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- 21h56
- 21Sep
Dos males, o menor
por José Inácio Werneck, colunista do ESPN.com.br
Nas priscas eras do futebol brasileiro houve um jogador do Botafogo, conhecido como Mimi Sodré, que certa vez dirigiu-se ao juiz de uma partida, pedindo-lhe que anulasse um gol que acabara de marcar e tinha sido validado:
-Desculpe, senhor juiz, foi com a mão.
Isto, é claro, aconteceu muito antes da “mão de Deus” de Maradona e de um gol que acabo de ver na Internet, feito no Ceará, em que o atacante dá uma verdadeira cortada de vôlei na bola, sem que o juiz veja. Pedir ao árbitro que anulasse seu gol, nem pensar.
Nos tempos de Mimi Sodré, que jogou pela Seleção Brasileira, foi um dos fundadores do escotismo no Brasil e depois tornou-se presidente do Botafogo, o futebol era para amadores. Podia haver cavalheirismo. Esperava-se aliás que houvesse cavalheirismo.
Hoje o futebol é uma atividade furiosamente profissional, em que vigora a lei de Gérson e o que vale é ganhar a maior quantidade de dinheiro possível. O que, por exemplo, faz Luiz Felipe Scolari no Usbequistão, um dos países mais isolados e remotos do mundo, a não ser amealhar uma imensa quantia de dinheiro? Ele recebeu quase 30 milhões de dólares ao ser demitido do Chelsea e, no Bunyodkor, na cidade de Tashkent, ganha mais de 19 milhões de dólares por ano.
É o técnico mais bem pago do mundo, para viver em completo esquecimento em um país onde 45% da população ganham menos de 1,25 dólares por dia.
Scolari disse certa vez que queria se aposentar antes de completar 70 anos. Tudo indica que já está aposentado, nos confins da Ásia.
No futebol moderno, é preciso ganhar, de qualquer jeito. Ainda agora há uma verdadeira obsessão, na imprensa anglo-saxã, com o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva, que primeiro foi suspenso por dois jogos pela UEFA sob a acusação de simular um pênalti e depois teve a pena anulada. O replay mostra que o lance foi apenas duvidoso.
Há jogadores famosos por se jogarem ao chão. O futebol brasileiro teve em Luizinho Tombo, que começou no América do Rio e depois passou por outros clubes, seu exemplo mais conhecido. Irmão de Caio Cambalhota e, se não me engano, de César Maluco, tinha um apelido que já definia seu estilo de jogo.
Para falarmos de casos mais recentes, basta lembrar que Rivaldo na Copa de 2002 forçou a expulsão de um jogador da Turquia, fingindo ter sido mortalmente atingido.
Mas o mergulho, como é chamado na imprensa anglo-saxã, será mesmo o mais grave exemplo de anti-jogo? Ou pior ainda é a falta violenta e desleal? É bom lembrar que pouco mais de um ano antes de sua suposta simulação contra o Celtic de Glasgow, Eduardo tivera uma fratura exposta da perna por sofrer uma agressão tão horripilante de um botinudo do Birmingham City que a televisão Fox, que tinha os direitos de transmissão da partida, recusou-se a mostrar o teipe.
Seu agressor pegou apenas três jogos de suspensão.
O futebol não voltará aos tempos de Mimi Sodré mas, entre um jogador cai-cai e um facínora de chuteiras, o cai-cai é menos nocivo.
(Assistam também aos meus comentários em vídeo aqui mesmo no site da ESPN Brasil)
-Desculpe, senhor juiz, foi com a mão.
Isto, é claro, aconteceu muito antes da “mão de Deus” de Maradona e de um gol que acabo de ver na Internet, feito no Ceará, em que o atacante dá uma verdadeira cortada de vôlei na bola, sem que o juiz veja. Pedir ao árbitro que anulasse seu gol, nem pensar.
Nos tempos de Mimi Sodré, que jogou pela Seleção Brasileira, foi um dos fundadores do escotismo no Brasil e depois tornou-se presidente do Botafogo, o futebol era para amadores. Podia haver cavalheirismo. Esperava-se aliás que houvesse cavalheirismo.
Hoje o futebol é uma atividade furiosamente profissional, em que vigora a lei de Gérson e o que vale é ganhar a maior quantidade de dinheiro possível. O que, por exemplo, faz Luiz Felipe Scolari no Usbequistão, um dos países mais isolados e remotos do mundo, a não ser amealhar uma imensa quantia de dinheiro? Ele recebeu quase 30 milhões de dólares ao ser demitido do Chelsea e, no Bunyodkor, na cidade de Tashkent, ganha mais de 19 milhões de dólares por ano.
É o técnico mais bem pago do mundo, para viver em completo esquecimento em um país onde 45% da população ganham menos de 1,25 dólares por dia.
Scolari disse certa vez que queria se aposentar antes de completar 70 anos. Tudo indica que já está aposentado, nos confins da Ásia.
No futebol moderno, é preciso ganhar, de qualquer jeito. Ainda agora há uma verdadeira obsessão, na imprensa anglo-saxã, com o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva, que primeiro foi suspenso por dois jogos pela UEFA sob a acusação de simular um pênalti e depois teve a pena anulada. O replay mostra que o lance foi apenas duvidoso.
Há jogadores famosos por se jogarem ao chão. O futebol brasileiro teve em Luizinho Tombo, que começou no América do Rio e depois passou por outros clubes, seu exemplo mais conhecido. Irmão de Caio Cambalhota e, se não me engano, de César Maluco, tinha um apelido que já definia seu estilo de jogo.
Para falarmos de casos mais recentes, basta lembrar que Rivaldo na Copa de 2002 forçou a expulsão de um jogador da Turquia, fingindo ter sido mortalmente atingido.
Mas o mergulho, como é chamado na imprensa anglo-saxã, será mesmo o mais grave exemplo de anti-jogo? Ou pior ainda é a falta violenta e desleal? É bom lembrar que pouco mais de um ano antes de sua suposta simulação contra o Celtic de Glasgow, Eduardo tivera uma fratura exposta da perna por sofrer uma agressão tão horripilante de um botinudo do Birmingham City que a televisão Fox, que tinha os direitos de transmissão da partida, recusou-se a mostrar o teipe.
Seu agressor pegou apenas três jogos de suspensão.
O futebol não voltará aos tempos de Mimi Sodré mas, entre um jogador cai-cai e um facínora de chuteiras, o cai-cai é menos nocivo.
(Assistam também aos meus comentários em vídeo aqui mesmo no site da ESPN Brasil)
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