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- 00h36
- 03Jun
Rua para as pessoas
por Renata Falzoni
Crédito da imagem: Dri Brasil / www.DriBrasil.com.br
Crédito da imagem: Fernando Stickel / www.stickel.com.br
Crédito da imagem: Fernando Stickel / www.stickel.com.br
Crédito da imagem: Fernando Stickel / www.stickel.com.br
Nos idos tempos da prefeita Erundina, de 1989 a 1993, a av Juscelino Kubitschek era fechada aos domingos desde o Ibirapuera até a marginal do Pinheiros. É anterior a essa época um projeto de ciclovias pelas marginais de terra do Rio Pinheiros unindo a USP ao Vila Lobos e ao Ibirapuera. Esse projeto paira pela prefeitura até hoje e diz a lenda que vai sair! Diz a lenda!
De lá para cá, a USP fechou suas portas aos domingos à população paulistana, sem falar na antipatia declarada aos ciclistas.
Nas gestões que se seguiram, a ciclovia de fim de semana pela JK foi abolida, assim como os Passeios Ciclísticos da Primavera e tudo o mais que se relaciona a pessoas ocupando ruas aos fins de semana, isso por conta da falta de vontade política da CET.
Um rol de problemas inventados sempre foram as desculpas esfarrapadas dadas aos jornalistas e aos cicloativistas que desde essa época indagavam o porque da abolição da ciclovia da JK, após as obras dos túneis. Uma batalha senão perdida, esquecida.
Lembro bem do advogado Luis Calandriello já falecido, dizer que a ciclovia da JK era uma lei extraordinária ou algo parecido que não poderia deixar de ser cumprida aos fins de semana. Se isso for verdade, trata-se de mais uma lei de papel a favor das pessoas nas ruas, descumprida na cara dura.
Mas independente disso, o fato é que seria muito fácil retomar a ciclovia de fim de semana pela Av JK e unir os Parques da Bicicleta (esquina da República do Líbano com av Ibirapuera) do Ibirapuera e do Povo. Houve uma tentativa nesse sentido capitaneada por Leão Serva, assessorando o Serra na época prefeito, mas não vingou.
(Ah, apenas lembrando o Parque das Bicicletas será fechado por uns bons anos devido as futuras obras do metrô e mais, as obras dos túneis da JK extinguiram as ciclovias que por ela passavam no canteiro central alguém se lembra?).
Isso desafogaria o Parque do Ibirapuera que aos fins de semana fica impraticável, tanto a pedestres quanto a ciclistas e daria uma chance ao paulistano de pedalar aos fins de semana pelas ruas, com segurança ao lado de seus filhos.
Mas em São Paulo a "bikefobia" é muito forte mesmo, o tema é mais que um tabu enorme. Parece uma questão de honra negar toda e qualquer atitude no sentido de promover a bicicleta como meio de transporte, lazer ou o que for.
Nos chamam de xiitas e radicias, mas não vejo nada mais radical do que negar o espaço urbano aos pedestres e aos ciclistas da forma como é feita em São Paulo. Isso sim é ser radical!
Nesse ponto precisamos dar crédito ao Rio de Janeiro que além dos 140 km de ciclovias, a prefeitura ainda tira os carros do aterro do Flamengo aos domingos para que a sua população possa desfrutar um pouco mais do espaço ao ar livre na cidade.
Fosse em São Paulo, teríamos asfaltado a praia da Copacabana, entupido-a de carros, ônibus e caminhões, por onde as "Garotas de Ipanema" passeariam trancadas dentro de Tucsons falando ao celular, a atropelar pedestres e ciclistas com o respaldo da CET, que proibiria o acesso dos banhistas ao mar por "segurança".
O disparate a se ouvir seria:
"_Onde já se viu querer atravessar a praia dos carros para se chegar no mar?"
Essa é a lógica absurda da CET de São Paulo, cisalham a cidade com a malha viária e proibem os pedestres de por ela circular.
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por Renata Falzoni
/renatafalzoni- 08h58
- 15Jun
Joice da Silva
O RJ tbm não é essa maravilha toda quando o assunto é ciclovia. A tal ciclovia está disponível na Zona Oeste (Barra e Recreio) e na Zona Sul. Como a cidade é mais do que isso, o resto dos pedaleiros tem que encarar o trânsito e torcer pra não parar sob algum ônibus. As coisas por aqui estão bem lentas em relação a isso e como não ficarei esperando por ciclovias, pedalo assim mesmo. Os carros que me aturem, por que não deixarei de usar minha bicicleta por causa disso.
- 19h03
- 05Jun
Willian Cruz
Falou tudo, Renatinha. Em uma cidade onde o presidente da CET - que também é secretário de transportes, secretário de obras e serviços e presidente da SPTrans - diz que a fluidez é mais importante que a vida das pessoas, não se poderia esperar outra coisa. http://blig.ig.com.br/freeride/2009/04/01/e-oficial-a-fluidez-e-mais-importante-que-a-vida/
- 09h18
- 05Jun
Lucas Melo - Aracaju-SE
Olá Renata! Dê uma olhada nesse mini-documentário, q eu axei na internet, sobre cidades q incentivam sua população a utilizar bicicleta ao invés de carros. video 1:http://www.youtube.com/watch?v=y4k1hfmcNBg&feature=player_embedded // video2: http://www.youtube.com/watch?v=WFmR9q1RsUU&feature=player_embedded
- 19h32
- 03Jun
Felipe Aragonez
Quando uma cidade vai envelhecendo ela devia evoluir. Em São Paulo é ao contrário. No decorrer dos anos ela fica menos evoluída. É praticamente viável e fácil fechar grandes avenidas nos fianis de semana e feriados. As ruas devem ser para as pessoas e não para latas poluidoras. A CET de São Paulo é a vergonha do Brasil.
- 13h41
- 03Jun
Thiago
E só pra completar, diria que além de "bikefobia", prevalece também uma certa "agorafobia", o medo do espaço público e (pior) o medo de valorizar o espaço público. E tome shopping center com nome de "pátio", condomínio fechado chamado "jardim" e por aí vai...
- 11h47
- 03Jun
André Pasqualini
É Renata, acabei de voltar de uma viagem de bicicleta onde pedalei por 3 ilhas (algumas maiores que a cidade de São Paulo) e por cinco dias não vi carros.Também não vi ghost bikes, não vi stress, loiras no celular eu vi, não em Suvs, mas em bicicletas. Ser ou não ser um xiita radical? Xiita são aqueles que seguem uma doutrina sem questiona-la, e questionar é algo que esta em nossa essência. Portanto temos uns 6 milhões de xiitas nessa cidade, no mínimo.
- 09h26
- 03Jun
luciana pinsky
E só mais um detalhe: há algumas ações políticas interessantes, como a a bertura do metrô para bicicleta no fim de semana e à noite (a meu ver, deveria estar aberta de dia também). Mas, mais do que isso, vejo uma quantidade de ciclistas maior nas ruas. Especialmente os grupos noturnos, que tem enfeitado a cidade nas noites de terças, quartas e quintas-feiras. Os pedestres e motoristas, em geral, costumam gostar de ver muitas bicicletas juntas.
- 09h23
- 03Jun
luciana pinsky
Todo ano quando chega este mail/junho meus pulmões deixam de funcionar devidamente. Eu faço esporte aeróbico, não fumo, tomo todos os cuidados possíveis, mas sou recorrente de um pecado maior: moro em São Paulo. Com sua imensa frota de carros, que só faz crescer, a poluição fica insuportável no outono/inverno. Mais um motivo - como se "apenas" melhorar o trânsito não bastasse - para incentivar o uso de bicicleta como meio de transporte.
- 07h28
- 03Jun
Matias Mickenhagen
A imagem de uma garota dirigindo e falando ao celular é realmente a praia de um paulistano. As novas pistas que estão planejadas para a marginal são mais uma vergonha para esta cidade já tão sobrecarregada de carros em alta velocidade. Parabéns pela reportagem, pela humanidade nela contida.
- 06h21
- 03Jun
Mario Amaya
A administração pública segue firme na contramão da tendência das outras grandes cidades do mundo, onde já se descobriu há algum tempo que dar um carro na mão de cada indivíduo é absurdo. A situação é mantida por meia dúzia de figuras ineptas que detêm poder sem sabedoria e privilegiam assumidamente o inferno dos carros em vez da segurança. Damos os nomes aos bois ou está suficientemente óbvio?
- 06h21
- 03Jun
Mario Amaya
São Paulo já tem uma personalidade coletiva viciada em engarrafamentos, corroída pela descultura do automóvel-status e a população considera a rua como local de combate e não espaço de convivência. Distorções mentais coletivas que só vão sumir após gerações de pressão intensa.
- 06h20
- 03Jun
Mario Amaya
Depois do que aconteceu na Marginal Pinheiros, estou convencido de que alguns dos agentes do planejamento urbano já passaram do descaso ao escárnio e devem ser desgastados e confrontados em campanhas de questionamento contínuas. Minha paciência acabou e não vou esperar até depois das eleições para que algo mude.
- 18h19
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A jornalista Renata Falzoni é a pioneira no Brasil da vídeorreportagem - formato onde uma pessoa grava, entrevista e conduz as gravações. Renata é também defensora das duas rodas no país há anos, fundadora dos Night Bikers. Juntando tantas qualidades, apresenta o programa ?Aventuras com Renata Falzoni? viajando em cima da bike.
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