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- 17h26
- 06Nov
O japonês que faz falta
por Flávio Gomes, para o ESPN.com.br
Primeiro a Honda, no fim do ano passado. Depois a BMW. Aí, a Bridgestone. Agora, a Toyota. Antes, Subaru e Suzuki (Mundial de Rali), Audi (Le Mans Series), Kawasaki (MotoGP), Mitsubishi (rali Dacar) — e devo estar esquecendo alguém, certamente. O esporte motorizado só tem levado coco nos últimos meses, com empresas de porte tirando seu time das pistas. A crise, a crise, a crise.
Os japoneses foram os mais afetados. Ou, talvez, os que mostraram mais medo do bicho-papão. O caso da Toyota só não pode ser chamado de chocante porque, afinal, era esperado. Pode ser que o choro público de seus dirigentes comova alguém. Tenho lá minhas dúvidas. Os homens da Honda também choraram diante das câmeras. OK, japoneses são mesmo sensíveis ao fracasso. Está cheio de história de executivo que comete harakiri quando o balanço financeiro fica no vermelho.
A Toyota ficou oito anos na F-1. Antes, passara dois anos montando seu projeto e fazendo testes. Uma enorme estrutura foi erguida em Colônia, na Alemanha. Os resultados, no entanto, foram ruins. Com orçamento só comparável ao da Ferrari, nenhuma vitória, 13 pódios, três magras pole-positions e uma biografia que vai caber em meia-dúzia de linhas quando for escrita.
Há várias explicações para o fiasco: escolha equivocada de pilotos (com essa dinheirama toda, nunca teve um cara de ponta de verdade, alguém capaz de mudar a história, como Michael Schumacher, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen), conservadorismo no lado técnico, zero de ousadia no marketing. Gastou muito, e mal. Comprou e reformou o autódromo de Fuji, torrou o que tinha e o que não tinha, e devolveu o GP do Japão a Suzuka, que é da Honda. Um desastre, em resumo.
Curioso é que o canto do cisne do time acabou revelando aquele que o torcedor comum vai sentir falta, muito mais do que dos carros brancos e vermelhos: Kamui Kobayashi, que encantou o mundo nas duas corridas que disputou.
Segundo a “Folha de S.Paulo”, o jovem samurai não tem dinheiro para arranjar um lugar no ano que vem. E, sem a Toyota para amparar sua carreira, corre o risco de voltar a fazer sushi e sashimi no restaurante do pai no Japão.
É possível que isso aconteça. Vagas para não-pagantes nessa F-1 de equipes novatas de 2010 talvez não existam mais. E entre um sushiman pobre e veloz e um riquinho qualquer, é o riquinho que a categoria vai escolher. Consolo é que nos últimos dias começaram a surgir boatos aqui e ali dando conta de um possível interesse da nova Lotus, essa misteriosa organização de dinheiro malaio que se apossou do nome do tradicional time inglês, mas ninguém sabe direito que pito vai tocar.
Tomara que Kobayashi esteja no grid na próxima temporada. Eu arriscaria dizer que ninguém vai ter muita saudade da Toyota e de sua discrição irritante. Mas esse Jaspion que veio do nada e chegou chegando, como se diz, precisa correr.
Os japoneses foram os mais afetados. Ou, talvez, os que mostraram mais medo do bicho-papão. O caso da Toyota só não pode ser chamado de chocante porque, afinal, era esperado. Pode ser que o choro público de seus dirigentes comova alguém. Tenho lá minhas dúvidas. Os homens da Honda também choraram diante das câmeras. OK, japoneses são mesmo sensíveis ao fracasso. Está cheio de história de executivo que comete harakiri quando o balanço financeiro fica no vermelho.
A Toyota ficou oito anos na F-1. Antes, passara dois anos montando seu projeto e fazendo testes. Uma enorme estrutura foi erguida em Colônia, na Alemanha. Os resultados, no entanto, foram ruins. Com orçamento só comparável ao da Ferrari, nenhuma vitória, 13 pódios, três magras pole-positions e uma biografia que vai caber em meia-dúzia de linhas quando for escrita.
Há várias explicações para o fiasco: escolha equivocada de pilotos (com essa dinheirama toda, nunca teve um cara de ponta de verdade, alguém capaz de mudar a história, como Michael Schumacher, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen), conservadorismo no lado técnico, zero de ousadia no marketing. Gastou muito, e mal. Comprou e reformou o autódromo de Fuji, torrou o que tinha e o que não tinha, e devolveu o GP do Japão a Suzuka, que é da Honda. Um desastre, em resumo.
Curioso é que o canto do cisne do time acabou revelando aquele que o torcedor comum vai sentir falta, muito mais do que dos carros brancos e vermelhos: Kamui Kobayashi, que encantou o mundo nas duas corridas que disputou.
Segundo a “Folha de S.Paulo”, o jovem samurai não tem dinheiro para arranjar um lugar no ano que vem. E, sem a Toyota para amparar sua carreira, corre o risco de voltar a fazer sushi e sashimi no restaurante do pai no Japão.
É possível que isso aconteça. Vagas para não-pagantes nessa F-1 de equipes novatas de 2010 talvez não existam mais. E entre um sushiman pobre e veloz e um riquinho qualquer, é o riquinho que a categoria vai escolher. Consolo é que nos últimos dias começaram a surgir boatos aqui e ali dando conta de um possível interesse da nova Lotus, essa misteriosa organização de dinheiro malaio que se apossou do nome do tradicional time inglês, mas ninguém sabe direito que pito vai tocar.
Tomara que Kobayashi esteja no grid na próxima temporada. Eu arriscaria dizer que ninguém vai ter muita saudade da Toyota e de sua discrição irritante. Mas esse Jaspion que veio do nada e chegou chegando, como se diz, precisa correr.
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/flaviogomes
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Página do Flávio Gomes