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- 19h47
- 18Sep
Amadorismo não é amor
por Marcos Caetano, colunista do ESPN.com.br
Desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado com a fórmula de pontos corridos, só em uma edição – a de estreia – o campeão não foi paulista. Coincidência? Duvido muito. Poder econômico? Não exatamente. Qualificação? Está esquentando. Profissionalização? Bingo! Pode apostar nisso. Os clubes paulistas ainda estão longe de serem exemplos prontos e acabados de boa gestão, mas estão bem à frente dos seus coirmãos de outros estados. E aí é mais ou menos como naquela fábula dos dois sujeitos que tinham que fugir de um tigre. Um deles se preparou para escapar do bicho calçando um par de tênis, ao que o outro perguntou: “Para que tênis, se o tigre corre bem mais do que nós?”. A resposta foi cruel: “Quem disse que eu preciso correr mais do que o tigre? Eu só preciso correr mais do que você. Se o tigre te alcançar primeiro, não terá fome por um bom tempo”. O profissionalismo dos clubes paulistas não é o máximo, mas é suficiente para colher melhores resultados.
A verdade é a seguinte: do sujeito que vende dogão a 50 centavos ali na esquina ao flanelinha do estacionamento, do camarada que empurra o carrinho do cupim na churrascaria à dançarina de cabaré, vivemos num mundo de profissionais. Quando falo em profissionais me refiro a pessoas que, como você e eu, vivem da remuneração que recebem em troca daquilo que fazem. Por incrível que possa parecer, há muita gente que acha que a função de dirigente esportivo não foi feita para ser exercida por profissionais. São as viúvas do amadorismo, que por ingenuidade ou malandragem – não necessariamente nesta ordem – acreditam que a tarefa de gerir o bilionário negócio do futebol deve ser executada por pessoas que trabalham apenas por amor aos seus clubes.
Os clubes cariocas, os primeiros a adotar o profissionalismo dentro das quatro linhas, foram os últimos a aceitar o conceito no âmbito administrativo. E agora se lamentam. O Flamengo, antes habituado a grandes conquistas, se contenta hoje em atravessar os campeonatos sem brigar por títulos, ainda que sem sofrer na zona de rebaixamento. O Botafogo tem em Bebeto de Freitas uma tentativa de pavimentar o caminho para o profissionalismo, mas, ao lado do Fluminense, que tem parceiro profissional e gestão amadora, corre enorme riscos de cair. Já o Vasco, que também busca construir uma administração mais profissional, está na segunda divisão – por conta da administração anterior, justamente a mais amadora da história do clube.
Os dirigentes que querem ver preservados os privilégios monárquicos que têm em seus clubes, espertamente falam em amor à camisa. Bradam aos quatro ventos que não é possível que um profissional comande um clube pelo qual não seja apaixonado. Dizem sempre que fizeram muito mais pelo clube que o clube por eles. Só que não basta receber salário. Eu adoraria ser centroavante do Fluminense. Jogaria de graça ou até pagaria uns caraminguás para vestir a camisa 9 tricolor. Mas não serviria para o time. Além da remuneração é preciso competência. E competência não exige paixão.
Consta que Pelé nasceu Vasco e há quem jure que Romário, que tinha estátua no Vasco, é flamenguista. Que importa? O que não pode existir é esse amadorismo velhaco, amador na hora de rechaçar os ventos de modernidade no futebol, mas profissional na hora de receber salários e comissões sobre as vendas dos jogadores. Não aguento mais aquela conversa do dirigente que diz que colocou dinheiro do próprio bolso no clube. Isso é mentira. E se fosse verdade, estaria errado. Os clubes precisam sobreviver com seus próprios recursos – administrados por profissionais. Quem entender isso primeiro, se tornará uma grande força. Os paulistas perceberam antes, e assim se tornaram papões de títulos.
A verdade é a seguinte: do sujeito que vende dogão a 50 centavos ali na esquina ao flanelinha do estacionamento, do camarada que empurra o carrinho do cupim na churrascaria à dançarina de cabaré, vivemos num mundo de profissionais. Quando falo em profissionais me refiro a pessoas que, como você e eu, vivem da remuneração que recebem em troca daquilo que fazem. Por incrível que possa parecer, há muita gente que acha que a função de dirigente esportivo não foi feita para ser exercida por profissionais. São as viúvas do amadorismo, que por ingenuidade ou malandragem – não necessariamente nesta ordem – acreditam que a tarefa de gerir o bilionário negócio do futebol deve ser executada por pessoas que trabalham apenas por amor aos seus clubes.
Os clubes cariocas, os primeiros a adotar o profissionalismo dentro das quatro linhas, foram os últimos a aceitar o conceito no âmbito administrativo. E agora se lamentam. O Flamengo, antes habituado a grandes conquistas, se contenta hoje em atravessar os campeonatos sem brigar por títulos, ainda que sem sofrer na zona de rebaixamento. O Botafogo tem em Bebeto de Freitas uma tentativa de pavimentar o caminho para o profissionalismo, mas, ao lado do Fluminense, que tem parceiro profissional e gestão amadora, corre enorme riscos de cair. Já o Vasco, que também busca construir uma administração mais profissional, está na segunda divisão – por conta da administração anterior, justamente a mais amadora da história do clube.
Os dirigentes que querem ver preservados os privilégios monárquicos que têm em seus clubes, espertamente falam em amor à camisa. Bradam aos quatro ventos que não é possível que um profissional comande um clube pelo qual não seja apaixonado. Dizem sempre que fizeram muito mais pelo clube que o clube por eles. Só que não basta receber salário. Eu adoraria ser centroavante do Fluminense. Jogaria de graça ou até pagaria uns caraminguás para vestir a camisa 9 tricolor. Mas não serviria para o time. Além da remuneração é preciso competência. E competência não exige paixão.
Consta que Pelé nasceu Vasco e há quem jure que Romário, que tinha estátua no Vasco, é flamenguista. Que importa? O que não pode existir é esse amadorismo velhaco, amador na hora de rechaçar os ventos de modernidade no futebol, mas profissional na hora de receber salários e comissões sobre as vendas dos jogadores. Não aguento mais aquela conversa do dirigente que diz que colocou dinheiro do próprio bolso no clube. Isso é mentira. E se fosse verdade, estaria errado. Os clubes precisam sobreviver com seus próprios recursos – administrados por profissionais. Quem entender isso primeiro, se tornará uma grande força. Os paulistas perceberam antes, e assim se tornaram papões de títulos.
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- 20Nov
/marcoscaetano
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/marcoscaetano
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/marcoscaetano
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Página do Marcos Caetano