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- 02h41
- 14Mar
Em atenção aos inúmeros comentários do post anterior, farei minhas observações. A primeira delas é a respeito da natureza dos comentários, que partiram para um rumo bastante negativo. Evidentemente tive que excluir uma série deles, pois o tom ofensivo e calunioso foi exagerado, para dizer o mínimo. Outros, apesar de críticos, foram mantidos pois acho importante que as opiniões sejam manifestadas, e para falar a verdade, vários chegam a ser engraçados. Apesar da quizumba, alguns comentários foram muito perspicazes, interessantes, impessoais e construtivos. Não citarei nomes, mas aqueles que os fizeram saberão que me dirijo a eles.
Vamos ao mérito. O primeiro ponto a ser tratado é a respeito da minha alegação sobre o relógio não funcionar direito. Sobre esse ponto, naquele mesmo dia o Diretor do torneio e organizador principal me falou que após a partida verificaram o relógio e, de fato, conforme a batida ele funcionava ou não. Essa constatação foi corroborada por escrito. Ponto. Já que tanto falam de minha formação jurídica, posso dizer que tenho provas documentais da organização do torneio, que produziu sua prova pericial imediatamente após o fato.
E se o relógio não funcionava, minha reclamação era totalmente justificada e a troca do relógio era a única solução possível, pois de acordo com o Apêndice das Leis do Xadrez, mesmo em uma partida de blitz aplicam-se regras de torneio no caso de haver um árbitro presente, naquilo que não contrariarem as regras específicas de blitz. O árbitro pode e deve trocar um relógio com problemas por um que funcione direito, caso solicitado. Ainda, com base no art. 6.10.a do Handbook, “the arbiter shall replace the clock and use his best judgment when determining the times to be shown on the replacement chess clocks”.
O segundo ponto é a declaração do André e o vídeo postados no site do Krikor. Curiosamente, esse vídeo mostra apenas a parte que lhe convém. Antes daquele momento o relógio já havia parado de funcionar e a partida já havia sido interrompida uma vez por este motivo. Duvido muito que o Andre tenha se esquecido disso quando escreveu sua carta. Este vídeo (no blog do Krikor) também não mostra como a partida continuou, não mostra que o árbitro ajustou o novo relógio e submeteu-o à apreciação de ambos, que concordaram com tais condições. E não mostra como a partida terminou: as brancas tinham vantagem de tempo, mas perderam por tempo, quando as pretas estavam dando xeque perpétuo.
Como pude ver, muita gente se interessou pelo assunto. Assim sendo, não terão dificuldades em encontrar um outro vídeo no YouTube, gravado de um celular, mas com quase seis minutos de duração. Este vídeo mostra a primeira interrupção por problemas no relógio. Ao perceber isso, em vários momentos eu precisava verificar se o problema persistia ou não. Mostra também que o André concordou com o ajuste feito pelo árbitro e mostra como a partida seguiu.
Meu erro no episódio foi instintivo: pegar o relógio na mão para solicitar sua substituição, no que contrariei o art. 6.7.c. Minha opção era baixar meus batimentos cardíacos, ficar mais calmo e desconsiderar o prejuízo já sofrido. Não me lembrei de fazer isso, mas nem por isso devo fazer qualquer retratação ou pedido de desculpas. Não devo nada a ninguém. Não sei se o árbitro podia interferir, pois no blitz a intervenção de um árbitro só é feita a partir de um pedido do jogador. Existem regras, e já que meu adversário pretendia jogar pelas regras e derrubar minha seta, ele bem podia também utilizar as mesmas regras e apresentar um recurso tempestivo. Não o fez porque não quis ou entendeu não caber.
Eu gosto do jogo de xadrez por vários motivos, mas um deles é de que numa partida não há espaço para meias-verdades. Ao ler a declaração do André fiquei decepcionado, pois ele procurou ocultar vários pontos acima: negou que eu tenha pedido para ele ajeitar as peças anteriormente (o que ocorreu bem antes e nem mesmo foi comentado em tom de crítica, mas apenas para mostrar que as peças não eram adequadas), deu a entender que aquele (o do video do blog do Krikor) havia sido o único momento de reclamação do relógio quando ele sabia não ser verdade. Isso para não comentar sobre sua insinuação ofensiva e de extremo mau gosto em seu msn.
É uma pena ele enveredar por esse rumo, fazendo falsas acusações, mesmo se baseando numa auto-justificativa de se sentir injustiçado. Em nenhum momento eu o ofendi, e procurei ser o mais objetivo possível, tendo inclusive reconhecido se tratar de uma “lose-lose situation”, onde não haveria desfecho justo possível, tendo eu tido a sorte de ter sido mais rápido no final. Aliás, até a publicação da tal carta aberta, o André não havia agido errado em nenhum momento, pois não era culpa dele o relógio não funcionar direito. Mas depois destas manifestações, se alguém precisa se desculpar e retratar aqui, esse alguém é o André, seu pai e todos os anônimos e não-anônimos que levantaram ofensas descabidas.
Como bem observou um internauta, não tenho motivos para agir de má-fé, coisa que nunca fiz, pois sei que para se construir uma reputação leva-se toda uma vida, mas para destruí-la, basta um erro. Isso não significa, no entanto, que não posso defender meu ponto de vista, ou lutar por meus direitos ou aquilo que entendo ser correto.
Em resumo, toda essa balbúrdia foi criada pelo fato de eu ter segurado o relógio, numa reação instintiva e sem dolo. O André podia ter reclamado ao árbitro ou a mim, mas não se manifestou. O jogador tem todo direito de parar o relógio e reclamar ao árbitro, como eu fiz. E o árbitro atende (no caso do relógio) ou não atende a reclamação (no caso de empate em blitz).
Agora acho que esse assunto já deu o que tinha que dar, e com o perdão, encheu a paciência, pois não estava nos meus planos gastar tanto tempo para ficar dando satisfações (que não devo) ao invés de falar sobre algo mais interessante, como as partidas da Katita em Catanduva, ou do nosso amigo Ivanchuk em Nice.
No mais, aproveito para transcrever abaixo a tal partida:
Diamant x Vescovi
Caxias do Sul (Armaggedon) 2010
1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 Cf6 4.d3 d6 5.c3 g6 6.0-0 Bg7 7.Cbd2 0-0 8.Te1 Bd7 9.Cf1 Ca5 10.Bxd7 Cxd7 11.d4 Cc6 12.d5 Ce7 13.c4 h6 14.b4 a5 15.bxa5 Txa5 16.Bd2 Ta3 17.Bb4 Ta6 18.Dc2 f5 19.C1d2 b6 20.a4 Cf6 21.a5 c5 22.dxc6 bxa5 23.c5 Txc6 24.Bxa5 Db8 25.Teb1 De8 26.Db3 Rh7 27.cxd6 Txd6 28.Bb4 Tb6 29.Ta7 Txb4 30.Dxb4 Cc6 (acho que foi após este lance que percebi pela primeira vez que o relógio das brancas parou de andar) 31.Txg7 Rxg7 32.Dc4 Cxe4 33.Tb7 Rh8 34.Cxe4 fxe4 35.Dxe4 De6 36.Dh4 h5 37.Dg5 Tf7 38.Txf7 Dxf7 39.Cxe5 Cxe5 40.Dxe5 Rh7 41.h3 Dd7 42.g3 Dxh3 43.De7 Rh6 44.Df8 Rh7 45.Df7 Rh6 46.Df4 Rg7 47.De5 Rf7 48.Dd6 De6 (a partir daqui foram muitos lá e cá de dama, etc) tempo 0-1
Vamos ao mérito. O primeiro ponto a ser tratado é a respeito da minha alegação sobre o relógio não funcionar direito. Sobre esse ponto, naquele mesmo dia o Diretor do torneio e organizador principal me falou que após a partida verificaram o relógio e, de fato, conforme a batida ele funcionava ou não. Essa constatação foi corroborada por escrito. Ponto. Já que tanto falam de minha formação jurídica, posso dizer que tenho provas documentais da organização do torneio, que produziu sua prova pericial imediatamente após o fato.
E se o relógio não funcionava, minha reclamação era totalmente justificada e a troca do relógio era a única solução possível, pois de acordo com o Apêndice das Leis do Xadrez, mesmo em uma partida de blitz aplicam-se regras de torneio no caso de haver um árbitro presente, naquilo que não contrariarem as regras específicas de blitz. O árbitro pode e deve trocar um relógio com problemas por um que funcione direito, caso solicitado. Ainda, com base no art. 6.10.a do Handbook, “the arbiter shall replace the clock and use his best judgment when determining the times to be shown on the replacement chess clocks”.
O segundo ponto é a declaração do André e o vídeo postados no site do Krikor. Curiosamente, esse vídeo mostra apenas a parte que lhe convém. Antes daquele momento o relógio já havia parado de funcionar e a partida já havia sido interrompida uma vez por este motivo. Duvido muito que o Andre tenha se esquecido disso quando escreveu sua carta. Este vídeo (no blog do Krikor) também não mostra como a partida continuou, não mostra que o árbitro ajustou o novo relógio e submeteu-o à apreciação de ambos, que concordaram com tais condições. E não mostra como a partida terminou: as brancas tinham vantagem de tempo, mas perderam por tempo, quando as pretas estavam dando xeque perpétuo.
Como pude ver, muita gente se interessou pelo assunto. Assim sendo, não terão dificuldades em encontrar um outro vídeo no YouTube, gravado de um celular, mas com quase seis minutos de duração. Este vídeo mostra a primeira interrupção por problemas no relógio. Ao perceber isso, em vários momentos eu precisava verificar se o problema persistia ou não. Mostra também que o André concordou com o ajuste feito pelo árbitro e mostra como a partida seguiu.
Meu erro no episódio foi instintivo: pegar o relógio na mão para solicitar sua substituição, no que contrariei o art. 6.7.c. Minha opção era baixar meus batimentos cardíacos, ficar mais calmo e desconsiderar o prejuízo já sofrido. Não me lembrei de fazer isso, mas nem por isso devo fazer qualquer retratação ou pedido de desculpas. Não devo nada a ninguém. Não sei se o árbitro podia interferir, pois no blitz a intervenção de um árbitro só é feita a partir de um pedido do jogador. Existem regras, e já que meu adversário pretendia jogar pelas regras e derrubar minha seta, ele bem podia também utilizar as mesmas regras e apresentar um recurso tempestivo. Não o fez porque não quis ou entendeu não caber.
Eu gosto do jogo de xadrez por vários motivos, mas um deles é de que numa partida não há espaço para meias-verdades. Ao ler a declaração do André fiquei decepcionado, pois ele procurou ocultar vários pontos acima: negou que eu tenha pedido para ele ajeitar as peças anteriormente (o que ocorreu bem antes e nem mesmo foi comentado em tom de crítica, mas apenas para mostrar que as peças não eram adequadas), deu a entender que aquele (o do video do blog do Krikor) havia sido o único momento de reclamação do relógio quando ele sabia não ser verdade. Isso para não comentar sobre sua insinuação ofensiva e de extremo mau gosto em seu msn.
É uma pena ele enveredar por esse rumo, fazendo falsas acusações, mesmo se baseando numa auto-justificativa de se sentir injustiçado. Em nenhum momento eu o ofendi, e procurei ser o mais objetivo possível, tendo inclusive reconhecido se tratar de uma “lose-lose situation”, onde não haveria desfecho justo possível, tendo eu tido a sorte de ter sido mais rápido no final. Aliás, até a publicação da tal carta aberta, o André não havia agido errado em nenhum momento, pois não era culpa dele o relógio não funcionar direito. Mas depois destas manifestações, se alguém precisa se desculpar e retratar aqui, esse alguém é o André, seu pai e todos os anônimos e não-anônimos que levantaram ofensas descabidas.
Como bem observou um internauta, não tenho motivos para agir de má-fé, coisa que nunca fiz, pois sei que para se construir uma reputação leva-se toda uma vida, mas para destruí-la, basta um erro. Isso não significa, no entanto, que não posso defender meu ponto de vista, ou lutar por meus direitos ou aquilo que entendo ser correto.
Em resumo, toda essa balbúrdia foi criada pelo fato de eu ter segurado o relógio, numa reação instintiva e sem dolo. O André podia ter reclamado ao árbitro ou a mim, mas não se manifestou. O jogador tem todo direito de parar o relógio e reclamar ao árbitro, como eu fiz. E o árbitro atende (no caso do relógio) ou não atende a reclamação (no caso de empate em blitz).
Agora acho que esse assunto já deu o que tinha que dar, e com o perdão, encheu a paciência, pois não estava nos meus planos gastar tanto tempo para ficar dando satisfações (que não devo) ao invés de falar sobre algo mais interessante, como as partidas da Katita em Catanduva, ou do nosso amigo Ivanchuk em Nice.
No mais, aproveito para transcrever abaixo a tal partida:
Diamant x Vescovi
Caxias do Sul (Armaggedon) 2010
1.e4 e5 2.Cf3 Cc6 3.Bb5 Cf6 4.d3 d6 5.c3 g6 6.0-0 Bg7 7.Cbd2 0-0 8.Te1 Bd7 9.Cf1 Ca5 10.Bxd7 Cxd7 11.d4 Cc6 12.d5 Ce7 13.c4 h6 14.b4 a5 15.bxa5 Txa5 16.Bd2 Ta3 17.Bb4 Ta6 18.Dc2 f5 19.C1d2 b6 20.a4 Cf6 21.a5 c5 22.dxc6 bxa5 23.c5 Txc6 24.Bxa5 Db8 25.Teb1 De8 26.Db3 Rh7 27.cxd6 Txd6 28.Bb4 Tb6 29.Ta7 Txb4 30.Dxb4 Cc6 (acho que foi após este lance que percebi pela primeira vez que o relógio das brancas parou de andar) 31.Txg7 Rxg7 32.Dc4 Cxe4 33.Tb7 Rh8 34.Cxe4 fxe4 35.Dxe4 De6 36.Dh4 h5 37.Dg5 Tf7 38.Txf7 Dxf7 39.Cxe5 Cxe5 40.Dxe5 Rh7 41.h3 Dd7 42.g3 Dxh3 43.De7 Rh6 44.Df8 Rh7 45.Df7 Rh6 46.Df4 Rg7 47.De5 Rf7 48.Dd6 De6 (a partir daqui foram muitos lá e cá de dama, etc) tempo 0-1
Neste final de semana, dias 06 e 07 de março, foi realizado um grande evento internacional na cidade da serra gaúcha de Caxias do Sul, em comemoração a sua tradicional Festa da Uva. Foi uma experiência interessante participar deste que sem dúvidas é o torneio mais atípico que já vi. Até agora ainda não sei bem que adjetivos atribuir ao torneio, já que se de um lado foi uma maratona exaustiva com 9 rodadas em apenas dois dias, por outro lado certamente foi uma grande diversão para o público e amadores, tendo em vista o formato da disputa.
A primeira peculiaridade foi a adoção de diferentes ritmos de jogo num mesmo torneio. É verdade que na Copa do Mundo temos tie-breaks de partidas rápidas, relâmpago e armaggedon. Mas na Copa do Mundo esses são ritmos de desempate, e quem conseguir pode rumar ao título apenas com partidas tradicionais. Mas na Festa da Uva a história é outra: joga-se duas rodadas com 16 minutos KO, depois mais duas rodadas com 30 minutos KO, e por fim as últimas 5 rodadas são jogadas com 1 hora KO.
Para quem acha que essa inovação é chocante, espere para ouvir a segunda peculiaridade: nas duas últimas rodadas empates não contam!!! Se a partida empatar no ritmo normal, joga-se um tie-break morte súbita estilo armaggedon – as pretas jogam com 5 minutos e as brancas com 6, mas a vantagem do empate é das pretas.
Há o lado bom e o lado ruim dessas novidades, embora seja muito difícil para um jogador mudar de ritmos e sistemas de disputa a cada torneio. O fato é que o pessoal da região aproveitou a oportunidade e compareceu em peso: foram 292 participantes, o que coloca este entre os principais torneios do calendário nacional (pena que é um evento bienal).
E esta foi com certeza a edição mais forte do evento, pois contou com a presença dos principais nomes do xadrez nacional – GMs Rafael Leitão (que defendia o título de 2008), Giovanni Vescovi, Gilberto Milos, Henrique Mecking, André Diamant, os Mis Krikor Mekhitarian, Herman Claudius, Everaldo Matsuura, etc – bem como fortes GMs e Mis estrangeiros (Ulf Andersson, Andrés Rodriguez, Sandro Mareco) e um dos jogadores mais admirados do mundo, o GM ucraniano Vasily Ivanchuk.
No final das contas Ivanchuk confirmou seu favoritismo, mas não sem sofrer muito, principalmente após sua derrota contra Gilberto Milos, que saiu aplaudido do salão de jogos pela façanha. Milos jogou um excelente torneio e merecia o título: derrotou os GMs Ivanchuk e Mequinho, empatou com Leitão e perdeu apenas para o GM argentino Diego Flores numa partida onde tinha uma vantagem gigantesca e se confundiu no apuro de tempo. O maior sufoco de Milos foi na terceira rodada contra o médico gaúcho Antonio Crespo, mas... dizem que a sorte acompanha os bons!
Milos,G (2606) - Ivanchuk,V (2748) [B85]
Festa Da Uva Caxias do Sul BRA (6), 06.03.2010
1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Be2 e6 7.0–0 Be7 8.f4 0–0 9.Rh1 Dc7 10.a4 Cc6 11.Be3 Te8 12.Bf3 Tb8 13.g4 Cd7 14.g5 b6 15.Bg2 Bb7 16.Dg4 Bf8 17.Tad1 Cb4 18.Td2 g6 19.Cde2 Tbc8 20.Tfd1 Cc5 21.Bg1 Bc6 22.b3 Db7 23.Df3 d5 24.exd5 Cxd5 25.Cxd5 Bxd5 26.Txd5 exd5 27.Cc3 d4 28.Dxb7 Cxb7 29.Bxd4 Cd6 30.Cd5 Bg7 31.Bxb6 Txc2 32.Ce3 Tc3 33.Txd6 Txb3 34.Bd5 Tb4 35.f5 Bf8 36.Tf6 Te7 37.fxg6 hxg6 38.Txg6+ Rh7 39.Tc6 Txb6 40.Txb6 Txe3 41.Bxf7 a5 42.Bb3 Tc3 43.Rg2 Bb4 44.Bd5 Te3 45.h4 Be1 46.h5 Tg3+ 47.Rf1 Txg5 48.Be4+ Rh8 49.Rxe1 Te5 50.Th6+ Rg7 51.Tg6+ Rf7 52.Tg4 1–0
Ivanchuk venceu mais pela simpatia e por ser um dos semi-deuses do Olimpo do xadrez do que realmente pelos lances no tabuleiro, o que mostra que nem mesmo para esses pesos-pesados é fácil atravessar o planeta e jogar com adversários diferentes. Talvez seja necessário levar em consideração a jogada duvidosa do ucraniano dias antes do torneio, ao adormecer tomando sol na piscina do hotel...
Outro brasileiro que ia bem era Rafael Leitão, que na última rodada jogava contra o argentino Sandro Mareco pelo título do torneio. Mas o destino não lhe sorriu e ele foi uma das vítimas do fatídico armaggedon. Provavelmente Rafael tenha sido o jogador mais firme do torneio, pois não ficou mal em nenhuma partida e não teve que contar com a sorte em nenhum momento.
Eu terminei o torneio invicto, mas acabei cedendo três empates no meio do torneio o que dificultou a luta por uma colocação melhor. No segundo dia meu xadrez foi melhor e joguei uma boa partida com o MI uruguaio Bernardo Roselli. Na última rodada errei na abertura mas me defendi bem contra Andre Diamant e tivemos que disputar um tumultuado desempate.
Armaggedon
No calor da disputa ninguém se deu ao trabalho de pedir à organização um jogo de peças mais pesado e um relógio digital e isso foi um problema que comprometeu a justiça do resultado. As peças escorregavam muito e em um par de ocasiões tive que pedir ao adversário que as ajeitasse. Mas o problema crucial foi relativo ao relógio: a certa altura o relógio das brancas (Diamant) parou de andar.
Reclamei ao árbitro, deu-se corda no relógio rapidamente (afinal era um relâmpago e meu adversário ganhava segundos preciosos para pensar na sua jogada seguinte) e a partida continuou. Instantes mais tarde, já num final empatado de dama e dois peões para cada lado, novamente o relógio de meu adversário deixa de correr. Indignado e sem outras opções, exigi a troca do relógio. Agora o protesto vinha de meu adversário: como trocar o relógio a essa altura, e ainda mais como saber exatamente quantos segundos restavam para cada lado? Já não se falava mais em xadrez, e era evidente que as brancas utilizariam o regulamente e jogariam a dama para lá e para cá até fazer a seta das pretas cair.
Trocado o relógio a partida continuou com as brancas tendo pouco mais de meio minuto e as pretas por volta de 15 segundos. Para confundir meu adversário resolvi entregar um peão, o que curiosamente acabou sendo bom, pois a dama branca ficou mal posicionada e as pretas passaram a dar xeque perpétuo. Mas isso pouco importava, afinal não se pode reclamar as regras de empate em relâmpago (embora a leitura do Apendice das Leis do Xadrez no Handbook da FIDE não seja clara). De todo modo, ganharia quem fosse mais rápido no gatilho, e por estar com o relógio à minha direita acabei sendo eu.
Essa tremenda confusão deixou ambos os jogadores com uma terrível sensação de injustiça: quanto tempo o relógio deixou de funcionar, quanto tempo a mais para refletir meu adversário teve nas duas interrupções, será que nenhum dos lados foi prejudicado ou favorecido na troca do relógio? São perguntas sem respostas. A tecnologia veio para ajudar, e nada disso teria acontecido com um bom relógio digital. Mas pelo menos o público se divertiu...
Classificação final:
1. Vasily Ivanchuk 8,0
2. Sandro Mareco 8,0
3. Gilberto Milos Jr. 7,5
4. Krikor Mekhitarian 7,5
5. Giovanni Vescovi 7,5
6. Rafael Leitão 7,0
7. Henrique Mecking 7,0
8. Diego Flores 7,0
9. Bernardo Roselli 7,0
10. Everaldo Matsuura 7,0
A primeira peculiaridade foi a adoção de diferentes ritmos de jogo num mesmo torneio. É verdade que na Copa do Mundo temos tie-breaks de partidas rápidas, relâmpago e armaggedon. Mas na Copa do Mundo esses são ritmos de desempate, e quem conseguir pode rumar ao título apenas com partidas tradicionais. Mas na Festa da Uva a história é outra: joga-se duas rodadas com 16 minutos KO, depois mais duas rodadas com 30 minutos KO, e por fim as últimas 5 rodadas são jogadas com 1 hora KO.
Para quem acha que essa inovação é chocante, espere para ouvir a segunda peculiaridade: nas duas últimas rodadas empates não contam!!! Se a partida empatar no ritmo normal, joga-se um tie-break morte súbita estilo armaggedon – as pretas jogam com 5 minutos e as brancas com 6, mas a vantagem do empate é das pretas.
Há o lado bom e o lado ruim dessas novidades, embora seja muito difícil para um jogador mudar de ritmos e sistemas de disputa a cada torneio. O fato é que o pessoal da região aproveitou a oportunidade e compareceu em peso: foram 292 participantes, o que coloca este entre os principais torneios do calendário nacional (pena que é um evento bienal).
E esta foi com certeza a edição mais forte do evento, pois contou com a presença dos principais nomes do xadrez nacional – GMs Rafael Leitão (que defendia o título de 2008), Giovanni Vescovi, Gilberto Milos, Henrique Mecking, André Diamant, os Mis Krikor Mekhitarian, Herman Claudius, Everaldo Matsuura, etc – bem como fortes GMs e Mis estrangeiros (Ulf Andersson, Andrés Rodriguez, Sandro Mareco) e um dos jogadores mais admirados do mundo, o GM ucraniano Vasily Ivanchuk.
No final das contas Ivanchuk confirmou seu favoritismo, mas não sem sofrer muito, principalmente após sua derrota contra Gilberto Milos, que saiu aplaudido do salão de jogos pela façanha. Milos jogou um excelente torneio e merecia o título: derrotou os GMs Ivanchuk e Mequinho, empatou com Leitão e perdeu apenas para o GM argentino Diego Flores numa partida onde tinha uma vantagem gigantesca e se confundiu no apuro de tempo. O maior sufoco de Milos foi na terceira rodada contra o médico gaúcho Antonio Crespo, mas... dizem que a sorte acompanha os bons!
Milos,G (2606) - Ivanchuk,V (2748) [B85]
Festa Da Uva Caxias do Sul BRA (6), 06.03.2010
1.e4 c5 2.Cf3 d6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 Cf6 5.Cc3 a6 6.Be2 e6 7.0–0 Be7 8.f4 0–0 9.Rh1 Dc7 10.a4 Cc6 11.Be3 Te8 12.Bf3 Tb8 13.g4 Cd7 14.g5 b6 15.Bg2 Bb7 16.Dg4 Bf8 17.Tad1 Cb4 18.Td2 g6 19.Cde2 Tbc8 20.Tfd1 Cc5 21.Bg1 Bc6 22.b3 Db7 23.Df3 d5 24.exd5 Cxd5 25.Cxd5 Bxd5 26.Txd5 exd5 27.Cc3 d4 28.Dxb7 Cxb7 29.Bxd4 Cd6 30.Cd5 Bg7 31.Bxb6 Txc2 32.Ce3 Tc3 33.Txd6 Txb3 34.Bd5 Tb4 35.f5 Bf8 36.Tf6 Te7 37.fxg6 hxg6 38.Txg6+ Rh7 39.Tc6 Txb6 40.Txb6 Txe3 41.Bxf7 a5 42.Bb3 Tc3 43.Rg2 Bb4 44.Bd5 Te3 45.h4 Be1 46.h5 Tg3+ 47.Rf1 Txg5 48.Be4+ Rh8 49.Rxe1 Te5 50.Th6+ Rg7 51.Tg6+ Rf7 52.Tg4 1–0
Milos derrota Ivanchuk
Crédito da imagem: Rodrigo Disconzi
Crédito da imagem: Rodrigo Disconzi
Ivanchuk venceu mais pela simpatia e por ser um dos semi-deuses do Olimpo do xadrez do que realmente pelos lances no tabuleiro, o que mostra que nem mesmo para esses pesos-pesados é fácil atravessar o planeta e jogar com adversários diferentes. Talvez seja necessário levar em consideração a jogada duvidosa do ucraniano dias antes do torneio, ao adormecer tomando sol na piscina do hotel...
Outro brasileiro que ia bem era Rafael Leitão, que na última rodada jogava contra o argentino Sandro Mareco pelo título do torneio. Mas o destino não lhe sorriu e ele foi uma das vítimas do fatídico armaggedon. Provavelmente Rafael tenha sido o jogador mais firme do torneio, pois não ficou mal em nenhuma partida e não teve que contar com a sorte em nenhum momento.
Eu terminei o torneio invicto, mas acabei cedendo três empates no meio do torneio o que dificultou a luta por uma colocação melhor. No segundo dia meu xadrez foi melhor e joguei uma boa partida com o MI uruguaio Bernardo Roselli. Na última rodada errei na abertura mas me defendi bem contra Andre Diamant e tivemos que disputar um tumultuado desempate.
Armaggedon
No calor da disputa ninguém se deu ao trabalho de pedir à organização um jogo de peças mais pesado e um relógio digital e isso foi um problema que comprometeu a justiça do resultado. As peças escorregavam muito e em um par de ocasiões tive que pedir ao adversário que as ajeitasse. Mas o problema crucial foi relativo ao relógio: a certa altura o relógio das brancas (Diamant) parou de andar.
Reclamei ao árbitro, deu-se corda no relógio rapidamente (afinal era um relâmpago e meu adversário ganhava segundos preciosos para pensar na sua jogada seguinte) e a partida continuou. Instantes mais tarde, já num final empatado de dama e dois peões para cada lado, novamente o relógio de meu adversário deixa de correr. Indignado e sem outras opções, exigi a troca do relógio. Agora o protesto vinha de meu adversário: como trocar o relógio a essa altura, e ainda mais como saber exatamente quantos segundos restavam para cada lado? Já não se falava mais em xadrez, e era evidente que as brancas utilizariam o regulamente e jogariam a dama para lá e para cá até fazer a seta das pretas cair.
Trocado o relógio a partida continuou com as brancas tendo pouco mais de meio minuto e as pretas por volta de 15 segundos. Para confundir meu adversário resolvi entregar um peão, o que curiosamente acabou sendo bom, pois a dama branca ficou mal posicionada e as pretas passaram a dar xeque perpétuo. Mas isso pouco importava, afinal não se pode reclamar as regras de empate em relâmpago (embora a leitura do Apendice das Leis do Xadrez no Handbook da FIDE não seja clara). De todo modo, ganharia quem fosse mais rápido no gatilho, e por estar com o relógio à minha direita acabei sendo eu.
Essa tremenda confusão deixou ambos os jogadores com uma terrível sensação de injustiça: quanto tempo o relógio deixou de funcionar, quanto tempo a mais para refletir meu adversário teve nas duas interrupções, será que nenhum dos lados foi prejudicado ou favorecido na troca do relógio? São perguntas sem respostas. A tecnologia veio para ajudar, e nada disso teria acontecido com um bom relógio digital. Mas pelo menos o público se divertiu...
Classificação final:
1. Vasily Ivanchuk 8,0
2. Sandro Mareco 8,0
3. Gilberto Milos Jr. 7,5
4. Krikor Mekhitarian 7,5
5. Giovanni Vescovi 7,5
6. Rafael Leitão 7,0
7. Henrique Mecking 7,0
8. Diego Flores 7,0
9. Bernardo Roselli 7,0
10. Everaldo Matsuura 7,0
Ivanchuk vence no Brasil
Crédito da imagem: Rodrigo Disconzi
Crédito da imagem: Rodrigo Disconzi
- 12h46
- 01Mar
A Federação Internacional de Xadrez – FIDE – divulgou hoje a nova lista de rating. A publicação não trouxe boas novas para o xadrez brasileiro, com quedas significativas de dois de seus principais GMs: eu perdi 31 pontos, e Alexandr Fier perdeu mais 20 pontos. Rafael Leitão manteve-se estável, mas deve estar descontente, já que um de seus torneios de 2009 ainda não foi computado, o que lhe garantiria por volta de 7 pontos a mais.
Aparentemente a melhor notícia foi a conquista de Felipe El Debs, que conseguiu alcançar 2500 de rating e deverá ter seu título de Grande Mestre Internacional (GM) outorgado no próximo Congresso da FIDE, a ser realizado juntamente com a Olimpíada em Outubro, na Rússia.
No ranking mundial, nenhuma grande alteração, merecendo destaque a ascensão de Grischuk, Mamedyarov, Nakamura, Vachier-Lagrave e do vietnamita Le Quang Liem (2689). Outro fato marcante é a quantidade de jogadores acima de 2700: 37.
Na América Latina, a liderança continua firme com o cubano Lenier Dominguez (2713), seguido pelo peruano Julio Granda (2643), do cubano Lazaro Bruzon (2640). No ranking latino caí para quarto lugar,
Top 10 Brasil
1. Giovanni Vescovi 2629
2. Rafael Leitão 2619
3. Gilberto Milos 2606
4. Alexandr Fier 2581
5. Henrique Mecking 2548
6. Felipe El Debs 2500
7. Krikor Mekhitarian 2490
8. Carlos Martinez 2490
9. Andre Diamant 2486
10. Darcy Lima 2486
Top 10 Mundo
1. Magnus Carlsen (NOR) 2813
2. Veselin Topalov (BUL) 2805
3. Vladimir Kramnik (RUS) 2790
4. Vishy Anand (IND) 2787
5. Levon Aronian (ARM) 2782
6. Sharkhyar Mamedyarov (AZE) 2760
7. Alexander Grischuk (RUS) 2756
8. Peter Svidler (RUS) 2750
9. Boris Gelfand (ISR) 2750
10. Wang Yue (CHN) 2749
Aparentemente a melhor notícia foi a conquista de Felipe El Debs, que conseguiu alcançar 2500 de rating e deverá ter seu título de Grande Mestre Internacional (GM) outorgado no próximo Congresso da FIDE, a ser realizado juntamente com a Olimpíada em Outubro, na Rússia.
Felipe El Debs chega aos 2500
Crédito da imagem: FPX
Crédito da imagem: FPX
No ranking mundial, nenhuma grande alteração, merecendo destaque a ascensão de Grischuk, Mamedyarov, Nakamura, Vachier-Lagrave e do vietnamita Le Quang Liem (2689). Outro fato marcante é a quantidade de jogadores acima de 2700: 37.
Na América Latina, a liderança continua firme com o cubano Lenier Dominguez (2713), seguido pelo peruano Julio Granda (2643), do cubano Lazaro Bruzon (2640). No ranking latino caí para quarto lugar,
Top 10 Brasil
1. Giovanni Vescovi 2629
2. Rafael Leitão 2619
3. Gilberto Milos 2606
4. Alexandr Fier 2581
5. Henrique Mecking 2548
6. Felipe El Debs 2500
7. Krikor Mekhitarian 2490
8. Carlos Martinez 2490
9. Andre Diamant 2486
10. Darcy Lima 2486
Top 10 Mundo
1. Magnus Carlsen (NOR) 2813
2. Veselin Topalov (BUL) 2805
3. Vladimir Kramnik (RUS) 2790
4. Vishy Anand (IND) 2787
5. Levon Aronian (ARM) 2782
6. Sharkhyar Mamedyarov (AZE) 2760
7. Alexander Grischuk (RUS) 2756
8. Peter Svidler (RUS) 2750
9. Boris Gelfand (ISR) 2750
10. Wang Yue (CHN) 2749
Magnus Carlsen segue como o mais jovem n.1 da história
Crédito da imagem: Chessbase
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- 10h58
- 24Feb
Após três semanas num freezer a céu aberto, aproveitei os primeiros dias desde minha volta ao Brasil para ficar com a família, rever amigos, curtir um pouco o calor, tomar uma cerveja gelada, etc – enfim, descansar um pouco, já que ninguém é de ferro. Assim sendo, deixo aqui um mea culpa pelo atraso na atualização do blog.
Jogar em Moscou é sempre interessante, apesar do frio. Acho que a última vez que joguei por lá foi em 2004 após a vitória no Torneio de Bermudas. Este ano estava bem mais frio, muito em razão do vento gelado. O problema nunca é a temperatura que o termômetro marca (entre -10C e -20C), mas a sensação, já que às vezes ela pode cair para -30C. Eu não tinha como deixar de lembrar que o freezer de casa é mais quente...
No post anterior eu fiz uma avaliação sobre a participação no Moscow Open, e agora farei sobre o Aeroflot Open, que a meu ver é o torneio aberto mais forte do mundo, já que no grupo A1 o rating mínimo é de 2550 (salvo algumas exceções autorizadas pela organização).
Na primeira rodada implementei a novidade utilizada em Aronian-Gelfand e Akopian-Harikrishna, ambas jogadas no fatídico Mundial por Equipes em janeiro na Turquia. Meu adversário, o GM Pavel Maletin estava preparado e jogou corretamente Tad8. Seu erro foi evidentemente Cg4, permitindo que as brancas tomassem a iniciativa. Salvo algumas leves imprecisões, joguei bem, conseguindo impedir que o rei preto voltasse a g8 no final de dama e cavalo.
Contra Khalifman pela segunda rodada resolvi arriscar uma defesa mais agressiva, mas meu adversário jogou o sistema com g3 contra a Defesa Grunfeld e se viu forçado a repetir lances para não cair em desvantagem posicional. Empate. Na terceira rodada joguei contra o jovem Sanan Sjugirov, finalista do campeonato russo de 2009. No tabuleiro busquei uma ideia nova com Cb5 rápido, mas ele se defendeu com precisão e após ...Cd6 com ideia de ...Cf5 as pretas igualaram totalmente.
A partida contra Khairullin foi boa. Logo na abertura sacrifiquei um peão intuitivamente com o avanço ...c5. Meu adversário ofereceu o empate após Txc1, numa posição equilibrada, mas cheia de possibilidades. Eu recusei, mas me empolguei com o avanço ... c4 – era melhor simplesmente desenvolver mais peças. Depois gastei muito tempo para avaliar uma troca de duas peças por torre e peão. Uma decisão correta, embora o computador não entenda. Meu adversário não soube jogar da melhor forma e aos poucos melhorei minha posição. O erro foi no lance 38, quando eu devia ter jogado primeiramente ...a6 e após b5 deixar meu peão em a5. Na partida a vantagem não era suficiente para ganhar.
Na quinta rodada escolhi muito mal a abertura contra a India do Rei com ...c5. Tanto que pelo menos me preparei melhor e derrotei McShane três rodadas mais tarde. Podia ter recusado a proposta de empate feita por meu adversário, mas objetivamente eu deveria contar com muitos erros para ter esperança de algo. Há uma partida antiga de Kasparov (com pretas), acho que contra Tukmakov, que também empatou por volta do lance 20 na mesma linha inócua.
Na sexta rodada a partida contra Romanov foi a mais interessante de meu torneio. Para variar, não conhecia a abertura, e gastei muito tempo para elaborar a manobra de Ta7, e depois para descobrir que não conseguiria agir na ala da dama e me decidir pelo plano de Ce8-d6. Com pouco tempo no relógio para o primeiro controle no lance 40 eu precisava tomar todo o cuidado. Meu adversário é um jogador agressivo e veio com um plano que eu nem imaginei com f4, e g4. A situação parecia crítica mas encontrei uma boa defesa e após o apuro meu adversário ofereceu empate após o lance ...Bd2 das pretas. Objetivamente é empate, mas às vezes o lado defensor se descontrola e foi esse o caso. O final de torres foi instrutivo. Durante a partida eu sentia que ele deveria ficar com uma defesa passiva, mas ele tentou forçar os acontecimentos com Th8, e então eu calculei melhor (Rg3 e Tg4+).
Com +2 eu estava a meio ponto dos líderes e jogava de brancas com Savchenko. Na base vi que ele quase nunca jogava Semi-Eslava e então resolvi tentar aplicar meus estudos sobre a partida Anand-Leko. No entanto, meu adversário jogou com Bf8, o que era assunto não estudado por mim. Ele não devia estar preparado, pois gastara muito tempo (eu tinha 1 hora de vantagem no relógio). Mas não joguei o óbvio a4 ao invés de e5 e esse detalhe faz toda a diferença. O problema dessas posições agressivas é que você não pode se basear em conceitos técnicos. Fiquei muito chateado em desperdiçar esta oportunidade.
No dia seguinte tive uma partida fácil contra McShane. Ele tentou me surpreender com um lance antigo, mas forcei uma estrutura Maroczy, o que não combina com o estilo agressivo e criativo do inglês. Ele não se segurou e fez um plano estrategicamente comprometedor com ...f5. O momento mais trabalhoso foi no lance 40, quando eu precisava decidir entre um final de torres com peão a mais e com a torre apoiando por trás, ou ficar com uma peça a mais. Tecnicamente acho que minha decisão foi a mais correta.
Na última rodada eu joguei de pretas contra o chinês Zhou Jianchao, que havia derrotado Kamsky e que havia feito uma bela novidade teórica com sacrifício de dama numa Eslava Botvinnik na segunda rodada. O empate não seria ruim, pois ficaria entre os 10 ou 15 primeiros, e uma vitória seria sensacional, pois ficaria empatado na terceira posição. Resolvi jogar algo sólido e deixar meu adversário se expor. Mas ele jogou muito bem e explorou minha falta de paciência quando joguei ...c5. Eu ainda tinha algumas esperanças no final após o apuro, mas ele calculou bem e destruiu minha fortaleza. Como meu desempate era um dos piores (partidas jogadas de pretas!), fiquei atrás de jogadores que na maior parte do torneio ficaram abaixo do 50%.
De um modo geral acho que foi um resultado mediano e que poderia ter sido melhor. Tecnicamente joguei melhor que nos torneios anteriores, mas ainda tive dificuldades nas aberturas, dessa vez principalmente de brancas. Também foi bom para desenferrujar um pouco mais após o longo período fora do circuito de grandes torneios internacionais. Espero estar em forma até o meio do ano.
O World Blitz Qualifier
No dia 18 foi realizado um super torneio aberto de blitz, sistema 3 minutos mais 2 segundos de acréscimo. Terminei junto com Sargissian, Smirin e Naiditsch, mas não fui bem, apesar de ter tido algumas oportunidades. Perdi duas partidas contra Andreikin com qualidade a mais em ambas na sétima rodada, o que me desanimou, pois ainda tinha chances de lutar por uma das seis vagas. A verdade é que esse torneio era muito forte, pois além dos participantes do grupo A1 do Aeroflot entraram outros “capivaras” como Mamedyarov, Elyanov, Karjakin, Bologan, Tkachiev etc.
Jogar em Moscou é sempre interessante, apesar do frio. Acho que a última vez que joguei por lá foi em 2004 após a vitória no Torneio de Bermudas. Este ano estava bem mais frio, muito em razão do vento gelado. O problema nunca é a temperatura que o termômetro marca (entre -10C e -20C), mas a sensação, já que às vezes ela pode cair para -30C. Eu não tinha como deixar de lembrar que o freezer de casa é mais quente...
No post anterior eu fiz uma avaliação sobre a participação no Moscow Open, e agora farei sobre o Aeroflot Open, que a meu ver é o torneio aberto mais forte do mundo, já que no grupo A1 o rating mínimo é de 2550 (salvo algumas exceções autorizadas pela organização).
Na primeira rodada implementei a novidade utilizada em Aronian-Gelfand e Akopian-Harikrishna, ambas jogadas no fatídico Mundial por Equipes em janeiro na Turquia. Meu adversário, o GM Pavel Maletin estava preparado e jogou corretamente Tad8. Seu erro foi evidentemente Cg4, permitindo que as brancas tomassem a iniciativa. Salvo algumas leves imprecisões, joguei bem, conseguindo impedir que o rei preto voltasse a g8 no final de dama e cavalo.
Contra Khalifman pela segunda rodada resolvi arriscar uma defesa mais agressiva, mas meu adversário jogou o sistema com g3 contra a Defesa Grunfeld e se viu forçado a repetir lances para não cair em desvantagem posicional. Empate. Na terceira rodada joguei contra o jovem Sanan Sjugirov, finalista do campeonato russo de 2009. No tabuleiro busquei uma ideia nova com Cb5 rápido, mas ele se defendeu com precisão e após ...Cd6 com ideia de ...Cf5 as pretas igualaram totalmente.
A partida contra Khairullin foi boa. Logo na abertura sacrifiquei um peão intuitivamente com o avanço ...c5. Meu adversário ofereceu o empate após Txc1, numa posição equilibrada, mas cheia de possibilidades. Eu recusei, mas me empolguei com o avanço ... c4 – era melhor simplesmente desenvolver mais peças. Depois gastei muito tempo para avaliar uma troca de duas peças por torre e peão. Uma decisão correta, embora o computador não entenda. Meu adversário não soube jogar da melhor forma e aos poucos melhorei minha posição. O erro foi no lance 38, quando eu devia ter jogado primeiramente ...a6 e após b5 deixar meu peão em a5. Na partida a vantagem não era suficiente para ganhar.
Na quinta rodada escolhi muito mal a abertura contra a India do Rei com ...c5. Tanto que pelo menos me preparei melhor e derrotei McShane três rodadas mais tarde. Podia ter recusado a proposta de empate feita por meu adversário, mas objetivamente eu deveria contar com muitos erros para ter esperança de algo. Há uma partida antiga de Kasparov (com pretas), acho que contra Tukmakov, que também empatou por volta do lance 20 na mesma linha inócua.
Na sexta rodada a partida contra Romanov foi a mais interessante de meu torneio. Para variar, não conhecia a abertura, e gastei muito tempo para elaborar a manobra de Ta7, e depois para descobrir que não conseguiria agir na ala da dama e me decidir pelo plano de Ce8-d6. Com pouco tempo no relógio para o primeiro controle no lance 40 eu precisava tomar todo o cuidado. Meu adversário é um jogador agressivo e veio com um plano que eu nem imaginei com f4, e g4. A situação parecia crítica mas encontrei uma boa defesa e após o apuro meu adversário ofereceu empate após o lance ...Bd2 das pretas. Objetivamente é empate, mas às vezes o lado defensor se descontrola e foi esse o caso. O final de torres foi instrutivo. Durante a partida eu sentia que ele deveria ficar com uma defesa passiva, mas ele tentou forçar os acontecimentos com Th8, e então eu calculei melhor (Rg3 e Tg4+).
Com +2 eu estava a meio ponto dos líderes e jogava de brancas com Savchenko. Na base vi que ele quase nunca jogava Semi-Eslava e então resolvi tentar aplicar meus estudos sobre a partida Anand-Leko. No entanto, meu adversário jogou com Bf8, o que era assunto não estudado por mim. Ele não devia estar preparado, pois gastara muito tempo (eu tinha 1 hora de vantagem no relógio). Mas não joguei o óbvio a4 ao invés de e5 e esse detalhe faz toda a diferença. O problema dessas posições agressivas é que você não pode se basear em conceitos técnicos. Fiquei muito chateado em desperdiçar esta oportunidade.
No dia seguinte tive uma partida fácil contra McShane. Ele tentou me surpreender com um lance antigo, mas forcei uma estrutura Maroczy, o que não combina com o estilo agressivo e criativo do inglês. Ele não se segurou e fez um plano estrategicamente comprometedor com ...f5. O momento mais trabalhoso foi no lance 40, quando eu precisava decidir entre um final de torres com peão a mais e com a torre apoiando por trás, ou ficar com uma peça a mais. Tecnicamente acho que minha decisão foi a mais correta.
Na última rodada eu joguei de pretas contra o chinês Zhou Jianchao, que havia derrotado Kamsky e que havia feito uma bela novidade teórica com sacrifício de dama numa Eslava Botvinnik na segunda rodada. O empate não seria ruim, pois ficaria entre os 10 ou 15 primeiros, e uma vitória seria sensacional, pois ficaria empatado na terceira posição. Resolvi jogar algo sólido e deixar meu adversário se expor. Mas ele jogou muito bem e explorou minha falta de paciência quando joguei ...c5. Eu ainda tinha algumas esperanças no final após o apuro, mas ele calculou bem e destruiu minha fortaleza. Como meu desempate era um dos piores (partidas jogadas de pretas!), fiquei atrás de jogadores que na maior parte do torneio ficaram abaixo do 50%.
De um modo geral acho que foi um resultado mediano e que poderia ter sido melhor. Tecnicamente joguei melhor que nos torneios anteriores, mas ainda tive dificuldades nas aberturas, dessa vez principalmente de brancas. Também foi bom para desenferrujar um pouco mais após o longo período fora do circuito de grandes torneios internacionais. Espero estar em forma até o meio do ano.
Ex-campeão mundial Boris Spassky visitou o torneio
Crédito da imagem: Russian Chess Federation
Crédito da imagem: Russian Chess Federation
O World Blitz Qualifier
No dia 18 foi realizado um super torneio aberto de blitz, sistema 3 minutos mais 2 segundos de acréscimo. Terminei junto com Sargissian, Smirin e Naiditsch, mas não fui bem, apesar de ter tido algumas oportunidades. Perdi duas partidas contra Andreikin com qualidade a mais em ambas na sétima rodada, o que me desanimou, pois ainda tinha chances de lutar por uma das seis vagas. A verdade é que esse torneio era muito forte, pois além dos participantes do grupo A1 do Aeroflot entraram outros “capivaras” como Mamedyarov, Elyanov, Karjakin, Bologan, Tkachiev etc.
- 17h10
- 07Feb
Hoje foi jogada a nona e última rodada do Aberto de Moscou, e a grande surpresa foi a vitória de Konstantin Chernyshov (2556) – um GM relativamente desconhecido – graças ao melhor sistema de desempate. Quatro jogadores dividiram a primeira colocação com 7 pontos em 9: Chernyshov, Bareev, Le Quang Liem e Inarkiev. Curiosamente o sistema de desempate foi o número de vitórias ao invés dos costumeiros Bucholz ou Escore progressivo. Se por um lado é interessante, pois favorece aquele jogador que arriscou mais, por outro lado permite algumas distorções como essa, afinal a performance do campeão foi 100 pontos inferior a dos outros jogadores que fizeram a mesma pontuação.
Com vitórias nas três últimas rodadas terminei com 6 pontos, o que não foi o suficiente para manter o rating, mas o mais importante foi ter jogado boas partidas e agora estar um pouco mais aquecido para o Aeroflot Open, que começa depois de amanhã. Nestas últimas partidas controlei melhor o tempo (que era de 1h30 KO com acréscimo), e calculei relativamente bem nas posições complexas. Uma partida interessante foi a vitória contra o GM Igor Naumkin, pela oitava rodada.
Algumas pessoas já se adiantaram e postaram comentários positivos sobre a partida, então aproveito e deixo-a abaixo.
Naumkin – Vescovi
Moscou, 06.02.2010
1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3 b6 4.g3 Bb7 5.Bg2 Be7 6.Cc3 Ce4 7.Bd2 Bf6 8.0-0 0-0 9.Tc1 c5 10.d5 exd5 11.cxd5 Cxd2 12.Cxd2 d6 13.Cde4 Be5 14.Dd2 Ba6 15.f4 Bd4 16.Rh1 De7 17.Tfe1 g6 18.e3 Bg7 19.g4 Cd7 20.g5 h6 21.h4 b5 22.a3 Tac8 23.Bf3 Cb6 24.b3 Bb7 25.gxh6 Bxh6 26.Cg5 Tfe8 27.e4 b4 28.axb4 c4! 29.bxc4 Txc4 30.e5 dxe5! 31.Txe5 Dxe5! 32.fxe5 Txh4 33.Rg1 Txe5 34.Df2 Txg5 35.Rf1 Tf4 36.Ce2 Ba6 37.Re1 Bxe2 38.Rxe2 Te5 39.Rd1 Txd5 40.Re1 Txf3 e as brancas abandonaram – a dama não resiste contra torre, duas peças e dois peões pretos.
Com vitórias nas três últimas rodadas terminei com 6 pontos, o que não foi o suficiente para manter o rating, mas o mais importante foi ter jogado boas partidas e agora estar um pouco mais aquecido para o Aeroflot Open, que começa depois de amanhã. Nestas últimas partidas controlei melhor o tempo (que era de 1h30 KO com acréscimo), e calculei relativamente bem nas posições complexas. Uma partida interessante foi a vitória contra o GM Igor Naumkin, pela oitava rodada.
G Vescovi em Moscou
Crédito da imagem: Giovanni Vescovi
Crédito da imagem: Giovanni Vescovi
Algumas pessoas já se adiantaram e postaram comentários positivos sobre a partida, então aproveito e deixo-a abaixo.
Naumkin – Vescovi
Moscou, 06.02.2010
1.d4 Cf6 2.c4 e6 3.Cf3 b6 4.g3 Bb7 5.Bg2 Be7 6.Cc3 Ce4 7.Bd2 Bf6 8.0-0 0-0 9.Tc1 c5 10.d5 exd5 11.cxd5 Cxd2 12.Cxd2 d6 13.Cde4 Be5 14.Dd2 Ba6 15.f4 Bd4 16.Rh1 De7 17.Tfe1 g6 18.e3 Bg7 19.g4 Cd7 20.g5 h6 21.h4 b5 22.a3 Tac8 23.Bf3 Cb6 24.b3 Bb7 25.gxh6 Bxh6 26.Cg5 Tfe8 27.e4 b4 28.axb4 c4! 29.bxc4 Txc4 30.e5 dxe5! 31.Txe5 Dxe5! 32.fxe5 Txh4 33.Rg1 Txe5 34.Df2 Txg5 35.Rf1 Tf4 36.Ce2 Ba6 37.Re1 Bxe2 38.Rxe2 Te5 39.Rd1 Txd5 40.Re1 Txf3 e as brancas abandonaram – a dama não resiste contra torre, duas peças e dois peões pretos.
- 18h06
- 04Feb
Em andamento o Festival de Xadrez Moscow Open, que como o nome diz, está sendo disputado na capital russa. Hoje foi disputada a sexta rodada, e os líderes são os russos Dmitry Andreikin, Evgeny Bareev, Igor Kurnosov, o indiano Krishnan Sasikiran e o vietnamita Le Quang Liem, com cinco pontos.
Diferentemente do Aeroflot Open, que se inicia logo após o término do Moscow Open, neste torneio não há rating mínimo para participar no torneio A, e por isso temos mais de 150 participantes. Poucos estrangeiros resolveram encarar o frio, a distância e a escola russa, mas há alguns representantes latinos. Além de mim, o GM venezuelano Iturrizaga e o colombiano Jorge Guerrero defendem nosso continente.
Minha participação até o momento está fraca, principalmente em razão da derrota na quinta rodada contra Mikhail Krylov. No apuro de tempo ambos os jogadores cometeram erros e ao invés de jogar 59.Dxc6 ganhando (após uma sequencia precisa) eu optei por 59.Dxd8 que garantia o empate. Garantiria normalmente, mas ao invés de 61.Bh4 eu dei um xeque precipitado com 61.Dh5+ e ao trocar as damas as pretas já passaram a ter boas chances de vitória, como de fato ocorreu por volta do lance 100.
Nas outras partidas tive uma boa vitória na primeira rodada e quatro empates. De pretas o primeiro objetivo, que era corrigir as falhas de abertura (nem convém lembrar o desastre ocorrido em janeiro na Turquia), foi alcançado. De brancas o empate na terceira rodada deixou um gosto ruim, pois não reagi da melhor forma contra a novidade de meu adversário e permiti que ele igualasse com a combinação 13...Cxe4. Nas minhas análises eu havia previsto apenas 14.Dxe4 Bxg5 15.Dxc6 com bom jogo, mas não vi o xeque intermediário 14...Db5+, sendo então forçado a aceitar a igualdade completa após 14.Dxc6 Dd5.
Aproveitando este post, não pude deixar de notar a quantidade de comentários que a partida com Radjabov causou. Agradeço a todos, inclusive aqueles que colocaram a lenha na fogueira, mas principalmente aqueles que realmente torcem pelos brasileiros e saíram em minha defesa. De fato, não é segredo minha má forma e despreparo nas aberturas – embora não comprometa tanto os resultados no Brasil e na América Latina – e essa falha ficou latente quando enfrentei um pessoal acima dos 2700. Já era de se esperar algum tipo de problema, afinal foram três anos sem um estudo sério, mas confesso que fiquei aliviado quando o martírio terminou. É a Lei de Murphy...
Evgeny Bareev
Crédito da imagem: Chessbase
Crédito da imagem: Chessbase
Diferentemente do Aeroflot Open, que se inicia logo após o término do Moscow Open, neste torneio não há rating mínimo para participar no torneio A, e por isso temos mais de 150 participantes. Poucos estrangeiros resolveram encarar o frio, a distância e a escola russa, mas há alguns representantes latinos. Além de mim, o GM venezuelano Iturrizaga e o colombiano Jorge Guerrero defendem nosso continente.
Minha participação até o momento está fraca, principalmente em razão da derrota na quinta rodada contra Mikhail Krylov. No apuro de tempo ambos os jogadores cometeram erros e ao invés de jogar 59.Dxc6 ganhando (após uma sequencia precisa) eu optei por 59.Dxd8 que garantia o empate. Garantiria normalmente, mas ao invés de 61.Bh4 eu dei um xeque precipitado com 61.Dh5+ e ao trocar as damas as pretas já passaram a ter boas chances de vitória, como de fato ocorreu por volta do lance 100.
Nas outras partidas tive uma boa vitória na primeira rodada e quatro empates. De pretas o primeiro objetivo, que era corrigir as falhas de abertura (nem convém lembrar o desastre ocorrido em janeiro na Turquia), foi alcançado. De brancas o empate na terceira rodada deixou um gosto ruim, pois não reagi da melhor forma contra a novidade de meu adversário e permiti que ele igualasse com a combinação 13...Cxe4. Nas minhas análises eu havia previsto apenas 14.Dxe4 Bxg5 15.Dxc6 com bom jogo, mas não vi o xeque intermediário 14...Db5+, sendo então forçado a aceitar a igualdade completa após 14.Dxc6 Dd5.
Aproveitando este post, não pude deixar de notar a quantidade de comentários que a partida com Radjabov causou. Agradeço a todos, inclusive aqueles que colocaram a lenha na fogueira, mas principalmente aqueles que realmente torcem pelos brasileiros e saíram em minha defesa. De fato, não é segredo minha má forma e despreparo nas aberturas – embora não comprometa tanto os resultados no Brasil e na América Latina – e essa falha ficou latente quando enfrentei um pessoal acima dos 2700. Já era de se esperar algum tipo de problema, afinal foram três anos sem um estudo sério, mas confesso que fiquei aliviado quando o martírio terminou. É a Lei de Murphy...
O torneio internacional de Campinas foi realizado de 16 a 22 de janeiro e contou com a presença de 14 convidados, alcançando a categoria VIII da FIDE, com rating médio de 2445. O torneio, realizado em memória de Vanderley Cason Melo – também conhecido como “Canarinho” – foi uma iniciativa do eminente médico dr. Gilberto de Nucci e já se solidifica como um dos principais torneios do calendário brasileiro.
Nesta segunda edição do evento a vitória ficou com o GM Alexandr Fier ao somar 9 pontos em 13 possíveis. A derrota para Marcus Vinicius Santos, o “Ovelha”, permitiu que outros jogadores dividissem o título: os Mestres Internacionais Everaldo Matsuura e Felipe El Debs também somaram 9 pontos e conquistaram normas de GM. Outro participante a conquistar a norma de GM foi o argentino Sandro Mareco.
O campeão do ano passado, o GM Rafael Leitão, não repetiu a boa atuação e cedeu muitos empates, terminando invicto, mas somando apenas 8,5 pontos. Com relação aos combates, uma partida importante foi Leitão-Fier, de grande valor teórico. Nesta variante da Defesa Grunfeld as brancas sacrificam uma torre, mas a avaliação anterior de que o ataque não rende mais que o empate não ficou alterada, apesar das tentativas de Rafael.
Classificação Final
1. Alexandr Fier (BRA) 9
2. Felipe El Debs (BRA) 9
3. Everaldo Matsuura (BRA) 9
4. Sandro Mareco (ARG) 8,5
5. Rafael Leitão (BRA) 8,5
6. Osvaldo Zambrana (BOL) 8,5
7. Krikor Mekhitarian (BRA) 7,5
8. Horacio Daher (ESP) 7
9. Diego Flores (ARG) 7
10. Andres Rodriguez (URU) 6
11. Dragan Stamenkovic (SRB) 4,5
12. Marcus Vinicius Santos (BRA) 3,5
13. Ricardo Name (BRA) 2
14. Gilberto de Nucci (BRA) 1
GM Alexandr Fier
Crédito da imagem: Chessbase
Crédito da imagem: Chessbase
Nesta segunda edição do evento a vitória ficou com o GM Alexandr Fier ao somar 9 pontos em 13 possíveis. A derrota para Marcus Vinicius Santos, o “Ovelha”, permitiu que outros jogadores dividissem o título: os Mestres Internacionais Everaldo Matsuura e Felipe El Debs também somaram 9 pontos e conquistaram normas de GM. Outro participante a conquistar a norma de GM foi o argentino Sandro Mareco.
MI Everaldo Matsuura
Felipe El Debs
O campeão do ano passado, o GM Rafael Leitão, não repetiu a boa atuação e cedeu muitos empates, terminando invicto, mas somando apenas 8,5 pontos. Com relação aos combates, uma partida importante foi Leitão-Fier, de grande valor teórico. Nesta variante da Defesa Grunfeld as brancas sacrificam uma torre, mas a avaliação anterior de que o ataque não rende mais que o empate não ficou alterada, apesar das tentativas de Rafael.
Classificação Final
1. Alexandr Fier (BRA) 9
2. Felipe El Debs (BRA) 9
3. Everaldo Matsuura (BRA) 9
4. Sandro Mareco (ARG) 8,5
5. Rafael Leitão (BRA) 8,5
6. Osvaldo Zambrana (BOL) 8,5
7. Krikor Mekhitarian (BRA) 7,5
8. Horacio Daher (ESP) 7
9. Diego Flores (ARG) 7
10. Andres Rodriguez (URU) 6
11. Dragan Stamenkovic (SRB) 4,5
12. Marcus Vinicius Santos (BRA) 3,5
13. Ricardo Name (BRA) 2
14. Gilberto de Nucci (BRA) 1
- 21h39
- 11Jan
Hoje joguei uma partida como não jogava há muito tempo, cheia de ideias, sacrifícios, ataque e defesa. Ao me preparar pela manhã, vi que meu adversário, o GM Teimour Radjabov (2733) joga invariavelmente a Defesa India do Rei, o que me dava a certeza de que teríamos uma partida interessante.
Vale a pena reproduzir os lances:
Brancas: GM Giovanni Vescovi
Pretas: GM Teimour Radjabov
Bursa, 11.01.2010
1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4.e4 d6 5.Cf3 0-0 6.h3 e5 7.d5 Ch5 8.g3 a5 9.Bg2 Ca6 10.0-0 Cc5 11.Be3 Bd7 12.Ce1 b6 13.Rh2 De8 14.Bf3 f5! 15.exf5 e4 16.Be2 Bxf5 17.g4 De5+ 18.Rg1 Cf4 19.Bxf4 Dxf4 20.Cg2 Dh6 21.gxf5 gxf5 22.f4 Dxh3 23.Dd2 Rf7!! 24.Tfe1 Tg8 25.Bf1 Cd3 26.Cb5 Bh6! 27.Te3 Cxf4! 28.Txh3 Cxh3+ 29.Rh2 Bxd2 30.Rxh3 Tg5 31.Td1 Tag8 32.Txd2 Th5+ 33.Ch4 Tg4 34.Rh2 Tgxh4+ 35.Rg1 Th1+ e as brancas abandonaram (0-1)
Minha preparação foi bem até o lance 13. O plano de 8.g3 já havia sido jogado, mas após 8...a5 as brancas normalmente jogam 9.Be2 Ca6 10.Ch2 Cf6 11.Cg4 h5 com jogo equilibrado. A primeira posição importante é após meu lance 14.Bf3. O cidadão normal jogaria com 14...Cf6 e meu plano seria jogar 15.Cd3 para trocar os cavalos e pressionar a ala da dama. Meu adversário pensou bastante e resolveu entrar nas complicações. Mérito pela bravura, mas objetivamente uma decisão perigosa.
Eu não pensei duas vezes para embarcar na confusão e ficar com a peça a mais e tentar segurar o ataque. A segunda posição crítica é após 21...gxf5. Uma abordagem mais segura seria jogar 22.Dc1 e permitir o avanço 22...f4, para então poder defender o peão de H com 23.Bg4. É difícil dizer o que era melhor, ainda mais sem prever a brilhante ideia que as pretas jogaram na partida. O fato é que eu preferi sacrificar o peão e abrir meu rei para poder ter um jogo mais ativo. Se as brancas conseguirem jogar De3 e depois Cb5 teriam boas perspectivas.
Mas como a história não é feita de “se...”, Radjabov encontrou um lance brilhante: 23...Rf7!! Essa é a posição crítica. Evidentemente meu objetivo era jogar o natural 24.De3, mas então as pretas responderiam com 24...Bd4!! entregando a segunda peça! Após 25.Dxd4 Tg8 26.Tf2 Tg6 27.Bf1 Tag8 28.Td2 Th6 29.Rf2 Dg3+ 30.Re2 Th1 eu não via como minhas peças poderiam me salvar, mas sentia que poderia ter algum recurso antes. Nas análises post-mortem apareceu a ideia 31.Df2 Dg4 32.Re1 Dh3 33.Ce3 Tg3. Essa é apenas uma das inúmeras possibilidades.
Durante a partida passei a procurar alternativas e decidi jogar 24.Tfe1 para ganhar tempos na defesa. Eu precisava expulsar a dama de h3, e parecia preferível deixar de ganhar a segunda peça para alcançar esse objetivo. Ocorre que eu não percebi um outro tema sutil: 26...Bh6! seguido de 27...Cxf4! é decisivo.
Vale a pena reproduzir os lances:
Brancas: GM Giovanni Vescovi
Pretas: GM Teimour Radjabov
Bursa, 11.01.2010
1.d4 Cf6 2.c4 g6 3.Cc3 Bg7 4.e4 d6 5.Cf3 0-0 6.h3 e5 7.d5 Ch5 8.g3 a5 9.Bg2 Ca6 10.0-0 Cc5 11.Be3 Bd7 12.Ce1 b6 13.Rh2 De8 14.Bf3 f5! 15.exf5 e4 16.Be2 Bxf5 17.g4 De5+ 18.Rg1 Cf4 19.Bxf4 Dxf4 20.Cg2 Dh6 21.gxf5 gxf5 22.f4 Dxh3 23.Dd2 Rf7!! 24.Tfe1 Tg8 25.Bf1 Cd3 26.Cb5 Bh6! 27.Te3 Cxf4! 28.Txh3 Cxh3+ 29.Rh2 Bxd2 30.Rxh3 Tg5 31.Td1 Tag8 32.Txd2 Th5+ 33.Ch4 Tg4 34.Rh2 Tgxh4+ 35.Rg1 Th1+ e as brancas abandonaram (0-1)
Minha preparação foi bem até o lance 13. O plano de 8.g3 já havia sido jogado, mas após 8...a5 as brancas normalmente jogam 9.Be2 Ca6 10.Ch2 Cf6 11.Cg4 h5 com jogo equilibrado. A primeira posição importante é após meu lance 14.Bf3. O cidadão normal jogaria com 14...Cf6 e meu plano seria jogar 15.Cd3 para trocar os cavalos e pressionar a ala da dama. Meu adversário pensou bastante e resolveu entrar nas complicações. Mérito pela bravura, mas objetivamente uma decisão perigosa.
Momentos iniciais da partida Vescovi x Radjabov
Crédito da imagem: TSF
Crédito da imagem: TSF
Eu não pensei duas vezes para embarcar na confusão e ficar com a peça a mais e tentar segurar o ataque. A segunda posição crítica é após 21...gxf5. Uma abordagem mais segura seria jogar 22.Dc1 e permitir o avanço 22...f4, para então poder defender o peão de H com 23.Bg4. É difícil dizer o que era melhor, ainda mais sem prever a brilhante ideia que as pretas jogaram na partida. O fato é que eu preferi sacrificar o peão e abrir meu rei para poder ter um jogo mais ativo. Se as brancas conseguirem jogar De3 e depois Cb5 teriam boas perspectivas.
Mas como a história não é feita de “se...”, Radjabov encontrou um lance brilhante: 23...Rf7!! Essa é a posição crítica. Evidentemente meu objetivo era jogar o natural 24.De3, mas então as pretas responderiam com 24...Bd4!! entregando a segunda peça! Após 25.Dxd4 Tg8 26.Tf2 Tg6 27.Bf1 Tag8 28.Td2 Th6 29.Rf2 Dg3+ 30.Re2 Th1 eu não via como minhas peças poderiam me salvar, mas sentia que poderia ter algum recurso antes. Nas análises post-mortem apareceu a ideia 31.Df2 Dg4 32.Re1 Dh3 33.Ce3 Tg3. Essa é apenas uma das inúmeras possibilidades.
Durante a partida passei a procurar alternativas e decidi jogar 24.Tfe1 para ganhar tempos na defesa. Eu precisava expulsar a dama de h3, e parecia preferível deixar de ganhar a segunda peça para alcançar esse objetivo. Ocorre que eu não percebi um outro tema sutil: 26...Bh6! seguido de 27...Cxf4! é decisivo.
- 22h19
- 09Jan
Na Olimpíada de Istanbul, em novembro de 2000, o Brasil enfrentou a Grécia na penúltima rodada. A equipe vinha de uma boa campanha, mas sucumbiu diante de uma equipe de força equilibrada. Dez anos depois, os mesmos protagonistas, o mesmo local (Turquia) e o mesmo resultado: vitória dos gregos. Mas antes de falar sobre o match de hoje, comentarei o match de ontem, pela quarta rodada, quando perdemos para a Armênia.
Mais uma vez o (principal) problema foi no primeiro tabuleiro. No terceiro tabuleiro Fier novamente deixou os torcedores – tanto aí no Brasil quanto seus colegas de equipe – com o coração na mão jogando sua Defesa Benoni, mas outra vez se safou com um empate, que não deixa de ser excelente resultado considerando seu adversário, GM Gabriel Sargissian 2680.
Milos não chegou a ter muita coisa, embora fosse visível que seu adversário não se sentia confortável. O empate foi natural, considerando que as pretas não tinham fraquezas no final de damas e bispos. Rafael enfrentou o experiente Akopian (2678), e jogou uma partida técnica. Em um momento sofreu leve pressão, mas se defendeu e as pretas superestimaram o golpe ...Bh3+. No último lance do controle deixou passar um lindo lance – 40.Bf6 – que levaria à vitória. Terminou em empate.
Eu enfrentei o GM Aronian, que com seus 2786 de rating é o mais rankeado dos participantes dessa Copa do Mundo. De novo enfrentei a Abertura Catalã e perdi. De 2007 para cá a teoria evoluiu bastante e cada ordem de lances tem suas filigranas. Procurei uma estrutura típica da India da Dama, onde as brancas ficam com leve vantagem, mas o fato de as brancas não terem jogado b2-b3 causa maiores dificuldades para as pretas. Tanto que as brancas não pensaram muito para fazer o sacrifício posicional de qualidade com 13.Da4 e 14.Txc6.
No match de hoje tínhamos grande esperança de um resultado positivo. Rafael não teve dificuldades para igualar com as pretas, mostrando seu bom preparo teórico. Chegou a ter alguma chance, mas não foi preciso e acabou tendo que se contentar com o empate. Milos de pretas também estava tranquilo com sua Defesa India da Dama.
O problema hoje foi justamente o tabuleiro onde eu achava que poderíamos tirar vantagem. Fier resolveu abrir com 1.e4 e jogou sua preparação na aguda variante Zaitsev da Abertura Espanhola (Ruy Lopez). Jogou rápido um Cxb5 que fez seu adversário pensar um pouco. Mas com pouca profundidade na preparação acabou tendo uma cegueira tática ao levar o golpe ...Txe4! Essa derrota rápida foi dolorosa para a equipe.
Eu enfrentei o super teórico Vasilios Kotronias, que já foi segundo de feras como Shirov, Topalov e outros. Ele optou pela Defesa India do Rei e eu joguei com 6.h3, baseado na recente partida Carlsen-Topalov, jogada em setembro de 2009. Nossa partida seguiu da mesma forma com 6...e5 7.d5 Ca6 8.Be3, porém aqui ele melhorou com 8...Ch5. Definitivamente as brancas precisam encontrar algo nessa linha, pois eu tive que entrar numa posição arriscada onde instintivamente estava evidente que as pretas tinham bom jogo. Até agora ainda não encontramos nada concreto para as pretas, mas tampouco para as brancas. Análises superficiais apontam para um equilíbrio, como na partida, que terminou em empate.
Agora a esperança era que Milos conseguisse a vitória, já que estávamos perdendo por 2 a 1. Ele tinha uma posição boa, mas as brancas estavam seguras. A única chance era abrir a posição para o bispo poder ganhar vida na grande diagonal, e isso teria que ser através da ruptura ...c6-c5. Quando Milos finalmente conseguiu fazer a dita ruptura... a posição desmoronou. A verdade é que ele não queria permitir o empate com o golpe ...Txc5 Cd6!! e acabou fazendo uma séria concessão estratégica. Podemos dizer que foi uma tentativa kamikaze de tentar ajudar a equipe. Não deu certo e perdemos esse match por 3 a 1.
No mais, impressionante vitória de Nakamura com as pretas contra Gelfand, ajudando os EUA a manter a liderança. Também muito instrutivo o final de torres em que Sasikiran derrotou Aronian. Ontem o match marcante foi Russia 2,5 x 1,5 Azerbaijão, com belas atuações de Mamedyarov contra Morozevich, extremo sangue frio de Grischuk que defendeu uma novidade teórica de Gashimov com o espetacular ...Th7 e terminou levando seu rei até b1, no terreno inimigo, e ganhando uma bela partida. Amanhá temos o duelo EUA – Brasil.
Brasil x Armenia
Crédito da imagem: TSF
Crédito da imagem: TSF
Mais uma vez o (principal) problema foi no primeiro tabuleiro. No terceiro tabuleiro Fier novamente deixou os torcedores – tanto aí no Brasil quanto seus colegas de equipe – com o coração na mão jogando sua Defesa Benoni, mas outra vez se safou com um empate, que não deixa de ser excelente resultado considerando seu adversário, GM Gabriel Sargissian 2680.
Milos não chegou a ter muita coisa, embora fosse visível que seu adversário não se sentia confortável. O empate foi natural, considerando que as pretas não tinham fraquezas no final de damas e bispos. Rafael enfrentou o experiente Akopian (2678), e jogou uma partida técnica. Em um momento sofreu leve pressão, mas se defendeu e as pretas superestimaram o golpe ...Bh3+. No último lance do controle deixou passar um lindo lance – 40.Bf6 – que levaria à vitória. Terminou em empate.
Eu enfrentei o GM Aronian, que com seus 2786 de rating é o mais rankeado dos participantes dessa Copa do Mundo. De novo enfrentei a Abertura Catalã e perdi. De 2007 para cá a teoria evoluiu bastante e cada ordem de lances tem suas filigranas. Procurei uma estrutura típica da India da Dama, onde as brancas ficam com leve vantagem, mas o fato de as brancas não terem jogado b2-b3 causa maiores dificuldades para as pretas. Tanto que as brancas não pensaram muito para fazer o sacrifício posicional de qualidade com 13.Da4 e 14.Txc6.
No match de hoje tínhamos grande esperança de um resultado positivo. Rafael não teve dificuldades para igualar com as pretas, mostrando seu bom preparo teórico. Chegou a ter alguma chance, mas não foi preciso e acabou tendo que se contentar com o empate. Milos de pretas também estava tranquilo com sua Defesa India da Dama.
Rafael Leitão
Crédito da imagem: TSF
Crédito da imagem: TSF
O problema hoje foi justamente o tabuleiro onde eu achava que poderíamos tirar vantagem. Fier resolveu abrir com 1.e4 e jogou sua preparação na aguda variante Zaitsev da Abertura Espanhola (Ruy Lopez). Jogou rápido um Cxb5 que fez seu adversário pensar um pouco. Mas com pouca profundidade na preparação acabou tendo uma cegueira tática ao levar o golpe ...Txe4! Essa derrota rápida foi dolorosa para a equipe.
Eu enfrentei o super teórico Vasilios Kotronias, que já foi segundo de feras como Shirov, Topalov e outros. Ele optou pela Defesa India do Rei e eu joguei com 6.h3, baseado na recente partida Carlsen-Topalov, jogada em setembro de 2009. Nossa partida seguiu da mesma forma com 6...e5 7.d5 Ca6 8.Be3, porém aqui ele melhorou com 8...Ch5. Definitivamente as brancas precisam encontrar algo nessa linha, pois eu tive que entrar numa posição arriscada onde instintivamente estava evidente que as pretas tinham bom jogo. Até agora ainda não encontramos nada concreto para as pretas, mas tampouco para as brancas. Análises superficiais apontam para um equilíbrio, como na partida, que terminou em empate.
Agora a esperança era que Milos conseguisse a vitória, já que estávamos perdendo por 2 a 1. Ele tinha uma posição boa, mas as brancas estavam seguras. A única chance era abrir a posição para o bispo poder ganhar vida na grande diagonal, e isso teria que ser através da ruptura ...c6-c5. Quando Milos finalmente conseguiu fazer a dita ruptura... a posição desmoronou. A verdade é que ele não queria permitir o empate com o golpe ...Txc5 Cd6!! e acabou fazendo uma séria concessão estratégica. Podemos dizer que foi uma tentativa kamikaze de tentar ajudar a equipe. Não deu certo e perdemos esse match por 3 a 1.
No mais, impressionante vitória de Nakamura com as pretas contra Gelfand, ajudando os EUA a manter a liderança. Também muito instrutivo o final de torres em que Sasikiran derrotou Aronian. Ontem o match marcante foi Russia 2,5 x 1,5 Azerbaijão, com belas atuações de Mamedyarov contra Morozevich, extremo sangue frio de Grischuk que defendeu uma novidade teórica de Gashimov com o espetacular ...Th7 e terminou levando seu rei até b1, no terreno inimigo, e ganhando uma bela partida. Amanhá temos o duelo EUA – Brasil.
Israel x EUA
Crédito da imagem: TSF
Crédito da imagem: TSF
- 21h58
- 07Jan
Aproveitando para responder alguns comentários, o sistema de disputa é de pontos por equipe, ao invés da contagem olímpica por tabuleiros. Ou seja, para efeitos de pontuação no torneio, tanto faz ganhar pela diferença mínima ou por 4 a 0. A pontuação por tabuleiros é considerada para efeitos de desempate somente. Assim, com as vitórias de Rússia e India sobre EUA e Azerbaijão, respectivamente, o torneio passa a contar com seis líderes.
Hoje perdemos para Israel, mas milagrosamente tivemos uma chance de empatar o match. Digo milagrosamente porque a certa altura os três primeiros tabuleiros estavam muito mal, porém Sutovsky e Postny deixaram Rafael e Fier escaparem. Eu não tive a mesma sorte e perdi rapidamente numa Abertura Catalã. Minha preparação foi falha, pois pretendia repetir a Defesa India da Dama, mas não consegui encontrar uma linha satisfatória e em cima da hora resolvi tentar uma Ortodoxa. Meu adversário preferiu a Catalã e eu não percebi que ele já havia jogado 12.Cd2 contra Mamedyarov no ano passado. Respondi com uma novidade no tabuleiro – 12.Bb7 – baseado em um cálculo equivocado numa linha longa.

Equipe titular do Brasil: Vescovi, Leitão, Fier e Milos
A nossa esperança estava na partida de Milos, que apertou bem com as brancas e tirou uma leve vantagem, porém confortável. Aos poucos suas chances foram aumentando, mas a posição vulnerável de seu rei sempre dava algum contrajogo ao adversário. No final o israelense não jogou um lance simples ...Dxe3 e quase perdeu. Milos deveria ter tentado jogar um Df4+ seguido de Dd4+ e depois optar entre Tb2 ou Tf6. Foi pena.
O match mais esperado da rodada foi o duelo entre russos e americanos. A Rússia atropelou nos tabuleiros 3 e 4, e Morozevich apertou bastante de pretas no tabuleiro 2, mas no final empatou, assim como Grischuk-Nakamura, encerrando a fatura em 3 a 1.
A surpresa ficou por conta dos indianos, que se recuperaram da derrota para os americanos com uma inesperada vitória sobre o Azerbaijão, deixando a disputa mais acirrada, já que agora EUA, Armênia, Rússia, India, Azerbaijão e Israel possuem 2 vitórias e 1 derrota.
Hoje perdemos para Israel, mas milagrosamente tivemos uma chance de empatar o match. Digo milagrosamente porque a certa altura os três primeiros tabuleiros estavam muito mal, porém Sutovsky e Postny deixaram Rafael e Fier escaparem. Eu não tive a mesma sorte e perdi rapidamente numa Abertura Catalã. Minha preparação foi falha, pois pretendia repetir a Defesa India da Dama, mas não consegui encontrar uma linha satisfatória e em cima da hora resolvi tentar uma Ortodoxa. Meu adversário preferiu a Catalã e eu não percebi que ele já havia jogado 12.Cd2 contra Mamedyarov no ano passado. Respondi com uma novidade no tabuleiro – 12.Bb7 – baseado em um cálculo equivocado numa linha longa.

Equipe titular do Brasil: Vescovi, Leitão, Fier e Milos
A nossa esperança estava na partida de Milos, que apertou bem com as brancas e tirou uma leve vantagem, porém confortável. Aos poucos suas chances foram aumentando, mas a posição vulnerável de seu rei sempre dava algum contrajogo ao adversário. No final o israelense não jogou um lance simples ...Dxe3 e quase perdeu. Milos deveria ter tentado jogar um Df4+ seguido de Dd4+ e depois optar entre Tb2 ou Tf6. Foi pena.
O match mais esperado da rodada foi o duelo entre russos e americanos. A Rússia atropelou nos tabuleiros 3 e 4, e Morozevich apertou bastante de pretas no tabuleiro 2, mas no final empatou, assim como Grischuk-Nakamura, encerrando a fatura em 3 a 1.
A surpresa ficou por conta dos indianos, que se recuperaram da derrota para os americanos com uma inesperada vitória sobre o Azerbaijão, deixando a disputa mais acirrada, já que agora EUA, Armênia, Rússia, India, Azerbaijão e Israel possuem 2 vitórias e 1 derrota.
Giovanni Vescovi é um dos maiores nomes do xadrez brasileiro. Aos 20 anos, conquistou o título de Grande Mestre Internacional e desde 2002 manteve-se quase ininterruptamente entre os Top 100 no ranking mundial. Hexacampeão brasileiro e integrante da equipe olímpica, Giovanni já derrotou os maiores nomes do xadrez nacional e mundial.