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- 13h03
- 30Oct
Mais um oásis exibicionista
por Flavio Gomes para o ESPN.com.br
A temporada da F-1 termina domingo em mais um desses oásis que nada têm a ver com a F-1. Abu Dhabi faz parte da safra de autódromos de luxo inaugurada em 1999 com Sepang, que depois agregou Xangai, Bahrein, Istambul, Valência e Cingapura. E vêm por aí Coreia e Índia, possivelmente. Templos nos quais se promove o culto ao desperdício e ao hedonismo. Exageros arquitetônicos que levam a categoria — exceção feita ao circuito espanhol — a um público que nem sabe direito o que está acontecendo na pista.
Nada contra, conceitualmente falando, circuitos novos ou países sem tradição no esporte a motor. Sempre gostei, aliás — novidades são bem-vindas, em geral, na vida. Mas é evidente que essa marcha rumo ao oriente não tem outra motivação que não seja arrecadar mais, arrancar dinheiro daqueles para quem o dinheiro é fácil. Não existe nenhum projeto de incentivo ao automobilismo, nenhum apelo esportivo. É grana, e só.
Faz-se o espetáculo da ostentação, do luxo e do exibicionismo. E fica tudo com cara de sabor artificial de groselha. A corrida acaba sendo relegada a segundo plano. O astro da festa é o cenário: iates, hotéis suntuosos, construções de vidro e aço escovado, gente rica com seus relógios de milhares de dólares, o mundo que não sabe o que é crise.
Os treinos desta sexta mostraram tudo aquilo que os promotores queriam. “Espetacular” será o mínimo que dirão sobre a estrutura, a funcionalidade, a iluminação, o asfalto liso como uma mesa de bilhar. Mas não tem uma árvore, uma curva cega, um relevo, uma subida, uma descida. Parece coisa de videogame. É ótimo para tirar fotos. Nada mais. O traçado é de uma mediocridade inominável.
Sou um nostálgico de nascença, e por isso não consigo simpatizar com esses monumentos caríssimos que nos últimos anos foram ocupando o lugar de circuitos tão cheios de história como Estoril, Zeltweg, Paul Ricard, Kyalami, Jerez, Hermanos Rodriguez, Magny-Cours, Imola, Montreal, Silverstone... OK, história se constrói ao longo dos anos, é preciso começar um dia, mas alguém consegue imaginar que um GP no Bahrein, por exemplo, será capaz de ter história um dia? Nada, qualquer hora dessas aparece outro xeique e tira a prova de lá, e acabou-se o Bahrein.
História se faz com paixão, sangue, suor e lágrimas. Nesses autódromos que se parecem com shopping-centers, não se pode suar, nem sangrar, nem chorar. Suja o chão. Alguém vem e limpa rapidinho. Não ficam rastros, nem marcas.
Nada contra, conceitualmente falando, circuitos novos ou países sem tradição no esporte a motor. Sempre gostei, aliás — novidades são bem-vindas, em geral, na vida. Mas é evidente que essa marcha rumo ao oriente não tem outra motivação que não seja arrecadar mais, arrancar dinheiro daqueles para quem o dinheiro é fácil. Não existe nenhum projeto de incentivo ao automobilismo, nenhum apelo esportivo. É grana, e só.
Faz-se o espetáculo da ostentação, do luxo e do exibicionismo. E fica tudo com cara de sabor artificial de groselha. A corrida acaba sendo relegada a segundo plano. O astro da festa é o cenário: iates, hotéis suntuosos, construções de vidro e aço escovado, gente rica com seus relógios de milhares de dólares, o mundo que não sabe o que é crise.
Os treinos desta sexta mostraram tudo aquilo que os promotores queriam. “Espetacular” será o mínimo que dirão sobre a estrutura, a funcionalidade, a iluminação, o asfalto liso como uma mesa de bilhar. Mas não tem uma árvore, uma curva cega, um relevo, uma subida, uma descida. Parece coisa de videogame. É ótimo para tirar fotos. Nada mais. O traçado é de uma mediocridade inominável.
Sou um nostálgico de nascença, e por isso não consigo simpatizar com esses monumentos caríssimos que nos últimos anos foram ocupando o lugar de circuitos tão cheios de história como Estoril, Zeltweg, Paul Ricard, Kyalami, Jerez, Hermanos Rodriguez, Magny-Cours, Imola, Montreal, Silverstone... OK, história se constrói ao longo dos anos, é preciso começar um dia, mas alguém consegue imaginar que um GP no Bahrein, por exemplo, será capaz de ter história um dia? Nada, qualquer hora dessas aparece outro xeique e tira a prova de lá, e acabou-se o Bahrein.
História se faz com paixão, sangue, suor e lágrimas. Nesses autódromos que se parecem com shopping-centers, não se pode suar, nem sangrar, nem chorar. Suja o chão. Alguém vem e limpa rapidinho. Não ficam rastros, nem marcas.
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/flaviogomes
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Página do Flávio Gomes