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Um caneco tão disputado que ninguém quer levar para casa
Antepenúltima rodada decide que nada está decidido no Brasileirão com cara e jeito de Brasileirinho
por Mauro Cezar Pereira
Surgiu para competir no remo em 1895, no bairro de mesmo nome, na zona sul carioca. Cresceu no futebol, ganhou o Brasil e o mundo com a maior torcida do país. Em 1912, nove titulares do Fluminense deixaram o clube e criaram o departamento de futebol no Flamengo, então restrita às regatas.
O novo esporte começava a aparecer em alguns clubes, mas havia resistências e preconceito. A migração não foi casual. Associados do Fla tornaram-se sócios também do Flu para acompanhar o futebol e os tricolores vieram para o rubro-negro, a fim de seguir as regatas.
Em 1914, o primeiro título carioca com time de Alberto Borgerth e do artilheiro Riemer, que chegara um ano antes ao clube e lá ficou até 1918 com média de 0,8 gol por jogo. Também foi goleador do time no bi em 1915.
Entre 1927 e 1939, um jejum encerrado com o primeiro título rubro-negro no profissionalismo. O Flamengo tinha nada menos que Domingos da Guia e Leônidas da Silva, astro da seleção de 1938.
Os rubro-negros chegariam ao primeiro tri em 1942/43/44. Era o time de Zizinho, que alcançou tal feito com o histórico gol de Valido na final com o Vasco.
Mais nove anos de "fila" e outro tri, já na época de Dida, 1953/54/55. Ele foi o maior artilheiro rubro-negro até o surgimento de Zico, que era seu grande fã. Após um período sem tantos campeonatos, apenas dois nos anos 1960, o Fla ganhou os de 1972 e 1974, este já com Zico titular. Ele conduziria à formação do time do terceiro tri, no final da década, e que levantaria quatro títulos nacionais, a Libertadores e o mundial.
O Flamengo ganhou seu quinto brasileiro em 1992, sob o comando de Júnior, o recordista de jogos pelo clube, 857. Levou ainda a Copa Mercosul de 1999 e outro tri em 1999/2000/2001. Nos dez anos entre 1999 e 2008 foram seis títulos cariocas.
Ídolos
Borgerth, fez 45 jogos e 21 gols entre 1912 e 1916, antes foi remador do clube e mais tarde chegaria à presidência rubro-negra.
Leônidas da Silva foi o astro do título de 1939 e marcou 150 gols em 179 partidas, uma belíssima média de 0,83 por jogo.
Domingos da Guia, o melhor dos zagueiros, o "Divino Mestre", fez 223 partidas, perdeu apenas 39. Campeão em 1939, 1942 e 1943.
Zizinho, o maior jogador do primeiro tricampeonato carioca do Fla, nos anos 40, disputou 318 jogos e assinalou 146 gols.
Dida fez 263 gols em 350 jogos e é o segundo maior artilheiro da história do clube. Um dos seis jogadores do Fla na Copa de 1958.
Zico é algo como sinônimo de Flamengo, 727 partidas, 502 gols com a camisa rubro-negra, ganhou todos os títulos possíveis pelo clube.
Júnior sempre foi o escudeiro de Zico na "Era" de Ouro e assumiu o papel de Maestro sem o camisa 10. Levou o Fla ao título nacional em 1992
Curiosidades
Fundado em 17 de novembro de 1895, o Flamengo registrou o dia 15 do mesmo mês como data de sua criação para que seu aniversário sempre possa ser festejado no feriado nacional de proclamação da República.
As cores iniciais do Flamengo foram azul e ouro em listras horizontais bem largas. Em 1898 veio a mudança para vermelho e preto. O motivo: com a exótica combinação era preciso importar tecido da Inglaterra, algo caro demais.
O Flamengo disputou a primeira partida no campo do América: 16 a 2 sobre o Mangueira. O árbitro foi o ídolo americano Belfort Duarte. A escalação: Baena; Píndaro e Nery; Coriol, Gilberto e Galo; Baiano, Arnaldo, Amarante, Gustavo e Borgerth.
O primeiro gramado conseguido pelo Flamengo ficava na Praia do Russel, depois veio o campo da Rua Paissandu. O clube mudou-se para o bairro da Gávea ainda na primeira metade do século 20. Entre os maiores artilheiros, o Flamengo tem cinco jogadores que passaram dos 200 gols: Zico (568), Dida (264), Henrique (216), Pirilo (204) e Romário (204).
A torcida do Flamengo é a maior do mundo no futebol, segundo uma pesquisa divulgada pelo site da revista “Mundo Estranho”, com 32,6 milhões de torcedores, seguidos pelos mexicanos Chivas, de Guadalajara, com 30,8 milhões, e América, da Cidade do México, com 26,4 milhões.