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- 23h05
- 04Nov
Oriundos da bola e da corrida
por José Inácio Werneck para o ESPN.com.br
Ao ver a boa campanha do Chelsea, sob a direção do técnico italiano Carlo Ancelotti - do qual, confesso, nunca fui grande admirador - é impossível negar que Felipão, em sua breve passagem pelo clube, meteu os pés pelas mãos.
Ao chegar ao Chelsea, Felipão, relembrando um pouco o velho debate da Copa de 1970, quando alguns achavam que Pelé e Tostão não podiam jogar juntos, decretou que Didier Drogba, da Costa do Marfim, não deveria estar no time ao mesmo tempo que o francês Nicolas Anelka.
Entre os dois, Felipão preferiu Anelka, o que sem dúvida contribuiu enormemente para que ele agora desfrute de um bem remunerado exílio nas vastidões asiáticas, lembrado apenas pelo gerente de seu banco.
Ancelotti pode não ser um gênio, mas de louco não tem nada. Sua primeira providência foi escalar Drogba e Anelka juntos. Quando se torna necessário dar precedência a um deles, é o homem da Costa do Marfim que aparece no time.
O Chelsea é o líder na Inglaterra, com Drogba como artilheiro da temporada. Ele estava suspenso pela Liga dos Campeões, depois dos incidentes com o Barcelona no jogo de volta pelas semi-finais do torneio na última temporada, mas agora que reapareceu marcou os dois gols do Chelsea no empate com o Atlético de Madrid. Depois do jogo, Ancelotti disse aos jornalistas ingleses que só não escalaria Drogba se fosse burro.
Seria alguma alfinetada em Felipão? O fato é que, no mesmo dia, li na imprensa inglesa uma matéria dizendo que os técnicos brasileiros não são bons, que sempre deixam a desejar quando trabalham na Europa, que estão aquém da capacidade de nossos jogadores.
É fato que Vanderlei Luxemburgo fracassou no Real Madrid, Parreira se deu mal no Valencia, Carlos Alberto Silva não conseguiu grande sucesso no Porto, Paulo Autuori não foi lá essas coisas, Paulo Amaral e Sebastião Lazaroni tiveram passagens desastrosas pela Itália, Abel não chegou a brilhar e por aí vamos. Reconheçamos que Parreira, Zico e até Didi tiveram êxito no Fenerbahçe, mas, para os europeus, futebol turco é uma espécie de excrescência no continente. Zico foi demitido pelo CSKA e procura agora se reaprumar no Olympiacos, da Grécia.
Ao longo dos anos, os europeus reconhecem apenas um técnico brasileiro bem sucedido por lá: Otto Glória, que brilhou no Benfica, no Belenenses, no Sporting, no Olympique de Marselha, eliminou o Brasil em 1966 e ficou em terceiro lugar com Portugal naquela Copa do Mundo.
Agora, o negócio é torcer por Leonardo. Ele começou mal no Mílan, mas está aos poucos dando jeito no time e tem até conseguido fazer Ronaldinho Gaúcho jogar bem de novo. Desconfio porém que os europeus já “incorporaram” Leonardo e daqui a pouco começarão a dizer que ele é italiano, como já dizem que Deco é português.
No mundo globalizado em que vivemos as nacionalidades se tornam um pouco difusas e há às vezes casos curiosos, como se passou no último domingo na Maratona de Nova Iorque. Ganhou um americano chamado Mebrathom Keflezighi, encerrando um jejum de 27 anos para o país, desde que a vitória na prova foi de seu conterrâneo Alberto Salazar.
Entetanto uma porção de gente começou a dizer: “esperem, este cara não é americano; ele se naturalizou, mas é imigrante africano, nasceu na Eritréia”.
É curioso mesmo, pois em 1982 testemunhei a vitória de Alberto Salazar e ninguém nos Estados Unidos se lembrou de questionar sua autenticidade, embora ele também seja um imigrante naturalizado americano, pois nasceu em Cuba.
Será que é porque Salazar é branco e Keflezighi é negro?
(Assistam também aos meus comentários em vídeo aqui mesmo no site da ESPN Brasil)
Ao chegar ao Chelsea, Felipão, relembrando um pouco o velho debate da Copa de 1970, quando alguns achavam que Pelé e Tostão não podiam jogar juntos, decretou que Didier Drogba, da Costa do Marfim, não deveria estar no time ao mesmo tempo que o francês Nicolas Anelka.
Entre os dois, Felipão preferiu Anelka, o que sem dúvida contribuiu enormemente para que ele agora desfrute de um bem remunerado exílio nas vastidões asiáticas, lembrado apenas pelo gerente de seu banco.
Ancelotti pode não ser um gênio, mas de louco não tem nada. Sua primeira providência foi escalar Drogba e Anelka juntos. Quando se torna necessário dar precedência a um deles, é o homem da Costa do Marfim que aparece no time.
O Chelsea é o líder na Inglaterra, com Drogba como artilheiro da temporada. Ele estava suspenso pela Liga dos Campeões, depois dos incidentes com o Barcelona no jogo de volta pelas semi-finais do torneio na última temporada, mas agora que reapareceu marcou os dois gols do Chelsea no empate com o Atlético de Madrid. Depois do jogo, Ancelotti disse aos jornalistas ingleses que só não escalaria Drogba se fosse burro.
Seria alguma alfinetada em Felipão? O fato é que, no mesmo dia, li na imprensa inglesa uma matéria dizendo que os técnicos brasileiros não são bons, que sempre deixam a desejar quando trabalham na Europa, que estão aquém da capacidade de nossos jogadores.
É fato que Vanderlei Luxemburgo fracassou no Real Madrid, Parreira se deu mal no Valencia, Carlos Alberto Silva não conseguiu grande sucesso no Porto, Paulo Autuori não foi lá essas coisas, Paulo Amaral e Sebastião Lazaroni tiveram passagens desastrosas pela Itália, Abel não chegou a brilhar e por aí vamos. Reconheçamos que Parreira, Zico e até Didi tiveram êxito no Fenerbahçe, mas, para os europeus, futebol turco é uma espécie de excrescência no continente. Zico foi demitido pelo CSKA e procura agora se reaprumar no Olympiacos, da Grécia.
Ao longo dos anos, os europeus reconhecem apenas um técnico brasileiro bem sucedido por lá: Otto Glória, que brilhou no Benfica, no Belenenses, no Sporting, no Olympique de Marselha, eliminou o Brasil em 1966 e ficou em terceiro lugar com Portugal naquela Copa do Mundo.
Agora, o negócio é torcer por Leonardo. Ele começou mal no Mílan, mas está aos poucos dando jeito no time e tem até conseguido fazer Ronaldinho Gaúcho jogar bem de novo. Desconfio porém que os europeus já “incorporaram” Leonardo e daqui a pouco começarão a dizer que ele é italiano, como já dizem que Deco é português.
No mundo globalizado em que vivemos as nacionalidades se tornam um pouco difusas e há às vezes casos curiosos, como se passou no último domingo na Maratona de Nova Iorque. Ganhou um americano chamado Mebrathom Keflezighi, encerrando um jejum de 27 anos para o país, desde que a vitória na prova foi de seu conterrâneo Alberto Salazar.
Entetanto uma porção de gente começou a dizer: “esperem, este cara não é americano; ele se naturalizou, mas é imigrante africano, nasceu na Eritréia”.
É curioso mesmo, pois em 1982 testemunhei a vitória de Alberto Salazar e ninguém nos Estados Unidos se lembrou de questionar sua autenticidade, embora ele também seja um imigrante naturalizado americano, pois nasceu em Cuba.
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