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por Celso Unzelte
Vermelho do América, preto do Internacional. Essa é a origem do Atlético Paranaense, fruto da fusão de dois outros tradicionais clubes curitibanos, em 1924. Porém, para o primeiro jogo, contra o Universal (vitória atleticana por 4 a 2, em 6 de abril de 1924), os novos uniformes não ficaram prontos. O jeito foi entrar em campo com as camisas listradas em preto e branco que eram do Inter.
Já rubro-negro, o Atlético, inicialmente um clube de elite, como os dois que lhe deram origem, foi aos poucos se popularizando. Campeão estadual logo no ano seguinte à sua fundação, em 1925, bi em 1929 e 1930, primeiro campeão profissional do Paraná, em 1934, novamente campeão em 1936, 1940, 1943 e 1945. O Atlético montou um dos maiores times de sua história em 1949. Naquele ano, o “Furacão” passou por cima de todos os adversários e acabou virando um símbolo do próprio clube.
A história atleticana também foi marcada por dois longos jejuns de títulos estaduais, de 12 anos cada, entre 1958 e 1970 e de 1970 a 1982. Mas, a partir dos anos 90, o clube se moderniza. Constrói a moderna Arena da Baixada, conquista seu primeiro título de campeão brasileiro em 2001 e chega à decisão da Libertadores contra o São Paulo, em 2005.
A saga do clube
Durante boa parte da minha infância, mais precisamente entre os dez e os 14 anos de idade, acostumei-me a acompanhar, ainda que à distância, a saga do Atlético Paranaense. Fosse pelos Gols do Fantástico ou pelas páginas semanais da revista Placar, encantava-me a história daquele time bem diferente do atual, que nos últimos tempos ganhou o respeito de todo o país.
O Atlético da virada dos anos 70 para os 80 enfrentava um longo jejum de títulos estaduais. Vinha desde 1970, ano, aliás, em que a equipe dera fim a um jejum anterior, iniciado em 1958. Quer dizer: em 24 anos, de 1958 a 1982, apenas dois títulos estaduais! E ao mesmo tempo, naquele mesmo período, quanta história dramática para contar...
1) A péssima campanha no Paranaense de 1967, que só não provocou a queda para a segundona estadual porque o presidente Jofre Cabral e Silva comprometeu-se a montar um timaço no ano seguinte. E montou mesmo, com os campeões Djalma Santos e Bellini, ambos já em final de carreira, entre outros.
2) A perda do título paranaense naquele mesmo 1968, com um gol de Paulo Vecchio, para o Coritiba, no último minuto da decisão.
3) A morte do próprio presidente Jofre Cabral em um jogo em Londrina, vítima do coração, ao longo daquele mesmo campeonato.
4) A virada por 4 a 3 em um clássico contra o Coritiba que chegou a estar 2 a 0 para o Coxa, em 1971.
5) A final do Paranaense de 1978, em que depois de três 0 a 0 o goleiro Manga, do Coxa, mesmo com um estiramento na perna, calou os atleticanos nas cobranças de pênaltis.
Eram tempos em que, diziam os próprios atleticanos para convencer o filho a ser rubro-negro, era preciso apelar, lembrando que Zico usava uma camisa igual àquela (até 1989, o Atlético vestia camisas com listras horizontais, iguais às do Flamengo).
Entre o fim da minha infância e o início da minha adolescência, o Atlético também cresceu. Em 1981 já começava a esboçar um time decente e no ano seguinte, com o goleiro Roberto Costa, o volante Lino e o infernal Casal 20 Washington e Assis, quebrou o jejum estadual em grande estilo, faturando os três turnos.
Em 1983, o time foi semifinalista do Brasileiro (caiu nas semifinais apesar de derrotar o super Flamengo de Zico por 2 a 0 no segundo jogo) e bi paranaense, em cima do Coritiba, apesar de já desfalcado de Washington e de Assis, vendidos ao Fluminense.
A partir dos anos 90, o Atlético Paranaense tornou-se esse que hoje todos conhecem, com suas camisas de listras verticais, sua moderna Arena da Baixada, seu título de campeão brasileiro de 2001 e suas participações em Libertadores, que já culminaram, até, em um vice-campeonato. Mas no meu coração de menino aquele Atlético sofrido dos anos 70 terá sempre um lugar reservado.
Nome: Clube Atlético Paranaense
Fundação: 26/3/1924
Apelido: Furacão
Estádio: Arena da Baixada, 24 500
Jogadores mais marcantes
Caju (goleiro, 1933 a 1949)
Djalma Santos (lateral-direito, 1968 a 1971)
Washington e Assis (atacantes, 1982 e 1983)
Paulo Rink e Oséas (atacantes, 1995 a 1997)
Alex Mineiro (atacante, 2001 a 2003 e 2007)
Títulos
1 Brasileiro (2001); 1 Brasileiro da Série B (1995); 21 Campeonatos Paranaenses (1925, 29/30, 34, 36, 40, 43, 45, 49, 58, 70, 82/83, 85, 88, 90, 98, 2000, 2001, 2005 e 2009); 1 Superparanaense (2002)
HINO
Letra: Zinder Lins
Música: Genésio Ramalho
Atlético! Atlético!
Conhecemos teu valor
E a camisa rubro-negra
Só se veste por amor. (bis)
Vamos marchar
Sempre cantando
O hino do Furacão
E no peito ostentando
A faixa de campeão.
Atlético! Atlético!
Conhecemos teu valor
E a camisa rubro-negra
Só se veste por amor. (bis)
O coração atleticano
Estará sempre voltado
Para os feitos do presente
E as glórias do passado.
Atlético! Atlético!
Conhecemos teu valor
E a camisa rubro-negra
Só se veste por amor. (bis)
A tradição, vigor sem jaça,
Nos legou o sangue forte
Rubro-negro é quem tem raça
E não teme a própria morte.
Atlético! Atlético!
Conhecemos teu valor
E a camisa rubro-negra
Só se veste por amor. (bis).