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- 19h26
- 02Oct
Olimpíada Maravilhosa
por Marcos Caetano, para o ESPN.com.br
Como Paulinho da Viola, sou carioca. E, como ele, nasci em Madureira, nas redondezas do Campinho. São de Paulinho os versos de "Amor à Natureza", canção na qual a decadência da nossa cidade é retratada com ternura e nostalgia: "Daquela que já foi a mais bela cidade que o mundo inteiro consagrou, com suas praias tão lindas, tão cheias de graça de luz e de amor". Toda vez que ouço isso, me bate a tristeza que só os exilados conhecem - e aí me faço a pergunta que também é uma prece: será que um dia minha cidade voltará a ser a mais bela?
O Rio, que nunca foi só dos cariocas, agora é de todo o mundo. A cidade que foi adotada pelos baianos Gil e João Gilberto, pelos mineiros Guimarães Rosa, Milton e João Bosco, pelo pernambucano Alceu, pelos capixabas Roberto Carlos e Rubem Braga, pela gaúcha Elis, pelo paulista Nelson Pereira dos Santos e por tanta gente de tantas partes, foi abraçado pelos atletas da humanidade. Abraçar. Eis uma coisa que está na vocação dos cariocas, a começar pelo mais ilustre: o Cristo Redentor. Porque se Deus é brasileiro eu não sei, mas que o Cristo é carioca, isso não se discute. E é esse Cristo que vai estar de braços abertos, como sempre, para receber a chama olímpica.
Vai um aqui um apelo, ingênuo talvez, mas sincero: por um instante, deixemos de lado os bairrismos, a criminalidade, a desigualdade, os hospitais que não funcionam, as epidemias, os políticos inescrupulosos e as deficiências de infraestrutura para festejar a vitória do Rio. Apenas por um instante, vamos nos permitir soltar foguetes, dançar nas ruas, achar que o Brasil já chegou lá e essas coisas que os países que conquistam o direito de sediar uma Olimpíada fazem. Por um século, essa festa jamais nos pertenceu. Chegou a nossa vez. Não vamos deixar que os problemas que temos - e sabemos que temos - venham chover sobre o nosso desfile triunfal. Ganhamos bonito. É hora de celebrar. Algo que não só os cariocas, mas os brasileiros, sabem fazer como ninguém.
Não fiz força para impedir as lágrimas que rolaram do meu rosto quando o nome da minha cidade apareceu escrito naquele envelope, ainda que de cabeça para baixo. Afinal, nos últimos anos o Brasil vem mesmo mostrando que é capaz de virar esse mundo de cabeça para baixo, ou por outra, de fazer o mundo olhar aqui para baixo. Feita a festa, enxugadas as lágrimas, chegará a hora de arregaçar as mangas e trabalhar para que os Jogos Olímpicos representem avanços concretos para a cidade-sede e para o país. Cabe a nós fiscalizar para que os incomparáveis investimentos planejados para a grande festa do esporte sejam feitos em obras que beneficiem gerações. E para que essas obras sejam realizadas com ética e transparência. Porque, no dia em que isso acontecer, aí sim seremos um dos país de ponta.
O Obama dessa eleição foi o Brasil. Nós representávamos a renovação, o "Yes, we can". O Rio merece sediar a Olimpíada. Mais do que isso: o mundo merece fazer uma Olimpíada no Rio. A escolha da sede dos Jogos de 2016 foi um presente que os delegados do COI deram ao planeta. Finalizo com os versos compostos por Paulinho, para o fecho da canção: "Uma semente atirada num solo tão fértil não deve morrer. É sempre uma nova esperança que a gente alimenta de sobreviver". Que a semente olímpica atirada sobre o fértil e absolutamente deslumbrante solo da Cidade Maravilhosa possa ser o sopro de renovação que há tanto tempo seus habitantes esperam. E merecem.
O Rio, que nunca foi só dos cariocas, agora é de todo o mundo. A cidade que foi adotada pelos baianos Gil e João Gilberto, pelos mineiros Guimarães Rosa, Milton e João Bosco, pelo pernambucano Alceu, pelos capixabas Roberto Carlos e Rubem Braga, pela gaúcha Elis, pelo paulista Nelson Pereira dos Santos e por tanta gente de tantas partes, foi abraçado pelos atletas da humanidade. Abraçar. Eis uma coisa que está na vocação dos cariocas, a começar pelo mais ilustre: o Cristo Redentor. Porque se Deus é brasileiro eu não sei, mas que o Cristo é carioca, isso não se discute. E é esse Cristo que vai estar de braços abertos, como sempre, para receber a chama olímpica.
Vai um aqui um apelo, ingênuo talvez, mas sincero: por um instante, deixemos de lado os bairrismos, a criminalidade, a desigualdade, os hospitais que não funcionam, as epidemias, os políticos inescrupulosos e as deficiências de infraestrutura para festejar a vitória do Rio. Apenas por um instante, vamos nos permitir soltar foguetes, dançar nas ruas, achar que o Brasil já chegou lá e essas coisas que os países que conquistam o direito de sediar uma Olimpíada fazem. Por um século, essa festa jamais nos pertenceu. Chegou a nossa vez. Não vamos deixar que os problemas que temos - e sabemos que temos - venham chover sobre o nosso desfile triunfal. Ganhamos bonito. É hora de celebrar. Algo que não só os cariocas, mas os brasileiros, sabem fazer como ninguém.
Não fiz força para impedir as lágrimas que rolaram do meu rosto quando o nome da minha cidade apareceu escrito naquele envelope, ainda que de cabeça para baixo. Afinal, nos últimos anos o Brasil vem mesmo mostrando que é capaz de virar esse mundo de cabeça para baixo, ou por outra, de fazer o mundo olhar aqui para baixo. Feita a festa, enxugadas as lágrimas, chegará a hora de arregaçar as mangas e trabalhar para que os Jogos Olímpicos representem avanços concretos para a cidade-sede e para o país. Cabe a nós fiscalizar para que os incomparáveis investimentos planejados para a grande festa do esporte sejam feitos em obras que beneficiem gerações. E para que essas obras sejam realizadas com ética e transparência. Porque, no dia em que isso acontecer, aí sim seremos um dos país de ponta.
O Obama dessa eleição foi o Brasil. Nós representávamos a renovação, o "Yes, we can". O Rio merece sediar a Olimpíada. Mais do que isso: o mundo merece fazer uma Olimpíada no Rio. A escolha da sede dos Jogos de 2016 foi um presente que os delegados do COI deram ao planeta. Finalizo com os versos compostos por Paulinho, para o fecho da canção: "Uma semente atirada num solo tão fértil não deve morrer. É sempre uma nova esperança que a gente alimenta de sobreviver". Que a semente olímpica atirada sobre o fértil e absolutamente deslumbrante solo da Cidade Maravilhosa possa ser o sopro de renovação que há tanto tempo seus habitantes esperam. E merecem.
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- 14h30
- 20Nov
/marcoscaetano
Lógica da emoção
Quanto mais eu ganho experiência nessa 'arte' de analisar o futebol, mais me convenço de que ele está muito mais para a poesia do que para a matemática
- 14h44
- 13Nov
/marcoscaetano
Juiz ladrão!
Quem tem mais de 30 anos de idade certamente já ouviu a expressão aí do título, gritada a plenos pulmões por um torcedor enfurecido ou em coro, por toda a torcida
- 19h13
- 06Nov
/marcoscaetano
Na rabeira
Não se fala em outra coisa no país do futebol: o Campeonato Brasileiro de 2009 é o de final mais imprevisível desde que foi adotado o sistema de pontos corridos
Página do Marcos Caetano