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- 12h27
- 07Oct
Ciclovias de lazer é o nosso carma
por Renata Falzoni
Crédito da imagem: Renata Falzoni
Na última segunda feira, aconteceu no Palácio do Governo, uma reunião onde autoridades apresentaram a sociedade civil, em especial aos ciclistas urbanos de São Paulo, o projeto da Ciclovia da Marginal do Rio PInheiros.
O projeto cai de sopetão, sem respeitar projetos e idéias anteriores e – como tudo que se decide de forma apressada “para aproveitar a maré” – fica evidente que muitos erros serão cometidos.
Mas antes de criticar vamos ao de bom nisso tudo. Por fim, desafogar a pressão dos ciclistas sobre a política pública passou a ter alguma prioridade tanto na Prefeitura como no Governo Estadual.
Agora ambos se retorcem para fugir da eficiente ineficiencia dos burocratas da CET e da Secretaria de Transporte, se viram como podem, para fazer alguma coisa para quem pedala nessa cidade.
Nesse ponto estão do nosso lado.
Por outro lado, as mesmas autoridades “ao nosso lado” preferem fingir que desconhecem a diferença entre espaço para se pedalar por lazer ou mesmo esporte e mobilidade urbana em bicicleta.
Importante lembrar que uma solução não nega a outra e ambas podem e devem existir juntas.
Mas anunciam ciclovias e nós entendemos que será também para o transporte, e quando as propostas acontecem, a única solução viável que chega é sempre a de lazer.
Pelos detalhes da proposta apresentada na última segunda feira, fica evidente que a principal preocupação, ou única solução no momento, para com a Ciclovia da Marginal será o lazer.
Estacionamento no acesso pela represa Billings, não acesso pelas atuais pontes, marcos de concreto pra ficar bonitinha, enfim, não se falou concretamente de acessos para a população tanto em lazer como em transporte ao longo de todo o trecho da mesma.
Pior, perdeu-se a oportunidade de se integrar os dois lados do rio, em um amplo parque linear que mudaria a cara da cidade de São Paulo conforme reza o projeto da Fundação Aaron Birmann.
Porque tudo isso? Porque atualmente somente temos o apoio da CPTM então tudo o que for sair dessa proposta deve ficar 100% ao alcance deste órgão para não truncar nos opositores.
Enquanto o poder de decisão sobre o uso dos espaços públicos estiver nas mãos da CET, da Secretaria de Transportes, nada vai rolar para o lado dos pedestres e dos ciclistas.
Os acessos pelas atuais pontes conforme proposto por todos, são tabu. Todas as autoridades desconversaram o assunto e porque?
Veja bem as pontes de São Paulo não contam sequer com faixas de pedestres que legitimariam o uso destas por pedestres que dirá de sinalização a ciclistas, para acessarem uma ciclovia?
Esse é X da questão: Toda a estrutura de mobilidade urbana de São Paulo está nas mãos de órgãos que não pretendem dividir um único centímetro aos cidadãos a pé ou de bicicleta. Nem mesmo as calçadas de uma ponte.
Esses mesmos órgãos assim que podem extinguem praças, calçadas e acostamentos para criar mais uma pista de rolamento sem a menor cerimionia.
A ausência da CET e da Secretaria de Transportes a essa reunião comprova o que falo. Esse assunto não interessa sequer ser discutido em público por essas autoridades.
Hoje fica evidente que o Grupo Pró Ciclista que antes ficava a cargo da Secretaria do Verde e Meio Ambiente foi levado para a Secretaria de Transporte, para morrer sufocado nos escapamentos daquela secretaria.
Para mudar a cidade de São Paulo precisamos comecar a sinalizá-la a outros modais de transporte de forma organizada e democrática, já!
Quando uma cidade do porte de São Paulo que tem 38% de seus deslocamentos feitos a pé não prevê sequer faixas aos pedestres para cruzar as suas pontes, assina deliberadamente que pedestres e ciclistas não têm direito de se moverem pela cidade de forma “legal”. São o resto, os que atrapalham o trânsito dos automóveis.
Se essa ciclovia fosse “persona grata” na mobilidade urbana aos olhos da CET, ela teria acesso garantido pelas pontes imediatamente, sem problema algum. Mas não, tudo para bicicleta nessa cidade há que sair apesar da CET e da Secretaria de Transporte.
Todo o poder de decisão está nas mãos de quem sabota a bicicleta como meio de transporte e ponto.
Então antes dos cicloativistas ficarem bravos ao receber “de presente” uma ciclovia de lazer, temos que ter a ciência que "ciclovias de lazer" são as únicas coisas que as autoridades de São Paulo que desejam a mobilidade em bicicleta conseguem fazer nesse momento nessa cidade.
Não vou aplaudir as autoridades porisso, mas também não vou crucificá-las em praça pública pelo mesmo motivo.
A real é que eu não abro mão de um único centímetro quadrado destinado a bicicleta nessa cidade, não importa qual o uso a ser dado.
Mas atenção, as eleições estão chegando. Vai ser osso duro de roer ter que escutar que algo foi feito nessa gestão pela bicicleta como meio de transporte pois até agora nada foi feito!
Vai ser mais uma propaganda enganosa e dessas estou farta!
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por Renata Falzoni
/renatafalzoni- 17h20
- 13Nov
Luciano Favaro
Só espero que o governo não apareça na TV fazendo propaganda sobre os "grandes avanços" que tivemos em relação às ciclovias na cidade. Por isso eu não concordei com a ciclofaixa de lazer do Parque do Ibirapuera.... Aquilo é uma besteira, mostra que não há seriedade do governo em relação às exigências que a cidade tem. E, se bobear, vão usar a ciclofaixa de lazer para mostrar que o governo está pensando em nós ciclistas.
- 14h16
- 13Nov
Ronald
Renata, Você deveria vir a Sorocaba e conhecer o projeto de ciclovias da cidade. Aqui já há bicicleetários ao lado dos terminais de ônibus urbano e nos principais pontos do centro da cidade. Tudo na proposta de incentivar o uso da bike como meio de transporte, além do lazer é claro. Todos os domingos de manhã, um trecho de uma grande avenida da cidade é fechada para as famílias irem pedalar tranquilamente, bem interessante. As ciclovias da cidade de Sorocaba / SP estão show de bola, com proposta de crescer mais ainda Veja mais em: http://www.pedalasorocaba.org.br/ Abraços, Ronald
- 21h49
- 09Nov
Jorge Samaha
A despeito do que for dito ou publicado, NUNCA VAO FAZER NADA e pq? Perverso e simples: quem arrecada com o ICMS, IPVA, CIDE, etc? Enquanto isso, reze!
- 23h09
- 03Nov
Sérgio "DILAN" Ribeiro - CURITIBA/PR
Renata e pessoal, dêem uma olhada nesta notícia! É como o poder público trata o ciclista... "http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=940546&tit=Prefeitura-mantem-multa-a-ciclistas-que-pintaram-ciclofaixa-em-2007" Triste...
- 16h27
- 30Oct
Gilberto Gonçalves
Eu pedalo há mais de 30 anos. TODOS os projetos de ciclovia que vi acabaram sumindo e virando expansão de faixa para carros. Os administradores desta cidade optaram pelo locomoção via automóvel. Não vejo perspectiva de mudança nesta filosofia. Frequentemente, para 'agradar' e ser socialmente correto, criam um novo projeto de ciclovia, mas em pouquíssimo tempo some. Acho que conseguirei usufruir, no máximo, de algumas interdições para ciclovia de lazer. E olhe lá! Essa que foi criada agora em SPaulo, a CICLOFAIXA, creio que só permanecerá enquanto o patrocinador continuar bancando. Enquanto isso, é ver todos os dias a 'ghost cicle' em homenagem à Adriana Prado colocada na Av. Paulista. Abs.
- 13h22
- 21Oct
Rodrigo Worms
A duas semanas atrás o reporter Rafael Bastos do programa CQC foi 'as ruas de São Paulo pedalando para mostrar o perigo que correm os ciclistas urbanos da cidade, IMPRESSIONANTE foi a interpretação erronea das leis do Código de Trânsito Brasileiro por parte das autoridades da Policia Militar e agentes Marronzinhos ou amarelinhos de Sampa. Quando o reporter questionou o policial militar sobre o direito de prioridade dos ciclistas diante dos carros, o policial simplesmente disse que para que o ciclista ande em SP com segurança, deve pedalar por sobre a calçada!!!!!!!!!!E ainda disse que o caso de multa para o motorista que deixar de dar a distancia legal de 1 metro e meio do ciclista, que essa multa cabe quando existir o atropelamento do ciclista que ai sim o motorista pode ser multado!!!!!!!!!É mole!!!!!! Sou ciclista de trânsito aqui em Mafra - SC e pedalo no transito a mais ou menos 17 anos e essas foram as desculpas mais esfarrapadar que ouvi.
- 19h59
- 15Oct
wilberto Boos
..Recebi semanas atrás um "mapa cicloviário" de Nova York, trazido por um amigo. Impressionante a capcidade de assimilar mudanças lá na terra do tio Sam. Porque será que aqui é tão difícil quebrarmos paradigmas ? porque será que nós brasileiros, tão simpáticos e solíticos não compartilhamos espaços ? Aqui na minha cidade (Blumenau) não é diferente. A nossa associação (ABC) está há 12 anos trabalhando para efetivação do Sistema Cicloviário...conseguimos até agora míseros 50 km..de segmentos que não ligam lugar nenhum a nada....mas não perdemos a esperança, também agarramos cada centímetro que nos é destinado. Quero acreditar que a teoria da "invisibilidade pública" (pedestres, cilistas, cadeirantes...) está com os seus dias contados..apesar de aqui levar bem mais tempo do que em outros países. Um dia os gestores do transito cairão na real e se envergonharão do atrazo mental em que se instalaram.....ou não.
- 08h09
- 14Oct
Rogério Leite
Renata. Depois de ler seu texto e os comentários estou certo que os políticos do Brasil se juntaram e resolveram adotar uma firme postura anti-nós (os ciclistas e os comutadores). O que o DILAN descreveu é IGUAL a nossa ciclovia da Orla, que corre em zig-zag em Boa Viagem, Recife. Pior, começa do nada, sem nada que a conecte com outras iniciativas, e termina no nada, tb não servindo como real canal de mobilidade, e nisto se parece com a sua ciclovia na Marginal Pinheiros. Para completar, a Prefeitura de Recife resolveu fazer uma tal Via Mangue, uma via expressa que inclui uma ciclovia que corre meio que paralela a orla de Boa Viagem, por dentro. Mas esqueceu de integra-la. A ciclovia começa no meio de uma ponte e larga - EXPRESSAMENTE, sem saídas intermediárias - o ciclista 4Km depois, no meio de um pesadissimo tráfego EXPRESSO de carros! Vai morrer gente! Definitivamente, nossos políticos fizeram o mesmo curso! Oh racinha!
- 20h13
- 13Oct
Fernando B
Linda bem vinda ao pais da demagogia e dos políticos incompetentes. qual a novidade????
- 14h09
- 13Oct
edu
A população interessada tem que ser ouvida em projetos dessa natureza, não é? Não existe nenhum tipo de legislação que obrigue o poder a fazer audiências públicas para ouvir a necessidade da população? Ciclovia em zigue-zague (conforme comentario do DILAN) foi um dos maiores absurdos que ouvi ultimamente. É rir pra não chorar!
- 11h49
- 09Oct
Fernando Stickel
Renata, realmente, a falta de planejamento vai acabar com o ciclismo e tudo o mais! Pobre São Paulo!!!!
- 11h49
- 09Oct
José Cocco
Renata, Achei muito sensato o seu texto. Conseguiu separar o que de fato tem de diferente nas outras cidades mais amigas da bicicleta e São Paulo. De fato, a ciclofaixa de lazer acaba transformando o processo em um ciclo vicioso, bem "Tostines", ou seja, não trabalho de bike porque não tem ciclovia, ou não tem ciclovia porque não trabalho de bike (assim como muitos outros) ... Talvez fosse interessante reposicionar a nossa massa crítica e fazer lobby mais forte ainda, tentando captalizar que ainda não trabalha de bike, mas tem vontade (só não tem coragem)... Será que funcionários da Caloi, da Porto Seguro, da Bradesco Seguros e tantas outras empresas não podem aderir ao debate? Lendo os posts daqui e do ciclobr deu pra ver que estamos longe desta visão de "Bike pra trabalho"...
- 01h57
- 08Oct
Sérgio "DILAN" Ribeiro - CURITIBA/PR
Renata! Tem certeza que este seu texto é sobre São Paulo? Fiquei embasbacado, pois ele se encaixa perfeitamente na política daqui de Curitiba, infelizmente... Nosso "grandioso" prefeito inventou uma tal de Linha Verde - verde esta que pode ser tudo, menos em prol do meio ambiente, pois tem como principal "mérito", inúmeras pistas para automóveis e uma ciclovia compartilhada. Esta, por sua vez, só pode ser voltada ao lazer, visto que, incrivelmente, "ziguezagueia" em "S" num largo canteiro com gramado onde poderia ter criado uma ciclovia exclusiva, em linha reta, para deslocamento de quem realmente utiliza a bicicleta como um meio de locomoção. Resultado? Os ciclistas preferem se arriscar a pedalar nas vias exclusivas de ônibus implantadas nesta Linha Verde, do que utilizar esta ridícula ciclovia compartilhada. Estão faltando cabeças pensantes nos Órgãos Públicos! Digo, cabeças "pedalantes"...
- 16h32
- 07Oct
Eduardo Ut1ma
Por um lado, o poder público tirando mais uma vez o seu da reta! Por outro, vamos continuar brigando como vc diz "por cada centímetro quadrado" que é de nosso direito como ciclistas, de por a bicicleta no asfalto.
- 15h54
- 07Oct
Claudia Mancini
Renata, vc está coberta de razão. Estão começando a fazer algo. Mas é para lazer e não para diversificar - e portanto melhorar - o sistema de transportes de SP, tornando-o mais eficiente e democrático. Minha esperança é que com as faixas de lazer, mais gente use a bike e comece a perceber o quanto é viável ir de um ponto a outro da cidade em tempo muito inferior - e de forma muito mais prazerosa - do que de carro. O próximo passo, espero, é essas pessoas se juntarem a nós na defesa por um sistema de transportes que inclua a bicicleta.
- 13h50
- 11Nov
- 06h44
- 06Oct
Aventuras de MTB Extremo na Chapada Diamantina
Hoje na ESPN a segunda parte do especial "Quatro Aventuras em Uma Chapada", onde Renata Falzoni mostra os bastidores do documentário "Tres Chapadas de um Balão" e duas travessias extremas de MTB na Chapada Diamantina.
- 12h11
- 01Oct
Panis et Circenses, Ciclovia da Marginal do Rio Pinheiros deve sair do papel
São Paulo deve ganhar 14 quilômetros de ciclovia em janeiro de 2010, mas a ciclovia está fadada a ser de lazer devido a falta de acesso
A jornalista Renata Falzoni é a pioneira no Brasil da vídeorreportagem - formato onde uma pessoa grava, entrevista e conduz as gravações. Renata é também defensora das duas rodas no país há anos, fundadora dos Night Bikers. Juntando tantas qualidades, apresenta o programa ?Aventuras com Renata Falzoni? viajando em cima da bike.
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