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- 08h53
- 02Jul
A Editora Alta Montanha, que publicou a revista Headwall está oferecendo um pacote com as 9 edições ainda disponíveis (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 10, 12) por em R$ 65,00 (correio incluso). Importante fonte de documentação do nosso esporte, foi a revista que mais tempo conseguiu se manter. Se você tem interesse, compre antes que acabe! http://www.revistaheadwall.com.br
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Na noite de ontem, em sessão aberta ao público, os ilustres Vereadores da Câmara Municipal de São Bento do Sapucaí votaram por unanimidade a aprovação do Monumento Natural Municipal da Pedra do Baú, assegurando assim, a soberania deste pedaço do município à esta cidade, e escrevendo um importante capítulo da história deste pedaço da Serra da Mantiqueira.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
O Projeto de Lei número 53/09 de autoria do Exmo. Sr. Prefeito Ildefonso Mendes Neto é um importante e corajoso passo no intuito de preservar a flora, fauna e superfície rochosa da Pedra do Baú e garantir o acesso da população à este que é o mais importante pólo excursionista do estado de São Paulo.
Vale lembrar que este é um desejo antigo da pupulação sambentista e de todos os que frequentam e gostam deste lugar. Durante as várias administrações públicas passadas, Prefeitos anteriores tiveram em mãos a oportunidade de transformar o Baú em uma Unidade de Conservação, mas nenhum teve o real interesse de assegurar para o município, as rédeas do destino da Pedra. É importante recordar também que em todas estas tentativas, a comunidade de montanhistas se envolveu de maneira a facilitar e tornar viável este processo de criação que é extremamente trabalhoso.
No início deste ano, a Secretaria Estadual do Meio-Ambiente, iniciou os estudos e nomeou uma comissão para criar uma UC na região. Pessoalmente, considerei esta atitude uma afronta à soberania deste município, que tem plenas condições de gerir a área. Felizmente tivemos um pulso firme que resguardou os interesses de São Bento e hoje a Pedra amanheceu mais sambentista do que nunca.
Assim, restou a nós, montanhistas que estiveram ou na noite de ontem presentes na sessão, um enorme alívio e desejo de parabenizar nosso Prefeito e nossos Vereadores, pelo ato.
- 08h55
- 29Jun
Mochila Act lite 50+10 Deuter – Usei esta cargueira no trekking da Serra Fina pela primeira vez e fiquei impressionado pela leveza e capacidade deste modelo. A mochila possui sistema de ventilação Aircontact Lite, sistema Vari-Quick de ajuste da altura das alças, armação de alumínio interna em forma de X, barrigueira estruturada e compacta com sistema de fivelas com ajuste puxando para frente, compartimento interno para hidratação e muitas outras qualidades. www.deuter.com.br
Bota Coroá dry Snake – Bota projetada para caminhadas longas com mochila pesada, trilhas, montanhas e caminhadas de aproximação. Construção à prova de bomba! A forração com membrana dry Simpatex confere resistência a água e garante a respiração. O cano alto garante proteção extra ao tornozelo. Modelo indicado para quem curte média. www.snake.com.br
Câmera Coolpix L12 Nikon - Carrego esta compacta toda vez que arrastar uma reflex é uma tarefa impossível. Não é o modelo top da Nikon, mas faz o serviço quando você precisa apenas documentar a trip. Os 7.2mp são suficientes para ampliações razoáveis e permite cortes com qualidade. No modo filme, se seu intuíto for fazer vídeos para a internet, cumpre bem a função. Funciona com 2 pilhas AA, o que é uma vantagem para quem vai para a trilha e não tem como recarregar baterias. Excelente custo-benefício. www.ttanaka.com.br
- 13h44
- 26Jun
Crédito da imagem: divulgação
O 8° EENE (Encontro de Escaladores do Nordeste) será no dia 09 de outubro em Itatim, à cem quilômetros de Feira de Santana ou duzentos de Salvador. Itatim é um município privilegiado em número de paredes rochosas, e os escaladores de toda a Bahia se uniram com a tarefa de deixarem prontas 50 rotas até o dia do encontro.
O estilo predominante emm Itatim é a escalada de regletes e aderência, e onde antes onde havia vias tradicionais fixas, agora aparecem vias esportivas na média de 30 metros e tradicionais com estilo mais limpo.
Aguarde maiores informações em data próxima.
Crédito da imagem: divulgação
Crédito da imagem: divulgação
- 07h03
- 25Jun
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Existem no mercado, dois tipos de gatilhos de mosquetão: os de zicral (feitos do mesmo material que o restante do corpo do mosquetão), e os de aço. Apesar da aparente fragilidade, que causa receio nos principiantes, os mosquetões de gatilho de aço tem muitas vantagens em relação aos de gatilho maciço, que devem ser levadas em conta na hora de formar seu rack. Vou citar algumas para quem não conhece ou ainda está na dúvida sobre este tipo de equipamento.
1. Peso – mosquetões de gatilho de aço são cerca de 25% mais leves que os de gatilho maciço;
2. Resistência – o fio de aço, por aceitar deformações, é até 20% mais forte que o pino que fecha o gatilho do maciço. O fio leva vantagem tanto no sentido longitudinal quanto no transversal!
3. Oscilação do gatilho - faça o teste como no vídeo abaixo e veja como, por ter mais massa e ser mais pesado, quando você bate com o mosquetão de gatilho maciço contra a sua mão, ele abre (escute o barulho). Isso não acontece com o gatilho de aço. Essa oscilação pode, no caso de uma queda, e de o escalador ser um azarado, causar o back-clipping, que é a saída involuntária da corda de dentro do mosquetão de costura;
4. Facilidade de clipagem - é muuuito mais fácil clipar a corda durante uma costura no mosquetão de gatilho de aço. Sem contar que eles “abrem” mais, pois o fio ocupa menos espaço que a barra maciça, sobrando mais espaço interno no mosquetão. Sem contar que ele não desliza a corda para os lados como é o caso do gatilho maciço que é redondo;
5. Auto-limpeza – mosquetões de barra maciça, em ambientes de neve, gelo ou sujeira, podem ter o fechamento obstruído se algum material se acumular no buraco do gatilho - o que ocasionaria uma enorme perda de resistência. Nos mosquetões de gatilho de aço, isso dificilmente aconteceria.
A única desvantagem dos mosquetões de gatilho de aço é que se o fio for amassado, ele poderá perder a funcionalidade. Então é necessário um cuidado extra no momento de desequipar rotas e não usá-los em estribos, bases e outras situações onde possam ser sobrecarregados e a carga recair sobre o gatilho, deformando-o.
Considero que equipar costuras é a melhor utilização para estes mosquetões, o que por si só, já é uma grande ajuda na segurança e um alívio no peso para qualquer escalador esportivo ou tradicional
- 16h25
- 23Jun

O Guia de Trilhas TREKKING (Volume 1), detalha minuciosamente sete roteiros, publicados em 82 páginas coloridas: Pedra da Mina, Pedra das Flores, Ponta da Juatinga, Serra do Cipó, Serra dos Órgãos, Serra Fina e Torres del Paine (Patagônia chilena).
Todas caminhadas são apresentadas com diversas fotos coloridas, mapa georeferenciado, gráficos de altimetria, tabela de orientação com distância percorrida, altitude ponto-a-ponto, coordenadas de GPS e descrição detalhada da direção a seguir.
Ao todo são 27 dias de trekking e 292 quilômetros de trilhas, que variam de grau de dificuldade técnica e física conforme o roteiro, mas que pretendem atender tanto ao trekker experiente quanto ao iniciante.
O livro está á venda em livrarias, lojas especializadas e diversos sites, inclusive o site da editora: www.kalapalo.com.br
Autor: Guilherme Cavallari
Kalapalo Editora
ISBN 9788588493049
R$ 39,00
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Neste sábado, foi finalizado em São Bento do Sapucaí (SP), o Seminário Montanhismo de Mínimo Impacto da Pedra do Baú, com a presença de diversos escaladores de várias gerações, que puderam, de forma equilibrada e ética, dar andamento nos trabalhos de manutenção de vias e regras para novas conquistas.
Dentre os presentes, esteve Max Haim, que durante as décadas de 70 e 80 foi um dos mais ativos conquistadores neste complexo rochoso, e que expôs de maneira clara e objetiva, a maneira com que ele deseja que a manutenção de suas rotas seja feita: obedecendo ao traçado e proteções originais. Sua presença foi de extrema importância e é só graças a ela, que vias clássicas como Chove e não molha, Tudo bem, Normal do Bauzinho e outras, poderão ser mantidas da forma como foram abertas, preservando um estilo de montanhismo que deve ser respeitado. Parabéns ao Clube Alpino Paulista por ter conseguido a importante presença de Haim nesta reunião.
É importante lembrar que nos últimos meses diversos escaladores se acharam no direito (!) de palpitar sobre vias cuja autoria não lhes pertencem, falando em nome de pessoas que sequer conhecem e isso acabou tomando uma direção totalmente fora da ética respeitada em todo o mundo, que se baseia no fato de que o direito autoral deve ser preservado. Nos últimos anos houveram diversos casos onde montanhistas, se achando donos da verdade - e que só a sua maneira de ver o esporte é que deveria subsistir no conjunto, desfiguraram vias, atravessaram conquistas já estabelecidas, suprimiram grampos de conquistas legítimas e muitas vezes sucumbiram nos mesmos erros em que queriam combater. O direito autoral não é perfeito, mas é uma regra aceita um todo o mundo e que todos temos que seguir, para que o esporte não vire uma verdadeira bagunça, e que cada um se arme de uma furadeira ou uma chave de boca e passe a colocar ou retirar grampos só porque não está de acordo (ou ciúmes) do trabalho de outros. Infelizmente, muitas pessoas que gralharam durante muito tempo na internet ou nas rodas de escalada, não tiveram a coragem de aparecer no Seminário e expor sua visão distorcida sobre a ética. Ética esportiva que, aliás, já existia bem antes de qualquer um de nós nascer. Mas no final, venceu o bom senso de quem de fato trabalha para a comunidade e não tem o sentimento egoísta que move os que pensam ser a montanha, um espaço que merece ser contemplado por uma minoria apenas. Viva a pluralidade de estilos e o montanhismo livre!
Os resultados do Seminário serão divulgados ainda esta semana pela FEMESP em seu site: http://www.femesp.org e é importante que todos os que freqüentam o lugar e tem interesse no desenvolvimento sustentado do esporte leiam o que foi discutido, pois este documento e suas recomendações em muito acrescentará para que o Baú contribua de maneira sadia para o esporte. E continue sendo um lugar onde a liberdade de estilos seja respeitada.
- 08h42
- 18Jun
Crédito da imagem: Fabrício Camargo
Entre os dias 10 e 12 de outubro de 2009 acontecerá em Vila Maria (RS), o 1° Encontro de Escalada no Morro do Urubú. Mais infos, a partir da semana que vem no site: www.escablues.com.br
Crédito da imagem: Fabrício Camargo
Crédito da imagem: Fabrício Camargo
- 08h06
- 17Jun
Frederico Rodrigues diz:
falae man...tá na área? Tô mandando o trailer do filme The Firsts, que estou finalizando
Eliseu Frechou diz:
Blza Fred? Recebi o arquivo e já descarreguei. Tá bacanão.
Frederico Rodrigues diz:
beleza man...massa...o vídeo tá irado também. No trailer é que não caprichei tanto...mas ficou bom hahaha
Eliseu Frechou diz:
Então Fred, de onde veio a idéia de fazer um filme sobre primeiras ascensões?
Frederico Rodrigues diz:
A idéia surgiu depois de alguns problemas que existiram aqui na região...como boulder com 2 nomes... setores com 2 nomes... então isso foi uma maneira de documentar as primeiras ascensões.
Eliseu Frechou diz:
Mas que situação chata. O direito autoral é uma regra aceita internacionalmente, não deveríamos ter mais este tipo de problema, mas de qualquer modo, temos que educar as novas gerações para esta ética do esporte. Recentemente tivemos aqui no Baú um problema parecido, da mesma natureza, com escaladores querendo impor sua visão sobre a dos conquistadores, em vias que já existiam antes deles começarem a escalar. Lastimável. Seu filme foca esse problema em GO apenas ou no Brasil?
Frederico Rodrigues diz:
Bom, nós procuramos falar da nossa realidade aqui no Centro-Oeste, mas acho que a regra se aplica a todos os escaladores do mundo. Eu concordo com você quando diz que não deveríamos ter mais esse tipo de problema, mas infelizmente ainda existem muito escaladores egocêntricos e anti-éticos, então o filme é uma forma de mostrar as futuras gerações, que o direito autoral existe na escalada também e a sua importância na história local, ou seja, o que realmente se passou naquela região.
Eliseu Frechou diz:
Quanto tempo durou a captação e finalização do filme?
Frederico Rodrigues diz:
O projeto foi iniciado o ano passado e estamos finalizando por agora...algumas particularidades no filme o tornou lento, como por exemplo, novas linhas e suas cadenas, filmagens sem segurança de corpo, a falta de equipos profissionais e de alta tecnologia (alto custo) e principalmente devido aos caprichos nas filmagens, edição e trilha... o que tornou o roteiro do filme bem elaborado. São mais de 20 novos boulders encadenados...vários ângulos de imagens...opiniões dos escaladores...acho que a demora se deve também a qualidade do material.
Eliseu Frechou diz:
Mas o resultado está muito profissional. Quem participou desse processo de finalização?
Frederico Rodrigues diz:
Fizemos um trabalho em equipe, uma galera (e até os próprios escaladores) participaram das filmagens...eu estou cuidando da parte de edição, com uma revisão da galera da Câmera 3 e da Voarte, que trabalham com produção. A trilha do filme parte eu trabalhei e outra grande parte o Stefano, da Killerloop Studios, o Jailton da Liberta esta cuidando de umas intros dos setores, e por ai vai. E a galera está empenhada na produção do vídeo.
Eliseu Frechou diz:
Então a comunidade abraçou o projeto?
Frederico Rodrigues diz:
Sim. E por uma causa justa, todos em busca da mesma vibração, e de mostrar seu melhor trabalho, tentando despertar o interesse em organizar a escalada na região, que cresce de forma descontrolada. Eu agradeço a todos que participaram deste projeto.
Eliseu Frechou diz:
E qual a forma de distribuição do filme? Você pretende vendê-lo em DVD, participar de mostras?
Frederico Rodrigues diz:
Apesar de não termos usado câmeras de hi-definition, a idéia é participar do BANF deste ano, mostrar nosso trabalho e a linha que estamos seguindo... e de outras mostras também, mas dependendo da aceitação faremos uma produção em alta escala. Tudo pode acontecer.
Eliseu Frechou diz:
Então para ver o filme na íntegra, só na Mostra Internacional do Banff?
Frederico Rodrigues diz:
Ah claro, a comunidade escaladora tem que investir mais no que é produzido pra eles, assim como o filme, temos revistas e jornais de qualidade, faz-se festivais, campeonatos e feiras para escaladores. Existe uma galera preocupada em documentar e movimentar o mercado da escalada, e em contrapartida, os escaladores também têm que se preocupar em investir no que foi produzidos para eles, senão a máquina vai à falência.
Eliseu Frechou diz:
Isso aí man. Então vamos colocar o trailer pra galera ter uma idéia do que verá na telona em breve.
Frederico Rodrigues diz:
Vamos nessa, e é só o começo. Tem mais vindo aí, vale a pena conferir galera.
Eliseu Frechou diz:
Parabéns pelo trampo de primeira, Fred. Abrazo pra galera de Cocal.
Frederico Rodrigues diz:
Valeu man, estamos aí no corre... Nós é que agradecemos a oportunidade de estarmos juntos aí na ativa... valeu a força... abraxxx

Fred Rodrigues é escalador há mais de 10 anos, biólogo, professor de Educação Física e produtor da SLOPER films: www.sloperescalada.com.br
- 07h55
- 16Jun
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
O segundo dia na Serra Fina amanheceu nublado, úmido e quente. Como sempre, acordei cedo e antes das 08h00 já estava botando pressão na galera para sairmos rumo à Pedra da Mina, objetivo deste dia. Entre uma nuvem e outra, conseguíamos ver uma parte do percurso, que serpenteava uns morros bem acima do Maracanã. E já dava pra sentir que a puxada seria braba de novo.
Assim que o Paulo e o Cláudio fecharam as mochilas, seguiram com a Beth e eu na rabeta, no trecho que diferente do dia anterior, era bem mais rochoso e cheio de capim alto. Não passou uma hora da nossa saída e começou a chover. De novo. E mais forte ainda. Caracas! desgraça pouca é bobagem.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Vamos em frente, olhando para baixo para pelo menos não tomar a chuva na cara. A aderência do solado agora é o que conta pra gente não se machucar nos trechos rochosos onde a água corria de dar gosto. Num rápido cessar do temporal, conseguimos comer um lanche e seguir em direção ao rio logo abaixo da Pedra da Mina, onde deveríamos pegar água para passar a noite. Acreditando que depois de tanta chuva haveria riachos no alto da montanha, pegamos apenas 2 litros e seguimos em frente, para o crux do dia: a rampa que dá acesso ao topo da Pedra.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
O Paulo havia falado pra Beth não se preocupar, disse que seria como uma subida da Ana Chata (montanha do conjunto Pedra do Baú que ela conhece muito bem). Só que uma subida um pouco mais longa... De qualquer modo, não havia outra maneira de acampar a não ser nos platôs do topo. A maior parte da trilha é desprovida de bons locais para acampar, sem água ou a mercê do vento forte, que como vimos, poderia ser nosso algoz. Confesso que esse trecho final foi triste. Mas como tudo na vida, seja bom ou ruim, acaba. E eis que chegamos em meio a uma tormenta dantesca no alto dos 2.797m da quarta montanha mais alta do Brasil, e que é a mais alta da nossa Serra da Mantiqueira.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
O Paulo tratou de nos guiar até uma série de platôs logo abaixo do topo onde parecia mais abrigado do vento e sem pensar em outra coisa, armamos as barracas. O frio nos congelava o rosto e as mãos, foi bem difícil esta operação, que demorou intermináveis 10 minutos. Uma vez dentro da barraca e protegidos do vento, começamos a trocar a roupa e nos perguntar onde estariam nossos amigos Luiz Flávio, Inácio e Denise. Passaram-se meia hora até ouvirmos a voz da Denise, que já quase congelada, entrou na barraca do Paulo até que o Inácio montasse a deles.
As 16h00 estávamos todos relativamente protegidos, mas a tormenta não passava lá fora, o que teria que acontecer para que pudéssemos cozinhar. Não acendo fogareiro dentro da barraca por nada. Com o vento amainando já quase ao anoitecer, foi hora de queimar o querosene e fazer um macarrão, o cappuccino e pipocas. Pipocas? Sim, o Paulo levou pipocas para a trilha. Ahahahaha! Por essa eu não esperava. Aliás, acho que os caras vão pra trilha para comer, pois só fizeram isso até quase as 22h00.
Esta noite a temperatura estava bem mais baixa, beirava os 4°C dentro da barraca. Para completar a desgraça, começou a entrar água dentro da nossa barraca e molhou os sacos de dormir. Ok, eles funcionam mesmo molhados... Mas não encharcados. Um rato morfético roeu um buraco do tamanho de uma bola de golfe na lateral da barraca e achamos que a água entrou por ali. Ouvimos uns ratinhos sondando o lado de fora da barraca, mas dávamos uns tapas no sobre teto da barraca para assustá-los e achamos que seria o suficiente. Mero engano. O roedor furou a barraca e o isolante da Beth. Tentamos contornar a situação, mas o estrago já havia sido feito. Tiramos uma panela de água empoçada num dos cantos. A noite foi longa, e com os pés molhados – melhor, congelados.
Assim que sol raiou saí da barraca e deu pra sentir que naquele dia finalmente veríamos o sol. E de fato isso aconteceu. Só que tempo limpo é sinal de tempo frio. Até as 10h00 havia gelo nas poças d’água no topo.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou

Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Crédito da imagem: Eliseu Frechou

Crédito da imagem: Eliseu Frechou

Crédito da imagem: Eliseu Frechou

Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Da Pedra da Mina existem dois caminhos para descer. O primeiro segue a crista da Serra Fina, faz-se mais um pernoite no Pico Três Estados e termina o rolê no sítio do Pierre em Itamonte, que era o nosso plano. Outra rota seria descer pelo Paiolinho, um dia muito mais puxado, mas sem pernoite, saindo da roubada por Passa Quatro, cidade onde havíamos deixado os carros. Resolvemos esperar a neblina matinal subir para decidir o que fazer. Enquanto secávamos um pouco as roupas e sacos de dormir. Como as nuvens ainda estavam escuras e os cúmulus-nimbus já despontavam no horizonte, resolvemos descer pelo Paiolinho. O Pico dos Três Estados ficaria (para Denise, Beth e eu) para o ano que vem. Sem a certeza do tempo bom e com os agasalhos molhados – e sem nenhuma vontade de ficar mais um dia na geladeira - essa foi uma sábia decisão. Sem remorsos. Vamos descendo devagar e no caminho encontramos diversos grupos, todos descendo por conta do mal tempo dos dias anteriores. Alguns dos grupos haviam subido pela Toca do Lobo, como nós, e outros pelo Paiolinho (um dia a menos), mas muito mais íngreme.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
A descida é fatigante também, a vegetação muda rápido, dos campos de altitude a capoeiras de samambaias e capins e finalmente a florestas de árvores grandes. No caminho encontramos uma mulher que havia caído mais de 30 metros numa das pirambas e quebrado o tornozelo. A galera que estava com ela a socorreu super bem e a situação estava sob controle. As 20h00 conseguimos uma Kombi para nos baldear até a cidade e a 01h00 do dia seguinte já havíamos descido de uma ponta da Mantiqueira e subido outra e finalmente chegamos em casa. Muito cansados, mas prontos para outra... Daqui a uns dias, é lógico.
Na real eu mais filmei do que fotografei nesses três dias, e agora, vendo as imagens, vejo que foi uma captação bem interessante e sem dúvida nenhuma, um documentário da força que a natureza tem nessas montanhas. Quem sabe numa oportunidade próxima, consigo editar o material e assim compartilhar com vocês esta experiência.
Crédito da imagem: Eliseu Frechou
Obrigado aos amigos de roubada: Inácio, Paulão, Denise, Luis Flávio e Claudião pelo convite e pela camaradagem nesses três dias.
Valeu todos a galera que comentou o post. Vou voltar sim Orlando, vamos combinar. Rosiane, vocês terminaram? Conte-nos como foi com o seu grupo, mesmo que rápido e naquelas condições. Aliás, muito legal encontrar uma galera do CEB naquelas paragens.

Trance da trip: um rolê desses não poderia passar sem trilha sonora. E o que levei no MP3 foi o seguinte, apesar de não ter conseguido ouvir muito: Younger Brother The last days of gravity é algo como um Pink Floyd eletrônico/remixado. É bom. É muito bom. A faixa All I want é quase um revival do LP Middle do PF, mas lembra Zappa em alguns momentos. O CD Mind Games do Silent Sphere é forte como o vento da Serra Fina e denso como as nuvens de uma tempestade. Dark da Macedônia, não poderia ser diferente, mas é só para ouvidos acostumados. O Blanka Free Flow é alegre e flui bem para ouvir durante o dia, fullon da melhor safra israelense dos últimos anos.
Eliseu Frechou, é guia de montanha, instrutor de escalada e atleta patrocinado. Dedicou 25 dos seus 40 anos ao montanhismo. É colaborador da ESPN-Brasil desde 1999. Já produziu diversos filmes e documentários premiados sobre a escalada e o montanhismo brasileiro.
Eliseu abriu algumas das maiores e mais difíceis vias de escalada do Estado de São Paulo, dentre as quais “Neurônios Fritos” (V 5º VI A3 – 250m/3 dias) na face norte do Bauzinho, “Distraídos Venceremos” (V 5ºVII A3 - 310m/5 dias), e dezenas de outras na região da Pedra do Baú. Conquistou também, quase duas centenas de novas rotas na região da Serra da Mantiqueira, em diversos estilos e com até 9° grau de dificuldade.
Em 94, escalou em companhia de sua esposa Elizabeth B. Frechou a big wall Half Dome pela “Northwest Regular Route”(5.11 A2 - 800m/3 dias). Logo após, subiu uma as maiores paredes rochosas do planeta, o big wall El Capitan, pela rota “Zenyatta Mondatta”(VI 5.9 A4+ - 850m/9 dias), uma das mais difíceis rotas já escaladas por brasileiros, graduada em A4+. Ambas as big walls estão situadas no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, EUA. Por estas duas escaladas, Eliseu e Elizabeth ganharam o prêmio “Os Maiores Aventureiros de 1995”, conferido pela comunidade excursionista brasileira.
Em junho de 96, estabeleceu com uma equipe brasileira sob um calor de 53°C a rota “Solução Suicida” (6º VII A4 - 550m/6 dias) no Kaga-Tondo, a maior torre rochosa africana, situada no deserto do Sahel, Mali. Em agosto deste ano escalou ainda, em solitário, a face norte da Pedra do Baú, uma das mais difíceis do país, numa escalada de dois dias.
Em julho de 98, repetiu a escalada mais difícil do Brasil, a rota “Terra de Gigantes” (VI 4°sup A4 600m/5 dias), na Pedra do Sino. Em setembro, com Márcio Bruno, fez a terceira repetição da escalada mais difícil do El Capitan, a “Plastic Surgery Disaster” (VI 5.VI A5 - 750m/8 dias), sendo um dos únicos brasileiros que tem em seu currículo duas escaladas no El Cap.
No final de maio de 2003 escalou em solitário a parede da Yosemite Falls (maior cachoeira americana e quinta mais alta do mundo), pela rota "Yosemite Pointless" (V 5.9 C3+ - 600m/3 dias), realizando a primeira ascensão clean da rota. Ainda em maio, repetiu a "West Face" (V 5.8 C2+ - 300m/2 dias) da Leaning Tower, considerada a parede mais negativa dos EUA. Em dezembro viajou com Chistopher Young em Siurana e Montserrat na Espanha para uma temporada de escalada esportiva e tradicional.
Em 2004 escalou a "West Face" (V 5.8 C2+ - 300m/2 dias) da Leaning Tower novamente, desta vez com o montanhista Marcelo Vaccari. Em outubro visitou com Chistopher Young os canyons de calcário de Potrero Chico, no México.
Em maio de 2006 esteve pela segunda vez no Mali onde abriu com Fernando Leal diversas vias e boulders, dentre elas a "Filhos do Sol", no Wanderdu. Em setembro deste ano, ainda escalou com Wagner Pahl o "East Butress" do Mount Whitney, montanha mais alta dos EUA continental.
Entre estas e outras viagens ao exterior, Eliseu viaja freqüentemente pelo Brasil, escalando e abrindo rotas do CE ao RS.
Eliseu Frechou se dedica a 25 anos ao montanhismo. É fundador da Montanhismus, 1ª escola de escalada do Brasil e do Mountain Voices - Informe Brasileiro de Montanhismo e Escalada. Atleta profissional já escalou algumas das maiores e mais difíceis montanhas do mundo. Colaborador da ESPN-Brasil desde 1999