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- 13h27
- 15Apr
Em memória à tragédia
por ESPN.com.br com informações de EFE
Às 15h06 locais (11h06 de Brasília), momento exato em que o árbitro decidiu parar a partida, as pessoas presentes às arquibancadas do estádio de Anfield Road, do Liverpool, lembraram o fato com dois minutos de silêncio, seguido por 96 badaladas dos sinos das igrejas de Liverpool.
Padres leram cada um dos nomes dos 96 mortos, vítimas do excesso de público em um setor do estádio de Hillsborough, de propriedade do Sheffield Wednesday. Um coral também cantou a música "You'll never walk alone" ("Você nunca andará sozinho"), hino extra-oficial do clube. Uma vela foi acesa para cada um dos falecidos.
A homenagem ocorreu também nas cidades de Nottingham e Sheffield. Não houve nenhuma cerimônia formal no palco da tragédia, a pedido das famílias, mas o local onde morreram os 96 torcedores foi aberto de manhã para quem quisesse visitá-lo e expressar suas condolências.
Na parte de fora do estádio, onde foi construído um monumento às vítimas, centenas de ramos de flores, cachecóis e camisas esportivas foram deixados em lembrança dos desaparecidos, assim como na parte de fora e no gramado do estádio de Anfield.
Todo o elenco do Liverpool participou do ato poucas horas depois de a equipe ser eliminada nas quartas da Liga dos Campeões pelo Chelsea, após um épico empate em 4 a 4 no estádio de Stamford Bridge de Londres, casa do adversário. Um dos oradores da cerimônia foi Kenny Dalglish, treinador da equipe no dia da tragédia.
O bispo de Liverpool, James Jones, transmitiu ao público uma mensagem da rainha Elizabeth e afirmou que a tragédia "rompeu o coração, mas não o espírito" da cidade. "Porém, continua muito difícil para as famílias conviver com uma tragédia que parece ter ocorrido ontem. Não passa um dia sem que pensemos como poderia ter sido o amanhã dos desaparecidos, sem que sintamos a necessidade de que seja feita justiça em seu nome e no nosso", disse.
Há anos que associações de familiares das vítimas pedem uma punição adequada por uma tragédia cuja investigação foi encerrada sem uma punição adequada aos responsáveis de zelar pela segurança de um jogo considerado de risco máximo. A atuação da Polícia foi criticada por testemunhas e sobreviventes, que asseguram que os agentes demoraram demais a abrir o portão do setor onde centenas de torcedores eram esmagados por pensar que era uma briga entre hooligans, além de impedir a entrada de ambulâncias.
Parte dos torcedores presentes ao estádio de Anfield Road vaiou o ministro da Cultura, Andy Burnham, que representou o premiê britânico, Gordon Brown. Burnham lembrou que a tragédia mudou a história do futebol inglês e representou o fim de uma era de "mau tratamento" aos torcedores, contribuindo para que o esporte seja hoje um espetáculo "mais seguro".
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João Castelo Branco é correspondente dos canais ESPN na Europa, vive na Inglaterra desde os 10 anos de idade. "Tempo suficiente para esquecer o Flamengo e virar torcedor do Arsenal". É formado em Ciências Sociais e Desenvolvimento de Países do Terceiro Mundo. Em 2002 começou a colaborar com a ESPN Brasil como produtor, câmera e vídeorrepórter