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Eu não sou um cara muito dado a crenças, religiões, etc. Mas sempre que bato com uma coincidência como a que percebi nessa madrugada, confesso ficar com um friozinho na barriga.
Resolvi escrever um post sobre a estreia de Robinho no Santos. E meu plano inicial era fazer um paralelo com suas brilhantes estreias no Real Madrid e no Manchester City, jogos que tive a felicidade de cobrir in loco. A estreia pelo Real foi contra o Cádiz, no estádio Ramón de Carranza.
Foi um dia movimentado, aquele. Com um calor desgraçado de verão europeu, viajar de Jerez de la Frontera, onde estava hospedado, até o estádio foi uma epopeia. Acabei entrando, arrumei um belo lugar ao lado do banco de reservas de Luxemburgo e me senti, câmera na mão, microfone na outra, como todos os outros presentes no estádio: testemunha da história (fomos parcialmente ludibriados, lógico. Robinho é craque, mas longe de um top ten de todos os tempos).
Nesta madrugada, fazendo uma rápida busca pela data exata daquele jogo, me deparei com 28 de agosto de 2005. E logo pensei: "Por que tenho a sensação de acabar de ter visto algo sobre essa data?"
Não era uma sensação sem sentido. Sim, eu tinha acabado de ver algo sobre aquela data. Minutos atrás, havia escrito o texto relatando o título do New Orleans Saints no Super Bowl e havia, por essa razão, feito uma busca no google sobre a data exata em que o furacão Katrina havia passado por Nova Orleans, destruindo a cidade. Bingo!
Enquanto Robinho maravilhava os espanhóis naquele 28 de agosto de 2005, New Orleans era evacuada devido à chegada de um furacão que já havia se transformado em categoria 5. Katrina devastaria a cidade, deixando mais de 1500 mortos, no dia seguinte: 29 de agosto. Uma tragédia que expôs um país que ninguém conhecia: uma cidade de maioria negra, abandonada pelo governo federal e em que havia mais pobreza do que o resto do mundo imaginaria. A Espanha ria Robinho, os EUA choravam Katrina.
Nova Orleans é a cidade do Carnaval nos EUA. Carnaval que tem tudo a ver com Robinho, com seus dribles, com o futebol mágico que empolgou tanta gente e que andava meio esquecido. O destino reservaria um reencontro: e ele ocorreu ontem, no dia 7 de fevereiro de 2010.
Passaram-se quatro anos e meio, mas Robinho e Nova Orleans voltaram a dividir as manchetes, renasceram juntos.
Daquele Robinho de Cádiz, pouco se viu nos quatro anos e meio seguintes na Europa. Daquela Nova Orleans destruída, surgiu uma enorme força interior que acabou canalizada no time de futebol americano da cidade: os Santos de Nova Orleans. Opa! E aí vem mais uma coincidência.
No dia em que Robinho voltou ao Santos para fazer um golaço de letra e renascer para o futebol, os Santos de New Orleans ganharam um título inédito, o mais importante do esporte no país, consumando o renascimento de uma cidade devastada, hoje plenamente recuperada em seu orgulho, em sua alma.
Nesta noite, torci pelos Saints. Torci pela vitória de um time que fará o Carnaval deles ser genuinamente feliz, sem poréns, pela primeira vez desde o desastre. Mais cedo, havia torcido também por Robinho. Um sujeito com quem já conversei tantas vezes que perdi as contas. Sujeito difícil de "fisgar", que adora dar aquele famoso "perdido". Mas que nunca me mostrou um décimo da tal máscara que muitos citam.
Foi um golaço, esse contra o São Paulo. Uma estreia fantástica, assim como a de Cádiz, assim como a de setembro de 2008, pelo City, fazendo gol em cima do Chelsea de Felipão. Robinho resolveu dizer que era o gol "letra J", em homenagem ao filho. Sorry, Robinho. São coincidências demais. Teu gol hoje, se tiver que levar nome, vai ter que levar duas letras: "NO".
Alemanha x Turquia. Itália x Sérvia. Holanda x Suécia. Croácia x Grécia. Portugal x Dinamarca. Espanha x República Tcheca.
Esses prometem ser os grandes confrontos pelas vagas nas eliminatórias da Eurocopa de 2012, que será sediada em conjunto por Polônia e Ucrânia. O torneio promete "dar um gás" a um leste europeu necessitado de dinheiro. A dúvida dos dirigentes é se os poloneses e ucranianos conseguirão organizar um evento tão bom quanto o de 2004, em Portugal, e 2008, na Suíça e na Áustria.
Os grupos foram sorteados hoje. São nove chaves eliminatórias em que todos jogam contra todos. Os nove campeões de grupos vão à Eurocopa, assim como o melhor segundo colocado. Os outros oito segundos colocados serão emparelhados em quatro confrontos de mata-mata, jogos de ida e volta. Os quatro vencedores da repescagem também disputam o torneio, completando os 16 países.
A Euro será disputada de 9 de junho a 1 de julho de 2012. As eliminatórias começam logo depois da Copa, no dia 3 de setembro, e acabam no dia 11 de outubro de 2011. Em novembro do ano que vem, são disputadas as partidas de repescagem.
Aqui vai a formação dos grupos e minha análise:
GRUPO A
Alemanha, Turquia, Áustria, Bélgica, Cazaquistão e Azerbaijão
Alemanha e Turquia fizeram uma baita semifinal em 2008, mas os turcos caíram de produção e nem vão à Copa. O confronto envolve temas de imigração e vai além do futebol, mas não vejo como a Alemanhã não ganhar o grupo. E a Turquia deve ser segunda, os outros times são fracos demais.
GRUPO B
Rússia, Eslováquia, Irlanda, Macedônia, Armênia e Andorra
Grupo chatíssimos para a Rússia, com a Eslováquia, que vai ao Mundial, e a Irlanda, que vive de altos e baixos. A Macedônia costuma tirar pontos em eliminatórias. Meu palpite: veremos a Irlanda de volta a uma Euro, afinal.
GRUPO C
Itália, Sérvia, Irlanda do Norte, Eslovênia, Estônia e Ilhas Faroe
A Itália tem pela frente duas seleções que vão à Copa: Sérvia e Eslovênia. Acredito que italianos e sérvios monopolizem o grupo e o confronto direto define quem vai ficar em primeiro. Dá para chamar de chave mais forte, "da morte" e por aí vai.
GRUPO D
França, Romênia, Bósnia, Belarus, Albânia e Luxemburgo
Grupo chato para a França, com seleções médias encardidas: Bósnia, Belarus e Albânia. A Romênia está em baixa, e a Bósnia, com uma ótima geração, pode se aproveitar de um começo lento da França para ir a sua primeira Euro.
GRUPO E
Holanda, Suécia, Finlândia, Hungria, Moldova e San Marino
Os holandeses costumam ser muito fortes em eliminatórias, e os suecos, depois da eliminação da Copa, têm a chance de ficar facilmente com a vaga na repescagem. Poderemos ter Ibra na Euro.
GRUPO F
Croácia, Grécia, Israel, Letônia, Georgia e Malta
Grupo equilibrado por baixo, o que sempre vai acontecer enquanto a Grécia ocupar potes superiores nos sorteios. A Croácia é favorita para voltar a uma grande competição.
GRUPO G
Inglaterra, Suíça, Bulgária, País de Gales e Montenegro
Depois do fiasco que deixou o English Team fora da Euro-2008, um grupo que não disperta maiores preocupações. A Inglaterra vai ficar em primeira, só que não terá nenhum jogo fácil. Todas as seleções são chatinhas, até a supostamente mais fraca, Montenegro. A briga pelo segundo lugar será dura, com vantagem teórica para a Suíça.
GRUPO H
Portugal, Dinamarca, Noruega, Chipre e Islândia
Mais uma vez, Portugal e Dinamarca frente a frente, como nas recentes eliminatórias para o Mundial. Portugal tem mais time e tem um dos melhores jogadores do mundo, tudo depende dos primeiros jogos, aqueles da ressaca pós-Copa, no segundo semestre deste ano. Nenhum deles deverá ver um drama para chegar pelo menos à repescagem.
GRUPO I
Espanha, República Tcheca, Escócia, Lituânia e Liechtenstein
A atual campeã terá pela frente uma República Tcheca que não vai ao Mundial e precisa se preparar melhor para a Eurocopa. O grupo é tranquilo, apesar da Escócia. Espanha deve se classificar, com os tchecos tentando a sorte na repescagem.
Das seleções mais fortes e tradicionais da Europa, creio que a Itália é quem terá mais trabalho para garantir a vaga direta na Eurocopa 2012, sem passar por repescagem. Das seleções menos tradicionais, olho com a Bósnia, que pode surpreender a França. A com Israel, que sempre bate na trave e, desta vez, pode beliscar uma repescagem.
Deixe sua opinião sobre o sorteio!
Van der Sar; Rafael, Evans, Ferdinand e Evra; Fletcher, Carrick, Scholes e Nani; Giggs e Rooney. Esse foi o time que o Manchester United colocou em campo para a semifinal da Carling Cup, a Copa da Liga Inglesa, ontem contra o Manchester City.
Dá para chamar tranquilamente de "time titular". No máximo, Vidic jogaria no lugar de Evans, Berbatov entraria no ataque. E claro, dependendo do adversário, Alex Ferguson poderia ter usado Park ou Valencia na frente.
Veja bem, time titular, o melhor que ele considerava para o jogo contra o City. Na Carling Cup. Esse torneio é disparado o menos importante da Inglaterra. Não classifica para nada e não tem o charme da FA Cup, a Copa da Inglaterra, que para sempre será o torneio mais antigo de futebol do mundo.
Mesmo assim, time titular, expondo gente como Van der Sar, Ferdinand, Carrick e Rooney a poucos dias de uma partida decisiva contra o Arsenal pelo Campeonato Inglês. Jogo que será domingo em Londres e que praticamente definirá quem continua na briga pelo título com o Chelsea.
Não vi muita gente falar sobre isso hoje, mas tenho certeza que o assunto será recorrente nas mesas redondas quando chegarem as semifinais dos campeonatos regionais aqui no Brasil. Corinthians, São Paulo, Flamengo, Inter e Cruzeiro estarão vivos na Libertadores. E veremos intermináveis discussões sobre colocar ou não os titulares nos estaduais.
A Libertadores é mais importante do que os estaduais. Mas historicamente, a diferença é menor do que a distância entre Premier League e Carling Cup na Inglaterra.
Por que o United colocou, então o time titular? Muito simples. Porque o rival era o City, o vizinho. E o torcedor do United queria muito ganhar do novo primo rico na cidade. Ferguson não ligou para poupar ninguém, ligou para o sentimento geral que havia na cidade, na importância que o torcedor do clube dava para aquele jogo.
Será que em uma hipotética semifinal de Paulistão, entre Corinthians e Palmeiras, o torcedor corintiano vai mesmo querer que Mano Menezes deixe Ronaldo e outros titulares de fora, para poupá-los para a Libertadores??? Será que o torcedor quer mesmo perder? Será que o torcedor do São Paulo menospreza tanto assim o Campeonato Paulista, como vem adotando no discurso nos últimos tempos??
Na minha opinião, a essência do futebol passa por ganhar. E passa por ganhar do seu vizinho. Me desculpa, tem que ser mais legal ganhar o estadual do que ficar em quarto no Brasileiro só para jogar a Libertadores. E se o torcedor não acha mais isso, está na hora mesmo de acabar com os estaduais.
Creio, no entanto, que o torcedor ainda preza a rivalidade local, como o United fez hoje. Ainda acho que o são-paulino prefira ver o time titular na semi do Paulista do que na quinta rodada contra um time do Peru ou do Equador.
Não sei se estou com as sensações pouco apuradas. Mas gostei do que vi na Inglaterra hoje. E esse blog será um pouco um termômetro, conforme os comentários mostrarão nas próximas horas.
O vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, deu entrevista à ESPN e me pareceu um sujeito bastante franco. Indo direto ao assunto. Depois de falar que Dênis Marques seria descontado por ter faltado nos primeiros treinos do ano, eu perguntei o que todo mundo queria perguntar: e o Adriano? Foi descontado também quando perdeu treinos ano passado? A resposta: um sonoro não.
E aí fomos além com a história. Nosso comentarista Leonardo Bertozzi emendou: e se vier o Vagner Love, ele vai se encaixar na turma dos "com regalias" (Adriano) ou sem regalias (Dênis Marques)??
Resposta: turma dos com regalias.
Ou seja. Vagner Love nem chegou ainda no Flamengo, sabe-se lá se vai chegar, e já sabe que não será multado nem descontado na folha salarial se perdeu um treininho aqui, outro ali.
Me parece incrível.
Todos nós sabemos que há diferentes tratamentos no futebol. Não quero ir por uma linha "falta de profissionalismo no Flamengo". Todos os clubes, com maior ou menor intensidade, fazem isso. É óbvio que Rogério Ceni não tem o mesmo tratamento no São Paulo do fulaninho. É lógico que Ronaldo tem, digamos, flexibilidade horária que outros não têm no Corinthians.
E é óbvio, também, que Adriano tem regalias no Flamengo. Não adianta ficar disfarçando, mas me surpreendeu ver um dirigente, ao vivo na TV, fazer justamente isso: não disfarçar. Vou além: está claro que o Flamengo ganhou o Brasileiro, entre outras razões, porque soube manter Adriano feliz e focado, jogando bola e tendo seu tempo livre para ver e fazer churrasco na laje com os amigos de infância.
Neste cenário, em nome de um título, de um sucesso que respinga em todos, os jogadores de futebol podem admitir tais regalias. Está claro que o caso Adriano não incomoda no Flamengo, ou pelo menos não incomoda tanto assim a muita gente.
Mas será que o mesmo acontecerá com Vagner Love??
Amigos jornalistas próximos dos Palmeiras não hesitam em cravar: a chegada de Love, com altíssimo salário, destruiu o ambiente no Palestra. Deu no que deu.
Será que no Flamengo os outros jogadores vão admitir algo do tipo? Não vão querer eles também os mesmos privilégios?? Depois de uma declaração dessa do vice-presidente, você, flamenguista, quer mesmo que o time traga Vagner Love para a Libertadores??
Veja abaixo a entrevista de Marcos Braz e comente!![]()
- 12h04
- 26Dec
Deus, como está difícil atualizar o blog! Ser blogueiro e ser editor do ESPN.com.br dá trabalho demais. Bom, antes de mais nada, espero que todos os leitores tenham tido um Natal sensacional. E que venham as festas de Ano Novo!
No domingo, passado, eu havia prometido colocar no meu blog, durante a transmissão de La Coruña 0 x 0 Valencia, um spot publicitário que o Deportivo havia veiculado na TV espanhola.
É engraçadíssimo e é um exemplo que vemos muito também na Argentina e poderíamos ter com mais frequência no Brasil. A Portuguesa tentou fazer uma pequena campanha para melhorar sua imagem, os comerciais passaram até na Globo. O La Coruña fez isso alguns anos atrás para captar sócios e capital. O clube vive problemas finaceiros e precisa da ajuda de sua torcida para voltar aos grandes tempos de títulos de liga (2000) e Copa do Rei (2002).
Não sei qual foi o resultado da campanha, só sei que eu dou muita risada cada vez que vejo. Clique abaixo e divirtam-se!
Escrevo o post enquanto Pep Guardiola chora na tela da ESPN Brasil. Emocionante ver a consagração deste que foi um dos maiores jogadores da história e, com um ano e meio de carreira, já pode ser colocado também como um dos maiores técnicos.
Em um ano e meio, Guardiola mudou o Barcelona e levou o time catalão a todos os títulos possíveis e imagináveis: ganhou os mais importantes (Champions e Liga), os médios (Mundial e Copa do Rei) e os pouco revelantes (Supercopas da Europa e Espanha).
(Parênteses. A discussão é eterna, interminável. Para mim, ganhar a Libertadores é muito mais difícil do que o Mundial. Para mim e para os torcedores europeus, ganhar a Champions é mais importante do que o Mundial. Quem viu o jogo hoje percebeu que não havia espanhol algum que tinha viajado de Barcelona a Abu Dhabi para seguir a partida, a torcida era formada por fãs do Barça lá do mundo árabe. Já os argentinos foram em massa, fazendo uma festa espetacular nas arquibancadas. É claro que o TIME do Barcelona dava muita importância ao jogo e ao título. Os fãs e imprensa lá na Europa, no entanto, não ligam nem 10% do que ligam os sul-americanos, eu garanto).
Bom, como não quero entrar nessa polêmica hoje, parto diretamente para o assunto do dia: os desaparecimentos.
Primeiro, o meu. Me ausentei do blog porque tive uma folguinha muito bem aproveitada na bela Maceió. Como considero esse blog uma página para diálogo, e não apenas para emitir opiniões sobre futebol, nos próximos dias darei dicas para quem está pensando em viajar para Maceió.
Agora, o outro ausente: Lionel Messi.
A partir de agora, irei na contramão da opinião que será recorrente e que é emitida por muita gente que comenta futebol assistindo só a melhores momentos.
Messi é o melhor jogador de futebol do mundo? Sim, é. Vai receber o prêmio da Fifa e já ganhou a Bola de Ouro. Ele é um gênio? Sim, é. Tem tudo a ver com o "hexaplete" conquistado pelo Barcelona? Sim, é o maior responsável.
Mas Messi desapareceu hoje contra o Estudiantes. Darem para ele o prêmio de melhor em campo foi, para mim, um escândalo. A verdade é que até Pedrito (como tem gente iluminada no mundo!) fazer o gol de empate, aos 44 do segundo tempo, o Barcelona estava jogando praticamente com dez homens em campo. Messi nada fazia, não aparecia, não se mexia e lembrava mais uma estátua no meio de campo.
Esse gênio do futebol tem um problema. O Barcelona sabe deste problema, preocupa-se com ele e terá de resolvê-lo de alguma maneira. Messi se afunda, some, quando as coisas não estão dando certo. É a personalidade de um garoto introvertido, extremamente tímido, que custa a confiar em muitas pessoas. Messi não tem muitos amigos. É um garoto quietinho, "na dele", como me contaram vários jogadores que conviveram e convivem com ele. Fala pouco. Dentro e fora de campo.
Hoje, foi um desses dias. Me lembro bem de um jogo do primeiro semestre, logo antes do 6 a 2 no Real, que o Barcelona empatou com o Valencia. O mesmo tinha acontecido, estava acontecendo. Chegavam os momentos decisivos da temporada e Guardiola perdia o sono com a apatia de Messi.
De repente, as coisas não estão saindo bem para o time. Hoje, o Estudiantes fez uma partida de gala no primeiro tempo. Foi muito "macho", falando o português claro. Marcou o Barcelona em cima e foi corajoso para sair, para ser agressivo. No outro lado, um Ibra afim, um Xavi errático (coisa rara), um Daniel Alves que não podia subir como queria. O cenário não era legal. No segundo tempo, com 1 a 0 contra, o Barcelona pressionava, mas nada indicava que o gol sairia a qualquer momento. Neste contexto, onde estava Messi?? A resposta é: não estava.
Eu não sou psicólogo e só a psicologia pode realmente explicar. Mas resumindo: quando as coisas não vão bem, Messi não tem aquela personalidade forte, a liderança para colocar a bola embaixo do braço e resolver. Ele vai sumindo, sumindo, sumindo. Fica frustrado porque um lance não deu certo, mais frustrado ainda porque o lance seguinte também não saiu. E vai deixando o time na mão.
Aí eis que sai o gol de empate. E depois do 1 a 1, o jogo virou outro. O momento passou a ser do Barcelona, contra um time com a língua no chão. E o que aconteceu na prorrogação?? Ele voltou. Quando a coisa virou para o lado do Barça, aí sim Messi se soltou e mostrou sua genialidade. Uma arrancada no primeiro tempo, piques, vontade e a consagração com o gol de peito, após um cruzamento fantástico desse craque chamado Daniel Alves.
Bom para ele que um jogo de futebol é assim, muda 180 graus de um momento ao outro. E aí um time com dez passa a ser um time completo e com o acréscimo "só" do melhor do mundo.
Para a Argentina, a tônica é a mesma. Por que Messi não joga nada na sua seleção? Porque quando as coisas não encaixam, ele não se sente confortável e o desafio parece longo demais para ser superado, ele some. Em compensação, se na Copa do Mundo as coisas, por uma razão ou outra, saírem bem para a Argentina.... aí quero ver segurarem a fera.
Messi não é amarelão. Não é um cara que sente o peso da importância do jogo, de uma final. Não é isso. É um cara que sai de órbita quando as coisas não estão dando certo. Quando a máquina está azeitada e funcionando, no entanto, é o melhor jogador de futebol do planeta. Caso raro e curioso.
O Barcelona é o melhor time do mundo porque tem Messi, lógico. Mas tem também outros jogadores fantásticos e um técnico corajoso suficiente para fazer mudanças ofensivas ainda no intervalo. Apesar dos sufocos contra Chelsea (semi da Champions) e hoje contra o Estudiantes, ambas as vitórias foram justas, porque estamos falando de um time que JOGA BOLA.
Parabéns ao Barça!
O sorteio da Copa do Mundo reservou muitas coincidências se virmos as formações dos grupos de Copas recentes. Vamos lá, falar sobre todos eles. Aproveito para deixar meus palpites! E claro, palpites que serão refeitos perto da Copa, quando soubermos mais sobre os países, jogadores machucados, resultados de amistosos, etc, etc, etc.
Grupo A
Não é o mais forte do Mundial, mas o mais equilibrado, o mais aberto. Em 2002, França e Uruguai caíram no mesmo grupo A e foram eliminados por Dinamarca e Senegal. Eu não me surpreenderia se os dois fossem eliminados de novo. Mas me surpreenderia ainda mais se a anfitriã África do Sul conseguisse a classificação.
O time de Parreira é o pior do grupo e um dos mais fracos de toda a Copa. Possivelmente, cai o tabu de um anfitrião nunca ter sido eliminado na primeira fase. O México, com Javier Aguirre, cresceu demais nas eliminatórias e tem grandes chances de beliscar uma vaga. O jogo da primeira rodada entre Uruguai e França, na Cidade do Cabo, é mais do que decisivo. Acho que a garra sobra, mas o talento falta no Uruguai.
Palpite: México passa em primeiro, França em segundo.
Grupo B
A Argentina, para mim, pinta como uma das favoritas para o título. É lógico que o que eles vêm jogando me faz parecer idiota escrevendo a frase anterior. Mas acredito em uma Argentina mais calma e coesa no Mundial e nada melhor do que pegar um grupo baba logo de cara. A Coreia do Sul é fraquíssima, a Grécia só entrou no Mundial porque caiu em um grupo muito fácil nas eliminatórias e a Nigéria, não se enganem, não é mais a mesma.
Se pegar México, Uruguai ou África nas oitavas, simplesmente não consigo imaginar a Argentina fora das quartas de final. E aí, meu amigo, qualquer um pode levar. Grécia e Nigéria decidem a outra vaga e aqui vou apostar no fato de a Copa ser na África.
Palpite: Argentina em primeiro, Nigéria em segundo.
Grupo C
Tranquilidade absoluta para a Inglaterra, que deve ganhar as três antes de um duelo certamente difícil de oitavas de final. A maioria tem colocado os EUA como favoritos para a segunda vaga, mas eu acho que a Eslovênia, acostumadíssima ao frio, pode surpreender. É um time jovem, talentoso e que deixou a Rússia fora da festa. Os EUA, contra os grandes, se defendem bem. Contra os médios, precisam jogar. E aí não têm a mesma constância.
Palpite: Inglaterra em primeiro, Eslovênia em segundo.
Grupo D
Para mim, imprevisível. Se não fosse a Alemanha, que é sempre a Alemanha, eu arriscaria dizer que Sérvia e Gana deixariam qualquer outro cabeça de chave com a pulga atrás da orelha. Pobre Sérvia, time muito bom, mas de novo em um grupo muito difícil (em 2006, com Holanda, Argentina e Costa do Marfim), assim como Gana (em 2006, pegou Itália, República Tcheca e EUA).
Não dá para apostar contra a Alemanha, que além de ter um bom time é ponta firme demais na hora H. Mas um segundo lugar e um duelo contra a Inglaterra nas oitavas formam um cenário pra lá de normal. A Sérvia jogou a França para a repescagem nas eliminatórias, mas uma vez mais aposto no fator continental e aposto em Gana, com Essien e companhia.
Palpite: Alemanha em primeiro, Gana em segundo.
Grupo E
Outra chave bem chatinha, equilibrada. A Holanda foi muito bem nas eliminatórias e na primeira fase da última Eurocopa. É um time compacto, liderado por Sneijder e com atacantes talentosos na frente. A Dinamarca volta após oito anos fora da Copa e Camarões é outra seleção africana empolgada por jogar "em casa". O Japão não deve entrar, mas pode tirar pontos com sua consciência tática. Será que Eto'o brilha no Mundial? Acho que sim (vide lá pra baixo meu palpite das oitavas). E a Dinamarca, na minha opinião, está aqui porque aproveitou muito bem o despiste da concorrência no começo das eliminatórias.
Palpite: Holanda em primeiro, Camarões em segundo.
Grupo F
Que baba, não? A Itália está dando graças a Deus. Mas é ruim para os italianos estar em um grupo tão fácil, pode faltar competitividade na hora de encarar Holanda, Camarões ou Dinamarca nas oitavas. A Eslováquia pode incomodar, mas acho que o Paraguai é mais experiente, e isso vai falar mais alto na decisão da segunda vaga.
Palpite: Itália em primeiro, Paraguai em segundo.
Grupo G
Casca para a seleção de Dunga. Vai ganhar da Coreia do Norte (todos vão) e a partida contra a Costa do Marfim, na segunda rodada, é fundamental. O Brasil costuma atropelar os africanos quando o jogo é de campeonato. Se tropeçar, no entanto, a seleção vai ter que decidir vaga contra Portugal na última rodada. Portugal não é mais o mesmo de Felipão, tem um técnico bem mais fraco. Por isso, sigo apostando no fator continente. Sem ver os grupos, até colocaria a Costa do Marfim em uma eventual semifinal de Copa, mas, pelo cruzamento formado, não será o caso. A esperança de Portugal é ter um Cristiano Ronaldo em forma e inspiradíssimo.
Palpite: Brasil em primeiro, Costa do Marfim em segundo.
Grupo H
Uma moleza para a Espanha. O problema depois é jogar com Brasil, Costa do Marfim ou Portugal nas oitavas. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, essa não é mais a Espanha entregona de outros tempos. É um time que aprendeu a ganhar, a ser campeão, a jogar grandes partidas. A Suíça e o Chile vão disputar a segunda vaga, mas tivemos uma demonstração recente aqui na América do Sul da capacidade do técnico Bielsa e a qualidade do jovem time chileno.
Palpite: Espanha em primeiro, Chile em segundo.
A partir daí...
*** (E aqui vale um parênteses. Fui "enganado" por um jornal de São Paulo, que imprimiu errado os cruzamentos de oitavas até a decisão. Alertado pelo comentário da Ana aqui no blog, pesquisei no site da Fifa. Então, abaixo, palpites modificados das semifinais para frente!)
Hoje, minha bola de cristal diz o seguinte:
Nas oitavas, Nigéria vence México, Argentina ganha da França (na prorrogação ou pênaltis). Inglaterra atropela Gana, Alemanha massacra Eslovênia. Holanda passa pelo Paraguai, e Camarões vence a Itália (arrisquei!). Brasil faz com o Chile o mesmo que fez em 98, e a Espanha ganha um jogo dificílimo contra a Costa do Marfim.
Nas quartas, a Inglaterra passa pela Nigéria, e a Argentina se vinga da Alemanha nos pênaltis, como em 2006. O Brasil acaba com o sonho da Holanda de novo, e a Espanha mata mais um africano, Camarões, desta vez com menos drama.
Nas semifinais, Brasil x Inglaterra, Espanha x Argentina (e não ING x ARG e BRA x ESP, como eu pensei que fosse). Acho que o Brasil ganha da Inglaterra, que a essas alturas do campeonato já estará se considerando campeã. E a Espanha é mais time do que a Argentina, apesar de algo me dizer que os hermanos estarão na final em julho. Bom, na decisão, a final dos sonhos, Espanha x Brasil.
No meu palpite anterior, a Espanha ganhava do Brasil na semi. Consigo visualizar mais a Espanha ganhando do Brasil em uma semifinal do que na finalíssima, a hora do pega pra capar. Mas tudo bem, vai. Vou ser honesto e manter o palpite: Espanha campeã do mundo.
E o teu palpite??
- 18h55
- 03Dec
Estou escrevendo esse post consciente de que serei cornetado. Muita gente vai usar aquele argumento fantástico, que é usado sempre que se quer desmoralizar a opinião de outro: "ah, mas ele torce pela Portuguesa".
Ou seja, o fato de alguém torcer por um time faz com que sua credibilidade seja automaticamente colocada em dúvida. Como eu tenho certeza absoluta da minha capacidade de ser jornalista desprovido da minha paixão futebolística, decidi escrever sobre o caso que pode causar uma confusão daquelas no futebol brasileiro.
Pois bem. Aparentemente, a Fifa deu razão à Portuguesa, que alegou irregularidade no jogador Bruno, do Guarani, em diversos jogos da Série B deste ano. Isso mudaria tudo. O Guarani perderia pontos, não subiria (talvez até vá para a Série C, ficando atrás do Juventude) e a grande beneficiada seria a Lusa, de volta à Série A.
Vejamos todos os lados da moeda. Se o jogador não poderia estar em campo, a Portuguesa tem total razão. É óbvio que não foi o tal Bruno o responsável pelo Guarani ter subido. É lógico, está mais do que claro, que esportivamente o Guarani mereceu estar no G-4. Mas regras são regras. E ponto final. Se o cara não podia ser escalado, não podia. Tapetão, para mim, é MUDAR AS REGRAS para benefício de alguém, como foi feito recentemente com o Fluminense (96). Se a escalação do jogador Bruno feriu as regras já existentes, não tem do que reclamar.
O que eu não aceito são os argumentos: "A Portuguesa não subiu no campo, não merece". Isso não interessa. Se os 6 primeiros tivessem cometido irregularidades, teriam que subir sétimo, oitavo, nono e décimo da tabela. Não tem essa de "no campo". Regra é regra e no Brasil costumamos "contextualizar" demais as regras, girar demais em torno delas, interpretá-las (claro, como sempre, de acordo com os interesses próprios).
A Portuguesa está certa em buscar seus direitos. Assim como foi justamente punida com a perda de tantos mandos durante o campeonato, está justamente buscando seus direitos ao ver uma irregularidade de outro clube. Estaria fazendo isso tivesse acabado em sexto lugar?? Lógico que não. Seria o quinto quem estaria fazendo, não tenhamos dúvidas disso. Tanto que o Figueirense também já havia ventilado a hipótese.
Mas tem um outro lado aqui da questão. O nome do Bruno estava no BID, o Guarani estava respaldado pela CBF. Se isso aconteceu, o erro é da CBF, não do Guarani. E aí, na minha opinião, o clube não pode ser punido de maneira alguma. Veja bem, não porque jogou bola, porque mereceu nem nada disso. Mas porque estava respaldado.
E se foi assim, o que fazer??? Subir os dois??? Os dois clubes terão razão. A Portuguesa em sua reclamação, o Guarani em sua defesa. Vão derrubar o Ricardo Teixeira? Lacrar a CBF por incompetência?? Claro que não. Alguma solução vai ter que ser tomada. E algo que não contemple os dois já será automaticamente injusto.
Só não está cheirando Série A 2010 com 21 clubes porque, convenhamos, os dois são bem fracos nos bastidores e na mídia. Não como o Vasco, que arrumou um absurdo jogo-extra contra o pobre São Caetano para ganhar a João Havelange 2000.
Então é capaz que a corda arrebente do lado mais frágil ou do lado que estiver menos respaldado, digamos, no extra-campo. Veremos qual é esse lado nas próximas semanas.
Foi um jogaço, o Barcelona 1 x 0 Real Madrid de ontem. Digno das duas melhores equipes do mundo, ou pelo menos duas das melhores. Muita gente perdeu para ver o Campeonato Brasileiro. Eu, à parte o óbvio fato de estar trabalhando, não teria perdido nunca.
Quando eu vejo um jogo do líder do campeonato acabar com o placar de 4 a 2, isso não quer dizer exatamente que "detalhes" decidiram um jogo equilibrado. No Brasil, é muito ataque e pouca defesa, pouco acerto tático. Mas enfim, esse é um tópico polêmico e que fica para outra vez.
O clássico de ontem no Camp Nou foi, sim, decidido em detalhes. Lances isolados que poderiam ter mudado completamente a história do jogo. Uma partida tática, pensada, equilibrada e em que, como num tabuleiro de xadrez, pequenas mudanças de peças foram dando alternância ao domínio de cada lado.
O Real Madrid leu melhor a partida nos primeiros 25 minutos. Pellegrini acertou em cheio ao povoar o meio de campo, com superioridade numérica sempre. Marcelo fez uma função de terceiro homem mais fechado, ao lado de Lass Diarra e Xabi Alonso, trio que ainda contava com a ajuda de Kaká e subidas raras de Sergio Ramos e Arbeloa.
Essas duas linhas de quatro pressionavam o Barcelona muito à frente. Assim, Xavi e Iniesta ficaram perdidos no meio de tanta gente. Busquets e Keita estavam recuados, Messi bem marcado e Henry perdido em campo. Por 25 minutos, o Madrid ganhou a batalha no meio, o que resultava em bolas roubadas e esticadas com endereço certo para Cristiano Ronaldo, Higuaín e Kaká.
Neste cenário, apareceram os detalhes. O gol perdido por Cristiano Ronaldo, com dose de mérito para Valdés, e a travada de Puyol quando Marcelo engatilhava o primeiro gol. Sempre jogadas criadas por um elétrico Kaká, que fez, para mim, seu melhor jogo com a camisa do Real.
Como num jogo de xadrez, no entanto, as peças se mexeram. Ofensivamente, é verdade, o Barcelona não conseguiu encontrar soluções. Messi veio para o meio, quem sabe tentando repetir o sucesso dos 6 a 2 da temporada passada, mas continuou batendo contra paredes. Quem sabe porque não tivesse mais Eto'o de um lado e aquele Henry do outro. O Henry de ontem foi uma caricatura do Henry dos 6 a 2.
Defensivamente, no entanto, o time se ajustou. Passou a bloquear os passes rápidos do Madrid, a ter mais atenção no meio e a diminuir espaços dos atacantes, antecipando jogadas destinadas a Cristiano Ronaldo e Higuaín, que não teve sua melhor noite. O jogo ganhou equilíbrio.
No segundo tempo, a entrada de Ibrahimovic no lugar de Henry mudou a partida. (Óbvio, dirá o esperto leitor: afinal, Ibra decidiu a parada). Mas o gol foi apenas a consequência de um posicionamento novo, com um homem de área com mais presença do que Henry. A postura também mudou, com Keita se apresentando mais pela esquerda, dando opções a Iniesta e abrindo o campo.
Depois do gol de Ibra, o jogo ficou todo para o Barcelona. Porque o plano do Real tinha ido por água abaixo, e o time não sabia bem o que fazer, não sabia como tomar a iniciativa. O Barça começou a trocar passes com mais tranquilidade, esperando o momento para dar o bote e colocando o adversário na roda. É nesta hora que a qualidade de Xavi aparece ainda mais. Para mim, um gênio do futebol atual.
Mas aí veio outro detalhe, a expulsão tola de Busquets. Cristiano Ronaldo precisou sair (e é notável como o time perde energia sem ele), mas Benzema entrou esperto no jogo. Lass, Xabi Alonso e Marcelo voltaram a tomar conta do meio, e Kaká, bem, começou a participar de várias jogadas.
Antes que o empate saísse (ele quase veio com Benzema), nova mexida de peças. O Barcelona se acertou com Touré, os baixinhos mais recuados, Daniel Alves subindo só na boa. Voltou a reter a bola e a jogar com uma inteligência que só esse time tem. Por quase dez minutos, mesmo com um a menos, o Barcelona controlou a posse. E garantiu uma justa vitória.
Está na cara que a liga será longa, porque com Cristiano Ronaldo e Kaká crescendo, o Real Madrid deverá atropelar a concorrência mais fraca. O Barcelona sente falta de banco, principalmente para o ataque, mas ainda assim é forte o suficiente para seguir à frente. Fica o próximo encontro marcado para o Bernabéu, a próxima final, a que decidirá o campeonato.
Minhas avaliações individuais:
Barcelona
Valdés - Ótimo, apareceu para salvar um gol que poderia ter mudado tudo.
Daniel Alves - Decisivo, deu passe pra um gol e ainda deixou Messi na cara de Casillas.
Puyol - Travou gols certos de Marcelo e Higuaín. Um monstro, merece o Motorádio (lembram??).
Piqué - Partida correta, para mim é o melhor zagueiro espanhol.
Abidal - Como sempre, apenas defendendo. Sofreu com Cristiano e Kaká.
Busquets - Infantil, tolo, quase jogou a vitória no lixo. Levará uma bronca do chefe.
Keita - Sacrificado, precisou defender demais.
Xavi - Um gênio, outra vez ditando o ritmo da partida, que é jogada na velocidade que ele quer.
Iniesta - Menos acertado que em outras ocasiões, ainda assim bem em campo.
Henry - Muito mal, perdido e sem saber para onde ir e o que fazer.
Messi - Não jogou bem, apesar de ter corrido bastante. Perdeu um gol feito no segundo tempo.
Ibra - Entrou e decidiu. Cada vez mais adaptado ao jogo na Espanha.
Real Madrid
Casillas - Ótimo, não teve culpa no gol e ainda salvou um de Messi.
Sergio Ramos - Boa partida, seguro na defesa.
Pepe - Mal no lance do gol e no perdido por Messi. Jogo para esquecer.
Albiol - Passou ileso ao lado de Pepe.
Arbeloa - Parou Messi, que desistiu e foi tentar a sorte em outro lugar do campo.
Xabi Alonso - Ótima partida, é o volante que o Real precisa para ter mais qualidade.
Lass Diarra - Perdeu a cabeça no lance da expulsão, mas, até lá, incansável.
Marcelo - Jogo correto. Não comprometeu atrás, não ajudou muito à frente, mas bem taticamente.
Kaká - Melhor jogo no Real. Elétrico, afim. Não consagrou os outros porque eles erraram.
Higuaín - Mal em campo, um pouco dorminhoco e pouco conectado aos contra ataques.
Benzema - Entrou querendo jogo, mas pouco acertado nos passes e finalizações.
Cristiano Ronaldo - Bem para quem acaba de voltar. Perdeu um gol decisivo, mas mostrou estar recuperado
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Na Espanha, a "alternância de poder" entre Barcelona e Real Madrid é histórica e ficou mais intensa recentemente, com o equilíbrio financeiro e, consequentemente, esportivo entre os clubes. Mas nunca esse sobe e desce ficou tão claro como no meio na década de 90.
No meu post anterior, eu mostrei uma goleada de 5 a 0 aplicada pelo Barcelona em janeiro de 1994, com três gols e show de Romário. Aquele Barça era o "Dream Team" de Cruyff, tetracampeão espanhol, vencedor da Copa dos Campeões da Europa em 1992.
Aquela goleada enterrou a "Quinta del Buitre", time que marcou época, e forçou uma renovação do Real Madrid. Na temporada seguinte, o time seria campeão e acabaria com a hegemonia do Barça. O técnico era o argentino Jorge Valdano, hoje diretor do clube. Em campo, um jovem rapaz das bases, aposta pessoal de Valdano: Raúl González Blanco.
Em 7 de janeiro de 1995, Raúl jogou o primeiro de seus 29 clássicos. O Real Madrid devolveu a "manita" e ganhou de 5 a 0 do Barcelona. Com Romário no banco brigado com Cruyff e Stoichkov expulso, o Barça viu Zamorano fazer três gols. E pior: viu um show de Laudrup, escanteado no time catalão devido ao limite de estrangeiros. Naqueles tempos, entravam mais de 100 mil pessoas no Bernabéu. Assista!
Julio Gomes trabalha no jornalismo esportivo desde 1998, quando tinha 18 anos anos e começou a carreira no UOL. Quatro anos depois, cobriu sua primeira Copa do Mundo. Em 2003, foi a Madri para fazer um mestrado e lá ficou por cinco anos como correspondente. Torcedor da Lusa, é desde março de 2009 o editor do ESPN.com.br e do ESPN 360.