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- 00h54
- 21Oct
Timezinho complicado
por José Inácio Werneck para o ESPN.com.br
Moro no estado de Connecticut, o mais rico desta nação, embora de uma pobreza franciscana no mundo esportivo. Espremido entre Nova York e Massachusetts, Connecticut não tem um grande time em nenhum dos esportes mais populares nos Estados Unidos.
Aqui, quem não torce pelo Boston Red Sox no beisebol, torce pelo New York Yankees. Quem não torce pelo New England Patriots no Futebol Americano, torce pelo New York Giants (ou até pelo New York Jets, que na realidade é de Nova Jersey). Quem não torce pelo New England Revolution no soccer, torce pelo New York Red Bulls (embora tal time nem mereça torcedores). E quem não torce pelo Boston Celtics no basquete não tem outra alternativa a não ser torcer pelo New York Knicks, o desastrado Knickerbockers, talvez o mais neurastênico time do país em qualquer modalidade esportiva.
O campeonato de basquete está para ser iniciado e o Knicks, com apenas dois títulos, em 1970 e 1973, já está com seus padecimentos psíquicos aflorando. Mike D’Antoni, o técnico que foi tão bem na direção do Phoenix Suns, nos melhores dias de Steve Nash (e – por que não? - Leandrinho) parece que está destinado a se juntar a uma longa lista de treinadores, contratados como salvadores da pátria, a peso de ouro (o Knicks é o time mais caro do país e assim vem sendo ao longo das décadas), mas que vêem a equipe mergulhar na controvérsia, na confusão, nas brigas entre jogadores, dirigentes, torcedores. Por falar em torcedores, seus mais famosos fãs – Woody Allen e Spike Lee – são a encarnação de dois pacientes à procura de um psicanalista.
O Boston teve seus altos e baixos, reconheçamos, mas é o atual campeão e conquistou 11 títulos entre os anos de 1957 e 1969 – dos quais oito consecutivos. Seu maior astro, Larry Bird, está no Olimpo dos deuses do basquete, num plano quase tão elevado ou tão elevado quanto os de Magic Johnson e Michael Jordan.
O Knicks teve, é certo, Walt Frazier e Willis Reed, além de um jogador, Bill Bradley, que foi depois eleito senador e quase chegou a ser indicado como candidato à presidência da república pelo Partido Democrata, perdendo para Al Gore (que, por sua vez, perdeu para George W. Bush na famosa eleição decidida no tapetão). Mas o nome com que todos associam o Knicks é o de Patrick Ewing, um pivô nascido na Jamaica que inegavelmente teve grandes qualidades, mas que – certamente para combinar com o time – sempre exibiu uma personalidade complicada e se constituiu, em última análise, num perdedor.
Posso me enganar, mas os sinais de que a temporada do Knicks vai ser outra vez frustrante estão aí mesmo. O time aboliu, para efeito em Nova York, o chamado “shoot-around”, um treino leve sempre realizado na manhã dos dias dos jogos e cujo objetivo era o de fazer os jogadores irem para a cama cedo na véspera. Numa admissão de que a medida não teve os efeitos esperados, Mike D’Antoni agora vai realizar o “shoot-around” apenas quando o Knicks viaja para enfrentar adversários em outros estados, pois é mais fácil manter a turma no hotel, sob vigilância.
A última má notícia é que o italiano Danilo Gallinari, a Grande Esperança
Branca, não conseguiu se firmar. No ano passado, às voltas com uma contusão nas costas, disputou apenas 28 partidas. Este ano, não foi bem nos jogos da pré-temporada e deve iniciar o campeonato no banco. A bem da verdade, Mike D’Antoni não conseguiu definir os “starters”, os titulares.
Tudo bem diferente de seus tempos no Suns.
(Assistam também a meus comentários em vídeo aqui mesmo no site da ESPN Brasil)
Aqui, quem não torce pelo Boston Red Sox no beisebol, torce pelo New York Yankees. Quem não torce pelo New England Patriots no Futebol Americano, torce pelo New York Giants (ou até pelo New York Jets, que na realidade é de Nova Jersey). Quem não torce pelo New England Revolution no soccer, torce pelo New York Red Bulls (embora tal time nem mereça torcedores). E quem não torce pelo Boston Celtics no basquete não tem outra alternativa a não ser torcer pelo New York Knicks, o desastrado Knickerbockers, talvez o mais neurastênico time do país em qualquer modalidade esportiva.
O campeonato de basquete está para ser iniciado e o Knicks, com apenas dois títulos, em 1970 e 1973, já está com seus padecimentos psíquicos aflorando. Mike D’Antoni, o técnico que foi tão bem na direção do Phoenix Suns, nos melhores dias de Steve Nash (e – por que não? - Leandrinho) parece que está destinado a se juntar a uma longa lista de treinadores, contratados como salvadores da pátria, a peso de ouro (o Knicks é o time mais caro do país e assim vem sendo ao longo das décadas), mas que vêem a equipe mergulhar na controvérsia, na confusão, nas brigas entre jogadores, dirigentes, torcedores. Por falar em torcedores, seus mais famosos fãs – Woody Allen e Spike Lee – são a encarnação de dois pacientes à procura de um psicanalista.
O Boston teve seus altos e baixos, reconheçamos, mas é o atual campeão e conquistou 11 títulos entre os anos de 1957 e 1969 – dos quais oito consecutivos. Seu maior astro, Larry Bird, está no Olimpo dos deuses do basquete, num plano quase tão elevado ou tão elevado quanto os de Magic Johnson e Michael Jordan.
O Knicks teve, é certo, Walt Frazier e Willis Reed, além de um jogador, Bill Bradley, que foi depois eleito senador e quase chegou a ser indicado como candidato à presidência da república pelo Partido Democrata, perdendo para Al Gore (que, por sua vez, perdeu para George W. Bush na famosa eleição decidida no tapetão). Mas o nome com que todos associam o Knicks é o de Patrick Ewing, um pivô nascido na Jamaica que inegavelmente teve grandes qualidades, mas que – certamente para combinar com o time – sempre exibiu uma personalidade complicada e se constituiu, em última análise, num perdedor.
Posso me enganar, mas os sinais de que a temporada do Knicks vai ser outra vez frustrante estão aí mesmo. O time aboliu, para efeito em Nova York, o chamado “shoot-around”, um treino leve sempre realizado na manhã dos dias dos jogos e cujo objetivo era o de fazer os jogadores irem para a cama cedo na véspera. Numa admissão de que a medida não teve os efeitos esperados, Mike D’Antoni agora vai realizar o “shoot-around” apenas quando o Knicks viaja para enfrentar adversários em outros estados, pois é mais fácil manter a turma no hotel, sob vigilância.
A última má notícia é que o italiano Danilo Gallinari, a Grande Esperança
Branca, não conseguiu se firmar. No ano passado, às voltas com uma contusão nas costas, disputou apenas 28 partidas. Este ano, não foi bem nos jogos da pré-temporada e deve iniciar o campeonato no banco. A bem da verdade, Mike D’Antoni não conseguiu definir os “starters”, os titulares.
Tudo bem diferente de seus tempos no Suns.
(Assistam também a meus comentários em vídeo aqui mesmo no site da ESPN Brasil)
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