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- 22h48
- 30Sep
Perigos da bola oval
por José Inácio Werneck, para o ESPN.com.br
Quando me mudei para os Estados Unidos em 1990 me interessei pelo Futebol Americano, que eles aqui chamam simplesmente de “football”, e durante algum tempo cheguei a comentar jogos para a ESPN Internacional, em geral narrados por meus companheiros André José Adler, Ivan Zimmermann e Lívio Reis.
Mas crescentemente venho me preocupando com os aspectos mais violentos do jogo. Tenho quatro netos nascidos neste país e, francamente, não gostaria de ver nenhum deles praticando tal esporte.
Tenho também uma neta, que está a salvo, em virtude do sexo. O futebol americano é de fato um jogo só para homens, embora uma ou outra mulher mais intrépida volta e meia queira se apresentar como chutadora.
O problema do futebol americano está no gigantismo deliberado, sobretudo nas posições de choque, como os da primeira linha de defesa e de ataque, que incentivam seus jogadores a chegar aos 150 quilos e até mais.
Para tanto, um enorme número de jogadores – quase todos, eu diria – recorre a esteróides, hormônios de crescimento e outras drogas para “body building”. Lembro-me que um deles, Lyle Alzado, prestes a morrer de câncer, em 1992, fez uma grande campanha contra o consumo de tais “medicamentos”, mas em vão.
Um estudo divulgado pela ESPN em 2006 mostrava que os jogadores de primeira linha de defesa ou de ataque têm duas vezes mais possibilidade de morrer antes dos 50 anos do que seus companheiros mais leves, como os running backs.
Mas há outro mal de que nenhum deles está livre, mesmo os glamourosos quarterbacks como Tom Brady, marido da Gisele Bündchen. São os casos de “mal de Alzheimer” e demências de outros tipos. A causa? Os frequentes choques de cabeça contra cabeça, ou mesmo cabeça contra outras partes do corpo, apesar da proteção dos capacetes. (Sem falar em jogadores que saíram diretamente para o cemitério ou ficaram paralíticos para o resto da vida.)
Agora, nesta quarta-feira, dia 30 de setembro, uma reportagem de primeira página no New York Times me chama a atenção. É um estudo da Universidade de Michigan, encomendado – justiça seja feita – pela própria NFL, a National Football League.
O estudo mostra que a incidência de demência entre jogadores e ex-jogadores de futebol americano na faixa de 30 aos 49 anos é 19 vezes maior do que no resto da população. Foram estudados apenas jogadores e ex-jogadores que estiveram em atividade no mínimo por três temporadas.
Na faixa de 50 anos para cima, há cinco vezes mais incidência de “mal de Alzheimer” ou outros tipos de demência entre ex-jogadores de futebol americano, em relação ao resto da população. É normalmente a partir dos 50 anos que falta de memória e outros sinais de degeneração mental começam a aparecer na população em geral.
Os casos decorrem das seguidas concussões cerebrais experimentadas por jogadores de futebol americano.
Mas o que amedronta mesmo é saber, pelo New York Times, que todas as semanas ocorrem centenas de casos de concussão cerebral em alunos de colégios e faculdades, a maior parte dos quais não é diagnosticada ou tratada.
Estão na linha de montagem para futuras tragédias.
(Assistam também a meus comentários em vídeo aqui mesmo no site da ESPN Brasil.)
Mas crescentemente venho me preocupando com os aspectos mais violentos do jogo. Tenho quatro netos nascidos neste país e, francamente, não gostaria de ver nenhum deles praticando tal esporte.
Tenho também uma neta, que está a salvo, em virtude do sexo. O futebol americano é de fato um jogo só para homens, embora uma ou outra mulher mais intrépida volta e meia queira se apresentar como chutadora.
O problema do futebol americano está no gigantismo deliberado, sobretudo nas posições de choque, como os da primeira linha de defesa e de ataque, que incentivam seus jogadores a chegar aos 150 quilos e até mais.
Para tanto, um enorme número de jogadores – quase todos, eu diria – recorre a esteróides, hormônios de crescimento e outras drogas para “body building”. Lembro-me que um deles, Lyle Alzado, prestes a morrer de câncer, em 1992, fez uma grande campanha contra o consumo de tais “medicamentos”, mas em vão.
Um estudo divulgado pela ESPN em 2006 mostrava que os jogadores de primeira linha de defesa ou de ataque têm duas vezes mais possibilidade de morrer antes dos 50 anos do que seus companheiros mais leves, como os running backs.
Mas há outro mal de que nenhum deles está livre, mesmo os glamourosos quarterbacks como Tom Brady, marido da Gisele Bündchen. São os casos de “mal de Alzheimer” e demências de outros tipos. A causa? Os frequentes choques de cabeça contra cabeça, ou mesmo cabeça contra outras partes do corpo, apesar da proteção dos capacetes. (Sem falar em jogadores que saíram diretamente para o cemitério ou ficaram paralíticos para o resto da vida.)
Agora, nesta quarta-feira, dia 30 de setembro, uma reportagem de primeira página no New York Times me chama a atenção. É um estudo da Universidade de Michigan, encomendado – justiça seja feita – pela própria NFL, a National Football League.
O estudo mostra que a incidência de demência entre jogadores e ex-jogadores de futebol americano na faixa de 30 aos 49 anos é 19 vezes maior do que no resto da população. Foram estudados apenas jogadores e ex-jogadores que estiveram em atividade no mínimo por três temporadas.
Na faixa de 50 anos para cima, há cinco vezes mais incidência de “mal de Alzheimer” ou outros tipos de demência entre ex-jogadores de futebol americano, em relação ao resto da população. É normalmente a partir dos 50 anos que falta de memória e outros sinais de degeneração mental começam a aparecer na população em geral.
Os casos decorrem das seguidas concussões cerebrais experimentadas por jogadores de futebol americano.
Mas o que amedronta mesmo é saber, pelo New York Times, que todas as semanas ocorrem centenas de casos de concussão cerebral em alunos de colégios e faculdades, a maior parte dos quais não é diagnosticada ou tratada.
Estão na linha de montagem para futuras tragédias.
(Assistam também a meus comentários em vídeo aqui mesmo no site da ESPN Brasil.)
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