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O escritor atleticano Roberto Drummond costumava dizer que “se houver uma camisa preta e branca pendurada no varal durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento”. E é verdade.
Principalmente em Minas Gerais (mas não só naquele estado), o Atlético é sinônimo de paixão.
Uma paixão que começou em 1908, quando 22 rapazes que costumavam jogar bola no Parque Municipal de Belo Horizonte resolveram fundar o Atlético Mineiro Futebol Clube. O nome foi escolhido porque todos eles viram-se obrigados a se tornar, ao mesmo tempo, dirigentes e atletas do novo clube. Somente em 25 de março de 1913, dia do quinto aniversário, é que o Atlético Futebol Clube transformou-se definitivamente no atual Clube Atlético Mineiro.
O time entra em campo pela primeira vez apenas em 1909, praticamente um ano após sua fundação, no dia 21 de março, e faz 3 a 1 no extinto Sport, time mais antigo de BH. Em 1915, o Atlético ganha o primeiro Campeonato Mineiro da história, competição da qual é até hoje o maior vencedor. O Galo, símbolo maior da equipe, só aparece em 1931, criado pelo cartunista Mangabeira, por causa da raça demonstrada em campo.
Em 1950, o Atlético faz uma excursão à Europa, joga debaixo de neve e volta com o título simbólico de Campeão do Gelo, que acabou incorporado ao hino do clube. Em 1971, vem a conquista maior: primeiro campeão brasileiro da história.
Craques do clube
O time começava com João Leite, um goleiraço de seleção, tanto que foi o titular do Brasil no Mundialito de 1981, no Uruguai. Depois, para ocupar a lateral-direita, chegou Nelinho, ex-ídolo do rival Cruzeiro, com suas incríveis bombas. Pela defesa passaram o correto Osmar Guarnelli, ex-Botafogo, e o clássico Luizinho, um cracaço, titular daquele grande Brasil da Copa de 1982.
E ainda tinha Toninho Cerezo, volante, sim, mas nada a ver com esses brucutus que a gente se acostumou a ver depois. Paulo Isidoro ocupava o meio-de-campo com seu futebol de formiguinha. Na frente, jogavam Reinaldo (“Rei, Rei, Rei, Reinaldo é o nosso Rei”, costumava saudar a galera no Mineirão) e Éder, dono de uma bomba tão santa quanto a de Nelinho, exímio cobrador de faltas e especialista na difícil arte do gol olímpico.
Essa é a síntese do grande Galo dos anos 70 para os 80. Síntese, sim, porque alguns desses jogadores, é verdade, jamais chegaram a atuar juntos — Paulo Isidoro e Éder, por exemplo, que foram envolvidos em uma troca com o Grêmio: quando um chegou, o outro saiu.
Mas no imaginário de quem acompanhou futebol naquela época, é como se fosse um time só. Porque um nome ou outro podia mudar, mas naquele período o Galo foi sempre o mesmo, forte e vingador, fazendo jus à letra de seu hino.
Em Minas, a base daquele time reinou absoluta, conquistando um inédito hexa de 1978 a 1983, sem dar a mínima chance ao Cruzeiro. No Brasileiro, sempre uma força, bateu várias vezes na trave. Foi semifinalista em 1976, 1983 e 1985, quando já pouco restava da formação original, e inesquecível vice-campeão em 1977 e 1980.
Na primeira vez, perdendo a taça nos pênaltis para o São Paulo, após um miserável 0 a 0 nos 90 minutos e na prorrogação, mesmo tendo terminado o campeonato com dez pontos a mais que o rival. Na segunda vez, resistindo bravamente ao Flamengo de Zico em um Maracanã lotado, com Reinaldo mancando, porém marcando até gols, e finalmente caindo por 3 a 2, única e exclusivamente por uma falha individual do zagueiro Silvestre.
Há também quem veja naquela derrota a mão sinistra das arbitragens tendenciosas, que teria estado presente outra vez no ano seguinte, de novo contra o Flamengo, em jogo-desempate pela Libertadores em Goiânia.
Terminou com cinco atleticanos expulsos pelo árbitro José Roberto Wright — Reinaldo, Palhinha, Éder, Chicão e Osmar — e sepultou o sonho de vôos internacionais daquele grande Galo. Grandes Galos houve outros, aliás muitos outros.
Como o campeão brasileiro em 1971, o campeão dos campeões do Brasil em 1937, os campeões do gelo em 1950, o de Marques e Guilherme, uma vez mais vice brasileiro em 1999. Porém, o maior de todos, pelo menos em termos de repercussão nacional, eu tenho o orgulho de dizer que vi jogar.
Nome: Clube Atlético Mineiro
Fundação: 25/3/1908
Apelido: Galo
Estádio: Mineirão (estadual), 75 783
Títulos: 1 Brasileiro (1971); 2 Copas Conmebol (1992 e 1997); 1 Brasileiro da Série B (2006); 39 Campeonatos Mineiros (1915, 26/27, 31/32, 36, 38/39, 41/42, 46/47, 49/50, 52/53/54/55/56, 58/62/63, 70, 76, 78/79/80/81/82/83, 85/86, 88/89, 91, 95, 99/2000 e 2007)
Jogadores mais marcantes
Reinaldo (1973 a 1985)
Mário de Castro (atacante, 1925 a 1931)
Dario (atacante, 1968 a 1978)
Toninho Cerezo (volante, 1974 a 1983 e 1996)
Marques (1997 a 2002, 2005 e desde 2008)
HINO:
Autor: Vicente Motta
Nós somos
Do Clube Atlético Mineiro
Jogamos com muita raça e amor
Vibramos com alegria nas vitórias
Clube Atlético Mineiro
Galo Forte Vingador.
Vencer, vencer, vencer
Este é o nosso ideal
Honramos o nome de Minas
No cenário esportivo mundial
Lutar, lutar, lutar
pelos gramados do mundo pra vencer
Clube Atlético Mineiro
Uma vez, até morrer
Nós somos campeões do gelo
O nosso time é imortal
Nós somos campeões dos Campeões
Somos o orgulho do Esporte Nacional
Lutar, lutar, lutar
Com toda nossa raça pra vencer
Clube Atlético Mineiro
Uma vez até morrer