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- 23h58
- 14Mar

Do grande clássico da Vila Belmiro se aproveita tudo. Do início morno do Palmeiras, aparentemente conformado em ser mais uma vítima, à virada com a marca registrada do atacante mais malhado do início da temporada brasileira.
Robert marcou três: pelo alto, por baixo e de longe. A vitória palmeirense tem vários significados. Com alguns ingredientes do triunfo sobre o São Paulo, na estreia de Antonio Carlos, e agora com boas pitadas das descobertas feitas na Vila Belmiro, é possível encontrar uma direção.
O início do Santos foi grandioso pela vantagem construída em apenas 30 minutos. Não precisou se esforçar muito para chegar aos 2 a 0. Parecia ser mais um daqueles dias de arrepiar. Nada a ver com a partida de quarta-feira, pela Copa do Brasil, com os 10 a 0 sobre o Naviraiense, que só conheceu a Vila Belmiro porque os santistas permitiram no jogo de ida.
Sempre haverá alguém para encontrar virtudes e vantagens na derrota. Mas, desta vez, elas realmente existiram. O futebol bonito, alegre, descontraído e objetivo foi para o espaço junto com a segurança defensiva. Neymar, Robinho e André não conseguiram reagir. A ficha caiu para eles também.
Neymar foi expulso ao oferecer um pouco do que anda recebendo. O excesso de jogos pode ser uma tentação para explicar a derrota, mas não convém utilizá-lo agora.
O mais importante a fazer é tirar ensinamentos do placar e perceber que o mundo não gira no eixo santista. E que o futuro palmeirense pode ser melhor.
Foi uma baita vitória do Palmeiras, um jogo que merece ser lembrado.

Os clássicos valem por um campeonato inteiro.

O Nacional do Paraguai é um daqueles times que com cinco minutos de jogo você já sabe o que vai acontecer.
O resultado dependia exclusivamente do São Paulo, embora a equipe ainda se mantenha distante de praticar um futebol confiável.
Dagoberto resolveu facilitar as coisas e fez um ótimo segundo tempo, construindo o gol de Washington, aos 13 minutos.
No primeiro tempo, o São Paulo ofereceu muito espaço ao Nacional, distanciando atacantes, meias e volantes.
Com a defesa bem próxima de Rogério Ceni, o adversário tinha muito campo para correr e cruzar a bola na área.
Viveu disso por um bom tempo e levou um perigo desnecessário aos zagueiros são-paulinos.
Individualmente o time continua devendo bastante. Mas vale lembrar os números de Washington: 69 partidas e 41 gols marcados, média de 0,59 por jogo.
Falta mobilidade, faltam jogadores que se apresentem para as jogadas, que sirvam de opção para o passe.
Falta jogo.
- 22h33
- 10Mar

O Arsenal de terça-feira explica o Real Madrid de quarta. O futebol é um jogo coletivo que este projeto "blanco" não consegue absorver. O dinheiro é fundamental, melhora as escolhas, mas não é suficiente para fazer o time jogar.
Depois de nove Champions, o torcedor madridista é, naturalmente, muito mais exigente. Espera vitórias e beleza. O presidente Florentino Perez gastou 250 milhões de euros no projeto atual, eliminado pelo minúsculo Alcorcón, da Segunda B, na Copa del Rey, e agora pelo Lyon, na Champions.
O Real Madrid precisa entender o valor do futebol coletivo e saber que nem sempre o dinheiro consegue pular etapas. O time possui grandes jogadores do futebol mundial, mas não decola porque trabalha errado. E pensar que a final da Champions acontece em Madrid. Sem os donos da casa.
A partir de agora começa a se formar uma lista de culpados: Pellegrini, Kaká, Florentino, Lyon... Talvez o problema esteja na ganância e na pressa.

Mobilidade com talento é tudo. Na goleada sobre o Porto, o Arsenal mostrou como deve funcionar um time de futebol. Dono de uma pequena, mas importante vantagem, construída na partida de ida, a equipe portuguesa preparou-se para marcar os ingleses com três jogadores no meio-campo, além de Hulk e Varela pelos lados.
Não funcionou, pois o Arsenal atacou por todos os setores, com Rosicky articulando o jogo no meio-campo, desorientando a marcação, enquanto o time se mantinha aberto com as subidas do lateral Sagna pela direita.
Futebol de conjunto é tudo. E funciona porque existiu talento de sobra, distribuído nas jogadas de Nasri e Arshavin, que destruíram a marcação com magníficas jogadas individuais.
Não vai ser apenas a goleada (5 a 0) sobre o Porto que definirá a grandeza do futebol do Arsenal de Arsène Wenger, mas partidas como a desta terça-feira nos dizem que ainda há um caminho, que o jogo pode ser colaborativo e pode fazer a bola transitar de pé em pé, preservando talentos e esquemas.
O time que sai pelo mundo garimpando jovens talentos apresenta um futebol onde o individual trabalha pelo conjunto. Fazendo arte. Não é sempre que vai funcionar, mas é fantástico quando as peças se encaixam.
As contusões têm atrapalhado o trabalho de Wenger, mas não conseguiram tirar o Arsenal da Champions.
O jogo fez bem ao futebol. Que continue assim.
- 11h47
- 08Mar

A troca de treinador não conseguiu devolver estabilidade ao Palmeiras. A oitava posição no Campeonato Paulista ainda não é o bastante para representar a capacidade do grupo atual.
Não se trata de uma equipe brilhante, mas é natural se esperar mais. O problema é físico, técnico, tático e, sobretudo, psicológico.
Muricy Ramalho deixou o clube, mas os problemas continuam por lá.
Um lance, aos 44 minutos do segundo tempo, mostrou bem o que tem sido o Palmeiras desde o ano passado: Daniel Lovinho cruzou da direita, Danilo ajeitou a bola de frente para o gol e Robert atrapalhou o zagueiro no momento do chute.
Mesmo assim a equipe foi salva por Cleiton Xavier, aos 48, perfeito diante da defesa do último colocado do Campeonato Paulista.
No finalzinho do jogo, todas as bolas na área do Sertãozinho, com e sem endereço certo, acabaram se transformando em situação de gol. O Palmeiras não precisa sofrer tanto.
O Sertãozinho fez 2 a 1 graças a um pênalti que não existiu, mas todo palmeirense sabe que o problema não é esse.
Domingo o time tem o Santos pela frente.

Não importa, agora, o que aconteceu com o atacante Adriano. Se foi uma briga no morro ou numa roda da alta sociedade carioca.
O problema é que o jogador, mais uma vez, prejudica sua equipe e a si mesmo.
Em função desse complicado histórico do Imperador, cabe a pergunta: Adriano vai suportar 45 dias de confinamento para a disputa da Copa do Mundo?
Dunga quer jogadores comprometidos, focados na competição.
O discurso é perfeito, mas Adriano se enquadra nesse perfil?
Nome certo na lista do Mundial, Adriano é, hoje, um risco.
A lista de 23 pode ficar com 22 jogadores a qualquer momento.
- 18h05
- 05Mar
Agora a International Board deve eliminá-la do futebol. A entidade analisa essas e outras questões neste sábado, em Zurique.
O caso já foi comentado por aqui, mas finalmente chegou o momento de uma regulamentação mais clara sobre a cobrança do pênalti.
Enquanto a bola não entra em jogo, não vejo problema de o atacante correr, parar, dar cambalhotas... Lembre-se que, nesse tipo de cobrança, a regra permite que se toque na bola para que outro finalize.
Sim, pode haver uma tabelinha na área na cobrança do pênalti. Vamos acabar com isso também?
Essa, porém, é uma questão menor. Eleger a paradinha como vilã da história é fechar os olhos para o que realmente interessa.
O problema está na falta de critério dos árbitros. O futebol europeu aceita, com tranquilidade, um jogo mais duro, viril, bem diferente do que se vê por aqui.
Bastava dar uma olhada nos amistosos entre as seleções na última data FIFA. Um árbitro do Paulistão, por exemplo, teria dificuldade para levar algumas dessas partidas até o final.
Quem está certo ou errado é discussão secundária diante da falta de critério, que precisa ser único.
A regra permite interpretações diferentes, mas alguém precisa definir o valor de um pontapé.
Infelizmente os cartolas deixarão perguntas mais importantes sem resposta.
Mexer na paradinha chama mais a atenção.
- 20h10
- 04Mar
O sistema travou e o torcedor ficou do lado de fora do Pacaembu. Muita gente não conseguiu comprar ingresso para a partida entre Corinthians 1 x 1 Botafogo, iniciada às 5 da tarde desta quinta-feira.
O repórter Mendel Bydlowski, dos canais ESPN, acompanhou o drama dos torcedores que pretendiam adquirir ingressos para o jogo. É de chorar.
O futebol profissional no país da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos continua sendo uma miragem. Durante o Mundial será maravilhoso, tudo vai funcionar com a FIFA no comando.
De um jeito ou de outro, a Copa vai sair. Estádios serão construídos e reformados, teremos um mês exemplar por aqui.
Mundial de verdade é o torcedor bem tratado todos os dias, como qualquer consumidor.
Não seria difícil modificar a situação. Bastaria a FIFA incluir em seu pacote de exigências uma conduta exemplar das entidades nacionais nos anos que antecedem a Copa.
Os cartolas internacionais se metem em tudo, mas não dizem nada sobre os campeonatinhos ridículos que temos por aqui.
Como a Copa poderia nos ajudar? Fácil: só teria direito a realizá-la quem tratasse os torcedores com dignidade, quem tivesse uma Justiça Esportiva eficiente, quem respeitasse o calendário da própria Fifa...
O que chama a atenção no caso do Pacaembu é que a melhor solução para o problema foram as borrachadas da PM em alguns torcedores que se exaltaram e tentaram invadir o estádio.
Por aqui, o plano B só aparece quando os cassetetes são acionados. Deve ser B de borracha.
Mas o sistema continua travado para o que não interessa.
Era só deixar o povo ocupar o tobogã para ver o futebol fraquinho do Corinthians.
- 21h22
- 03Mar

A Espanha foi a Paris para fazer o seu jogo, o de um time pronto para o Mundial. Do outro lado, a França mostrou que ainda há muito trabalho pela frente: é uma equipe perdida em campo, tática e tecnicamente mal.
O time de Vicente Del Bosque não jogou um futebol sublime, mas soube controlar a partida e tirar proveito das deficiências do adversário até chegar aos 2 a 0 ainda no primeiro tempo.
Com Fernando Torres e Xavi retornando de contusão, o treinador espanhol usou todas as seis substituições possíveis e manteve uma equipe forte no Stade de France, demonstrando também contar com um bom banco de reservas.
Raymond Domenech, por sua vez, coçava a cabeça e assistia. Manteve Thierry Henry e sua má fase em campo por 60 minutos. Ribery, que prefere jogar no lado esquerdo, foi dominado na direita.
Havia no papel duas equipes com sistemas idênticos, jogando no 4-2-3-1. Como os números ajudam a explicar muito pouco, o que vale é a movimentação, o que cada equipe faz com e sem a bola. É quando surgem as diferenças.
Sem a bola, o time que iniciou pela Espanha se defende com duas linhas, tendo na segunda, no meio-campo, Busquets, Xabi Alonso, Fábregas e a volta de Iniesta pelo setor esquerdo.
A Espanha tem tudo para ser um dos bons times deste Mundial. E chega com uma vitória sobre a França, em campo inimigo, o que não acontecia desde 1968.
Partidas disputadas na França:
1. 30-4-22 Bordeaux: França 0-4 Espanha (Amistoso)
2. 22-5-27 Paris: França 1-4 Espanha (Amistoso)
3. 23-4-33 Paris: França 1-0 Espanha (Amistoso)
4. 19-6-49 Paris: França 1-5 Espanha (Amistoso)
5. 13-3-58 Paris: França 2-2 Espanha (Amistoso)
6. 17-12-59 Paris: França 4-3 Espanha (Amistoso)
7. 10-12-61 Paris: França 1-1 Espanha (Amistoso)
8. 17-10-68 Lyon: França 1-3 Espanha (Amistoso)
9. 8-11-78 Paris: França 1-0 Espanha (Amistoso)
10. 5-10-83 Paris: França 1-1 Espanha (Amistoso)
11. 27-6-84 Paris: França 2-0 Espanha (Final Eurocopa 84)
12. 23-3-88 Bordeaux: França 2-1 Espanha (Amistoso)
13. 20-2-91 Paris: França 3-1 Espanha (Classif. Eurocopa 92)
14. 28-1-98 Paris: França 1-0 Espanha (Amistoso)
15. 3-3-10 Paris: França 0-2 Espanha (Amistoso)
- 21h07
- 02Mar

No segundo tempo houve em campo um pouco do que se espera de uma seleção brasileira. Um time que saiba prender a bola no ataque e fazê-la transitar pelo meio-campo até que a defesa adversária possa ser rompida. O gol de Robinho é um exemplo do que pode e deve ser feito.
O primeiro tempo foi preocupante. Uma equipe empurrada contra seu próprio gol pela Irlanda e suas duas linhas de quatro, uma dificuldade para qualquer time brasileiro, até para esse, repleto de jogadores acostumados a enfrentar esse esquema todos os dias.
As linhas de quatro, mais famosas do que os jogadores que as compõem, bloqueiam os lados do campo e travam um time sem mobilidade. Por isso é necessário tocar a bola com objetividade e mantê-la no ataque, com paciência.
A forma de jogar dos irlandeses serviu para reforçar uma virtude: o contra-ataque, que não pode se transformar na única saída de uma seleção brasileira.
A seleção melhorou com mais posse de bola, com o jogo mais próximo de Kaká. Prefiro Daniel Alves no meio-campo, acredito que com ele o jogo se mantém acelerado, mas com melhor passe e criatividade.
Com as convocações de Victor e Luís Fabiano, o grupo da Copa não deverá ser diferente desse de Londres.

Faltou pouco para Ronaldinho Gaúcho se aposentar, no ano passado. Pelo pouco que jogava em campo e por tudo que fazia fora dele. Mas agora tem sido diferente. Gaúcho tem construído a maioria das jogadas de gol do Milan. Perdeu tempo na seleção, é verdade, mas não podemos perder a Copa por falta de talento. Além de observar seus jogadores, a missão do treinador de uma seleção é, também, "pressioná-los" por um desempenho melhor.

Jornalista há 25 anos, é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Eldorado ESPN. Pós-graduado em futebol, pela Escola de Educação Física e Esporte (USP), acredita que a ciência tem um papel importante no futebol atual. Este blog será um espaço também para se discutir estas questões