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Por Celso Unzelte
Coritiba, com o, ou Curytyba, com u e y. Essas eram as duas maneiras de escrever o nome da capital do Paraná em 1909, ano da criação daquele que é até hoje o clube mais vitorioso do Estado. Seus fundadores (na maioria alemães) optaram pela grafia com o, que permanece até hoje. Nascia, assim, o Coritibano Foot-Ball Club, que 16 dias depois transformou-se no atual Coritiba.
O apelido “coxa-branca”, outra marca registrada do time e da torcida, surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, de uma provocação de Jofre Cabral e Silva, presidente do rival Atlético. Nos dias de clássico Atletiba, ele costumava ficar rente ao gramado para xingar o zagueiro coritibano Breyer, alemão de nascimento, de “quinta-coluna” e “coxa-branca”. O que era ofensa caiu no gosto da torcida, que hoje assume o apelido.
Em 1940, o Coritiba já era considerado uma das maiores equipes do país, tanto que foi convidado para inaugurar o Estádio do Pacaembu, em São Paulo, na época o maior da América Latina. O time perdeu para o Palestra Itália, atual Palmeiras, por 6 a 2. Mas teve a honra de marcar o primeiro gol do estádio, feito por Zequinha, emprestado pelo Ferroviário ao Coxa especialmente para aquela partida.
Em 1976, o Coritiba alcança o hexacampeonato paranaense. Em 1985, ganha seu maior título: o brasileiro, derrotando o Bangu, nos pênaltis, no Maracanã.
O estraga-prazeres
Um timaço. E, ao mesmo tempo, um grande estraga-prazeres. Era assim que eu enxergava o Coritiba nos anos 70. Não era para menos: no Paraná, o time sempre foi o maior campeão. Com Jairo, Hermes, Aladim & companhia, não dava brecha para ninguém. Tanto que foi campeão seis vezes seguidas, de 1971 a 1976.
No Brasileiro, o Coxa também pregava seus sustos nos chamados grandes (ou, pelo menos, naqueles que eram considerados à época nacionalmente maiores do que ele). Principalmente em 1979 e 1980, quando chegou às semifinais do Brasileirão, perdendo a chance de disputar a final para o Vasco de Roberto Dinamite, em um ano, e para o Flamengo de Zico, no outro.
Um dia, esse encanto acabou. E o Coritiba, aos meus olhos, passou a ser um time como os outros, sujeito a altos e baixos. Depois do título estadual de 1979, o Coxa chegou a ser ameaçado pelo rebaixamento em seu próprio Estado, onde só foi se reerguer com o título de 1986. Mas foi também nesse meio-tempo que, paradoxalmente, o Coxa alcançou sua maior conquista em termos nacionais.
Até então, o título fora do Paraná do qual o torcedor coxa-branca mais se orgulhava era o Torneio do Povo de 1973, ganho contra Atlético Mineiro, Bahia, Corinthians, Flamengo e Inter. Depois da conquista do Brasileiro de 1985, o Torneio do Povo não deixou de ser importante, mas virou passado.
Ao contrário do que se diz por aí, aquele não foi um título conquistado contra times de segunda linha. Na primeira fase, os 20 maiores times do Brasil se enfrentaram em um grupo, do qual fazia parte também o Coritiba. O cruzamento com os times menores só se daria nas fases seguintes, quando apenas alguns entre os grandes se classificaram — entre eles, o próprio coxa. Nas semifinais, enquanto o Bangu passou pelo Brasil de Pelotas, o Coritiba teve que encarar o Atlético, despachando-o dentro do Mineirão.
Finalmente, para se tornar o primeiro clube paranaense campeão brasileiro, o Coritiba do goleiro Rafael, do lateral-esquerdo Dida, do artilheiro Índio e do rápido Lela bateu o Bangu nos pênaltis, dentro de um Maracanã lotado de torcedores dos outros clubes cariocas. Um estraga-prazeres. E um timaço.
Títulos mais importantes
1 Brasileiro (1985); 1 Brasileiro da Série B (2007); 33 Campeonatos Paranaenses (1916, 27, 31, 33, 35, 39, 41/42, 46/47, 51/52, 54, 56/57, 59/60, 68/69, 71, 72, 73, 74, 75, 76, 78, 79, 86, 89, 99, 2003/2004 e 2008)
Jogadores mais marcantes
Fedato (zagueiro, 1944 a 1957)
Duílio Dias (atacante, 1954 a 1960)
Krüger (meia, 1966 a 1976)
Rafael (goleiro, 1985 e 1988 a 1992)
Alex (meia, 1996/97)
Ficha técnica
Nome: Coritiba Foot-Ball Club
Fundação: 12/10/1909
Apelido: Coxa
Estádio: Major Antônio Couto Pereira (38.000)
HINO
Autores: Cláudio Ribeiro/Homero Réboli
Lá no alto de tantas glórias
Brilhou, Brilhou um novo sol
Clareando com seus raios verde e branco
Encantando o país do futebol
Palco de artistas, jogadores, de um passado sem igual
Da arte dos teus grandes valores
O seu nome pelo mundo vai brilhar
Coritiba, Coritiba campeão do Paraná
Tua camisa alviverde
Com orgulho para sempre hei de amar
Jogando pelos campos brasileiros
Despertando na torcida emoção
Coritiba Campeão do Povo
Alegria do meu coração
Coxa, Coxa, é garra, é força, é tradição
Coxa, Coxa, explode o coração