, como se responsáveis pelo fiasco na Alemanha. No ano seguinte, pediram dispensa da Copa América, acirrando ainda mais os ânimos com o técnico que a CBF inventou.
Mas a paz entre Dunga e Kaká não demorou. O melhor do Mundo em 2007 se aproximou do capitão do tetra em 1994 e virou ícone, símbolo do time. Ele aumentava sua participação na equipe, enquanto, fora de forma, Gaúcho perdia espaço. A questão ali era: Kaká convenceria o sucessor de Carlos Alberto Parreira a aliar mais habilidade à decantada competitividade, ou aderiria ao dunguismo?
"O grupo de 2006 era muito, muito talentoso (...). Isso serve de experiência, só o talento no futebol não é o suficiente", disse o camisa 8 do Real Madrid ao jornalista Roberto Salim, na entrevista que foi ao ar no "A Copa é Nossa" da rádio Eldorado/ESPN — clique abaixo e ouça o trecho do programa que vai ao ar todo domingo, às 14 horas. O que jogador disse não é absurdo, mas existe equilíbrio nesse time? É preciso empenho, claro, mas que isso não significa que deve-se descartar talentos.
Se não convertido, Kaká talvez dissesse o contrário, que só empenho e dedicação não bastam, ainda mais em se tratando de uma seleção formada por brasileiros, na média muito mais talentosos do que a grande maioria dos rivais. "Tivemos uma experiência ruim, de não termos feito uma boa Copa em 2006, mesmo com um elenco fantástico", acrescentou.
Sim, senhoras e senhores, principal nome da equipe da CBF para o Mundial que começa em menos de três meses, Kaká aderiu ao dunguismo. Se mesmo como estrela isolada do meio-campo, dele não partirá nenhuma reivindicação por um time que se propunha a ser competitivo sem perder a habilidade, qual jogador se atreverá a fazê-lo?
E na sua opinião, isso é bom? Aos que se esqueceram, vale lembrar que apesar da decantada "farra" de 2006, o que despachou o time da CBF mais cedo naquele Mundial foi uma seleção comandado pelo esforçado e pouco talentoso Zinedine Zidane.
PS: peço desculpas à maioria, sim, parece até ofensa de minha parte, mas os alguns comentários no blog tornaram necessário ressaltar que a referência a Zidane, acima, é uma ironia.
Em 2008 Adriano foi emprestado pela Internazionale ao São Paulo. Aquilo só aconteceu porque o atacante, pela enésima vez, se afastara do time italiano e na ocasião foi se recuperar no clube paulista, que aproveitou a oportunidade para contar com seus gols.
Adriano aprontou no São Paulo, saiu aos gritos, discutindo, num dia de treinamento, mas não o demitiram como fizeram por outras razões com o lateral Éder, por exemplo. Claro que a distância abissal entre os dois jogadores explica a diferença de tratamento entre eles.
Fato é que Adriano foi vital para o São Paulo em jogos importantes, na Libertadores o time só não caiu ainda na fase de grupos graças a seus gols salvadores. Mas veio a eliminação diante do Fluminense e ele se despediu. Não foi um semestre de paz com o centroavante no Morumbi.
Na Itália não era diferente. A Inter até que teve muita paciência com ele. Até que a mesma acabou. O clube europeu tem dinheiro para contar com outros goleadores do mesmo calibre, por isso abriu mão de Adriano após incontáveis problemas. Já os times brasileiros...
Então veio a oportunidade para o Flamengo, não só pelas origens rubro-negras do "Imperador" como pela localização do clube, no Rio de Janeiro, perto dos locais que gosta de frequentar. Assim, o time da Gávea resolveu incorporar o "kit" Adriano, formado por gols e problemas.
Em campo sua resposta foi ótima em 2009. Desde a estreia diante do Atlético-PR, se ausentou em jogos do Campeonato Brasileiro apenas quando convocado pela seleção. Só na penúltima rodada, quando do nebuluoso episódio do pé queimado, desfalcou a equipe contra o Corinthians.
Sem os gols de Adriano o Flamengo jamais seria campeão brasileiro no ano passado. Portanto, a investida valeu a pena, como valeria ao São Paulo aturá-lo mais um pouco se o time conquistasse a Libertadores, mesmo com os problemas que o jogador carrega com ele.
A repercusão internacional da briga que ele teria tido com a noiva em meio a uma festa na favela queima ainda mais o filme imperial lá fora. Por mais que seu agente declare que Adriano está pronto para voltar à Europa, ninguém acredita e é quase impossível um clube de ponta pagar caro para tê-lo.
Ele é um astro internacional e só atua no futebol do Brasil devido à sua conturbada vida pessoal que o fez deixar a Europa. Para contar com os gols do "Imperador", é preciso conviver com seus efeitos colaterais. É o que faz o Flamengo. Até o dia em que ele parar de balançar as redes.
Ou deixar de entrar em campo de vez. Adriano se esforça para jogar a carreira profissional no lixo. O clube faz o certo, lhe dá apoio, tolera até onde for possível e conta com seus gols. Quando eles acabarem... acaba tudo mesmo, como com tantos outros jogadores bons, mas de vida confusa.
E depois não venham me dizer que faltou apoio ao complicadíssimo "Imperador".
Estive no Pacaembu comentando Corinthians 1 x 1 Botafogo pela rádio Eldorado/ESPN na tarde de quinta-feira, o que me impediu de acompanhar a partida da misteriosa Coréia do Norte contra a Venezuela, amistoso confuso e que quase não foi realizado.
Assim, pedimos auxílio ao comentarista da peleja, Leonardo Bertozzi, que a transmitiu ao lado de Eduardo Monsanto. Editor do site Trivela e um dos jornalistas que mais conhecem futebol internacional no Brasil, ele resumiu assim o cotejo de um dos adversários do Brasil na Copa 2010:
As dúvidas sobre a seleção norte-coreana começaram a se dissipar nesta quinta-feira. O empate por 1 a 1 com a Venezuela, no entanto, mais parecia um jogo de várzea do que um amistoso de preparação de um país que estará na Copa do Mundo.
O jogo em San Felipe, onde a Vinotinto nunca havia jogado, foi marcado às pressas, para compensar a falta do amistoso contra o Chile, cancelado por causa do terremoto do último fim de semana.
No entanto, a chegada da Coreia do Norte foi tumultuada. Depois de permanecerem por um longo tempo no aeroporto de Paris, após o cancelamento do voo para Santiago, só desembarcaram ontem à noite na Venezuela. E sem os uniformes, que foram extraviados junto com boa parte da bagagem.
No início da tarde, os norte-coreanos estavam dispostos a não jogar. No horário marcado para o pontapé inicial (15h locais, 16h30 de Brasília), nem sinal deles. Foi necessária muita lábia, apelando ao fato de 12 mil torcedores que compraram ingressos já estarem no estádio, para convencer os asiáticos.
O jogo só começou às 17 horas locais. A Coreia do Norte queria disputar apenas um tempo de 45 minutos ou dois de 30. Acabaram jogando dois tempos de 40 minutos, apesar da precária iluminação no estádio. E usando o uniforme reserva, branco, da seleção venezuelana.
A Venezuela, é bom que se diga, não estava com força máxima. Havia jogado na noite de quarta contra o Panamá, na despedida do veterano goleiro Dudamel - e perdeu por 2 a 1. O time que enfrentou a Coreia do Norte era composto por jogadores que se destacam no fraco campeonato local.
De qualquer maneira, a Coreia do Norte surpreendeu no primeiro tempo. Abriu o placar na primeira oportunidade, em cabeçada do meia Pak Nam Chol após cobrança de falta pela esquerda, e teve outras duas chances de marcar, exigindo trabalho do goleiro Leonardo Morales. Do outro lado, o arqueiro Ri Myong Guk, herói da classificação para o Mundial, mal foi incomodado.
Na segunda parte, a Venezuela marcou logo de cara, com Ángelo Peña, em pênalti infantil cometido pelo zagueiro Ri Jun Il, e houve maior equilíbrio. Sentindo um pouco de cansaço, a Coreia do Norte não manteve o pique da primeira parte, mostrando que seu jogo depende fundamentalmente de uma boa condição física, já que não tem um toque de bola brilhante. A Venezuela ainda colocou uma bola no travessão.
A equipe norte-coreana parece bem organizada taticamente, e privilegia o ataque pelos lados do campo. De qualquer maneira, não parece nenhum bicho de sete cabeças. Contra o Brasil, é de se esperar que se feche atrás desde o primeiro minuto. A diferença técnica deve prevalecer, mas não é tão certo que a Coreia do Norte levará goleadas no Mundial.
No sábado, novo encontro entre as duas seleções, desta vez em Puerto La Cruz. E com dois tempos de 45.
Ficha técnica:
Venezuela: Leonardo Morales; Henry Pernía (Jackson Clavijo 73'), Grenddy Perozo, Carlos Salazar, José Luis Granados (Carlos Lujano 76'); Giácomo Di Giorgi, Agnel Flores (Francisco Flores 62'), Angelo Peña, Orlando Cordero (Yohandri Orozco 34'); Edder Farías (Juan García 51') e Yonathan Del Valle (Alejandro Moreno 32'). Técnico: César Farías.
Coreia do Norte: Ri Myong Guk; Cha Jong Hyok (Nan Sung Chol 30'), Ri Jun Il, Pak Chol Jin, Ji Yun Nam; Ri Kwang Chon, Kim Yong Jun, Mun In Guk, Park Nam Chol (Kim Kum Il 22'); Choe Kum Chol (Kim Myong Won 25') e An Chol Hyok. técnico: Kim Jong Hun.
Gols: Pak Nam Chol aos 7 do 1º, Ángelo Peña (pênalti) aos 3 do 2º.
Árbitro: Francisco Peñuela (Colômbia)
Cartões amarelos: José Luis Granados, Ángelo Peña, Giácomo Di Giorgi e Kim Myong Won
Jogo do Palmeiras no Palestra Itália. O time faz um gol. A torcida vibra. Até que no meio dos alviverdes surge um homem e puxa uma arma em meio a início de briga, enquanto outro, sem camisa, tenta apartar. O episódio aconteceu no dia 26 de setembro de 2009, no Campeonato Brasileiro, durante o jogo Palmeiras 2 x 1 Atlético-PR.
Clique no player abaixo para ver a cena, com atenção para o homem de camisa branca e boné azul no canto inferior à sua esquerda. Tudo acontece no momento em que o chileno Figueroa abre o placar, aos 43 minutos de peleja.
Um absurdo, claro. O sujeito entra armado no estádio e ainda ameaça os demais. E em mais um dos vários jogos de uma torcida só no estádio do Palmeiras, num setor, a arquibancada, exclusivo dos palmeirenses. Clique aqui e veja, no twitter, a foto reproduzida abaixo, na qual ele aparece em destaque de boné azul e camisa branca.
Claro que a torcida do Palmeiras não pode ser responsabilizada pela atitude de um indivíduo. Nem mesmo as facções organizadas, até que se prove o contrário, afinal, ele não exibe identificação de nenhuma delas. Sua ação apenas caracteriza a insegurança nos estádios paulistas, ou a incapacidade dos que assumem a missão de garantí-la ao público.
E tem torcedor que é barrado na entrada de estádio em São Paulo por portar livro ou jornal, por serem produtos "inflamáveis". Ainda assim há quem aponte clássicos contando com uma só torcida como solução para dar fim à violência. Piada...
No belo filme argentino e candidato ao Oscar "O Segredo dos Seus Olhos", nomes de jogadores históricos do querido Racing Club de Avellaneda (sim, gosto muito desse time) servem de pista. A partir deles o vilão é identificado na película dirigida por Juan Jose Campanella.
— São nove anos sem título (era 1975 e o Racing vencera seu último campeonato em 1966 ) e você ainda se lembra dos detalhes dos jogadores?! — questiona.
— Sim, mas é claro — responde o torcedor.
— Mas como, por quê? — insiste.
— Porque é minha paixão — retruca o hincha.
A partir daí os dois vão a jogos da Academia, um deles na cancha do Huracán (veja trecho do filme no vídeo abaixo) procurar o meliante.
Futebol é paixão. Se não chegar a tanto, pode ser, ao menos no começo, uma simples atração. Como no amor. Aliás, quando é sério vira mesmo amor. Por essas e outras, o personagem de Francella explica ao de Darín, absolutamente ignorante em matéria de "fútbol", que o homem troca de tudo, tudo mesmo, menos de time, uma paixão para sempre.
E você, como se apaixonou pelo seu time de coração?
PS: tomo a liberdade de reproduzir aqui frase enviada pelo internauta Júlio, de Vitória (ES): "Na Argentina se diz que 'pela seleção a gente mata, pelo clube a gente morre'. Quer mais tango do que isso?" É mesmo forçado, bem "argentino". Mas por essas e outras já escrevi aqui o que penso a respeito disso, melhor do que vencer é ter um time pelo qual torcer.
Na visão de dunguistas e outros contrários à ida de Ronaldinho Gaúcho ao Mundial de futebol, o melhor é deixá-lo de fora porque "não se envolve, não se compromete". Ok! Todos têm o direito de desejar a presença deste ou daquele jogador na Copa do Mundo. Até Dunga, claro.
Mas convenhamos, Robinho, nome mais do que certo no tal "grupo", é exemplo de comprometimento? Mesmo depois de sair do Manchester City, que nele investiu pesado, sem dar retorno? E Adriano, que rompeu contrato com a Internazionale e anunciou o fim da carreira para depois voltar ao Flamengo?
"Ah, mas ele deixou Dunga na mão na Copa América, quando pediu dispensa", alegam outros. É verdade, reivindicaram o direito às férias, com toda razão, diga-se de passagem, Ronaldinho e Kaká, o intocável. Então podemos concluir que não é bem por aí...
Outro argumento é o dos sem memória? Gente que repete falsas verdades com tamanha convicação que chega a assustar. De tanto que repetem algo, passam a crer naquilo. Esses dizem que Ronaldinho "nunca jogou bola na seleção". Isso mesmo. Nunca! Ah, é? Tá bom.
Então vamos refrescar a memória. O cara foi campeão do mundo em 2002, no time que tinha Ronaldo e Rivaldo como estrelas, mas que dificilmente levantaria a taça se ele, o Gaúcho, não estivesse ao lado. Duvida? Então veja os vídeos abaixo e reflita.
Ronaldinho é talento brasileiro, a cara do futebol que nasce por aqui. Em forma, é letal para adversários. Se jogou uma boa Copa e afundou na seguinte é culpa dele, dos companheiros de time e da comissão técnica, incompetente para tirar o melhor do então melhor do mundo.
É verdade que o camisa 80 do Milan não foi bem em chances a ele dada por Dunga. Rejeito, veementemente, essa forma de definição dos convocados. Ora, o jogador é bom, se vai mal no time é culpa só dele? Um craque deve ser testado? Não cabe ao técnico saber utilizá-lo. Quanta arrogância!
A ida de Ronaldinho à África do Sul não seria garantia de sucesso, claro, mas há de se tentar. Até porque seu comportamento pouco profissional em momentos da carreira equivale ao de personagens queridinhos de Dunga. Abrir mão de resgatá-lo no time da CBF é um erro. Talvez covardia.
PS: veja os vídeos abaixo e responda sim ou não nos comentários à seguinte pergunta: é verdade que Ronaldinho nunca jogou bem na seleção, muito menos em Copa do Mundo?
PS2: essa é para os que não conseguem interpretar textos: defendo a convocação do Ronaldinho pelo que ele joga hoje, em 2010. Usei imagens de 2002 para mostrar que ele já jogou bem, e muito bem, em Copa do Mundo.
segundos do vídeo. Depois, Ronaldinho toca acha Ronaldo, que sofre
pênalti. O Gaúcho bate e marca seu gol aos 31 segundos do vídeo
fora, aos 40 segundos do vídeo. Depois, da lateral do gramado, 'acha'
Rivaldo, que recebe belo passe de três dedos para dominar e marcar
um belíssimo gol e abrir o placar, a 1 minuto e 48 segundos do vídeo
Rivaldo em condições para marcar, aos 20 segundos do vídeo. Logo na
sequência você vê o gol "espírita" do Gaúcho, o da vitória por 2 a 1
Ronaldo, que perde o gol, aos 52 segundos do vídeo. Já com 1 minuto e
7 segundos, você vê outro passe do Gaúcho para o Fenômeno, que
novamente desperdiça. Ronaldinho ainda participa da jogada que culmina
no tiro de Kleberson, na trave, a 1 minuto e 45 segundos do vídeo
Dunga concedeu uma entrevista exclusiva ao canal Sportv. Não tive a chance de vê-la na íntegra, mas hoje cedo, numa reprise da mesma, pude acompanhar parte e me chamou a atenção uma frase do técnico que a CBF inventou: "Em 2006 eu era comentarista (trabalhava para a TV Bandeirantes), e a imprensa cobrava jogadores mais comprometidos com a seleção".
É assim que ele justifica sua postura, que prioriza os jogadores envolvidos, pelo menos na avaliação dele, em detrimento da técnica e da habilidade. É como se o técnico fosse incapaz de fazer gente mais talentosa mergulhar de cabeça na seleção e na Copa do Mundo. Talvez o seja, isso tudo pode ser, na realidade, uma admissão de incapacidade para tal.
O interessante é ver Dunga defender uma postura usando como base as cobranças que a mídia fazia quando não era o técnico. Conclusão óbvia: ele se pautou na imprensa para definir a linha de trabalho. Mas curiosamente não dá mais ouvidos a ela, nem à torcida, age como se existisse apenas a razão dele, Dunga, e seus fiéis seguidores. Sejam craques ou jogadores medianos, questionáveis como homens para a seleção. Como seu comandante.
Às favas o tal "código de ética" dos boleiros, que tenta impor limites para jogadas de habilidade. Se o sujeito a tem, pode e deve utilizá-la, ora. Se isso humilha o adversário, faz parte. Quando o candidato a humilhado consegue tomar a bola do talentoso, esse desarme vale bem mais, claro.
É assim que funciona. Se os garotos do Santos são habilidosos e graças a isso conseguem superar a marcação e empolgar a torcida com belos lances, sorte deles e azar dos adversários. A esses cabe se preparar melhor para triunfar no duelo entre dois tipos de talento, para atacar e para defender.
Neymar exagerou ao chapelar o corintiano Chicão no clássico vencido pelo Santos, afinal, a bola estava parada. Foi a típica molecagem das peladas de rua, mas ali o cenário é outro, partida profissional, com TV ao vivo e todos observando. Não era o momento. Mas se a ela estivesse em jogo... Tudo bem, é claro.
Aos abusados, que vão para cima e usam os recursos que têm com a pelota nos pés, tudo é permitido, desde que com o objetivo de avançar em direção à meta adversária. Já as firulas sem sentido, daquelas em que o cara nem sai do lugar e faz a torcida gritar, apenas acirram os ânimos.
Quem usa e abusa da habilidade tem todo o direito de fazê-lo, mas sem perder o vínculo com a realidade. Apesar dessa praga do politicamente correto que assola o planeta, no jogo de bola há catimba, provocação, malícia. Os mais hábeis tentam humilhar os mais fortes que, por sua vez, buscam intimidar.
Se o camarada sabe jogar e gosta de deixar o zagueirão com cara de mané, ele tem que se garantir. Sim, pois se o grandalhão perder a esportiva e partir para cima, o mais hábil, e mais fraco fisicamente, terá toda chance de levar a pior. Se contundido, de nada adiantará o mundo condenar o jogador violento.
Não faço aqui a apologia da violência, mas é impossível analisar essa situação sem incluí-la no contexto. Além de habilidoso, o atrevido, folgado, tem que se garantir. Precisa desenvolver malícia para escapar da porrada, não abaixar a cabeça quando ameaçado, e usar o drible no momento exato. Reclamar aos microfones ("mas ele disse que ia me quebrar") não resolve.
Obina foi contratado pelo Flamengo ainda como promessa. Jovem, forte e goleador no Vitória, tinha perfil de futuro grande artilheiro. Não confirmou o que dele se esperava. Mesmo sem frases ou comportamento curioso, foi transformado em personagem folclórico devido ao canto sarcástico que ecoava nas arquibancadas do Maracanã, comparando o baiano a Samuel Eto'o.
Quando fazia seus golzinhos, rubro-negros fanáticos, ou futebolísticamente cegos, achavam que Obina era, de fato, melhor do que o então camisa 9 do Barcelona. Mas se jogava mal, era taxado como cabeça-de-bagre pelos que dele não gostavam, ou se irritavam com a euforia dos que o consideravam mais artilheiro do que o camaronês. Assim, exageros cercavam o atacante.
Exageros também o prejudicavam fora de campo, especialmente a gula. O devorador de acarajés perdia, seguidas vezes, a briga com a balança, e nela flutuava entre jogos nos quais se destacava e partidas cujas suas atuações eram mesmo pífias. Entre altos e baixos, passou meses sem balançar as redes e foi emprestado ao Palmeiras. Em São Paulo, Obina iludiu a muitos.
Foi só ele desembarcar na maior cidade do país para que muitos o vissem mais magro. A famosa "estrutura" dos times paulistas era o argumento mais comum, como se CTs fossem Spas. Obina andava pesado no Flamengo por culpa dele, afinal, clube algum tem que (ou pode) fiscalizar o que o jogador consome em casa, na lanchonete, no bar, no restaurante.
O erro rubro-negro era escalá-lo, mesmo visivelmente fora de forma. Motivado pela mudança e sabendo que um fracasso no Palestra Itália restringiria o mercado para ele, Obina se empenhou. Fez três gols num clássico contra o Corinthians. Mas perdeu duas chances incríveis, na pequena área, diante do Nacional, em Montevidéu, pela Libertadores. E faltou um gol para a classificação.
Devolvido ao Flamengo depois de brigar com o zagueiro Maurício num jogo com o Grêmio, Obina, àquela altura, já estava em baixa. Fosse ele um jogador fundamental, muito provavelmente o perdoariam após o pagamento de uma multa ou algo do gênero. Eis que já em 2010, novamente pelas mãos de Vanderlei Luxemburgo, surge outra proposta de time grande.
No Atlético, Obina pode estar diante de sua última boa oportunidade no futebol. O lado preocupante desses oito gols em dois jogos, cinco sobre o Juventus do Acre e três no Uberlândia, é que a massa deverá recolocar o baiano no patamar dos (bons) tempos de Flamengo. E esse tipo de exagero não seria bom. Ele não é melhor do que Eto'o, longe disso, tampouco um jogador ruim, como dizem.
Com seus altos e baixos, deverá ajudar o Atlético. Mas não pode ser apontado como "a" solução dos problemas do Galo. Deve ser visto como mais um jogador capaz de colaborar com o time, mesmo que eventualmente se torne o protagonista. Sim, em geral o baiano dos acarajés será um bom coadjuvante. E você, atleticano, acredita em Obina?
Mauro Cezar Pereira é de Niterói (RJ) e começou no jornalismo em 1983. Passou pela Rádio Tupi, Sistema Globo de Rádio, Rádio Manchete, O Globo, O Dia e Jornal do Brasil, além de Editor do Jornal dos Sports. Comentarista dos canais ESPN, e da Rádio Eldorado/ESPN, assina uma coluna na revista Trivela
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