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Bahia e Fortaleza empatam e seguem ameaçados pela degola
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por Celso Unzelte
Desde a noite em que foi fundado, em 1º de janeiro de 1931, o Bahia vem fazendo jus a seu slogan: “Nasceu para vencer”. Logo no primeiro ano de vida, o time foi campeão baiano, e até hoje ninguém tem mais títulos em seu estado que o Tricolor. Em todo o Brasil, somente o ABC, no Rio Grande do Norte, supera o Bahia em número de conquistas estaduais.
Fora de seu terreiro, o Bahia é igualmente grande. Ganhou a primeira competição verdadeiramente nacional, a Taça Brasil de 1959, derrotando nas finais o Santos de Pelé e tornando-se o primeiro representante brasileiro na recém-criada Libertadores. Quase trinta anos depois, em 1988, o Bahia de Bobô voltou a conquistar um título nacional, sagrando-se campeão brasileiro em uma disputada final contra o Inter. O Bahia foi também bicampeão da Copa Nordeste, em 2001 e 2002.
Essa história de conquistas começou quando a Associação Atlética da Bahia (azul e branca) e o Clube Bahiano de Tênis (vermelho e branco) extinguiram seus departamentos de futebol. Então, esportistas ligados às duas equipes resolveram fundar um novo clube. Daí as cores do Tricolor, que são também as mesmas do Estado da Bahia.
Depoimento pessoal sobre o clube
Em minha memória, ficará para sempre guardada a imagem do velho professor de Português, careca e com suas mãos de dedos tortos, bradando entusiasmado no meio da classe: “Ouve essa voz que é teu alento... Bahia! Bahia! Bahia!”
Mário Costa era baiano de Salvador. E tornou-se também torcedor do Bahia, depois que seu time de infância, o Ypiranga, entrou em decadência, e também depois que a saudade da terra natal apertou. Para muita gente, o Bahia é isso: um fator de identidade com a Boa Terra, mesmo quando se está longe dela. Naquele dia, eu havia perguntado ao professor Mário o significado da palavra “clangoroso”, presente no hino oficial do Vasco (“Clangoroso apregoa altaneiro o clarim estridente da fama...”). E ele não só me respondeu que clangoroso significava apregoar cheio de clangor, com um som forte, como me perguntou se eu sabia qual hino de futebol trazia em sua letra o grito da torcida. Respondi que não, e ele não pensou duas vezes antes de entoar no meio da classe a composição de Adroaldo Ribeiro Costa que, hoje, é um dos sucessos do Carnaval baiano.
Isso foi em 1983, tempo em que o Bahia, para mim, era apenas um time absoluto em seu Estado. Heptacampeão de 1973 a 1979, tinha Sapatão, Baiaco, Beijoca, Osni, Douglas. Mas fora da Bahia e da região Nordeste não significava muito, apesar da façanha de 1959, da vitória na primeira Taça Brasil contra o Santos de Pelé que valeu vaga na primeira Libertadores.
Isso só foi mudar para mim — e, acredito, para muita gente Brasil afora — com a conquista do Brasileiro de 1988, já em 1989. Naquele ano, a elegância sutil de Bobô e a eficiência de alguns jogadores que nunca mais conseguiram repetir o mesmo brilho, como o volante Zé Carlos, tornaram o Bahia um time verdadeiramente nacional. Para seus torcedores, porém, o Bahia, independentemente de seus resultados em campo, é e será sempre um sentimento. Como era para o meu velho professor Mário Costa.
Títulos mais importantes: 1 Brasileiro (1988); 1 Taça Brasil (1959); 2 Copa Nordeste (2001 e 2002); 43 Campeonatos Baianos (1931, 33/34, 36/37/38, 40, 44/45, 47/48/49/50, 52, 54, 56, 58/59/60/61/62, 67, 70/71, 73/74/75/76/77/78/79, 81/82/83/84, 86/87/88, 91, 93/94, 98 e 2001)
Jogadores mais marcantes:
Carlito (atacante, 1949 a 1961)
Marito (atacante, 1953 a 1963)
Roberto Rebouças (zagueiro, 1965 e 1970 a 978)
Beijoca (atacante, 1970/71, 1976, 1978 a 1980 e 1984/85)
Bobô (meia, 1986 a 1989 e 1995 a 1997)
Nome: Esporte Clube Bahia
Fundação: 1º/1/1931
Apelido: Tricolor de Aço
Estádio: Metropolitano Roberto Santos (Pituaçu), 32 000
Hino
Adroaldo Ribeiro Costa e Agenor Gomes
Somos da turma tricolor,
Somos a voz do campeão,
Somos do povo o clamor,
Ninguém nos vence em vibração!
Vamos, avante, esquadrão!
Vamos, serás o vencedor!
Vamos, conquistar mais um tento!
Bahia, Bahia, Bahia!
Ouve esta voz que é teu alento!
Bahia, Bahia, Bahia!
Mais um! Mais um, Bahia!
Mais um, mais um título de glória!
Mais um! Mais um, Bahia!
É assim que se resume a tua história!