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- 18h27
- 28Aug
Fotografia amarelada
por Marcos Caetano para o ESPN.com.br
“Já faz tempo eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida. Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais...”. Essa é uma das estrofes da canção “Como nossos pais”, do talentoso compositor Belchior, cujo sumiço dominou o noticiário nos últimos dias. Infelizmente, dos grandes nomes dos anos 70 e 80, não foi só ele que desapareceu.
Os clubes de futebol do Rio de Janeiro, que quando o cearense estourava nas paradas de sucesso dominavam a cena esportiva nacional, também parecem dispostos a evaporar. Se não de repente, como o cantor, bem aos pouquinhos, tristemente.
Na última quarta-feira foi disputado um Fla x Flu. Não um Fla x Flu qualquer, mas o decisivo jogo de volta do primeiro confronto internacional oficial da história dos grandes rivais. Um jogo pela Copa Sul-Americana, com boa premiação em dinheiro. Nada disso.
Nas duas partidas, o Maracanã esteve vazio de gente e cheio de silêncio. O Fluminense chegou a escalar os reservas no primeiro jogo. O nível técnico das partidas esteve a altura do desinteresse de torcedores e dirigentes. Não fosse por um pênalti inexistente para o Fluminense e um gol involuntário do Flamengo, as duas equipes pareciam poder jogar por dias a fio sem mexer no placar.
O Fla x Flu já foi o clássico que começou 45 minutos antes do nada, disputado pelos Irmãos Karamazov do futebol, que inventaram as multidões no Brasil. Essas são algumas das imagens que o mestre Nelson Rodrigues usou para descrever o jogo que fazia o país parar, na época em que Belchior cantava “Paralelas”.
Entretanto, o tempo foi passando e aquela gente jovem reunida, de cabelo ao vento, que lotava o Maracanã para acompanhar a saga de tricolores e rubro-negros, foi ficando velha. Ficando velha e se cansando do estádio cada vez mais inseguro e sem cumprir a eterna promessa de que um dia teria boa infraestrutura. Ficando velha e acompanhando a falência financeira, técnica e moral dos grandes clubes do Rio de Janeiro. Ficando velha e vendo os grandes clubes de São Paulo começando a se profissionalizar, enquanto seus times caíam nas garras de gente que oscila entre a falta de escrúpulos e a falta de preparo – quando não sofre dos dois males.
O confronto da Sul-Americana foi desimportante por tudo o que já se disse sobre ele. Mas talvez tenha tido, sim, uma importância, ainda que menos óbvia. Quem sabe ele não marcou o fim definitivo de uma era? De uma era e de seu clássico maior. Uma era em que os clubes cariocas tinham presença forte no cenário esportivo nacional. O futebol carioca encontra-se numa encruzilhada. Ou a profissionalização começa, ou o caminho entre a deficiência e a irrelevância será inapelavelmente trilhado.
Sempre foi muito difícil convencer pessoas com comprovada capacidade executiva a arriscar seus nomes e carreiras em projetos ligados aos clubes do coração. Mas, aos poucos, essas pessoas começam a se mobilizar. O competente advogado Peter Siemsen vem liderando um audacioso projeto de novos associados, para mudar o equilíbrio de forças eleitorais e lutar pela reconstrução do Fluminense. O craque da publicidade, Fábio Fernandes, mal assumiu o desafio de comandar o marketing do Vasco e já comandou uma campanha que captou nada menos do que 35 mil sócios. Flamengo e Botafogo também haverão de ter líderes abnegados em busca de espaço político. Oro por eles.
São esforços ainda isolados, mas importantíssimos para evitar que os grandes do Rio se transformem em fotografias amareladas na parede da memória, como na canção do Belchior. Que, aliás, poderia fazer o favor de reaparecer em grande estilo – inspirando os clubes cariocas a fazer o mesmo.
Os clubes de futebol do Rio de Janeiro, que quando o cearense estourava nas paradas de sucesso dominavam a cena esportiva nacional, também parecem dispostos a evaporar. Se não de repente, como o cantor, bem aos pouquinhos, tristemente.
Na última quarta-feira foi disputado um Fla x Flu. Não um Fla x Flu qualquer, mas o decisivo jogo de volta do primeiro confronto internacional oficial da história dos grandes rivais. Um jogo pela Copa Sul-Americana, com boa premiação em dinheiro. Nada disso.
Nas duas partidas, o Maracanã esteve vazio de gente e cheio de silêncio. O Fluminense chegou a escalar os reservas no primeiro jogo. O nível técnico das partidas esteve a altura do desinteresse de torcedores e dirigentes. Não fosse por um pênalti inexistente para o Fluminense e um gol involuntário do Flamengo, as duas equipes pareciam poder jogar por dias a fio sem mexer no placar.
O Fla x Flu já foi o clássico que começou 45 minutos antes do nada, disputado pelos Irmãos Karamazov do futebol, que inventaram as multidões no Brasil. Essas são algumas das imagens que o mestre Nelson Rodrigues usou para descrever o jogo que fazia o país parar, na época em que Belchior cantava “Paralelas”.
Entretanto, o tempo foi passando e aquela gente jovem reunida, de cabelo ao vento, que lotava o Maracanã para acompanhar a saga de tricolores e rubro-negros, foi ficando velha. Ficando velha e se cansando do estádio cada vez mais inseguro e sem cumprir a eterna promessa de que um dia teria boa infraestrutura. Ficando velha e acompanhando a falência financeira, técnica e moral dos grandes clubes do Rio de Janeiro. Ficando velha e vendo os grandes clubes de São Paulo começando a se profissionalizar, enquanto seus times caíam nas garras de gente que oscila entre a falta de escrúpulos e a falta de preparo – quando não sofre dos dois males.
O confronto da Sul-Americana foi desimportante por tudo o que já se disse sobre ele. Mas talvez tenha tido, sim, uma importância, ainda que menos óbvia. Quem sabe ele não marcou o fim definitivo de uma era? De uma era e de seu clássico maior. Uma era em que os clubes cariocas tinham presença forte no cenário esportivo nacional. O futebol carioca encontra-se numa encruzilhada. Ou a profissionalização começa, ou o caminho entre a deficiência e a irrelevância será inapelavelmente trilhado.
Sempre foi muito difícil convencer pessoas com comprovada capacidade executiva a arriscar seus nomes e carreiras em projetos ligados aos clubes do coração. Mas, aos poucos, essas pessoas começam a se mobilizar. O competente advogado Peter Siemsen vem liderando um audacioso projeto de novos associados, para mudar o equilíbrio de forças eleitorais e lutar pela reconstrução do Fluminense. O craque da publicidade, Fábio Fernandes, mal assumiu o desafio de comandar o marketing do Vasco e já comandou uma campanha que captou nada menos do que 35 mil sócios. Flamengo e Botafogo também haverão de ter líderes abnegados em busca de espaço político. Oro por eles.
São esforços ainda isolados, mas importantíssimos para evitar que os grandes do Rio se transformem em fotografias amareladas na parede da memória, como na canção do Belchior. Que, aliás, poderia fazer o favor de reaparecer em grande estilo – inspirando os clubes cariocas a fazer o mesmo.
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/marcoscaetano
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/marcoscaetano
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/marcoscaetano
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Página do Marcos Caetano