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- 15h33
- 24Nov
A esperança venceu o medo e a politicagem da bola
por José Roberto Malia para o ESPN.com.br
Muito mais que o duelo entre o atual melhor jogador do mundo, Kaká, e o futuro dono do trono, Cristiano Ronaldo, o amistoso do Bezerrão, com um chocolate brasileiro de 6 a 2 em Portugal, provou que realmente a esperança venceu o medo e a politicagem da bola.
Contra fatos não há argumentos, por mais que se procure pêlo em ovo de codorna: enquanto cinco mil abandonados políticos, ministros de tribunais, funcionários do alto escalão e afins comeram o pão que o diabo amassou para receber gratuitamente o ingresso sob uma escaldante temperatura de ar-condicionado, 17 mil felizes moradores do Gama e Santa Maria saborearam a cobiçada cereja do bolo do Circo Brasileiro de Futebol.
Os representantes das cidades-satélites de Brasília tiveram o privilégio de participar de um saudável sorteio de dois mil bilhetes para assistir ao jogo. Evidentemente, todos muito bem acomodados de pé num estacionamento, debaixo de um refrescante sol de mais de 30 graus. Detalhe importante: cada um teve de doar um quilo de alimento em troca do cupom para concorrer ao loteamento dos ingressos. Havia ainda a possibilidade de se adquirir uma entrada por módicos preços - entre R$ 180 e R$ 250.
A festa na 'ilha da fantasia do mestre Tatoo’ foi patrocinada pelo governador do Distrito Federal, o benemérito José Roberto Arruda (DEM), despojada de qualquer ambição política. Por absoluto amor ao esporte, ele investiu a bagatela de R$ 56 milhões (a previsão inicial era de R$ 30 milhões) na reforma do Bezerrão, além de R$ 10 milhões para colocar Brasil e Portugal em campo - cada seleção papou limitados R$ 3 milhões. Por ser um amistoso extremamente de risco, Arruda montou um pequeno esquema de segurança com 2.450 homens.
Em troca de tanto apreço, o governador deseja apenas um afago do rei da bola, Ricardo Teixeira: receber o jogo de abertura do Mundial de 2014 no estádio Mané Garrincha - o Bezerrão ficaria apenas como CT de luxo, pois já mamou demais. Que o digam os músicos da Sinfônica de São Paulo. Eles sentiram na pele: tocaram no Teatro Nacional de Brasília sem casaca porque o ar-condicionado estava pifado. Não havia dinheiro para consertá-lo. Viva o Bezerrão!
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Maquiagem. Que o Brasil fez uma boa exibição, não se discute. Que Portugal desempenhou à risca o papel de mãe-pátria, muito menos. Que Cristiano Ronaldo estava mais para Belo Antonio do que para ‘matador’, também. Mas não se pode negar que já extrapolou qualquer nível de tolerância a insistência do técnico-patrão Dunga com Gilberto Silva, um ex-jogador em atividade, e Kleber.
A vida como ela. Enquanto a Europa quebra a cara e o bolso com pelo menos 10 mil demissões por dia em razão do tsunami financeiro, a ‘ilha da fantasia do mestre Tatoo’ se encanta com a Copa de 2014 e a corrida olímpica do Rio para 2016. Não deve ser fácil mesmo morar no Velho Continente.
Banquete. A Traffic e a diretoria do Palmeiras reforçam o estoque de periquito congelado e espumante Sidra para festejar no fim do ano os ótimos dividendos proporcionados pelo ‘professor' Vanderlei Luxemburgo. Após a inesquecível conquista do Paulistinha/08, empresa e clube só esperam abrir o ‘quebra-vento' das transferências para o exterior, em janeiro, para calcular o excelente custo/benefício de algumas estrelas que iluminaram o ‘mestre': Diego Souza, Roque Júnior, Denílson, Léo Lima, Fabinho Capixaba, Jumar, Maicosuel, Sandro Silva, Gladstone, Preá, Lenny....
Dois toques. O Corinthians confirmou o primeiro grande reforço para a próxima temporada: o meia Diogo Rincón foi devolvido ao Dínamo de Kiev, da Ucrânia.
Natal feliz. Por ter cumprido religiosamente a transparência prometida ao assumir o comando da velha-nova diretoria do Corinthians, o presidente Andrés Sanchez vai ganhar um belo mimo do Papai Noel. Uma comissão do Conselho de Orientação investigará os ótimos negócios realizados pelo clube nos últimos tempos. Um deles: pagamento de comissão a empresários acima da média. Outro: a venda de 10% do atacante Jô a um amigo de fé do inesquecível iraniano Kia Joorabchian. E mais: empréstimo de R$ 600 mil do agente Carlos Leite, que tem cinco atletas e o técnico Mano Menezes como clientes no clube.
Barca tricolor. O veterano lateral Júnior deve encabeçar o listão do São Paulo após o Brasileirão com cara e chuteiras de Brasileirinho. A batata do jogador queimou para valer depois de uma noite de coruja pelos bares da paulicéia. A barca será reforçada pelos zagueiros Anderson e Juninho e pelo centroavante André Lima. O clube deve colocar em prática um velho sonho do presidente Juvenal Juvêncio: pelo menos 50% do time formado por garotos da base.
Urubu. A diretoria do Flamengo, capitaneada pelo falastrão Márcio Braga, é mesmo supimpa. Faz o maior oba-oba antes de um jogo importante, prometendo mundos e fundos, mas proíbe jogador de aparecer na TV depois de uma vitória histórica sobre o Palmeiras.
Tititi d'Aline. Há quem jure que faltou apenas um pedaço de madeira para o barraco ficar completo. Nélio, pai de Ronaldo, ficou uma fera porque não foi convidado para a festa de casamento da ex-mulher, Sônia, mãe do Fenômeno.
Bola de ouro. Luis Fabiano. Roubou a festa no Bezerrão. E ainda atacou de anjo da guarda, livrando Dunga da fila do desemprego. Por enquanto.
Bola de latão. Carlos Queiroz. Destruiu em pouco tempo o que Felipão demorou anos para construir à frente de Portugal. Vai dançar o vira sem tamanco num ‘tapete de brasa’.
Bola sete. “Estou com a consciência tranqüila. Ando na rua numa boa. Não preciso de segurança para ir ao shopping” (do técnico Dunga, alfinetando o ‘professor’ Vanderlei Luxemburgo, que anda com guarda-costas e está na fila do gargarejo para pegar a boquinha da seleção).
Dúvida pertinente. O presidente do Palmeiras, Affonso della Monica, vai continuar abastecendo a Mancha Alviverde com ingressos e transporte gratuitos?
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jose.r.malia@espn.com
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Página do José Roberto Malia