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- 20h39
- 23Oct
A TV e Barrichello
por Flávio Gomes, para o ESPN.com.br
Já devia ter-me acostumado, mas é um saco. Sempre que Rubens Barrichello deixa de ganhar uma corrida cuja vitória antecipada já foi anunciada pela TV Globo — e foi assim em Interlagos, domingo passado —, ouço de todos com quem encontro no dia seguinte aquele rosário já tradicional: esse Rubinho não dá, é um perdedor, o cara tem muita zica, ele é muito azarado, sacanearam de novo, a equipe errou na estratégia, furou seu pneu de propósito e etc.
Não que seja uma novidade para quem vê F-1 com um mínimo de senso crítico, mas cada vez que isso acontece chego à mesma conclusão: o problema de Barrichello é a TV Globo, o tanto que a emissora oficial vende ferozmente aquilo que o piloto não pode entregar.
E isso acontece porque a emissora oficial se apoia numa linha editorial falaciosa, que desinforma e empurra goela abaixo do público falsas esperanças e, pior, a obrigação de torcer para ele — a história de “secar” um boneco de Button com toalhas e secador de cabelos no domingo, antes da transmissão, é um dos capítulos mais patéticos do jornalismo esportivo brasileiro.
Aí Barrichello não vence, porque a F-1 tem uma certa lógica e não basta dizer “Vâmo Rubinho!” para que ele ganhe de todo mundo, e esse público se sente ludibriado. E para não se sentir enganado, porque isso é assinar recibo de trouxa, direciona toda sua ira ao pobre do piloto. Afinal, se a Globo disse que ele ia ganhar e ser campeão, e ele não ganhou e nem vai ser campeão, a culpa deve ser de alguém. Provavelmente dele. Por não ter vencido e por me fazer perder tempo torcendo para ele, como fui orientado pela TV todos os dias, numa verdadeira lavagem cerebral ufano-nacionalista.
É uma equação cruel para Rubens, que normalmente embarca nessa onda, mas me parece ser o menor dos. Se a TV, que é responsável pela “cultura automobilística” da imensa maioria do público, aposta no engodo, quando ele se materializa quem paga é Barrichello. Que vira alvo da ira daqueles que só aceitam vitórias de brasileiros, e se um brasileiro não vence — isso vale para outros esportes, também —, é ele o derrotado, aquele que desonra o país, o azarado, zicado, sacaneado.
Rubens não seria zoado no Brasil como é se a TV mostrasse as corridas como elas são.
Não que seja uma novidade para quem vê F-1 com um mínimo de senso crítico, mas cada vez que isso acontece chego à mesma conclusão: o problema de Barrichello é a TV Globo, o tanto que a emissora oficial vende ferozmente aquilo que o piloto não pode entregar.
E isso acontece porque a emissora oficial se apoia numa linha editorial falaciosa, que desinforma e empurra goela abaixo do público falsas esperanças e, pior, a obrigação de torcer para ele — a história de “secar” um boneco de Button com toalhas e secador de cabelos no domingo, antes da transmissão, é um dos capítulos mais patéticos do jornalismo esportivo brasileiro.
Aí Barrichello não vence, porque a F-1 tem uma certa lógica e não basta dizer “Vâmo Rubinho!” para que ele ganhe de todo mundo, e esse público se sente ludibriado. E para não se sentir enganado, porque isso é assinar recibo de trouxa, direciona toda sua ira ao pobre do piloto. Afinal, se a Globo disse que ele ia ganhar e ser campeão, e ele não ganhou e nem vai ser campeão, a culpa deve ser de alguém. Provavelmente dele. Por não ter vencido e por me fazer perder tempo torcendo para ele, como fui orientado pela TV todos os dias, numa verdadeira lavagem cerebral ufano-nacionalista.
É uma equação cruel para Rubens, que normalmente embarca nessa onda, mas me parece ser o menor dos. Se a TV, que é responsável pela “cultura automobilística” da imensa maioria do público, aposta no engodo, quando ele se materializa quem paga é Barrichello. Que vira alvo da ira daqueles que só aceitam vitórias de brasileiros, e se um brasileiro não vence — isso vale para outros esportes, também —, é ele o derrotado, aquele que desonra o país, o azarado, zicado, sacaneado.
Rubens não seria zoado no Brasil como é se a TV mostrasse as corridas como elas são.
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Página do Flávio Gomes