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- 19h04
- 23Oct
Balão apagado
por Marcos Caetano para o ESPN.com.br
O título desta coluna poderia se aplicar ao que muitos estão sentindo em relação ao Palmeiras, que semanas atrás era não apenas o líder do Campeonato Brasileiro, como também uma equipe apontada por público e crítica como a grande barbada para levantar o caneco. Não tive essa intenção. A metáfora do título não se dirige ao Palmeiras, ainda que também o envolva.
Balão apagado é uma expressão normalmente associada a alguma coisa que perde força, que para de subir, que vai despencando. Mas ela também pode ser usada – e quem é do subúrbio sabe disso – para designar algo que não tem dono. Lá em Madureira, balão apagado é como pipa “voada”: é de quem pegar. Foi pensando nessa imagem que batizei a coluna.
O título do Brasileirão de 2009, não é de hoje e já escrevi sobre isso, é uma donzela que está apenas esperando por um príncipe encantado. Se quisermos continuar no mundo das metáforas (pela última vez, prometo), é como um sapo que aguarda ser beijado pela princesa para se transformar em belo príncipe. Gosto mais desta última metáfora.
Afinal de contas, o andamento da principal competição esportiva do país se parece mesmo com um sapo: feio, esquisito, difícil de entender e mais difícil ainda de agarrar. Digo isso porque, fora uma equipe ou outra capaz de uma sequência boa – como o Palmeiras da metade da temporada e o Flamengo das últimas rodadas –, o nível técnico da disputa é sofrível. É inconcebível um torneio de futebol no qual o líder perde jogos seguidos para equipes da zona de rebaixamento, como o Verdão diante do Náutico (um 3 x 0 inapelável) e do Santo André (que fez seus dois gols andando na área adversária).
Se as derrotas palmeirenses tivessem ocorrido por conta do esplendor do Timbu e do Ramalhão, seria justificável. Mas esses clubes têm aproveitamento condizente com as piores campanhas da história dos pontos corridos no Brasil. Basta lembrar que o lanterna Fluminense foi a Santo André e conseguiu bater os donos da casa.
A razão da perda de rendimento do Palmeiras provavelmente decorre de múltiplos fatores, mas esse fato está longe de ser tão bizarro quanto a incapacidade de seus perseguidores para ultrapassá-lo. Todas as vezes que o time de Muricy tropeçou – e foram muitas – os demais candidatos deram um jeito de tropeçar também, num movimento que flertou com a solidariedade. E não foram um ou dois perseguidores, mas todos. O São Paulo, o Atlético Mineiro, o Internacional, o Goiás... Se o Cruzeiro tivesse curado a ressaca da perda da Libertadores um pouco antes, se o Flamengo tivesse programado seu habitual despertador do segundo turno para uma horinha mais cedo e se o Corinthians tivesse recolhido a toalha que atirou precipitadamente ao chão, tudo estaria ainda mais embolado.
O Corinthians – por pura acomodação, insisto – perdeu a chance de embarcar no trem que leva ao título. Mas o Flamengo e até o Cruzeiro, se dependuraram nele. Vou mais longe: se o Grêmio ganhar o GreNal, entra na briga. Como a sina da perda de rendimento é algo que afetou todos os clubes que chegaram às primeiras posições até aqui, não arriscarei novos favoritos.
Mas, momento por momento, ou melhor, movimento por movimento, Flamengo e Cruzeiro parecem mais dispostos a beijar o tal sapo. Se essa síndrome da apatia dos líderes serviu para alguma coisa, além de baixar a qualidade do campeonato, foi para confundir tudo. A poucas rodadas do fim, treze clubes brigam pelo G4, enquanto sete ou oito brigam pelo título. Eu nunca havia visto coisa parecida. Nem em contos de fadas. Mesmo nos de sapos e princesas.
Balão apagado é uma expressão normalmente associada a alguma coisa que perde força, que para de subir, que vai despencando. Mas ela também pode ser usada – e quem é do subúrbio sabe disso – para designar algo que não tem dono. Lá em Madureira, balão apagado é como pipa “voada”: é de quem pegar. Foi pensando nessa imagem que batizei a coluna.
O título do Brasileirão de 2009, não é de hoje e já escrevi sobre isso, é uma donzela que está apenas esperando por um príncipe encantado. Se quisermos continuar no mundo das metáforas (pela última vez, prometo), é como um sapo que aguarda ser beijado pela princesa para se transformar em belo príncipe. Gosto mais desta última metáfora.
Afinal de contas, o andamento da principal competição esportiva do país se parece mesmo com um sapo: feio, esquisito, difícil de entender e mais difícil ainda de agarrar. Digo isso porque, fora uma equipe ou outra capaz de uma sequência boa – como o Palmeiras da metade da temporada e o Flamengo das últimas rodadas –, o nível técnico da disputa é sofrível. É inconcebível um torneio de futebol no qual o líder perde jogos seguidos para equipes da zona de rebaixamento, como o Verdão diante do Náutico (um 3 x 0 inapelável) e do Santo André (que fez seus dois gols andando na área adversária).
Se as derrotas palmeirenses tivessem ocorrido por conta do esplendor do Timbu e do Ramalhão, seria justificável. Mas esses clubes têm aproveitamento condizente com as piores campanhas da história dos pontos corridos no Brasil. Basta lembrar que o lanterna Fluminense foi a Santo André e conseguiu bater os donos da casa.
A razão da perda de rendimento do Palmeiras provavelmente decorre de múltiplos fatores, mas esse fato está longe de ser tão bizarro quanto a incapacidade de seus perseguidores para ultrapassá-lo. Todas as vezes que o time de Muricy tropeçou – e foram muitas – os demais candidatos deram um jeito de tropeçar também, num movimento que flertou com a solidariedade. E não foram um ou dois perseguidores, mas todos. O São Paulo, o Atlético Mineiro, o Internacional, o Goiás... Se o Cruzeiro tivesse curado a ressaca da perda da Libertadores um pouco antes, se o Flamengo tivesse programado seu habitual despertador do segundo turno para uma horinha mais cedo e se o Corinthians tivesse recolhido a toalha que atirou precipitadamente ao chão, tudo estaria ainda mais embolado.
O Corinthians – por pura acomodação, insisto – perdeu a chance de embarcar no trem que leva ao título. Mas o Flamengo e até o Cruzeiro, se dependuraram nele. Vou mais longe: se o Grêmio ganhar o GreNal, entra na briga. Como a sina da perda de rendimento é algo que afetou todos os clubes que chegaram às primeiras posições até aqui, não arriscarei novos favoritos.
Mas, momento por momento, ou melhor, movimento por movimento, Flamengo e Cruzeiro parecem mais dispostos a beijar o tal sapo. Se essa síndrome da apatia dos líderes serviu para alguma coisa, além de baixar a qualidade do campeonato, foi para confundir tudo. A poucas rodadas do fim, treze clubes brigam pelo G4, enquanto sete ou oito brigam pelo título. Eu nunca havia visto coisa parecida. Nem em contos de fadas. Mesmo nos de sapos e princesas.
- 14h30
- 20Nov
/marcoscaetano
Lógica da emoção
Quanto mais eu ganho experiência nessa 'arte' de analisar o futebol, mais me convenço de que ele está muito mais para a poesia do que para a matemática
- 14h44
- 13Nov
/marcoscaetano
Juiz ladrão!
Quem tem mais de 30 anos de idade certamente já ouviu a expressão aí do título, gritada a plenos pulmões por um torcedor enfurecido ou em coro, por toda a torcida
- 19h13
- 06Nov
/marcoscaetano
Na rabeira
Não se fala em outra coisa no país do futebol: o Campeonato Brasileiro de 2009 é o de final mais imprevisível desde que foi adotado o sistema de pontos corridos
Página do Marcos Caetano