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- 19h19
- 09Oct
Ainda sobre a Olimpíada
por Marcos Caetano, colunista do ESPN.com.br
Tivemos uma semana para celebrar a extraordinária conquista pelo Brasil do direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Eu, pelo menos, festejei bastante. Uma semana depois do anúncio oficial, é hora de recolocar os pés no chão e avaliar pelo lado técnico o desafio de fazer uma Olimpíada no Rio. Ao fazer esse exercício, meu entusiasmo permaneceu inalterado – ainda que o trabalho pela frente seja grande.
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que ser o primeiro país da América do Sul a realizar um evento desse porte não é, como o presidente Lula afirmou, um passaporte para o primeiro mundo. Não se conquista a chancela de primeiro mundo – denominação, aliás, cada vez mais difusa – através de um evento isolado, muito menos um evento esportivo. Mas é possível que um conjunto de conquistas mude um país de patamar (ou de divisão, já que esta é uma coluna de esportes). É preciso ser muito pessimista para não achar que vamos nesse caminho. Fomos promovidos à condição de investment grade, pagamos a dívida externa, atingimos a autossuficiência em petróleo, atravessamos a maior crise internacional dos últimos 80 anos sem desespero, evoluímos em muitos indicadores sociais e, sim, conquistamos o direito de sediar uma Copa e uma Olimpíada. E antes que alguém se apresse em me pintar com cores partidárias, acrescento que essas foram vitórias do conjunto da sociedade – obtidas, sobretudo, nos governos FHC e Lula.
Ouvi muita gente dizer que, por conta da corrupção que ainda existe no país, jamais deveríamos ter pensado em organizar a Copa e a Olimpíada. Discordo. Mas não pelos motivos alegados por alguns: que há corrupção em todos os países do mundo (fato) e que não é possível evitá-la. Fecho com a observação do Daniel Piza: a honestidade na condução de projetos públicos é inegociável. E acrescento: acharei extremamente louvável se toda a energia despendida para criticar a realização dos jogos de 2016 for agora canalizada para o acompanhamento de cada centavo gasto e na apuração de toda e qualquer denúncia de corrupção. Colegas jornalistas: mãos a obra!
Outro argumento usado contra o Rio 2016 foi a falta de senso de prioridade, uma vez que temos – é verdade – graves problemas de saúde, educação, transporte e segurança. Rebato esse argumento com um raciocínio simples: a solução de todos esses problemas passa por recursos financeiros e pela mobilização da população. Todas as cidades que abrigaram uma Olimpíada nas últimas décadas tiveram alguma evolução nessas frentes: os jogos engajaram os cidadãos, trouxeram investimentos, geraram empregos, criaram uma cultura esportiva com impacto positivo na saúde, melhoraram a rede de transportes, incrementaram o turismo, etc. Não creio que será diferente no Rio. Um amigo resumiu bem a importância da adesão da população: “Se obras para construir o metrô entre o Centro e a Barra complicassem minha vida por uns anos, eu ficaria possesso. Mas se for para ver a Olimpíada na minha cidade, encararei engarrafamentos com gosto. Mesmo porque, sem os jogos esses projetos jamais sairiam do papel”.
Não acho que tenhamos a obrigação de produzir jogos iguais aos anteriores, apesar de crer na nossa capacidade de entregar uma organização sem falhas. Mas, acima disso, podemos fazer uma Olimpíada carregada de emoção, na qual turistas e atletas viverão uma experiência humana inesquecível, seja pelo calor do nosso povo, seja porque poderão ver como um evento é capaz de mudar a face de uma cidade sofrida. O verdadeiro espírito olímpico reside nisso – e não em estádios de centenas de milhões de dólares ou em colossais e irretocáveis eventos de abertura. Se bem que eu acho que o nosso vai ser de arrepiar...
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que ser o primeiro país da América do Sul a realizar um evento desse porte não é, como o presidente Lula afirmou, um passaporte para o primeiro mundo. Não se conquista a chancela de primeiro mundo – denominação, aliás, cada vez mais difusa – através de um evento isolado, muito menos um evento esportivo. Mas é possível que um conjunto de conquistas mude um país de patamar (ou de divisão, já que esta é uma coluna de esportes). É preciso ser muito pessimista para não achar que vamos nesse caminho. Fomos promovidos à condição de investment grade, pagamos a dívida externa, atingimos a autossuficiência em petróleo, atravessamos a maior crise internacional dos últimos 80 anos sem desespero, evoluímos em muitos indicadores sociais e, sim, conquistamos o direito de sediar uma Copa e uma Olimpíada. E antes que alguém se apresse em me pintar com cores partidárias, acrescento que essas foram vitórias do conjunto da sociedade – obtidas, sobretudo, nos governos FHC e Lula.
Ouvi muita gente dizer que, por conta da corrupção que ainda existe no país, jamais deveríamos ter pensado em organizar a Copa e a Olimpíada. Discordo. Mas não pelos motivos alegados por alguns: que há corrupção em todos os países do mundo (fato) e que não é possível evitá-la. Fecho com a observação do Daniel Piza: a honestidade na condução de projetos públicos é inegociável. E acrescento: acharei extremamente louvável se toda a energia despendida para criticar a realização dos jogos de 2016 for agora canalizada para o acompanhamento de cada centavo gasto e na apuração de toda e qualquer denúncia de corrupção. Colegas jornalistas: mãos a obra!
Outro argumento usado contra o Rio 2016 foi a falta de senso de prioridade, uma vez que temos – é verdade – graves problemas de saúde, educação, transporte e segurança. Rebato esse argumento com um raciocínio simples: a solução de todos esses problemas passa por recursos financeiros e pela mobilização da população. Todas as cidades que abrigaram uma Olimpíada nas últimas décadas tiveram alguma evolução nessas frentes: os jogos engajaram os cidadãos, trouxeram investimentos, geraram empregos, criaram uma cultura esportiva com impacto positivo na saúde, melhoraram a rede de transportes, incrementaram o turismo, etc. Não creio que será diferente no Rio. Um amigo resumiu bem a importância da adesão da população: “Se obras para construir o metrô entre o Centro e a Barra complicassem minha vida por uns anos, eu ficaria possesso. Mas se for para ver a Olimpíada na minha cidade, encararei engarrafamentos com gosto. Mesmo porque, sem os jogos esses projetos jamais sairiam do papel”.
Não acho que tenhamos a obrigação de produzir jogos iguais aos anteriores, apesar de crer na nossa capacidade de entregar uma organização sem falhas. Mas, acima disso, podemos fazer uma Olimpíada carregada de emoção, na qual turistas e atletas viverão uma experiência humana inesquecível, seja pelo calor do nosso povo, seja porque poderão ver como um evento é capaz de mudar a face de uma cidade sofrida. O verdadeiro espírito olímpico reside nisso – e não em estádios de centenas de milhões de dólares ou em colossais e irretocáveis eventos de abertura. Se bem que eu acho que o nosso vai ser de arrepiar...
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- 14h30
- 20Nov
/marcoscaetano
Lógica da emoção
Quanto mais eu ganho experiência nessa 'arte' de analisar o futebol, mais me convenço de que ele está muito mais para a poesia do que para a matemática
- 14h44
- 13Nov
/marcoscaetano
Juiz ladrão!
Quem tem mais de 30 anos de idade certamente já ouviu a expressão aí do título, gritada a plenos pulmões por um torcedor enfurecido ou em coro, por toda a torcida
- 19h13
- 06Nov
/marcoscaetano
Na rabeira
Não se fala em outra coisa no país do futebol: o Campeonato Brasileiro de 2009 é o de final mais imprevisível desde que foi adotado o sistema de pontos corridos
Página do Marcos Caetano