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- 01h04
- 02Jul

A marca deste Corinthians é a segurança e o equilíbrio, personificados na competência de Mano Menezes.
Depois da gestação na Segunda Divisão, há uma equipe que sabe o que faz em campo, que aprendeu a jogar dentro e fora de casa.
Contra o Internacional, depois da pressão colorada, o time assumiu a partida no primeiro tempo, ampliando a posse de bola e subindo pelo lado esquerdo.
Mano preparou a marcação com Dentinho e Alessandro pela direita, André Santos e Jorge Henrique pela esquerda. Assim conseguiu jogar e fechar os lados para o Inter.
Essa foi a diferença. Quem marcava André Santos? O lateral cruzou a bola para o primeiro gol e fez o segundo. Quem?
Esperava-se mais de Taison e Nilmar. D'Alessandro tentou escapar da marcação oferecendo-se aos companheiros como alternativa para o passe.
Não funcionou. Alecsandro foi a boa resposta para o jogo aéreo na segunda etapa, mas foi pouco. É hora de juntar os cacos.
Com a vaga na Libertadores garantida, o Corinthians pode antecipar a preparação do centenário.
Comercialmente, a vitória é muito importante. Tecnicamente, é o sepultamento do trauma da Série B.
O jogador da decisão? Está la na foto: Jorge Henrique, um gol em cada jogo e muita responsabilidade tática.
- 13h07
- 01Jul

Os resultados extraídos do mata-mata são complexos.
Nos pontos corridos pesa a campanha, a somatória de erros e acertos ao longo da temporada. Eventuais tropeços podem ser minimizados.
O mata-mata é uma guerra psicológica, um massacre que poucos conseguem suportar quando a temperatura chega ao nível máximo no segundo jogo.
Nervos no lugar fazem toda a diferença.
Foi assim no Pacaembu. Será assim aqui em Porto Alegre.
Atrás de lances técnicos e de posicionamentos táticos está a confiança, combustível do entendimento e do desempenho de cada missão em campo.
Uma cobertura bem feita, por exemplo, resultado de uma decisão quase que intuitiva, pode decidir um campeonato
A frieza de Ronaldo impressiona e contrasta com toda a expectativa despejada em Nilmar. Nesse confronto específico, o corintiano leva vantagem pelos anos de carreira. E deverá ser menos cobrado em caso de derrota.
Ronaldo é um craque consagrado, decisivo.
Nilmar busca seu verdadeiro espaço, afirmação internacional e com o Internacional.
Com Taison e Nilmar, o Inter precisa de posse de bola, tocá-la para exercitar sua velocidade.
Nos jogos decisivos do Paulistão, após conquistar a vantagem nas primeiras partidas contra São Paulo e Santos, Mano Menezes manteve o time, mas mudou o esquema tático em função do adversário.
Tite precisa de tranquilidade, pois este Inter foi formatado para decidir, para ganhar a Copa do Brasil e o Brasileiro. É o que se espera do comandante que joga também a sua permanência.
Um dia o futebol vai descobrir a psicologia de esporte, decisiva em momentos de igualdade técnica.
- 01h59
- 30Jun
Ronaldo reclamou da desorganização na final do Campeonato Paulista. Taça pegando fogo, confusão em campo e bebida ruim para comemorar no vestiário.
Criticou o número de bicões em campo na partida contra o Goiás, no Serra Dourada. Uma esculhambação.
Agora foi o excesso de concentração, mais um longo período distante da família.
Ronaldo deixou o Brasil aos 17 anos para jogar na Europa. Com essa idade tudo é festa, tudo é novidade.
Voltar a enfrentar a nossa realidade não é fácil. Infelizmente não é possível comparar a organização do futebol europeu com o que se faz por aqui.
Na Europa, os times quase não se concentram. Os jogadores se reúnem no dia do jogo, almoçam, descansam e jogam. Simples. Quem sair da linha responderá por seus atos.
A concentração é mesmo uma prisão. E para o Corinthians, que ainda não possui um centro de treinamento decente, ajuda a manter os jogadores reunidos para treinar.
Quem garante que estar próximo da família não é tão importante quanto treinar, treinar e treinar?
Mauro Silva, ex-volante da seleção, participou do Bate Bola e concordou que ninguém merece ficar confinado.
Bem-vindo ao Brasil, Ronaldo!
Dunga assumiu o comando da seleção para colocar um pouco de ordem na casa, numa bagunça que a própria CBF ajudou a criar.
Depois de 45 partidas, os números do treinador são muito bons e revelam seu melhor momento no comando da equipe: 31 vitórias, 10 empates e 4 derrotas.
O Brasil não joga um futebol capaz de torná-lo muito superior aos demais, o grande e único favorito ao título da Copa. Em 2006 havia talento de sobra e quase nenhum comprometimento.
O grupo de Dunga não é o suprassumo do talento, não há substituto para Kaká, mas a vontade de vencer pode fazer a diferença.
Para algumas posições há reposição, já para outras só resta torcer para que nenhum problema desfalque o time.
Até a Copa, seria importante encontrar uma opção de velocidade, de drible, alguém capaz de funcionar como Robinho. Taison? Só testando, como Dunga fez com Ramires, por exemplo.
Continuamos com mais problemas diante dos pequenos do que contra os grandes do futebol mundial.
Contra países que já venceram Copas do Mundo, jogamos nove vezes. Ganhamos seis e empatamos três.
Durante o mês de junho, a seleção jogou duas partidas pelas Eliminatórias e cinco na África. Ganhou os sete jogos, a mesma quantidade que precisa para ser campeã do mundo no ano que vem, sem sofrimento.
É um time de que dá para o gasto, mas pode ser melhorado, desde que Dunga aproveite o tempo até a Copa e não seja teimoso.
Um obstáculo importante, que precisa ser muito bem driblado, é o desgaste dos jogadores antes e durante a competição.
A condição física será um diferencial importante no próximo Mundial.

O resultado foi ótimo, o jogo não.
Escalado no sistema 4-4-2, o São Paulo da estreia de Ricardo Gomes foi um time preso, amarrado, com pouca mobilidade.
Duas bolas paradas de Hernanes decidiram a partida. Na primeira, ele cruzou para Jeal Rolt fazer 1 a 0, de cabeça.
Na segunda, chutou forte e o volante Johnny fez contra, também de cabeça.
Então quer dizer que Hernanes foi o máximo? Recuperou o futebol do ano passado?
Não é bem assim. Foi bem nas bolas paradas mas não conseguiu se transformar numa alternativa para a armação de jogadas no meio-de-campo.
No primeiro tempo, o São Paulo teve muita dificuldade para marcar o Náutico, escalado no sistema 3-5-2.
É o início de um novo ciclo. Ricardo Gomes ainda precisa conhecer todas as possibilidades que o grupo lhe oferece.
O desafio é fazer o time jogar jogar com mais velocidade. A posição de Washington pode estar ameaçada. O São Paulo foi melhor sem ele.
Sob o comando de Muricy, a qualidade desta vitória certamente seria questionada.
Com Ricardo Gomes, pela estreia e por toda a expectativa criada pela troca, é preciso ter calma e oferecer-lhe tempo.
- 16h21
- 27Jun

Vanderlei Luxemburgo não é maior que o Palmeiras.
Nem o presidente Luiz Gongaza Belluzzo está acima da instituição.
O caso Keirrison é o fim de uma série de equívocos.
Luxemburgo era funcionário do Palmeiras. Não seu dono.
A diretoria acabou com o ciclo de quem se julgava mais importante que o futebol.
Luxemburgo precisa entender que não é Charles Miller.
Agora o clube sinaliza na direção de Muricy Ramalho.
É o que no mercado de automóveis define como troca com troco.
É mais barato, mais simples e só pensa naquilo. No futebol.
Fora de campo, no dia-a-dia, todos nós conhecemos: um pouco mais de estabilidade no cargo e organização. Isso é o que os profissionais recebem dos clubes.
No campo, a história é diferente, é notória a dificuldade que os clubes brasileiros têm para montar boas equipes e mantê-las.
Nossos "professores" são obrigados a "inventar", a tirar coelhos da cartola todos os dias. Mexem mais na parte tática, alteram sistemas e esquemas de jogo.
Muricy ganhou três Brasileiros exibindo o valor da riqueza tática são-paulina construída por ele, com 3-5-2, 4-5-1 e 4-4-2. E muitas vezes com todos esses ingredientes numa mesma partida.
Agora chegou Ricardo Gomes. Naturalmente os europeus preferem manter um sistema e alterar apenas os nomes, os jogadores. Desfrutam de sua estabilidade.
Vai ser interessante observar o novo São Paulo, até a semana passada o time que mais se modificava com a bola rolando. Gomes pretende dar mais estabilidade ao 4-4-2.
Vamos ver como o time vai se comportar: se prefere um padrão mais rígido, ou se vai sentir falta de sua velha e boa mobilidade tática.
Depois de três anos com o mesmo treinador, certamente o São Paulo passará por um período de adaptação, pois no banco há um ex-jogador e um treinador com muita influência do futebol europeu.
A África do Sul conseguiu marcar e pressionar a seleção brasileira.
Enfrentamos, normalmente, adversários enfiados na defesa, dispostos a reduzir o espaço como forma de travar o jogo da equipe de Dunga. Muitos conseguem.
Com espaço para contra-atacar, temos um time como poucos: veloz, vertical. Mas ainda falta paciência para tocar a bola, fazê-la circular, como o velho e bom futebol brasileiro sempre fez, até encontrar o caminho para jogar.
Isso ainda nos falta, não faz parte do repertório da equipe atual.
O resultado não foi espetacular, mas serviu para afastar o terremoto que derrubou a invencibilidade espanhola.
Os números de Dunga no comando da seleção continuam muito bons. Se a Copa das Confederações serve como preparação, o mês de junho é especial. O time completou ontem a sexta partida em apenas 20 dias. Superou todos os adversários, com direito a goleada sobre Uruguai e Itália.
Na final contra os estados Unidos, o desgaste da equipe deve ser considerado. Provavelmente, com um dia a mais para descansar, os Estados Unidos vão se comportar melhor do ponto de vista físico.
Mas quem chegou tão longe não pode falhar. Vencer o time de Obama é fundamental.
Para Joel Santana foi ruim, mas foi ótimo. Uma derrota por apenas 1 a 0, no final da partida, vale mais do que uma vitória sobre equipe inexpressiva.
A África do Sul jogou bem, mas ainda não pode garantir uma boa campanha na Copa do Mundo. Ultrapassar a fase de grupos é, hoje, o maior desafio para 2010.
- 20h17
- 24Jun

Vicente del Bosque, treinador espanhol, terá que recuperar a confiança da equipe
A final entre Brasil e Espanha estava desenhada.
Estados Unidos e África do Sul eram pequenas pedras no caminho. Até a zebra aparecer. E que zebra!
Foram 35 jogos de invencibilidade para a lata do lixo.
A derrota para os norte-americanos foi uma pancada num futebol que começava a se encorpar.
O tropeço na Copa das Confederações seria fatal se os espanhóis não fossem os atuais campeões da Eurocopa.
Hoje há uma geração mais confiante, que pode ganhar musculatura com a derrota na África.
Não se pode diminuir o futebol espanhol porque o time perdeu um torneio de pequena importância.
O Brasil venceu a última edição e foi um fiasco no Mundial.
O time de Barack Obama "estragou" a final do torneio e baixou a bola da Fúria.
Agora o treinador Vicente del Bosque terá uma missão importantíssima pela frente.
A Espanha acordou do sonho e passa a fazer parte do mundo real, o que pode ser altamente positivo para quem pretende disputar o título da Copa do Mundo.

Desde 2003, no primeiro campeonato disputado no sistema de pontos corridos, um time não apresentava números tão bons quanto os do Atlético Mineiro de Celso Roth, o treinador com a maior quantidade de pontos conquistados nas últimas 45 rodadas.
Contratado para apagar um incêndio que começou no estadual, o treinador conduziu o Galo à liderança do Brasileiro.
São 17 pontos de 21 disputados, com aproveitamento de 81 %. É só o começo, um ótimo começo.
Com menos de 20% do campeonato jogado, não se pode garantir que o Atlético-MG disputará o título porque é líder com sete rodadas.
Somente um líder na 7ª. rodada foi campeão brasileiro, o Cruzeiro de Luxemburgo em 2003. Já o Corinthians, líder na 7ª. rodada em 2007, foi rebaixado.
Um campeão precisa de mais. Precisa, entre tantas coisas, de um treinador que saiba trabalhar num campeonato longo.
Que sorte! Em 45 rodadas (2008 + 2009), Roth ganhou 72 pontos com o Grêmio vice-campeão no ano passado e 17 agora com o Atlético Mineiro. São 89 pontos contra 82 de Muricy, o ex do São Paulo, no mesmo período.
Agora falta um título.
Veja os números:
2003 – 24 clubes
Após 7 rodadas – 1º. Cruzeiro, 17 pontos – 81% de aproveitamento.
Campeão – Cruzeiro, 100 pontos
2004 – 24 clubes
Após 7 rodadas – 1º. São Caetano, 14 pontos – 67% de aproveitamento.
Campeão – Santos, 89 pontos
2005 – 22 clubes
Após 7 rodadas – 1º. Botafogo, 15 pontos – 71,5% de aproveitamento.
Campeão – Corinthians, 81 pontos
2006 – 20 clubes
Após 7 rodadas – 1º. Cruzeiro, 16 pontos – 76% de aproveitamento.
Campeão – São Paulo, 78 pontos
2007 – 20 clubes
Após 7 rodadas – 1º. Corinthians, 15 pontos – 71,5% de aproveitamento.
Campeão – São Paulo, 77 pontos
2008 – 20 clubes
Após 7 rodadas – 1º. Flamengo, 16 pontos – 76% de aproveitamento.
Campeão – São Paulo, 75 pontos
2009 – 20 clubes
Após 7 rodadas – 1º. Atlético-MG, 17 pontos – 81% de aproveitamento.
Campeão - ???
Todo bom brasileiro se considera um especialista em futebol, mas Paulo Calçade é um dos poucos que realmente podem usar o título com propriedade. O comentarista dos canais ESPN e da rádio Eldorado ESPN é pós-graduado em futebol pela USP, onde atualmente é professor-convidado da disciplina Jornalismo e Esporte do curso de Esportes.
Além da paixão pelo futebol, Calçade também cultiva o gosto pelos estudos. “Sempre estou por aí nos cursos. O primeiro que fiz foi sobre arbitragem. Já fiz até um na Getúlio Vargas, de Administração, para profissionais do esporte. Estudar sempre dá uma facilidade para se atualizar, porque você não pode passar para o assinante informação envelhecida”.
Antes de entrar para a ESPN Brasil, em 1994, quando o canal ainda era a TVA Esportes, o jornalista havia trabalhado em jornais, como Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo.
Em tevês, passou por Record e Bandeirantes, onde também trabalhou na rádio.
Cobriu as Copas do Mundo da França/98 e Alemanha/2006.
Atualmente, comanda o programa Fora de Jogo, da ESPN. Participa das transmissões de jogos internacionais, de seleções, faz comentários no Bate Bola, no SportsCenter, nas jornadas da Rádio Eldorado ESPN, além das participações no Bola da Vez.
Jornalista há 25 anos, é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Eldorado ESPN. Pós-graduado em futebol, pela Escola de Educação Física e Esporte (USP), acredita que a ciência tem um papel importante no futebol atual. Este blog será um espaço também para se discutir estas questões
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